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Auxílio emergencial e flexibilização das medidas sanitárias puxam recuperação da indústria em maio

O crescimento da produção industrial em maio (+1,4% em relação a abril) reflete não apenas o arrefecimento das restrições sanitárias, mas também os efeitos, ainda que tímidos, do auxílio emergencial. Tais fatores permitiram a recuperação do setor de bens consumo semiduráveis e não duráveis, impulsionando setores negativamente afetados pela crise sanitária e pela deterioração do mercado de trabalho, conforme dados da PNADC. O desempenho positivo no mês, somada a reduzida base de comparação (1º semestre de 2020), contribui para o resultado expressivo da variação acumulada no ano (+13,1% em relação ao mesmo período do ano anterior).

Os principais destaques negativos se concentram no setor de bens de consumo duráveis (-2,4% em relação ao mês anterior), especialmente a fabricação de outros equipamentos de transporte exceto veículos automotores (-2,9%).  Destaca-se também o desempenho negativo da fabricação de produtos de madeira (-5,2%) e da fabricação de máquinas e equipamentos (-1,8%). O cenário ainda nebuloso no médio e longo prazo (após 2021) dificulta a decisão de gasto nesses setores, que já estão normalizando seus níveis de estoque. Embora positivo (+0,1%), o desempenho do setor automotivo também preocupa, por conta da dificuldade de obtenção de insumos-chave para a cadeia produtiva, como, por exemplo, os semi-condutores.

O resultado ruim, por sua vez, contrasta com o desempenho positivo dos setores de bens semiduráveis e não duráveis, como produtos alimentícios e bebidas (+2,9%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+8,0%) e artigos do vestuário e acessórios (+5,2%). A injeção de renda provocada pelo novo auxílio emergencial e a flexibilização das medidas sanitárias contribuem para tais resultados. Ademais, o setor externo continua impactando positivamente o resultado da indústria, com destaque para as indústrias extrativas (+2%).

O grande desafio para o crescimento nos próximos meses, portanto, é a melhora das condições do mercado interno (especialmente do consumo das famílias) para além do auxílio emergencial e dos avanços da vacinação. A perspectiva negativa em relação à renda e o emprego pode frustrar as expectativas dos empresários e, consequentemente, limitar a expansão da indústria para além de 2021. Neste contexto, a prorrogação das medidas emergenciais de combate à crise, a diminuição da pressão de preços administrados (principalmente energia elétrica) e da escassez de insumos em setores-chave da indústria serão os termômetros para a recuperação nos próximos meses. Por fim, não devemos esquecer que a quebra de importantes elos das cadeias produtivas internas ainda representa o maior o obstáculo estrutural para a retomada sustentável da atividade industrial no país. O esvaziamento do tecido industrial, em curso desde os anos 1990, implica na perda de competitividade estrutural de importantes segmentos industriais, o que, por sua vez, dificulta ainda mais a recuperação do setor em momentos de elevada incerteza.

 

Fonte: IBGE. Elaboração NEC/FACAMP

 

Núcleo de Estudos de Conjuntura (NEC)

Saulo Abouchedid

Juliana de Paula Filleti

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