Av. Alan Turing, nº 805 - Barão Geraldo – Campinas

Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho – 1º trimestre de 2022

Sumário executivo

O Boletim das Mulheres no Mercado de Trabalho é uma publicação trimestral do NPEGen com o objetivo de analisar os dados relativos à inserção das mulheres no mercado de trabalho, a partir dos microdados da PNAD contínua do IBGE.

Neste número são apresentados os dados referentes ao 1º trimestre de 2022. Os destaques foram:

  • O mercado de trabalho segue apresentando sinais de recuperação. Houve aumento da força de trabalho relativamente ao 1º trimestre de 2021; um total de 4,6 milhões de brasileiros retornou ao mercado de trabalho no último ano.
  • O número de desocupados segue elevado frente à série histórica, mas em patamar similar ao observado antes início da crise sanitária. Em relação ao primeiro trimestre de 2021, houve redução do número de desocupados (a taxa para as mulheres passou de 17,9% para 13,4%; e, para os homens de 12,2 para 9,2%);
  • Das categorias que compõem as pessoas fora da força de trabalho, houve redução na força de trabalho potencial. Dentro da força de trabalho potencial, a principal redução se deu nas pessoas indisponíveis – provavelmente devido ao retorno mais consistente das atividades nos dois últimos trimestres em razão do avanço da vacinação
  • As mulheres seguem sendo a maioria da População Desocupada (54,4%) e da População Subocupada (54,8%). Da mesma forma, a Subutilização da Força de Trabalho foi mais elevada para elas (56,6%).
  • Na comparação com o 1º trimestre de 2021, todas as categorias apresentaram recuperação da ocupação, sendo o setor privado o principal responsável. Inclusive, a categoria “militar e servidor estatutário”, especialmente importante para a contratação de mulheres durante a crise sanitária, apresentou redução para as três categorias analisadas.
  • Na comparação com o trimestre anterior, o “trabalho doméstico sem carteira”, assim como a categoria “empregado do setor público sem carteira”, “conta própria” e “empregado do setor privado sem carteira” apresentou contração no 1º trimestre de 2022.

Diante desse cenário de extrema desigualdade e vulnerabilidade, a análise das informações do mercado de trabalho brasileiro, principalmente a partir de um recorte de gênero, se coloca como de particular importância. Não só se faz necessário estimular pesquisas para compreender o fenômeno estrutural e conjuntural dessa desigualdade, como as informações aqui analisadas podem apoiar a formulação de políticas cujo propósito seja mitigar a situação precária em que a maior parte das mulheres se encontra.

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Introdução

O Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho (MMT) tem por objetivo a apresentação e análise dos dados trimestrais da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com foco na participação da mulher.

Desde 2012, com a publicação da PNAD Contínua, o IBGE reformulou as estatísticas disponíveis para o mercado de trabalho, ampliando-as, tanto em termos de sua abrangência geográfica como em relação ao escopo de suas categorias.

Para os propósitos deste boletim – analisar a situação das mulheres no mercado de trabalho –, algumas novas categorias são particularmente importantes: a subocupação da força de trabalho e a força de trabalho potencial. Esses dois subconjuntos capturam a precariedade do mercado de trabalho e a vulnerabilidade das pessoas que se encontram dentro ou fora dele – no primeiro caso, elas estão ocupadas, mas de forma precária; no segundo, elas se encontram fora da força de trabalho contra seu desejo e necessidade – por desalento ou por indisponibilidade. Ao lado da desocupação, a subocupação e a força de trabalho potencial conformam uma outra nova categoria, a da subutilização da força de trabalho.

Na perspectiva do Núcleo de Pesquisas de Economia e Gênero da FACAMP (NPEGen), para viabilizar a análise da situação de milhões de mulheres ocultas das categorias tradicionais e comumente divulgadas pela maior parte dos estudos sobre o mercado de trabalho, é fundamental lançar um olhar mais atento a esses dados, ainda que sua leitura e interpretação impliquem maior complexidade analítica.

Os dados do 1º trimestre de 2022 reiteram o início de uma recuperação da força de trabalho em relação ao 1º trimestre de 2021, confirmando uma tendência observada já no trimestre anterior. No entanto, a taxa de desocupação das mulheres segue muito superior à dos homens, ainda que haja indícios de uma melhora na precariedade associada à inserção no mercado de trabalho – como demonstra a redução contínua, nos últimos quatro trimestres, da taxa de subocupação e de subutilização da força de trabalho, para o Brasil, homens e mulheres.

O boletim está estruturado em quatro seções, além desta introdução e das considerações finais. Nas seções de 1 a 3, exibem-se os dados da população na Força de Trabalho brasileira, bem como do contingente que está Fora da Força de Trabalho. Na seção 4, apresentam-se os dados dos rendimentos, com diferentes recortes, ainda que guardando as diferenciações entre os sexos.

1.             COMPOSIÇÃO E VARIAÇÃO (%) DA POPULAÇÃO EM IDADE ATIVA (PIA) E DE SUAS CATEGORIAS

Esta seção é composta por quatro itens. No primeiro, é apresentado o número de pessoas nas categorias da PIA no trimestre analisado, com as participações de mulheres e homens em cada uma delas. No segundo item, exibem-se as variações percentuais do trimestre analisado em relação ao trimestre anterior e em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. A composição da Força de Trabalho Potencial é apresentada no item 3. No último item, estão discriminados os motivos alegados pelas pessoas para não estarem na Força de Trabalho no 1º trimestre de 2022.

1.1.        Composição da população em idade ativa (PIA) no 1º trimestre de 2022

A composição da População em Idade Ativa (PIA)[1] é exibida no gráfico 1. Há duas subdivisões da PIA: a população na Força de Trabalho (FT) ­– pessoas que estavam Ocupadas[2] ou Desocupadas[3] no período de referência da pesquisa – e a população Fora da Força de Trabalho (FFT) – pessoas que não estavam ocupadas ou desocupadas na semana de referência da pesquisa. As pessoas que estão Fora da Força de Trabalho estão subdivididas, por sua vez, em outras duas categorias: as pessoas na Força de Trabalho Potencial (FTP) e as pessoas Fora da Força de Trabalho Potencial (Fora da FFTP).

Embora as mulheres sejam a maioria na PIA (53,0%), nota-se uma menor representatividade delas na Força de Trabalho (45,1%) e na População Ocupada (43,9%) do que a dos homens (54,9% na FT e 56,1% na População Ocupada). Apesar dessa menor representatividade na FT, as mulheres foram a maioria da População Desocupada, 54,4% no 1º trimestre de 2022, assim como da População Subocupada[4], 54,8% no mesmo período.

Elas também aparecem como maioria em todas as categorias que evidenciam a maior vulnerabilidade da inserção no mercado de trabalho. Elas estavam em maior proporção entre as pessoas Fora da Força de Trabalho (64,5%), assim como eram a maioria da Força de Trabalho Potencial (FTP) – formada por uma parte da população fora da força de trabalho que não estava ocupada nem desocupada na semana de referência, mas com potencial para se tornar força de trabalho (Pessoas Indisponíveis e Pessoas em Desalento)[5] – representando 60,9% da FTP, 66,6% das Pessoas Indisponíveis e 56,4% das Pessoas em Desalento. Entre as pessoas que estavam Fora da Força de Trabalho Potencial (FFTP), as mulheres representaram 65% do total.

Outra categoria que sintetiza o conjunto de posições vinculadas à inserção mais precária no mercado de trabalho é a Subutilização da Força de Trabalho – resultado consolidado das pessoas Subocupadas, Desocupadas e na Força de Trabalho Potencial – que também foi mais elevada para as mulheres (56,6%).

Gráfico 1: Brasil – Composição da População em Idade Ativa (PIA) – 1º trimestre de 2022 (em mil pessoas)

1.2.        Taxa de variação (%) da composição da População em Idade Ativa (PIA)

Neste item são apresentadas as variações observadas pelas categorias, primeiro com a comparação com o mesmo trimestre do ano anterior e, no próximo subitem, na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

1.2.1.    1º trimestre de 2022 versus 1º trimestre de 2021

Considerando o período observado, foi possível notar uma recuperação da força de trabalho, com o retorno de 4,6 milhões de brasileiros para o mercado de trabalho. Desse total, 2,2 milhões eram mulheres (4,9%) e 2,4 milhões eram homens (4,3%). Houve um aumento significativo das pessoas ocupadas, 7,8 milhões de pessoas no total, sendo 4 milhão de mulheres (10,7%) e 3,8 milhões de homens (7,9%). Além disso, houve uma redução no número de desocupados, uma queda de 3,2 milhões de pessoas, sendo 1,7 milhão eram mulheres (-21,5%) e 1,4 milhões homens (-21,2%).

Em relação à subocupação, foi possível notar uma ligeira redução indicando praticamente uma estabilidade. No total, foram 0,6 milhão de pessoas subocupadas a menos, sendo 0,3 milhão de mulheres (-8,0%) e 0,3 milhão de homens (-8,9%).

No 1º trimestre de 2021, um dos principais movimentos observados no mercado de trabalho em relação ao ano anterior foi o grande aumento das pessoas indisponíveis, ou seja, pessoas que gostariam de trabalhar, mas que, por algum motivo, se encontravam indisponíveis para assumir uma vaga. Como o aumento foi muito significativo, apesar da redução apresentada no 1º trimestre de 2022, o indicador ainda se encontra em um patamar muito elevado. Houve uma redução de 1,6 milhões de pessoas na indisponibilidade, porém 3,8 milhões de pessoas ainda se consideravam indisponíveis para o trabalho. Dessas pessoas, 2,5 milhões eram mulheres (-29,2% frente ao resultado do 1º trimestre de 2021) e 1,3 milhão eram homens (uma variação de -32,5%).

Tabela 1: População em Idade Ativa, segundo sua composição e sexo, no 1º trimestre de 2022 (em mil pessoas), taxas de variação (%) do 1º trimestre 2022 versus 1º trimestre 2021 versus 4º trimestre de 2021
1º trim. 2022 (em mil pessoas)  1º trim. 2022 vs 4º trim. 2021 1º trim. 2022 vs 1º trim. 2021
M H M H M H
População em Idade Ativa (A + B) 93.670 83.140 -0,1 -0,1 -0,6 0,5
 A. Força de Trabalho (A.1 + A2) 47.367 57.700 -0,9 -0,5 4,9 4,3
   A.1 Pessoas Ocupadas 41.034 52.391 -0,8 -0,5 10,7 7,9
     A.1.1 Pessoas Subocupadas 3.527 2.913 -14,2 -9,0 -8,0 -8,9
   A.2 Pessoas Desocupadas 6.333 5.309 -1,8 -0,3 -21,5 -21,2
 B. Fora da Força de Trabalho (B.1 + B.2) 46.303 25.440 0,8 0,8 -5,7 -7,1
   B.1 Força de Trabalho Potencial (B.1.1 + B.1.2) 5.123 3.286 -8,5 -5,3 -24,8 -27,8
     B.1.1 Indisponíveis 2.501 1.256 -11,3 -8,7 -29,2 -32,5
     B.1.2 Desalentados 2.621 2.030 -5,7 -3,1 -20,0 -24,6
   B.2 Fora da Força de Trabalho Potencial 41.181 22.154 2,1 1,8 -2,6 -3,0
Força de Trabalho ampliada (A + B.1) 52.490 60.986 -1,7 -0,7 1,0 1,9
FT Subutilizada 14.982 11.508 -7,3 -4,1 -20,0 -20,6

Fonte: Microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

1.2.2.    1º trimestre de 2022 versus 4º trimestre de 2021

A comparação do 1º trimestre de 2022 com 4º trimestre de 2021 (tabela 1) parece ser um pouco mais complexa. Houve neste período, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE, uma redução na população em idade ativa, o que gerou uma redução em todas as categorias da PIA, exceto as pessoas Fora da Força de Trabalho, puxada pela categoria de pessoas Fora da Força de Trabalho Potencial.

De qualquer forma, foi possível observar que os sinais de recuperação apresentados no 4º trimestre de 2021 não conseguiram se manter de forma vigorosa no 1º trimestre de 2022 a ponto de superar a leve redução da PIA.

Houve uma redução das pessoas na força de trabalho (variações de -0,9% para as mulheres e -0,5% para os homens), o que representou 0,7 milhão de pessoas a menos no mercado de trabalho, sendo 453,5 mil mulheres e 263,3 mil homens. Essas pessoas saíram, majoritariamente, das pessoas ocupadas, mais especificamente subocupadas, pois o número absoluto de pessoas desocupadas teve uma variação muito pequena (redução de 116,2 mil mulheres, -1,8% e 14,7 mil homens, -0,3%), indicando que o contingente de pessoas procurando emprego ainda é muito grande. Ao todo, mais de 11 milhões de pessoas seguem em busca de uma ocupação sem conseguir encontrar no período.

Considerando o número de pessoas ocupadas no 1º trimestre de 2022, houve uma redução de 0,6 milhão de pessoas (queda de 0,3 milhão de mulheres, -0,8%, e de 0,2 milhão de homens, -0,5%), mostrando uma saída da Força de Trabalho diretamente para as pessoas Fora da Força de Trabalho Ampliada. Além disso, é importante observar uma redução de 874,3 mil pessoas desse contingente que saíram da condição de subocupação deixando de assumir empregos que cumprem o papel de colchão amortecedor ao longo dos períodos de crise (variação de -14,2% para as mulheres e de -9,0% para os homens).

A queda observada no número de pessoas na força de trabalho foi resultado da redução da PIA e do ligeiro aumento da participação das pessoas fora da força de trabalho. Houve um aumento de 0,6 milhão de pessoas fora da força de trabalho (quase 351,6 mil mulheres e 209,7 mil homens a mais) concentrado fora da força de trabalho potencial.

Das categorias que compõem as pessoas fora da força de trabalho, houve redução na força de trabalho potencial (-8,5% para as mulheres e -5,3% para os homens), uma contração de 0,7 milhão de pessoas. Vale lembrar que a FTP cresceu muito ao longo da pandemia uma vez que muitas pessoas se viram impossibilitadas de acessar seus trabalhos – seja por estarem muito expostas, por não conseguirem meios de transporte ou por ter que cuidar dos seus.

Dentro da força de trabalho potencial, a principal redução se deu nas pessoas indisponíveis. Foram 436,3 mil pessoas a menos indisponíveis para o trabalho, sendo 317,1 mil mulheres (-11,3%) e 119,2 mil homens (-8,7%). Muitas pessoas também saíram da condição de desalento (225,4 mil pessoas), mas coube à indisponibilidade o maior impacto sobre a variação da FTP.

1.3.        Força de Trabalho Potencial: Desalento e Indisponibilidade

Desde o início da crise sanitária observou-se um aumento das categorias de indisponibilidade e desalento, ou seja, da força de trabalho potencial. Porém, no 4º trimestre de 2021 o movimento do mercado de trabalho começou a dar indícios de mudança de tendência e o 1º trimestre de 2022 sugere uma redução da Força de Trabalho Potencial, sendo que o desalento passa a representar a maior parcela da FTP até para as mulheres.

Gráfico 2: Percentual de Pessoas da Força de Trabalho Potencial na População Fora da Força de Trabalho para o Brasil, Mulheres e Homens – 1º trimestre de 2021, 4º trimestre de 2021 e 1º trimestre de 2022

O gráfico 2 apresenta, para o Brasil, mulheres e homens, o percentual de pessoas da força de trabalho potencial na população fora da força de trabalho. É possível notar que houve, de fato, uma redução da participação da FTP no 1º trimestre de 2022 quando comparado com o 4º trimestre de 2021 nas três categorias analisadas (Brasil 11,7% versus 12,7%, mulheres 11,1% versus 12,2% e homens 12,9% versus 13,8%, respectivamente), sendo essa redução ainda maior quando comparada com 1º trimestre de 2021 (Brasil 3,2 pontos percentuais de redução, mulheres 2,8 p.p. e homens 3,7 p.p.).

Os próximos gráficos, 3 e 4, têm a função de apresentar a participação do desalento e da indisponibilidade na composição da força de trabalho potencial, para o Brasil, mulheres e homens. No Brasil, no 1º trimestre de 2021, 47,5% da FTP era composta por pessoas indisponíveis e 52,5% por desalentados. No 4º trimestre de 2021 os desalentados representavam uma parcela ainda maior da FTP (53,8%), enquanto os indisponíveis representavam 46,2%. Finalmente, no 1º trimestre de 2022 a diferença aumenta (44,7% de indisponíveis e 55,3% desalentados). No entanto, a comparação desse quadro entre homens e mulheres é bastante distinta.

Gráfico 3: Percentual de Pessoas da Desalentadas na Força de Trabalho Potencial para o Brasil, Mulheres e Homens – 1º trimestre de 2021, 4º trimestre de 2021 e 1º trimestre de 2022

Para as mulheres, mesmo com a queda das pessoas indisponíveis, apenas no 1º trimestre de 2022 o número de desalentados supera o número de indisponíveis e, mesmo assim, de forma marginal. No caso dos homens o movimento é muito similar ao do Brasil como um todo.

Sendo assim, a indisponibilidade, que representava a grande maioria das mulheres na FTP no 1º trimestre de 2021 (51,9%), reduziu-se no 4º trimestre de 2021 (50,3%) e deixou de ser a maior parcela da FTP no 1º trimestre de 2022 (48,8%). Como as duas categorias são complementares, a situação das mulheres desalentadas foi exatamente oposta (de 48,1% no 1º trimestre de 2021, para 49,7% no 4º trimestre de 2021, chegando a 51,2% no 1º trimestre de 2022).

No caso dos homens, a indisponibilidade não representou a maior parte da FTP em nenhum trimestre, sendo que a participação dos indisponíveis foi de 40,9%, contra 59,1% dos desalentados. No 4º trimestre de 2021, o desalento chega a 60,4% dos homens na FTP (com 39,6% de indisponíveis). No 1º trimestre de 2022 a distância entre as duas categorias aumentou ainda mais, sendo 61,8% de desalentados e 38,2% indisponíveis.

Gráfico 4: Percentual de Pessoas da Indisponíveis na Força de Trabalho Potencial para o Brasil, Mulheres e Homens – 1º trimestre de 2021, 4º trimestre de 2021 e 1º trimestre de 2022

2.             MOTIVOS PARA NÃO ESTAR NA FORÇA DE TRABALHO

O gráfico 5 apresenta os motivos declarados pelos entrevistados para estarem fora da força de trabalho no 1º trimestre de 2022. As respostas dos homens e das mulheres diferem de forma significativa.

Gráfico 5: Motivos para não estar na Força de Trabalho – 1º trimestre de 2022

Para as mulheres, o principal motivo para estar fora do mercado de trabalho foi o cuidado com os afazeres domésticos (27,9%), seguido por ser muito idosa ou muito jovem (26,2%), problemas de saúde e gravidez (14,4%), estudar (11,5%), outro motivo (11,4%), e, finalmente, por não querer trabalhar (8,6%).

No caso dos homens, o principal motivo alegado para não estar no mercado de trabalho foi o de ser considerado muito idoso ou muito jovem para trabalhar (30,5%), seguido por problemas de saúde (20,2%), estudar (18,6%), outro motivo (16,9%), não querer trabalhar (11,0%) e, apenas em último lugar, cuidar dos afazeres domésticos (2,9%).

3.             TAXAS (%) DE DESOCUPAÇÃO, SUBOCUPAÇÃO E SUBUTILIZAÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO AMPLIADA

Após analisar as categorias que compõem a PIA, assim como os motivos para não estar na força de trabalho, são apresentados os dados relativos aos movimentos das taxas de desocupação, subocupação e subutilização nos gráficos 6, 7 e 8. A importância da análise das taxas está na relativização com o total de cada um dos grupos analisados, Brasil, mulheres e homens.

Pode-se observar a estabilidade das taxas de desocupação (número de pessoas desocupadas em relação às pessoas na força de trabalho), no 1º trimestre de 2022 com relação ao 4º trimestre de 2021, para o Brasil, as mulheres e os homens, apresentadas no gráfico 6: Brasil manteve os 11,1%; a taxa para as mulheres passou de 13,5% para 13,4%; e, para os homens, manteve os 9,2%. Na comparação com o 1º trimestre de 2021 mostra uma redução das taxas de desocupação para o Brasil (-3,6 ponto percentual), para as mulheres (-4,5 p. p.) e para os homens (-3 p. p.). Vale salientar que essa recuperação ainda está muito aquém da necessária para reabsorver a população que estava ocupada no final de 2019, período anterior à crise sanitária e que representava um patamar baixo de ocupação, visto a crise econômica que se alonga desde 2015.

Gráfico 6: Taxa (%) de Desocupação para o Brasil, Mulheres e Homens – 1º trimestre de 2021, 4º trimestre de 2021 e 1º trimestre de 2022

As Taxas de Subocupação[6] do Brasil, das Mulheres e dos Homens são apresentadas no gráfico 7. A taxa de subocupação é um importante indicador da precariedade do mercado de trabalho, pois revela o contingente de pessoas que conseguiu trabalhar por um período na semana de referência, mas não conseguiu ocupar as 40 horas semanais e, assim, trabalhou menos do que gostaria. No 1º trimestre de 2022 houve uma ligeira redução da subocupção para as 3 categorias analisadas. Para o Brasil, a redução foi de 1,3 ponto percentual comparado o 1º trimestre de 2021 e de 0,9 p. p. com relação ao 4º trimestre de 2021. Para as mulheres a redução foi de 1,7 p. p. comparado ao mesmo período do ano anterior e de 1,3 p. p. comparado ao trimestre imediatamente anterior. Para os homens a redução foi de 1,0 p. p. frente ao 1º trimestre de 2021 e de 0,5 p. p. frente ao 4º trimestre de 2021.

Gráfico 7: Taxa (%) de Subocupação para o Brasil, Mulheres e Homens – 1º trimestre de 2021, 4º trimestre de 2021 e 1º trimestre de 2022

Por fim, as Taxas de Subutilização da Força de Trabalho Ampliada[7] (gráfico 8), outro indicador relevante da precariedade do trabalho, visto que agrupa as principais formas de vulnerabilidade (subocupação, desocupação e força de trabalho potencial), também apresentaram contração no 1º trimestre de 2022. Para o Brasil, a taxa que era de 29,7% no 1º trimestre de 2021, chegou a 24,5% no 4º trimestre de 2021 e recuou para 23,3% no 1º trimestre de 2022. Para as mulheres, a taxa saiu de 36,0% no 1º trimestre de 2021, chegou em 30,3% no 4º trimestre de 2021 e caiu para 28,5% no 1º trimestre de 2022. No caso dos homens, a taxa era 24,2% no 1º trimestre de 2021, caiu para 19,5% já no 4º trimestre de 2021 e estava em 18,9% no 1º trimestre de 2022.

Gráfico 8: Taxa (%) de Subutilização para o Brasil, Mulheres e Homens – 1º trimestre de 2021, 4º trimestre de 2021 e 1º trimestre de 2022

4.             POSIÇÃO NA OCUPAÇÃO DAS PESSOAS OCUPADAS

Neste item, é apresentada a análise das posições na ocupação das pessoas ocupadas. A finalidade é entender melhor os impactos sobre as posições que as pessoas ocupam no mercado de trabalho, sejam elas empregadas, empregadoras, trabalhadoras por conta própria ou trabalhadoras familiares auxiliares.

Tabela 2: Pessoas Ocupadas, segundo posição na ocupação e sexo – Totais (em mil pessoas) e Taxa de participação (%) no 1º trimestre de 2022
1º trimestre de 2022 Participação (%)
Brasil Mulheres Homens BR M H
EMPREG. SETOR PRIVADO CC 33.004 13.673 19.331 35,3 33,3 36,9
EMPREG. SETOR PRIVADO SC 11.677 3.903 7.775 12,5 9,5 14,8
TRAB. DOMÉSTICO CC 1.469 1.306 163 1,6 3,2 0,3
TRAB. DOMÉSTICO SC 4.368 4.060 308 4,7 9,9 0,6
EMPREG. SETOR PÚBLICO CC 1.225 663 562 1,3 1,6 1,1
EMPREG. SETOR PÚBLICO SC 2.327 1.433 894 2,5 3,5 1,7
MILITAR E SERVIDOR ESTATUTÁRIO 7.918 4.546 3.373 8,5 11,1 6,4
EMPREGADOR (A) 4.097 1.311 2.786 4,4 3,2 5,3
CONTA PRÓPRIA 25.348 8.904 16.444 27,1 21,7 31,4
TRABALHADOR FAMILIAR AUXILIAR 1.991 1.235 755 2,1 3,0 1,4
TOTAL 93.425 41.034 52.391 100,0 100,0 100,0

Fonte: microdados da PNAD Contínua – IBGE. Elaboração: NPEGen.

A tabela 2 apresenta a posição na ocupação das pessoas ocupadas no 1º trimestre de 2022. Observa-se que as categorias “empregado do setor privado com carteira” e “conta própria” concentraram a maioria das pessoas ocupadas (Brasil com 35,3% e 27,1%; mulheres com 33,3% e 21,7%; homens com 36,9% e 31,4%, respectivamente). Outras duas categorias relevantes foram “empregado do setor privado sem carteira” e “militar e servidor estatutário” (Brasil com 12,5% e 8,5%; mulheres com 9,5% e 11,1%; homens com 14,8% e 6,4%, respectivamente). Para as mulheres, o trabalho doméstico também se destaca. Ao todo, 9,9% das mulheres eram trabalhadoras domésticas sem carteira e, quando consideradas as trabalhadoras com carteira, esse percentual decresce para 3,2%.

Tabela 3: Pessoas Ocupadas, segundo posição na ocupação e sexo – taxa de variação (%) 1º trimestre de 2022 versus 4º trimestre de 2021 e versus 1º trimestre de 2021
Variação (%)

(verus 4º trimestre de 2021)

Variação (%)

(verus 1º trimestre de 2021)

BR M H BR M H
EMPREG. SETOR PRIVADO CC 1,1 1,4 0,9 11,6 13,4 10,4
EMPREG. SETOR PRIVADO SC -2,0 -0,9 -2,6 20,5 32,4 15,3
TRAB. DOMÉSTICO CC 0,4 0,2 1,5 9,2 12,7 -12,5
TRAB. DOMÉSTICO SC -2,2 -2,3 -1,3 21,7 21,3 26,2
EMPREG. SETOR PÚBLICO CC -4,7 -9,8 2,1 4,5 5,6 3,3
EMPREG. SETOR PÚBLICO SC -5,5 -6,6 -3,8 21,5 23,2 18,9
MILITAR E SERVIDOR ESTATUTÁRIO 1,2 2,5 -0,4 -9,2 -10,4 -7,7
EMPREGADOR (A) 5,2 9,3 3,4 8,7 19,4 4,3
CONTA PRÓPRIA -2,8 -4,6 -1,7 6,3 6,8 6,1
TRABALHADOR FAMILIAR AUXILIAR 0,3 -1,4 3,2 -2,2 -2,5 -1,7
TOTAL -0,6 -0,8 -0,5 9,1 10,7 7,9

Fonte: microdados da PNAD Contínua – IBGE. Elaboração: NPEGen.

Com relação às variações de cada uma das categorias (tabela 3), o Brasil apresentou uma redução de 0,6% do total de pessoas ocupadas, sendo uma redução de 0,8% para as mulheres e de 0,5% de homens, quando comparados com 4º trimestre de 2021. Ainda na comparação com o trimestre anterior, no 1º trimestre de 2022 o “trabalho doméstico sem carteira” apresentou contração no último trimestre (-2,2% para o Brasil, -2,3% para as mulheres e -1,3% para os homens), a categoria “empregado do setor público sem carteira” também apresentou queda para as três categorias analisadas (-5,5% para o Brasil, -6,6% para as mulheres, -3,8% para os homens), assim como “conta própria” (-2,8% para o Brasil, -4,6% para as mulheres, -1,7% para os homens) e “empregado do setor privado sem carteira” (-2,0% para o Brasil, -0,9% para as mulheres, -2,6% para os homens). A categoria de “empregado do setor público com carteira” apresentou uma redução significativa para as mulheres, mas com um leve aumento para os homens (-4,7% para o Brasil, -9,8% para as mulheres, 2,1% para os homens). Nas demais categorias, praticamente todas apresentaram crescimento frente ao 4º trimestre de 2021, exceto “militar e servidor estatutário” para os homens (-0,4%) e “trabalhador familiar auxiliar” para as mulheres (-1,4%). A categoria “empregador” apresentou crescimento para os três grupos analisados (5,2% para o Brasil, 9,3% para as mulheres, 3,4% para os homens).

Na comparação com o 1º trimestre de 2021, no total, todas as categorias apresentaram recuperação da ocupação (9,1% para o Brasil, 10,7% para as mulheres e de 7,9% para os homens). Porém, uma categoria importante na contratação principalmente de mulheres e que se manteve em crescimento ao longo da crise sanitária, “militar e servidor estatutário”, apresentou redução para as três categorias analisadas (-9,2% para o Brasil, -10,4% para as mulheres, -7,7% para os homens). Além disso, vale salientar que o principal crescimento, puxando a recuperação das ocupações, foi no setor privado com uma retomada de 5,4 milhões de vagas. As variações indicam crescimento tanto para a categoria de “empregado do setor privado com carteira” (11,6% para o Brasil, 13,4% para as mulheres, 10,4% para os homens), representando a retomada de 3,4 milhões de vagas, e para “empregado do setor privado sem carteira” (20,5% para o Brasil, 32,4% para as mulheres, 15,3% para os homens).

5.             RENDIMENTO MÉDIO DAS PESSOAS OCUPADAS

Nesta seção são apresentados os dados do rendimento médio das mulheres e homens ocupados no 1º trimestre de 2022, de acordo com a cor ou raça, nível de instrução e cargo. No Brasil, no 1º trimestre de 2022, o rendimento médio foi de R$2.548,90, mantendo-se grandes as diferenças por sexo, cor ou raça, conforme apresentado na tabela 4. Nota-se que o maior rendimento médio observado foi para os homens brancos ou amarelos (R$3.620,70) e o menor para as mulheres pretas ou pardas (R$1.731,70).

Tabela 4: Rendimento médio das pessoas ocupadas, segundo cor ou raça e o sexo ­– Valores do 1º trimestre de 2022 (em R$)
Brasil Mulheres Homens
Total 2.548,90 2.232,80 2.792,60
Brancos/Amarelos 3.234,90 2.772,10 3.620,70
Pretos/Pardos 1.963,00 1.731,70 2.129,60
Indígenas 2.055,00 1.764,40 2.232,60

Fonte: microdados da PNAD Contínua – IBGE. Elaboração: NPEGen.

Cor ou Raça

Para facilitar a comparação, as pessoas foram separadas de tal forma a apresentar, primeiramente, os rendimentos médios do Brasil (base 100), das mulheres e dos homens. Depois, as pessoas foram separadas de acordo com a cor ou raça – brancos/amarelos, pretos/pardos e indígenas.

É possível observar, a partir do gráfico 9, que as mulheres indígenas apresentaram o menor rendimento médio da população, equivalente a 69,2% do rendimento médio do Brasil. As mulheres pretas e pardas se somam às indígenas como as categorias cujo rendimento ficou abaixo dos 70% do salário médio da população. No outro extremo, situaram-se os homens brancos/amarelos, com rendimento 42% acima do rendimento médio da população, seguidos pelas mulheres brancas/amarelas (8,8% acima do rendimento médio da população). Esses dados mostram que, além de um recorte de sexo, considerar cor, raça ou etnia também é muito importante para analisar a desigualdade de rendimentos no Brasil.

Gráfico 09: Rendimento médio relativo por sexo e cor ou raça, 1º trimestre de 2022

Nível de Instrução

Outra forma de comparação relevante para os rendimentos é a observação do rendimento médio por nível de instrução. Novamente, os rendimentos médios do Brasil representam a base 100. Como era de se esperar, o aumento no nível de instrução acarreta um aumento dos salários, porém, junto com esse aumento, a diferença dos rendimentos entre homens e mulheres fica cada vez maior.

A partir do gráfico 10, observa-se que apenas as mulheres com ensino superior completo conseguiram ultrapassar o rendimento médio da população (62,7% acima do rendimento médio da população), contudo, os homens na mesma posição ganharam mais do que o dobro do rendimento médio (2,5 vezes o rendimento médio da população). Sem contar que, até o nível médio completo, as mulheres não chegaram a alcançar 70% do rendimento médio da população. Quando consideradas as pessoas sem instrução, o rendimento médio das mulheres representou 84,2% do rendimento dos homens. No outro extremo do gráfico, as pessoas com nível superior completo, o rendimento das mulheres equivaleu a 63,9% do rendimento dos homens.

Gráfico 10: Rendimento médio relativo por sexo e instrução, 1º trimestre de 2022

Cargo

Por fim, os rendimentos são comparados entre os cargos das pessoas ocupadas. O rendimento médio do Brasil, novamente, é a base e igual a 100. Cargos mais altos, com rendimentos médios superiores ao da população, apresentaram maior desigualdade entre homens e mulheres.

Gráfico 11: Rendimento médio relativo por sexo e cargo, 1º trimestre de 2022

A partir da análise do gráfico 11, para o Brasil, foi possível observar que os cargos “elementares,” “agropecuária, caça e pesca” e “serviços e comércio,” possuíam rendimento médio inferior à média da população – 46,5%, 70,3% e 71,8%, respectivamente. A desigualdade entre homens e mulheres foi bem pequena nas profissões elementares (o rendimento das mulheres representou 88,9% do dos homens), mas aumentou na agropecuária (77,9% do rendimento dos homens) e também em serviços e comércio (66,6% do rendimento deles).

Nos cargos com rendimento acima da média da população, o rendimento das mulheres superou o dos homens apenas nas “forças armadas, policiais e bombeiros” (com o rendimento dos homens sendo 89,3% do das mulheres). Nos cargos de “diretores e gerentes” e “profissionais das ciências” a desigualdade entre homens e mulheres ficou ainda mais evidente, elas tiveram um rendimento médio de 71,6% e 63,7% do rendimento deles, respectivamente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Os dados do 1º trimestre de 2022 seguem apresentando indícios da recuperação da força de trabalho, tendo sido reabsorvidos no mercado de trabalho um total de 4,6 milhões de brasileiros, quando comparado ao 1º trimestre de 2021.

Pode-se observar o aumento do número de pessoas ocupadas, tendo havido queda do número de pessoas desocupadas, subocupadas, na força de trabalho potencial (indisponíveis e desalentados) e, portanto, redução da subutilização da força de trabalho, para homens e mulheres. Vale salientar que, apesar do número de desocupados seguir elevado frente à série histórica, segue, como no trimestre anterior, em patamar similar ao observado antes início da crise sanitária.

Diferentemente do que aconteceu ao longo da pandemia, no 1º trimestre de 2022, se manteve a tendência observada nos dois trimestres anteriores de redução do número de pessoas indisponíveis, indicando que a motivação para as pessoas que gostariam de trabalhar, mas que, por algum motivo, se encontravam indisponíveis para assumir uma vaga, era a própria pandemia. Essa saída da indisponibilidade se deveu, provavelmente, ao avanço da vacinação.

Novamente, conforme apontado em boletins anteriores, as mulheres seguem sendo a maioria da População Desocupada (54,4%) e da População Subocupada (54,8%). Da mesma forma, a Subutilização da Força de Trabalho foi mais elevada para elas (56,6%).

Na comparação com o 1º trimestre de 2021, todas as categorias apresentaram recuperação da ocupação, principalmente no setor privado – com e sem carteira. Por outro lado, a categoria “militar e servidor estatutário”, que teve destaque na contratação de mulheres durante a crise sanitária, apresentou redução não só para as mulheres, mas também para homens e o total da população. Já na comparação com o trimestre anterior, as categorias “trabalho doméstico sem carteira”, “empregado do setor público sem carteira”, “conta própria” e “empregado do setor privado sem carteira” apresentaram contração no 1º trimestre de 2022 para o Brasil, homens e mulheres.

 

REFERÊNCIAS

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2018. Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Contínua. Notas Técnicas – Versão 1.5. 2ª ed. Rio de Janeiro. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101561_notas_tecnicas.pdf.

[1] População em idade ativa são as pessoas de 14 anos ou mais. Todas as definições das categorias da população em idade ativa podem ser encontradas em IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2018).

[2] São classificadas como ocupadas na semana de referência as pessoas que, nesse período, trabalharam por pelo menos uma hora completa em trabalho remunerado em dinheiro, produtos, mercadorias, ou benefícios (moradia, alimentação, roupas, treinamento, etc.), ou em trabalho sem remuneração direta em ajuda à atividade econômica de membro do domicílio ou parente que reside em outro domicílio, ou, ainda, as que tinham trabalho remunerado do qual estavam temporariamente afastadas nessa semana.

[3] São classificadas como desocupadas na semana de referência as pessoas sem trabalho em ocupação nessa semana que tomaram alguma providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias, e que estavam disponíveis para assumi-lo na semana de referência. Consideram-se, também, como desocupadas as pessoas sem trabalho na semana de referência que não tomaram providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias porque já o haviam conseguido e iriam começá-lo em menos de quatro meses após o último dia da semana de referência.

[4] São classificadas como subocupadas na semana de referência as pessoas de 14 anos ou mais que trabalhavam habitualmente menos de 40 horas semanais, estavam disponíveis e gostariam de trabalhar mais horas.

[5] Os motivos para as pessoas se classificarem nesse subgrupo estão expostos na Seção 4.

[6] Número de pessoas subocupadas em relação às pessoas ocupadas.

[7] A taxa de subutilização é representada pela razão entre a subutilização do trabalho (composta pela subocupação, desocupação e força de trabalho potencial) e a força de trabalho ampliada.

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