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Avanço da informalidade e queda na massa de rendimentos ofusca queda expressiva da taxa de desemprego em junho

Saulo Abouchedid

Nayara Oliveira

Juliana de Paula Filleti

A taxa de desocupação do trimestre móvel de abril a junho desse ano caiu para 14,1% ante a 14,7% em relação ao primeiro trimestre, mas permanece superior ao mesmo trimestre do ano anterior (12,7%), impactando ainda a vida de 14,4 milhões de pessoas. Essa movimentação se deu por conta de dois efeitos simultâneos: pela elevação das ocupações que ocorreu em várias categorias de trabalho e pela redução das pessoas fora da força de trabalho (-889 mil pessoas), e consequente aumento da força de trabalho, impulsionando para baixo a taxa de desocupação.

As ocupações com carteira assinada e CNPJ têm uma movimentação positiva (+144), com avanço de 391 mil pessoas empregadas com carteira assinada no setor privado. Contudo, a ocupação também avança com o número de empregados no setor privado sem carteira (+ 221 mil ante ao trimestre anterior), trabalhadores domésticos sem carteira assinada (+ 113 mil), além de recordes no trabalho por conta própria (+ 466 mil ante ao trimestre anterior) que vieram em sua maioria do aumento dos trabalhadores por conta própria sem CNPJ (+ 546 em relação ao trimestre anterior), reforçando o avanço do trabalho informal e condições precárias de trabalho no mercado de trabalho brasileiro (ver Gráfico 1). A precarização também pode ser observada pela lente da subocupação por insuficiência de horas trabalhadas, que avançou em relação a maio (+183 mil pessoas).

O aumento da ocupação no segundo trimestre se concentra, principalmente, nas ocupações relacionadas à indústria geral (+ 115 mil vagas), agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (+157 mil vagas) – que segue se destacando mesmo não sendo um setor empregador –, comércio (+ 371 mil vagas), construção (+ 171 mil vagas), alojamento e alimentação (+ 142 mil vagas) e serviços domésticos (+ 89 mil vagas). Observa-se, portanto, a aceleração da recuperação no setor de serviços, puxada, especialmente, pela flexibilização da quarentena e avanço da vacinação.

A recuperação das ocupações contrasta com a contínua queda do rendimento médio real dos trabalhadores que vai de R$ 2.594 (trimestre anterior) para R$ 2.515, sinalizando uma redução das ocupações com maior remuneração. A queda da massa de rendimentos (habitualmente recebidos) também preocupa, pois sugere um avanço dos postos de trabalho com menor remuneração em detrimentos das ocupações com melhores rendimentos (Gráfico 3).

Gráfico 1: criação líquida de empregos em mil pessoas, setores formal e informal, entre julho de 2019 e junho de 2021

Gráfico 2: Taxa de informalidade (%) e população fora da forra de trabalho (%), entre julho de 2019 e junho de 2021

Gráfico 3: Massa de rendimentos (em milhões de reais) e rendimento médio (em unidade monetária) de todos os trabalhos, habitualmente recebidos, entre julho de 2019 e junho de 2021 – valores reais

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