Av. Alan Turing, nº 805 - Barão Geraldo – Campinas

Boletim das Mulheres Negras no Mercado de Trabalho – 4º trimestre de 2021

Sumário executivo

O Boletim das Mulheres Negras no Mercado de Trabalho é uma publicação trimestral do NPEGen com o objetivo de analisar os dados relativos à inserção das mulheres negras no mercado de trabalho, a partir dos microdados da PNAD contínua do IBGE.

Neste número são apresentados os dados referentes ao 4º trimestre de 2021. Ressalta-se que o ano de 2020 foi marcado por uma crise sanitária somada à crise econômica que vigorava desde 2015[1], de tal forma que o 4º trimestre de 2021 ainda reflete os efeitos gerados pelo contexto socioeconômico particular. Os destaques deste número foram:

  • O 4º trimestre de 2021 continuou apresentando aumento da força de trabalho das mulheres negras, mas ainda sem recuperar o patamar do quarto trimestre de 2019, período pré-pandemia (sua taxa de participação foi de 51,9% no fim do ano de 2019, 47,0% no fim de 2020 e 50,2% em 2021).
  • Ainda há um imenso número de mulheres negras na força de trabalho potencial, 3.8 milhões, constituindo 42,4% das pessoas indisponíveis e 41,4% das pessoas em desalento (participações bem superiores à sua participação na população em idade ativa, de 28,5%.
  • A taxa de subocupação das mulheres negras se reduziu porque o número de mulheres negras ocupadas em um ano cresceu mais (12,2%) do que o número de mulheres negras subocupadas (7,5%). Com esse aumento de mulheres negras subocupadas, o número delas nessa condição de insuficiência de horas trabalhadas foi maior no fim de 2021 (2,5 milhões) do que no fim de 2019 (2,4milhões) e de 2020 (2,3 milhões).
  • Com a diminuição da taxa de subocupação e de desocupação das mulheres negras, a taxa de subutilização passou de 40,5% no fim de 2020 para 35,7% no 4º trimestre de 2021, uma redução substantiva. No entanto, há que se relativizar esse movimento por duas razões. Em primeiro lugar, o impacto da crise econômico-sanitária foi muito mais severo para as mulheres negras e, portanto, a necessidade de conseguir qualquer trabalho foi maior para elas. Em segundo, o patamar atual ainda é muito dramático: mais de um terço das mulheres negras está à procura de trabalho ou de mais horas para trabalhar.
  • A absorção apresentada pelo mercado de trabalho para as mulheres negras se deu majoritariamente via as vagas informais (conta própria, no setor privado sem carteira e no trabalho doméstico sem carteira). As vagas no setor privado com carteira também cresceram de forma significativa e até ganharam importância para o rol de ocupações dessas mulheres.
  • O serviço público (categoria de militares e servidores estatutários) uma das principais formas de ocupação de alta qualidade para as mulheres negras, lamentavelmente, apresentou uma redução do número de postos de trabalho entre o quarto trimestre de 2020 e o de 2021 (-10,5%), reduzindo sua importância nas ocupações dessas mulheres (de 12,6% para 10,0%).
  • No caso específico das mulheres negras, a segunda maior porta de entrada no mercado de trabalho foi via trabalho doméstico sem carteira, sendo que mais da metade das pessoas que ingressaram nessa categoria eram mulheres negras. Com isso, essa posição volta a ganhar importância nas possibilidades de ocupação das mulheres negras e passou a representar 12,8% do total para essas mulheres. Se somado o emprego doméstico com carteira assinada, tem-se que 16,6% das mulheres negras ocupadas é empregada doméstica.
  • Rendimento médio real do Brasil apresentou queda de 14,1%, no período de um ano, mostrando que à uma inserção precária no mercado de trabalho (com crescimento das vagas informais e de baixos rendimentos) se soma a enorme perda de poder aquisitivo por conta da elevada inflação, representando um empobrecimento da população trabalhadora. Para as mulheres negras, cujos rendimentos representaram 67,3% do rendimento médio brasileiro, as condições de vida se revelam ainda mais dramáticas.

O cenário é de extrema desigualdade e vulnerabilidade, sendo imperioso que políticas públicas sejam ativadas para minimizar e superar a situação precária em que a maior parte das mulheres negras vive no mercado de trabalho.

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Introdução

O Boletim Mulheres Negras tem por objetivo a apresentação e análise dos dados trimestrais da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao mercado de trabalho e sob um recorte de raça e gênero, com a preocupação de jogar luz e realizar o acompanhamento da realidade vivenciada pelas mulheres negras no acesso às vagas de emprego e a outras formas de ocupação, salientando as suas formas de participação em comparação com a de outros grupos sociais (mulheres brancas, homens negros e homens brancos). Por ser um boletim de caráter conjuntural, a análise é focalizada nos dados do último trimestre disponível, comparando-o com o do mesmo trimestre do ano anterior e com o do trimestre imediatamente anterior.

Neste Boletim, o foco está no 4º trimestre de 2021 e no seu cotejamento com o 4º trimestre de 2020 e com o 3º trimestre de 2021. Vale ressaltar que o ano de 2020 foi marcado por uma crise sanitária, ocasionada pela disseminação do novo coronavírus, somada à crise econômica que vigorava desde 2015. Em 2021, há mudanças importantes no mercado de trabalho (como a recuperação da força de trabalho brasileira), mas com movimentos diferenciados pelos grupos sociais, marcados por diferenças de cor e gênero. As mulheres, em especial as mulheres negras, apresentam especificidades importantes nesse período.

Com a finalidade de olhar para esse recorte, este boletim está organizado da seguinte forma: além desta introdução e das considerações finais, a análise se divide em cinco seções. A primeira apresenta a classificação da população em idade ativa[2] comparando inicialmente as populações negra[3] e branca[4] sem o enfoque de gênero. A partir da segunda seção, então, a análise recai sobre as mulheres negras, objeto de estudo do Boletim. Esse grupo passa a ser analisado e comparado com os demais, mostrando as divergências mais relevantes em cada etapa. A terceira seção destaca as taxas do mercado de trabalho que são formadas a partir das categorias da PIA, quais sejam, as taxas de participação, de desocupação, de subocupação, de subutilização e percentual de desalentados. Na quarta seção são apresentadas as posições na ocupação, considerando sua cor e gênero. A última seção exibe uma comparação dos rendimentos das mulheres negras, com alguns recortes específicos, tais como nível de instrução e idade.

1.             CATEGORIAS DA POPULAÇÃO EM IDADE ATIVA (PIA)

No 4º trimestre de 2021, a população brasileira estimada foi de 213,2 milhões de habitantes, de acordo com os dados da PNAD Contínua do IBGE, com a seguinte subdivisão de cor ou etnia: a população negra representou 55,1% do total, sendo 45,4% de cor parda e 9,7% de cor preta, a população branca declarada foi de 44,5%, sendo 43,7% de cor branca e 0,8% de cor amarela, a população indígena representou 0,4% do total da população e pessoas sem declaração de cor, 0,03%.

Tabela 1 ­–­ Brasil: População total, segundo cor ou raça (em mil pessoas; participação percentual) ­– 4º trimestre 2021
População (em mil pessoas) Participação (%)
Brasil 213.188 100,0
  População Negra 117.524 55,1
      – Pretos 20.646 9,7
      – Pardos 96.878 45,4
  População Branca 94.770 44,5
      – Branca 93.143 43,7
      – Amarelos 1.627 0,8
  Indígenas 830 0,4
  Outros 64 0,03

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

A seguir, busca-se comparar a inserção numérica da população de cor negra com a de cor branca nas categorias da PIA. Há duas subdivisões da PIA: a população na força de trabalho (FT) – pessoas que estavam ocupadas[5] ou desocupadas[6] no período de referência da pesquisa – e a população fora da força de trabalho (FFT) – pessoas que não estavam ocupadas ou desocupadas na semana de referência da pesquisa. As pessoas que estavam FFT estão subdivididas, por sua vez, em outras duas categorias: as pessoas na força de trabalho potencial (FTP) ­– incluindo as pessoas indisponíveis ou desalentadas – e as pessoas fora da força de trabalho potencial (fora da FTP).

Gráfico 1 – Brasil: Composição da População em Idade Ativa (PIA) da população negra e da população branca (em mil pessoas; participação percentual) – 4º trimestre de 2021

Em consonância com a maior participação na população total brasileira, a população negra correspondeu à maioria da PIA, 54,9%, em comparação com a branca (45,1%). Essas proporções da população negra se mantiveram próximas para a FT (54,8%) e para a população FFT (55,1%).

Cabe salientar que a alta participação da população negra na FT se deveu à sua enorme representatividade entre as pessoas desocupadas (63,3%). Na população ocupada, sua participação foi menor (53,8%) e menor, inclusive, do que a sua participação na PIA, mostrando uma dificuldade relativamente maior para encontrar empregos do que a população branca, cuja participação foi de 46,2% entre as pessoas ocupadas, maior que a sua participação na PIA, e de 36,7% entre as desocupadas, menor do que sua participação na PIA.

Nas categorias das pessoas FFT, observou-se que a população negra figurou relativamente em maior número do que a branca entre aquelas pessoas que estão na força de trabalho potencial (FTP) (68,3%) e também entre aquelas que estão fora da força de trabalho potencial (FFTP) (53,1%), ainda que essa participação seja menor do que o seu peso na PIA. Isso significa que, nesse período analisado, das pessoas em idade ativa que não estavam na força de trabalho, as pessoas negras, relativamente mais do que as brancas, estavam nessa situação contra seu desejo e sua necessidade, pois estavam na força de trabalho potencial (FTP), como indisponíveis para assumir uma vaga (pessoas negras eram 62,6% dessa categoria) ou em desalento (pessoas negras foram 73,2% nessa condição).

Portanto, a população negra, que foi, no 4º trimestre de 2021, maioria na população total e naquela em idade ativa, também o era em todas as subdivisões da PIA. Porém, a sua representatividade foi relativamente maior naquelas posições do mercado de trabalho mais frágeis, como a população desocupada (63,3%), a subocupada (63,4%), e na FTP (68,3%) e nas suas duas subdivisões. Assim, a subutilização da força de trabalho ampliada que reúne essas três categorias mostrou uma participação da população negra de 64,9%, 10,0 pontos percentuais superior à sua participação na PIA (54,9%). A população branca, por sua vez, enquanto correspondeu a 45,1% da PIA, apresentou uma participação de 35,1% no total de pessoas subutilizadas (sendo 36,7% das pessoas desocupadas, 36,6% das subocupadas e 31,7% da FTP, sendo 37,4% de indisponíveis e 26,8% em desalento).

2.             CATEGORIAS DA POPULAÇÃO EM IDADE ATIVA POR COR E SEXO

2.1.        Participação percentual nas categorias da PIA no 4º trimestre de 2021

Após a análise mais abrangente de comparação entre os grupos sociais por raça e cor, também é possível incluir as diferenças de sexo. Este item apresenta a análise das categorias da PIA com a finalidade de salientar a posição da mulher negra frente às demais composições por sexo e cor.

Sendo assim, pela tabela 2, observa-se que as mulheres negras foram numericamente o maior grupo na PIA (28,5%) em comparação com os outros três grupos (homens negros, 26,4%; mulheres brancas, 24,5%; e homens brancos, o menor grupo, 20,6%) no 4º trimestre de 2021. No entanto, a representatividade das mulheres negras se reduz substancialmente entre as pessoas na FT (24,0%) e entre as pessoas ocupadas (22,6%). A dos homens negros e brancos, no entanto, se eleva com relação às suas participações na PIA (para 30,9% e 31,2% para os homens negros na população na FT e ocupada, respectivamente, e 23,9% e 24,8% para os homens brancos, respectivamente). Como as mulheres negras, as mulheres brancas também tiveram uma participação menor na FT (21,2%) e nas pessoas ocupadas (21,4%) do que na PIA (24,5%), sendo as mulheres brancas o grupo social com menor participação na FT e na população ocupada.

Tabela 2 – Brasil – População em Idade Ativa e suas categorias, segundo sua composição por raça ou cor e sexo (em participação percentual) – 4º trimestre de 2021
População Negra População Branca
Mulheres Homens Mulheres Homens Total
População em Idade Ativa 28,5 26,4 24,5 20,6 100,0
  A. Força de Trabalho (A.1 + A.2) 24,0 30,9 21,2 23,9 100,0
      A.1. Pessoas Ocupadas 22,6 31,2 21,4 24,8 100,0
         A.1.1. Pessoas Subocupadas 34,6 28,8 21,6 15,0 100,0
      A.2. Pessoas Desocupadas 34,8 28,5 20,0 16,7 100,0
   B. Fora da Força de Trabalho (B.1 + B.2) 35,3 19,7 29,2 15,7 100,0
      B.1. Força de Trabalho Potencial (B.1.1 + B.1.2) 41,9 26,5 19,9 11,8 100,0
         B.1.1. Indisponíveis 42,4 20,2 24,8 12,5 100,0
         B.1.2. Desalentados 41,4 31,8 15,6 11,2 100,0
      B.2. Fora da Força de Trabalho Potencial 34,4 18,8 30,6 16,3 100,0
Força de Trabalho Ampliada (A + B.1) 25,4 30,5 21,1 23,0 100,0
Subutilização da Força de Trabalho Ampliada (A.1.1 + A.2 + B.1) 37,0 27,9 37,0 14,7 100,0

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

Em contrapartida, as mulheres negras voltam a representar a maioria nas demais subcategorias, superando a sua participação na PIA: pessoas subocupadas (34,6%), pessoas desocupadas (34,8%), FFT (35,3%), na FTP (41,9%), pessoas indisponíveis (42,4%), desalentadas (41,4%), na FFTP (34,4%) e na subutilização da força de trabalho ampliada (37,0%). Apenas nas pessoas FTA a maior parcela esteve com os homens negros (30,5%), sendo o segundo lugar das mulheres negras (25,4%), mas enquanto os homens negros apresentaram essa alta participação por conta do seu peso na FT, as mulheres negras foram expressivas na FTA pela sua alta participação relativa na FTP.

A análise do grupo que se coloca como extremo oposto às mulheres negras, os homens brancos, deixa ainda mais evidente a desigualdade entre os dois grupos. Afinal, os homens brancos representaram, em todas as categorias que mostram uma inserção mais precária no mercado de trabalho, uma parcela menor do que sua representatividade na PIA: pessoas subocupadas (15,0%), pessoas desocupadas (16,7%), FFT (15,7%), na FTP (11,8%), pessoas indisponíveis (12,5%), desalentadas (11,2%), FFTP (16,3%), e na subutilização da força de trabalho ampliada (14,7%).

Assim, mesmo com uma diferença pequena entre os percentuais desses dois grupos na PIA (7,9 pontos percentuais), a distância foi muito maior nas categorias que indicam uma pior inserção no mercado de trabalho como, por exemplo, a subutilização da força de trabalho ampliada cuja diferença foi de 22,3 p. p., e, de modo alarmante, 29,9 p. p. de diferença na categoria das pessoas que se encontram indisponíveis para o mercado de trabalho entre homens brancos e mulheres negras. Cabe menção aqui também a alta participação relativa dos homens negros na categoria desalento (31,8%). Enquanto a participação dos homens negros apresentou uma diferença de 5,8 pontos percentuais com relação a dos homens brancos na PIA, essa diferença passa a ser de 20,6 p.p. na condição de desalento entre esses dois grupos. A baixa participação relativa entre as mulheres brancas também foi observada entre as pessoas desalentadas (15,6%), 25,8 pontos percentuais menor ao das mulheres negras nessa condição (41,4%)

Esses dados também evidenciam uma taxa de participação (FT/PIA)[7] e o nível de ocupação (PO/PIA)[8] dos homens negros e brancos foram bem maiores do que a das mulheres negras e brancas. Enquanto as taxas de participação deles foram de 69,9% e 69,4%, as delas foram de 50,2% e 51,9%, respectivamente. Os níveis de ocupação deles foram de 62,7% e 64,0% e o delas de 42,1% e 46,5%, respectivamente. Destaque-se aqui, então, que a maior parte das mulheres negras e brancas em idade ativa não se encontravam ocupadas (sobretudo as negras), diferentemente dos homens. Assim, o nível de ocupação médio do Brasil extremamente baixo no 4º trimestre de 2021 (53,1%) foi determinado pela baixa ocupação das mulheres, em especial, as negras.

2.1.1.    Movimentos nas categorias da PIA em um ano (4º trimestre de 2021 versus 4º trimestre de 2020)

Para além da composição da PIA, apresenta-se também a análise das variações observadas pelas categorias, primeiro com a comparação com o mesmo trimestre do ano anterior e, no próximo subitem, na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

Tabela 3 – Brasil – População em Idade Ativa, segundo sua composição por raça ou cor e sexo (taxas de variação percentual) – 4º trimestre de 2021 versus 4º trimestre de 2020
População Negra População Branca
Mulheres Homens Mulheres Homens
População em Idade Ativa 1,3 2,3 -1,7 -1,3
  A. Força de Trabalho (A.1 + A.2) 8,2 6,5 4,7 2,7
      A.1. Pessoas Ocupadas 12,2 10,7 8,3 4,8
         A.1.1. Pessoas Subocupadas 7,5 -0,6 17,2 12,4
      A.2. Pessoas Desocupadas -8,9 -19,8 -18,4 -17,6
   B. Fora da Força de Trabalho (B.1 + B.2) -4,8 -6,4 -7,7 -9,2
      B.1. Força de Trabalho Potencial (B.1.1 + B.1.2) -14,7 -18,5 -24,5 -30,5
         B.1.1. Indisponíveis -19,2 -25,6 -26,4 -32,7
         B.1.2. Desalentados -10,3 -14,0 -21,8 -28,3
      B.2. Fora da Força de Trabalho Potencial -2,8 -3,5 -5,7 -6,2
Força de Trabalho Ampliada (A + B.1) 4,5 4,3 1,8 0,7
Subutilização da FTA (A.1.1 + A.2 + B.1) -7,8 -15,0 -13,3 -15,6

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

A tabela 3 apresenta as taxas de variação em um ano das pessoas nas categorias da PIA no 4º trimestre de 2021. Vale ressaltar que o ano de 2020 foi marcado pelo surgimento de uma crise sanitária que assolou o mundo inteiro e que afetou o Brasil de forma mais singular, pois o país já se encontrava em uma crise econômica desde 2015. Somou-se a isso a insuficiência das políticas sociais, econômicas e sanitárias para o controle da pandemia e da crise econômica, com fortes consequências para as possibilidades de as pessoas obterem trabalho e rendimentos. Além disso, é digno de nota o fato do 2º trimestre de 2020 ter sido o pior momento da crise sanitária, com os maiores impactos sobre o mercado de trabalho[9], ilustrada pela expressiva saída das pessoas da força de trabalho, sendo que, o último trimestre do ano de 2020 ainda apresentava um quadro de intenso desgaste do mercado de trabalho, com muitas pessoas ainda indisponíveis para o trabalho, visto que a maior parte das escolas públicas retomaram as aulas apenas no início de 2021 e as pessoas ainda estavam expostas ao vírus sem acesso a vacinas. Com relação a uma base de comparação tão fraca como foi o 4º trimestre de 2020, era de se esperar uma recuperação do mercado de trabalho no ano seguinte, com uma cobertura vacinal mais ampla e com menos casos de contaminação e mortes por COVID.

Dessa forma, a partir dos dados apresentados, foi possível observar um retorno das pessoas para a FT, sendo um aumento de 8,2% para as mulheres negras, 6,5% para os homens negros, 4,7% para as mulheres brancas e 2,7% para os homens brancos. Isso significou um acréscimo de 5,6 milhões de pessoas à força de trabalho. Os sinais de recuperação do mercado de trabalho também foram vistos pela redução das pessoas desocupadas, principalmente no caso da população negra, pois o número de mulheres negras desocupadas reduziu 8,9% e de homens negros 19,8. Ainda assim são 11,7 milhões de pessoas desocupadas no Brasil no 4º trimestre de 2021 (4,1 milhões de mulheres negras, 3,4 milhões de homens negros, 2,4 milhões de mulheres brancas e 2 milhões de homens brancos), valor total maior do que no período pré-pandemia (11,6 milhões no 4º trimestre de 2019), indicando um contingente muito grande de pessoas em busca de uma ocupação.

Em relação ao número de pessoas ocupadas, notou-se um aumento de 12,2% para as mulheres negras, 10,7% para os homens negros, 8,3% para as mulheres brancas e 4,8% para os homens brancos. Com isso, 7,7 milhões a mais de pessoas conseguiram uma ocupação no último ano, sendo que desses 0,5 milhão de pessoas voltaram ao mercado de trabalho de forma precária, sem conseguir preencher a jornada de trabalho que gostariam. A variação percentual dessas pessoas, subocupadas, no mercado de trabalho foi de 7,5% para as mulheres negras, de 17,2% para as mulheres brancas, de 12,4% para os homens brancos e uma redução de 0,6% para os homens negros, único grupo social que conseguiu reduzir sua participação no conjunto de pessoas subocupadas.

O incremento das pessoas ocupadas permitiu uma redução do número de pessoas fora da força de trabalho (-4,8% para as mulheres negras, -6,4% para os homens negros, -7,7% para as mulheres brancas e -9,2% para os homens brancos, representando uma redução de 1,3 milhão de mulheres negras, 1,0 milhão de homens negros, 1,7 milhão de mulheres brancas e 1,1 milhão de homens brancos na categoria). O 4º trimestre de 2021 foi um momento de retomada mais segura das atividades, com a vacinação atingindo a maior parte da população e o mercado de trabalho pôde refletir esse movimento, reintegrando pessoas que estavam indisponíveis ao longo da crise sanitária.

De qualquer forma, cabe destacar a insuficiência da força dessa retomada de ocupações, uma vez que a subocupação permaneceu subindo (exceto para os homens negros).

Assim, a redução das pessoas na força de trabalho potencial foi de 14,7% para as mulheres negras (0,7 milhão), 18,5% para os homens negros (0,5 milhão), 24,5% para as mulheres brancas (0,6 milhão) e 30,5% para os homens brancos (0,5 milhão), sendo que, praticamente a maior parte dessas pessoas saíram, na verdade da categoria de indisponibilidade (redução de 0,4 milhão para as mulheres negras, 0,3 milhão para os homens negros, 0,4 milhão para as mulheres brancas e 0,3 milhão para os homens brancos).

Sendo assim, com a redução da FTP e do número de mulheres negras desocupadas, e com leve aumento das mulheres negras subocupadas, verifica-se a diminuição do número de mulheres negras subutilizadas (-7,8%). Para os demais grupos sociais, o resultado sobre a subutilização também teve a mesma direção (-13,3% para as mulheres brancas, -15,0% para os homens negros e -15,6% para os homens brancos), mais intensa do que para as mulheres negras em função das maiores reduções desses grupos na FTP e no número de pessoas desocupadas.

Assim, ainda que a situação para as mulheres negras ao final de 2021 tenha sido melhor do que em 2020, os outros grupos apresentaram uma recuperação mais favorável de retorno ao mercado de trabalho.

2.1.2.    Movimentos das categorias da PIA na margem (4º trimestre de 2021 versus 3º trimestre de 2021)

A análise apresentada neste subitem – a comparação do trimestre com relação ao trimestre imediatamente anterior – tem estrutura semelhante à do anterior, e serão salientadas no texto apenas as variações que mais se destacaram.

Diferentemente do observado no item anterior, todos os grupos sociais apresentaram redução na subocupação (-4,4% para as mulheres negras, -9,8% para os homens negros, -0,1% para as mulheres brancas e -3,7% para os homens brancos) nessa avaliação trimestral. Houve redução da subocupação e da desocupação (-11,4% para as mulheres negras, -10% para os homens negros, -13,1% para as mulheres brancas e -9,7% para os homens brancos) com aumento concomitante do número de pessoas ocupadas, mostrando uma absorção maior por parte de empregos que preenchem toda a jornada de trabalho. Com isso, o número de pessoas subutilizadas se reduziu expressivamente em comparação com o trimestre anterior (mulheres negras, -7,6%, homens negros, -8,1%, mulheres brancas, -8,5%, e homens brancos, -8,3%).

O segundo ponto de destaque da tabela 4 foi a contração das pessoas indisponíveis e desalentadas em todos os grupos analisados. A redução foi de 600 mil pessoas para o Brasil como um todo, sendo que a diminuição foi de 3,0% e 7,4% para as mulheres negras (indisponíveis e desalentadas, respectivamente), 2,1% e 4,5% para os homens negros, 8,3% e 9,9% para as mulheres brancas e 7,4% e 12,4% para os homens brancos, respectivamente.

Tabela 4 – Brasil – População em Idade Ativa, segundo sua composição por raça ou cor e sexo (taxas de variação percentual) – 4º trimestre de 2021 versus 3º trimestre de 2021
População Negra População Branca
Mulheres Homens Mulheres Homens
População em Idade Ativa 0,0 0,5 -0,7 -0,3
  A. Força de Trabalho (A.1 + A.2) 0,9 1,3 1,3 0,8
      A.1. Pessoas Ocupadas 3,7 2,8 3,3 1,8
         A.1.1. Pessoas Subocupadas -4,4 -9,8 -0,1 -3,7
      A.2. Pessoas Desocupadas -11,4 -10,0 -13,1 -9,7
   B. Fora da Força de Trabalho (B.1 + B.2) -1,0 -1,3 -2,9 -2,6
      B.1. Força de Trabalho Potencial (B.1.1 + B.1.2) -5,4 -3,7 -9,0 -10,0
         B.1.1. Indisponíveis -3,0 -2,1 -8,3 -7,4
         B.1.2. Desalentados -7,4 -4,5 -9,9 -12,4
      B.2. Fora da Força de Trabalho Potencial -0,2 -0,8 -2,3 -1,7
Força de Trabalho Ampliada (A + B.1) 0,0 1,0 0,5 0,3
Subutilização da FTA (A.1.1 + A.2 + B.1) -7,6 -8,1 -8,5 -8,3

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

3.             TAXAS (%) DE PARTICIPAÇÃO, DESOCUPAÇÃO, SUBOCUPAÇÃO E DE SUBUTILIZAÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO

O IBGE propõe, em suas análises, taxas indicadoras da qualidade de inserção no mercado de trabalho. Neste item, são apresentadas algumas taxas selecionadas pela equipe do NPEGen, quais sejam: a taxa de participação no mercado de trabalho (força de trabalho/PIA), a taxa de desocupação (número de desocupados/força de trabalho), a taxa de subocupação (número de subocupados/número de ocupados) e a taxa de subutilização da força de trabalho ampliada (número de pessoas subutilizadas/FTA). Vale ressaltar que cada categoria é comparada com ela mesma, ou seja, a taxa de participação das mulheres negras no mercado de trabalho será a divisão das mulheres negras na força de trabalho pelo total de mulheres negras na PIA.

Gráfico 2 – Brasil: Taxa (%) de participação, segundo cor ou raça e sexo – 4º trimestre de 2020, 3º trimestre de 2021 e 4º trimestre de 2021

No gráfico 3 estão as taxas de participação para o Brasil e para os recortes de cor e sexo apresentados anteriormente, para os três trimestres considerados na seção 2. Pôde-se observar que a taxa de participação aumentou moderadamente para todas as categorias sob análise, tanto na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior quanto na comparação com o trimestre anterior (3,0 pontos percentuais e 0,7 p. p. para o Brasil; 3,2 p. p. e 0,5 p. p. para as mulheres negras; 2,8 p. p. e 0,6 p. p. para os homens negros; 3,2 p. p. e 1,1 p. p. para as mulheres brancas; 2,7 p. p. e 0,7 p. p. para os homens brancos, respectivamente). Conforme já comentado anteriormente, a baixa taxa de participação para o Brasil como um todo foi puxada pelas baixas taxas de participação das mulheres, negras e brancas. Vale salientar ainda que as taxas de participação das mulheres, negras ou brancas, fica próxima dos 50%, enquanto as taxas dos homens, negros ou brancos, alcança quase 70%. No entanto, como elas foram as mais afetadas em 2020, com sua saída da força de trabalho, os maiores incrementos da taxa de participação em 2021 se verificaram entre as mulheres. Nota-se, com isso, a importância que teve o retorno das escolas e outras instituições de apoio de ensino e desenvolvimento das crianças no formato presencial para que as mulheres pudessem recuperar sua participação na atividade econômica do país.

As taxas de desocupação, apresentadas no gráfico 4, apresentaram uma redução no 4º trimestre de 2021 frente aos dois períodos utilizados como comparação. Para o Brasil, a taxa de desocupação, que era de 13,9% no 4º trimestre de 2020, chegou a 12,6% no 3º trimestre de 2021 e a 11,1% no 4º trimestre de 2021. Ademais, é possível notar que essas taxas podem diferir grandemente quando analisados os grupos aqui considerados. As mulheres negras foram, como sempre, as que apresentaram as maiores taxas de desocupação (19,2% no 4º trimestre de 2020, 18,4% no 3º trimestre de 2021 e 16,1% no 4º trimestre de 2021), sendo que todos os demais grupos apresentaram taxas inferiores à do Brasil (10,3% para homens negros, 10,5% mulheres brancas e 7,8% para homens brancos, no 4º trimestre de 2021). Esses dados mostram que a resolução do problema do desemprego no Brasil passa necessariamente e com muita intensidade pela resolução das condições de emprego da mulher negra.

Gráfico 4 – Brasil: Taxa (%) de desocupação, segundo cor ou raça e sexo – 4º trimestre de 2020, 3º trimestre de 2021 e 4º trimestre de 2021

No que diz respeito às taxas de subocupação (gráfico 5), notou-se uma moderada redução para todos os grupos sob análise. Para o Brasil, a taxa que era de 7,9% no 4º trimestre de 2020, passou para 8,4% no 3º trimestre de 2021 e depois para 7,8% no 4º trimestre de 2021, redução essa puxada pelo que ocorreu com a subocupação da população negra. Para as mulheres negras, a taxa foi de 12,4%, para 12,9% e 11,9%; para os homens negros de 8,0%, para 8,2% e 7,2%; para as mulheres brancas de 7,3%, para 8,1% e mantendo 7,9%; e, finalmente, para os homens brancos de 4,4%, para 5,0% e 4,7%, respectivamente. Mesmo com um impacto maior na redução da taxa de subocupação na população negra relativamente à branca, a disparidade entre esses grupos e os homens brancos é gritante: a taxa de subocupação das mulheres negras é quase o triplo da taxa dos homens brancos (2,5 vezes maior). Também vale mencionar que a taxa de subocupação das mulheres negras caiu porque o crescimento de ocupações desse grupo (12,2%) foi maior do que o crescimento das subocupações (7,5%). Com grande evidência dos dados, mais uma vez ficou expressa a inserção mais precária das mulheres negras no mercado de trabalho, destacando-se a intersecção de gênero e raça como fundamental para a análise das questões estruturais de desigualdade do Brasil.

Gráfico 5 – Brasil: Taxa (%) de subocupação, segundo cor ou raça e sexo – 4º trimestre de 2020, 3º trimestre de 2021 e 4º trimestre de 2021

Para finalizar a análise das taxas do mercado de trabalho, foram consideradas as taxas de subutilização da força de trabalho ampliada (gráfico 6). A taxa de subutilização considera as formas de inserção mais precárias do mercado de trabalho (por ser o resultado da soma das categorias de subocupação, desocupação e força de trabalho potencial), ampliando, assim, o conceito de desocupação ao incluir algumas formas ocultas de desemprego. Portanto, a taxa de subutilização mostra de forma mais realista o grupo de pessoas que se encontra em uma situação de maior de vulnerabilidade socioeconômica.

Gráfico 6 – Brasil: Taxa (%) de subutilização da força de trabalho ampliada, segundo cor ou raça e sexo – 4º trimestre de 2020, 3º trimestre de 2021 e 4º trimestre de 2021

Novamente, os resultados do gráfico 6 deixam evidente a inserção mais precária das mulheres negras frente aos demais grupos sociais, sendo a inserção dos homens negros mais similar à das mulheres brancas. Os homens brancos, distintamente, exibem uma situação muito melhor. Notou-se no 4º trimestre de 2021, uma redução das taxas de subutilização, puxadas em grande parte pela diminuição do número de pessoas na força de trabalho potencial, e em menor grau pela redução da desocupação relativamente aos outros trimestres analisados. Ainda assim, uma taxa de subutilização de 24,5% para o Brasil, e principalmente a taxa de 35,7% para as mulheres negras, são números alarmantes. Aqui se destaca também a enorme diferença entre as mulheres negras e os homens brancos: a taxa de subutilização delas é mais de 2 vezes maior do que a deles.

4.             POSIÇÕES NA OCUPAÇÃO

Neste item são apresentadas as formas de ocupação preponderantes para a mulher negra e os principais destaques das demais categorias.

Os dados do 4º trimestre de 2021, apresentados na tabela 5, mostram algumas diferenças importantes na inserção das mulheres negras. A primeira delas está no trabalho doméstico. Os dados revelaram uma presença majoritária das mulheres negras no trabalho doméstico com carteira (56,3%) e no sem carteira (60,8%), muito maiores do que a sua participação no total das pessoas ocupadas (22,6%). As mulheres brancas ocuparam a segunda posição nessa forma de ocupação (32,8% com carteira e 32,3% sem carteira, também maior do que a sua participação total, de 21,4%), indicando que o trabalho doméstico, com ou sem carteira, é feminino e, predominantemente, negro.

Tabela 5 – Brasil – Pessoas ocupadas e sua composição na sua posição na ocupação (em participação percentual) no 4º trimestre de 2021
População Negra População Branca
Mulheres Homens Mulheres Homens Total
EMPREG. SETOR PRIVADO CC 19,8 31,5 21,5 27,2 100,0
EMPREG. SETOR PRIVADO SC 18,2 43,9 14,9 23,1 100,0
TRAB. DOMÉSTICO CC 56,3 7,0 32,8 3,9 100,0
TRAB. DOMÉSTICO SC 60,8 4,7 32,3 2,3 100,0
EMPREG. SETOR PÚBLICO CC 25,0 19,1 32,3 23,5 100,0
EMPREG. SETOR PÚBLICO SC 37,3 23,6 25,2 13,9 100,0
MILITAR E SERV. ESTATUTÁRIO 27,3 22,3 29,4 21,0 100,0
EMPREGADOR (A) 9,7 26,2 21,1 43,0 100,0
CONTA PRÓPRIA 18,0 36,2 17,8 28,0 100,0
TRAB. FAMILIAR AUXILIAR 33,6 22,9 29,5 14,0 100,0
TOTAL 22,6 31,2 21,4 24,8 100,0

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

A segunda diferença relevante foi nas outras duas formas preponderantes das ocupações das mulheres negras: o setor público sem carteira (37,3%) e o trabalhador familiar auxiliar (33,6%). Novamente, mais um argumento para consolidar a inserção precária da mulher negra no mercado de trabalho. Nessas modalidades de contratação, o trabalho para o setor público acontece sem os direitos trabalhistas e, no caso do trabalho de familiar auxiliar, em geral, não há remuneração.

Importante destacar a alta porcentagem de mulheres negras como servidoras públicas estatutárias (27,3%), também maior do que sua participação no total. Vagas no setor público, via concursos, têm sido historicamente um espaço importante de trabalho de alta qualidade para esse grupo, ainda que, lamentavelmente, barreiras informais relacionadas ao racismo e ao machismo obstaculizem a carreira delas no setor público[10]. Por essa importância nas oportunidades de rendimentos das mulheres negras com o serviço público é que se atribui enorme gravidade o fato dessa categoria ter apresentado variação negativa nas contratações em 2021, como será apresentado na tabela seguinte.

A outra face dessa inserção diz respeito ao fato de as mulheres negras serem minoria em algumas posições que indicam condições melhores de trabalho. Tiveram uma participação inferior à do total das pessoas ocupadas (22,6%) as seguintes posições: empregador (9,7%), empregado do setor privado sem carteira (18,2%), conta própria (18,0%) e empregado do setor privado com carteira (19,8%). Os homens brancos, por sua vez, possuem alta representatividade (maior do que a sua participação no total, 24,8%) em categorias de mais alto rendimento: empregador (43%), conta-própria (28,0%) e empregado do setor privado com carteira (27,2%).

Cabe ressaltar que na representatividade do total das ocupações, as mulheres negras (22,6%) se aproximam mais às mulheres brancas (21,4%) do que aos homens negros (31,2%). Isso mostra como a participação no mercado de trabalho possui um viés de gênero.

Tabela 6 – Brasil – Pessoas ocupadas, segundo a posição na ocupação, raça ou cor e sexo (em taxas de variação percentual) – 4º trimestre de 2021 versus 4º trimestre de 2020 e 3º trimestre de 2021
4º trim. 2021 x 4º trim. 2020 4º trim. 2021 x 3º trim. 2021
Pop. Negra Pop. Branca Pop. Negra Pop. Branca
M H M H M H M H
EMPREG. SETOR PRIVADO CC 18,6 9,6 5,0 5,9 5,1 3,5 2,1 2,3
EMPREG. SETOR PRIVADO SC 24,2 19,3 25,6 11,9 14,3 2,9 14,5 4,5
TRAB. DOMÉSTICO CC 14,0 6,1 17,4 2,6 7,0 2,4 6,4 25,5
TRAB. DOMÉSTICO SC 19,5 49,1 27,4 35,1 4,8 16,2 6,3 18,8
EMPREG. SETOR PÚBLICO CC 47,6 8,9 -3,5 -5,3 8,1 2,8 8,7 -0,9
EMPREG. SETOR PÚBLICO SC 2,4 11,2 6,9 10,5 13,3 5,7 7,2 9,0
MILITAR E SERV. ESTATUTÁRIO -10,5 -10,2 -11,2 -5,9 -5,3 -0,7 -3,8 0,7
EMPREGADOR (A) 16,4 15,1 -0,4 -10,8 9,9 6,4 3,5 -4,4
CONTA PRÓPRIA 9,6 12,0 19,1 9,1 -0,1 2,1 3,9 1,4
TRAB. FAMILIAR AUXILIAR -0,1 -1,9 -1,3 -16,6 -6,7 -3,6 -4,1 0,5
TOTAL 12,2 10,7 8,3 4,8 3,7 2,8 3,3 1,8

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

Com relação às variações ocorridas entre o 4º trimestre de 2021 (tabela 6) na comparação com o 4º trimestre de 2020, nota-se uma redução para todos os grupos sociais nas categorias de militar e servido estatutário (-10,5% para as mulheres negras, -10,2% para os homens negros, -11,2% para as mulheres brancas e -5,9% para os homens brancos). A população branca também apresentou redução no emprego público com carteira (-3,5% para as mulheres e -5,3% para os homens) e na categoria de empregador (-0,4% para as mulheres e -10,8% para os homens). Todas as demais categorias aumentaram a participação no período de um ano, com destaques para as mulheres negras do emprego do setor público com carteira (+47,6%) e emprego do setor privado sem carteira (+24,2%).

Mesmo com o aumento da ocupação no total e com a redução da desocupação, quando são observadas as categorias que mais absorveram a FT excedente, é possível notar como a inserção ocorreu de forma precária. As categorias que mais absorveram pessoas, em números absolutos, em um ano foram conta própria (aumento de 409,8 mil mulheres negras, +9,6%, 1,0 milhão de homens negros, +12,0%, 741,1 mil mulheres brancas, +19,1% e 606,8 mil homens brancos, +9,1%, totalizando aproximadamente 2,8 milhões de pessoas), no setor privado com carteira (aumento de 1,0 milhão de mulheres negras, +18,6%, 894,6 mil homens negros, +9,6%, 330,3 mil mulheres brancas, +5,0% e 490,4 mil homens brancos, +5,9%, totalizando pouco mais de 2,7 milhões de pessoas), setor privado sem carteira (aumento de 420,1 mil mulheres negras, +24,2%, 840,8 mil homens negros, +19,3%, 359,6 mil mulheres brancas, +25,6% e 291,8 mil homens brancos, +11,9%, totalizando pouco mais de 2,7 milhões de pessoas) e no trabalho doméstico sem carteira (aumento de 442,5 mil mulheres negras, +19,5%, 68,5 mil homens negros, +49,1%, 308,8 mil mulheres brancas, +27,4%, 26,4 mil homens brancos, +35,1%, totalizando 846,3 mil pessoas).

O desempenho das contratações do setor privado com carteira no total do Brasil precisa ser destacado, mas cabe a ressalva de que no 4º trimestre de 2021 essa posição na ocupação representava 34,7% e, no mesmo trimestre do ano anterior, 36,2%. Isso significa que as vagas com carteira no setor privado perderam peso relativo a outras formas de ocupação nesse ano de recuperação econômica. As posições que ganharam relevância foram conta própria (de 26,0% para 27,7% do total das ocupações), emprego do setor privado sem carteira (de 10,4% para 12,7%) e trabalho doméstico sem carteira (de 4,0% para 4,8%) na comparação do 4º trimestre de 2020 e 2021.

Para as mulheres negras, nesse período de um ano, o setor privado e público com carteira assinada ampliaram sua participação (de 28,8% para 30,4% o setor privado com carteira e de 1,1% para 1,5% o setor público com carteira), o que é louvável. Porém, também aumentaram sua importância o emprego do setor privado sem carteira (de 9,2% para 10,2%) e emprego doméstico com carteira (de 3,8% para 3,9%) e emprego doméstico sem carteira (de 12,0% para 12,8%).  Além disso, a categoria de militar e servidor estatutário reduziu sua importância de 12,6% para 10,0%.

Nota-se que o trabalho doméstico sem carteira teve um peso muito maior para as mulheres negras. Além disso, com exceção das pessoas que foram absorvidas pelo setor privado com carteira, as três outras categorias que absorveram pouco mais de 5,5 milhões de pessoas (mais de 70% das pessoas que voltaram à FT), foram trabalhos informais (sem carteira) ou o trabalho como conta própria que, na verdade, representam uma forma de ter algum rendimento na ausência de outra forma de trabalho de melhor qualidade. Esses trabalhos por conta-própria e de serviço doméstico são muitas vezes denominados de “viração” por analistas do mercado de trabalho, para mostrar essa característica contingente e não desejada dessas ocupações.

Em comparação ao trimestre imediatamente anterior, as variações se mostraram muito similares àquelas da comparação com o ano anterior,  com redução  das vagas na categoria dos militares e servidores estatutários e do trabalhador familiar auxiliar em quase todos os grupos sociais, assim como os principais aumentos foram para os empregados do setor privado (com e sem carteira), conta própria e trabalho doméstico sem carteira (especialmente para as mulheres negras).

5.             RENDIMENTOS

Neste item são apresentadas o rendimento médio no Brasil em comparação com os demais grupos aqui apresentados. No 4º trimestre de 2021, o valor do rendimento médio foi de R$2.451,45, 14,1% menor do que o valor deflacionado[11] do último trimestre de 2020  (R$2.798,09), ou seja, uma perda muito expressiva dos rendimentos, mais um sinal da precarização das novas contratações do período e das posições que se mantiveram durante a pandemia.

As comparações apresentadas neste item são para valores do 4º trimestre de 2021, sendo assim, todos os gráficos apresentados aqui têm o Brasil como a base (igual a 100 para os valores dos demais salários apresentados).

Os dados apresentados no gráfico 7 permitem a comparação dos rendimentos médios dos grupos sociais com os rendimentos das pessoas que são responsáveis por seus domicílios de acordo com a sua cor e gênero.

Analisando, primeiramente, o rendimento médio de cada um dos grupos sociais, no 4º trimestre de 2021 as mulheres negras ganharam, em média, 67,3% do salário médio da população (R$1.650,05), enquanto os homens negros ganharam 83,5% (R$2.047,59), as mulheres brancas 110,0% (R$2.695,92) e os homens brancos 141,4% (R$3.465,17). A baixa remuneração no mercado de trabalho une, portanto, as mulheres negras aos homens negros, sendo preponderante a desigualdade racial, nesse caso. As pessoas negras não chegaram a atingir o salário médio da população, enquanto as pessoas brancas o superam. Os rendimentos das mulheres negras representaram 47,6% do dos homens brancos.

Gráfico 7 – Brasil: Rendimento médio das pessoas ocupadas, de chefes de família, segundo a cor ou raça e sexo (em número índice: Rendimento médio do Brasil = 100) – 4º trimestre de 2021

O cenário fica ainda mais desigual quando considerada a condição mais relevante do domicílio, a condição de chefe de família. A partir dos dados da PNAD, não é possível afirmar com certeza que a pessoa considerada como chefe de família é a que tem o maior rendimento, mas é possível imaginar que boa parte das pessoas consideradas como chefes de família são as que se encontram nessa situação. Sendo assim, verifica-se que o rendimento médio das mulheres negras chefes de família foi de apenas 69,9% da média do Brasil ou 40,4% dos rendimentos médios dos homens brancos responsáveis pelo domicílio. Além disso, destaca-se que as mulheres negras foram o único grupo social para o qual quase não se altera o rendimento com o fato de ser ou não chefe de família. Isso indica uma situação de vulnerabilidade desse grupo, principalmente quando considerado que parte dessas mulheres, com rendimentos tão baixos, são mães, com crianças pequenas e sem cônjuge. Lembrando que, no contexto da pandemia, sem creches, escolas e sem formas alternativas de auxílio econômico, a vulnerabilidade dessas mulheres tornou-se ainda mais acentuada.

Gráfico 8 – Brasil: Rendimento médio das pessoas ocupadas, por grau de instrução, segundo a cor ou raça e sexo (em número índice: Rendimento médio do Brasil = 100) – 4º trimestre de 2021

Quando considerado o nível de escolaridade (gráfico 8), nota-se um aumento da desigualdade de rendimentos conforme aumenta o nível de escolaridade, o que deixa as mulheres negras em mais desvantagem. Das pessoas sem instrução, as pessoas negras foram as com menor remuneração. As mulheres negras auferiram o equivalente a 35,2% do rendimento médio da população, enquanto os homens negros ficaram com 40,2% (as mulheres brancas tiveram 50,8% e os homens brancos 55,5%). No ensino fundamental incompleto, nota-se que a situação das mulheres pouco muda (36,2% para as negras e 46,7% para as mulheres brancas), já para os homens houve uma melhora da condição (54,9% para os negros e 74,4% para os brancos).

Aumentando o nível de escolaridade para o extremo oposto, as pessoas com ensino superior completo, foi possível notar um aumento dramático da desigualdade, principalmente entre os grupos mais distantes – mulheres negras e homens brancos. Elas, com o maior nível de escolaridade possível, tiveram rendimento médio equivalente a 132,9% ao do Brasil, enquanto o deles representou 293,5% do rendimento médio. Para se ter de forma mais clara a grandeza da desigualdade nesse nível de escolaridade, o salário médio das mulheres negras equivaleu a 45,3% do salário médio dos homens brancos.

Gráfico 9 – Brasil: Rendimento médio das pessoas ocupadas, por cargos, segundo a cor ou raça e sexo (em número índice: Rendimento médio do Brasil = 100) – 4º trimestre de 2021

Por fim, a comparação de rendimentos também pode ser feita de acordo com o cargo ocupado (gráfico 9) pelos diferentes grupos, sendo esse um possível fator de redução das desigualdades apresentadas anteriormente. Para os dados considerados, a desigualdade entre as mulheres negras e os homens brancos esteve sempre visível. Porém, em três categorias a desigualdade parece ser maior: diretores e gerentes, profissionais das ciências e forças armadas, policiais e bombeiros.

Para as pessoas com cargos de diretores e gerentes, notou-se que apenas as mulheres negras não ultrapassaram o dobro do rendimento médio da população (160,7%). Dois grupos superaram o dobro do rendimento médio da população (234,5% para os homens negros e 221,1% para as mulheres brancas) e os homens brancos nessa categoria mais do que triplicaram o rendimento médio da população (321,3%).

A situação é bem parecida quando considerados os profissionais das ciências. As mulheres negras atingiram 143,1% do rendimento médio, ao passo que homens negros ficaram com 211,6%, as mulheres brancas com 205,5% e os homens brancos com 324,0%.

Finalmente, quando considerados os profissionais das forças armadas, policiais e bombeiros, o padrão se altera e as mulheres negras não representaram o grupo com os menores salários, sendo a posição assumida pelos homens negros (211,0%). Essa foi a única categoria que as mulheres negras conseguiram superar o dobro do rendimento médio da população (220,4%) e também a única na qual o rendimento médio das mulheres brancas foi o maior rendimento da categoria (299,2%).

5.1.        CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este boletim teve a finalidade de apresentar a inserção das mulheres negras no mercado de trabalho no 4º trimestre de 2021. Vale retomar nessas considerações finais alguns aspectos mais marcantes da análise.

A recuperação das ocupações no mercado de trabalho brasileiro aconteceu ao longo do ano de 2021 e isso trouxe reflexos sobre a diminuição da desocupação e das pessoas na força de trabalho potencial (indisponíveis e em desalento).

Para as mulheres negras, 28,5% da população ativa e 22,6% das pessoas ocupadas no 4º. Trimestre de 2021, também se observou uma melhora, considerando o quadro dramático instaurado a partir do 2º. Trimestre de 2020, com o surgimento da pandemia do novo coronavírus. Alguns indicadores mostram isso, como o aumento da sua taxa de participação (de 47,0% no fim de 2020 para 50,2% no fim de 2021), redução da taxa de desocupação (de 19,2% para 16,1%), da de subocupação (de 12,4% para 11,9%) e de subutilização (de 40,5% para 35,7%).

Essa redução da taxa de subutilização pode ser muito louvada, mas deve ser relativizada por dois motivos: primeiro porque ainda se encontra em patamar vergonhoso, significando que mais de um terço das mulheres negras precisa trabalhar ou trabalhar mais do que estão trabalhando para conseguirem rendimentos desejáveis aos seus cuidados e de seus dependentes; em segundo lugar, essas mulheres foram as mais afetadas durante os períodos mais críticos das restrições sanitárias, das demissões e do período sem escolas e sem vacinas, portanto, o que se verifica até agora é a tentativa de voltar a uma situação anterior que, se registre, já era muito dramática e extremamente desigual em comparação com outros grupos sociais, como a dos homens brancos.

Mais um ponto a se destacar para a situação das mulheres negras nesse período é o fato de que o crescimento das ocupações esteve muito atrelado aos empregos sem carteira assinada, principalmente no setor privado (24,2% de aumento em um ano) e no trabalho doméstico (19,5%). O crescimento foi maior do que o aumento total, então, essas categorias ganharam ainda mais importância para as mulheres negras como forma de obter renda. Assim, o que se espera é que a recuperação não seja essa, mas sim uma que fortaleça as posições das mulheres negras no mercado de trabalho, tanto para ser mais condizentes com sua qualificação e seu potencial e necessidades de trabalho, como para que o país possa caminhar muito mais rapidamente para a eliminação das diferenças socioeconômicas existentes na sua população.

6.             Anexos

Tabela A – Brasil – População em Idade Ativa, segundo sua composição por raça ou cor e sexo (em mil pessoas) – 4º trimestre de 2021
População Negra População Branca
Mulheres Homens Mulheres Homens
População em Idade Ativa 50.296 46.515 43.090 36.331
  A. Força de Trabalho (A.1 + A.2) 25.262 32.516 22.369 25.202
     A.1. Pessoas Ocupadas 21.184 29.178 20.030 23.246
       A.1.1. Pessoas Subocupadas 2.518 2.096 1.574 1.093
     A.2 Pessoas Desocupadas 4.077 3.338 2.338 1.957
  B. Fora da Força de Trabalho (B.1 + B.2) 25.035 14.000 20.721 11.129
     B.1 Força de Trabalho Potencial (B.1.1 + B.1.2) 3.772 2.385 1.792 1.064
       B.1.1 Indisponíveis 1.766 843 1.035 522
       B.1.2 Desalentados 2.006 1.542 757 542
     B.2 Fora da Força de Trabalho Potencial 21.262 11.615 18.929 10.065
Força de Trabalho Ampliada (A + B.1) 29.034 34.901 24.160 26.266
Subutilização da Força de Trabalho Ampliada 10.367 7.819 5.705 4.114

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

Tabela B – Brasil: Pessoas ocupadas e sua composição na sua posição na ocupação, por cor ou raça e sexo (em mil pessoas) no 4º trimestre de 2021
População Negra População Branca
Mulheres Homens Mulheres Homens
Empreg. Setor Privado CC 6.440 10.242 6.993 8.856
Empreg. Setor Privado SC 2.155 5.206 1.766 2.736
Trab. Doméstico CC 818 102 477 57
Trab. Doméstico SC 2.706 208 1.437 102
Empreg. Setor Público CC 320 245 414 301
Empreg. Setor Público SC 913 578 616 341
Militar e Serv. Estatutário 2.126 1.741 2.295 1.639
Empregador (a) 375 1.018 821 1.670
Conta Própria 4.669 9.387 4.630 7.268
Trab. Familiar Auxiliar 663 451 582 275

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

REFERÊNCIAS

GORAYEB, Daniela. S.; FERREIRA, Adriana. N.; FONSECA, Camila V. C.; FILLETI, Juliana. P.; CAJUEIRO, Juliana. Mulheres no Mercado de Trabalho no Contexto da Crise Econômico-Sanitária de 2020: Saída da Força de Trabalho e Indisponibilidade. In: Eugenia Troncoso Leone; Marcelo Weishaupt. (Org.). Facetas do Trabalho no Brasil Contemporâneo. 1ed., 2021, v. 1, p. 285-306.)

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2018. Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Contínua. Notas Técnicas – Versão 1.5. 2ª ed. Rio de Janeiro. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101561_notas_tecnicas.pdf.

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino americano: ensaios, intervenções e diálogos. Organização Flavia Rios; Marcia Lima. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

[1] Para entender melhor a crise sanitária e os efeitos da crise prolongada que a precedeu, verifique Gorayeb et al. (2021).

[2] População em idade ativa são as pessoas de 14 anos ou mais. Todas as definições das categorias da população em idade ativa podem ser encontradas em IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2018).

[3] Neste boletim são consideradas pessoas negras a soma das pessoas que se declararam pretas ou pardas.

[4] Neste boletim são consideradas pessoas brancas a soma das pessoas que se declararam brancas ou amarelas.

[5] São classificadas como ocupadas na semana de referência as pessoas que, nesse período, trabalharam por pelo menos uma hora completa em trabalho remunerado em dinheiro, produtos, mercadorias, ou benefícios (moradia, alimentação, roupas, treinamento, etc.), ou em trabalho sem remuneração direta em ajuda à atividade econômica de membro do domicílio ou parente que reside em outro domicílio, ou, ainda, as que tinham trabalho remunerado do qual estavam temporariamente afastadas nessa semana.

[6] São classificadas como desocupadas na semana de referência as pessoas sem trabalho em ocupação nessa semana que tomaram alguma providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias, e que estavam disponíveis para assumi-lo na semana de referência. Consideram-se, também, como desocupadas as pessoas sem trabalho na semana de referência que não tomaram providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias porque já o haviam conseguido e iriam começá-lo em menos de quatro meses após o último dia da semana de referência.

[7] Vide item 4 mais adiante neste Boletim.

[8] A partir dos dados da tabela A do anexo é possível obter o nível de ocupação.

[9] Vide Sarris, et. al. (2020).

[10] Sobre o assunto, ver textos de Lélia Gonzalez em: Por um feminismo afro-latino americano: ensaios, intervenções e diálogos. Organização Flavia Rios; Marcia Lima. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

[11] Para o cálculo do valor real dos rendimentos do último trimestre de 2020, utilizou-se o IPCA.

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