Av. Alan Turing, nº 805 - Barão Geraldo – Campinas

Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho – 3º trimestre de 2021

Sumário executivo

O Boletim das Mulheres no Mercado de Trabalho é uma publicação trimestral do NPEGen com o objetivo de analisar os dados relativos à inserção das mulheres no mercado de trabalho, a partir dos microdados da PNAD contínua do IBGE.

Neste número são apresentados os dados referentes ao 3º trimestre de 2021. Ressalta-se que o ano de 2020 foi marcado por uma crise sanitária somada à crise econômica que vigorava desde 2015[1], porém o 3º trimestre de 2021 começa a apresentar uma recuperação mais vigorosa do mercado de trabalho. Os destaques deste número foram:

  • Início de uma recuperação da força de trabalho em relação ao 3º trimestre de 2020 e ao semestre imediatamente anterior. Porém, o contingente de pessoas procurando emprego ainda era muito grande (13,2 milhões de pessoas).
  • O número de pessoas em trabalho precário (informal ou em condição de subocupação) também se manteve em nível bastante elevado. A subocupação aumentou 24% entre o 3º trimestre de 2020 e o 3º trimestre de 2021.
  • Diferentemente do que aconteceu ao longo de toda a pandemia, houve redução do número de pessoas indisponíveis, -2,6 milhões de pessoas em relação ao 3º trimestre de 2020.
  • As mulheres foram a maioria da População Desocupada (55,4%) e da População Subocupada (55,0%). Da mesma forma, a Subutilização da Força de Trabalho também foi mais elevada para elas (57,4%).
  • No que tange à posição na ocupação, é possível notar precariedade da inserção das mulheres no mercado de trabalho; as categorias com maior crescimento foram as informais.

Diante desse cenário de extrema desigualdade e vulnerabilidade, a análise das informações do mercado de trabalho brasileiro, principalmente a partir de um recorte de gênero, se coloca como de particular importância. Não só se faz necessário estimular pesquisas para compreender o fenômeno estrutural e conjuntural dessa desigualdade, como as informações aqui analisadas podem apoiar a formulação de políticas cujo propósito seja mitigar a situação precária em que a maior parte das mulheres se encontra.

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Introdução

O Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho (MMT) tem por objetivo a apresentação e análise dos dados trimestrais da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com foco na participação da mulher.

Desde 2012, com a publicação da PNAD Contínua, o IBGE reformulou as estatísticas disponíveis para o mercado de trabalho, ampliando-as, tanto em termos de sua abrangência geográfica como em relação ao escopo de suas categorias.

Para os propósitos deste boletim – analisar a situação das mulheres no mercado de trabalho –, algumas novas categorias são particularmente relevantes: a subocupação da força de trabalho e a força de trabalho potencial. Esses dois subconjuntos capturam a precariedade do mercado de trabalho e a vulnerabilidade das pessoas que se encontram dentro ou fora dele – no primeiro caso, elas estão ocupadas, mas de forma precária; no segundo, elas se encontram fora da força de trabalho contra seu desejo e necessidade – por desalento ou por indisponibilidade. Ao lado da desocupação, a subocupação e a força de trabalho potencial conformam uma outra nova categoria, a subutilização da força de trabalho.

Na perspectiva do Núcleo de Pesquisas de Economia e Gênero da FACAMP (NPEGen), para viabilizar a análise da situação de milhões de mulheres ocultas das categorias tradicionais e comumente divulgadas pela maior parte dos estudos sobre o mercado de trabalho, é fundamental lançar um olhar mais atento a esses novos dados, ainda que sua leitura e interpretação impliquem maior complexidade analítica.

Os dados do 3º trimestre de 2021 revelam o início de uma recuperação mais vigorosa da força de trabalho em relação ao 3º trimestre de 2020. Alguns indicadores do mercado de trabalho, tais como a taxa de desocupação apresentou redução, mas ainda é necessário salientar que o número de pessoas em trabalho precário (informal ou em condição de subocupação), assim como o número de pessoas desocupadas, se mantêm em um nível bastante elevado.

O boletim está estruturado em 4 seções, além desta introdução e das considerações finais. Nas seções de 1 a 3, exibem-se os dados da população na Força de Trabalho brasileira, bem como do contingente que está Fora da Força de Trabalho. Na seção 4, apresentam-se os dados dos rendimentos, com diferentes recortes, ainda que guardando as diferenciações entre os sexos.

1.             COMPOSIÇÃO E VARIAÇÃO (%) DA POPULAÇÃO EM IDADE ATIVA (PIA) E DE SUAS CATEGORIAS

Esta seção é composta por 4 itens. No primeiro, é apresentado o número de pessoas das categorias da PIA no trimestre analisado, com as participações de mulheres e homens nessas categorias. No segundo item, exibem-se as variações percentuais do trimestre analisado em relação ao trimestre anterior e em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. A composição da Força de Trabalho Potencial é apresentada no item 3. No último item, estão discriminados os motivos alegados pelas pessoas para não estarem na Força de Trabalho brasileira no 3º trimestre de 2021.

1.1.        Composição da população em idade ativa (PIA) no 3º trimestre de 2021

A composição da População em Idade Ativa (PIA)[2] está exibida no gráfico 1. Há duas subdivisões da PIA: a população na Força de Trabalho (FT) – pessoas que estavam Ocupadas[3] ou Desocupadas[4] no período de referência da pesquisa – e a população Fora da Força de Trabalho (FFT) ­– pessoas que não estavam ocupadas ou desocupadas na semana de referência da pesquisa. As pessoas que estão Fora da Força de Trabalho estão subdivididas, por sua vez, em outras duas categorias: as pessoas na Força de Trabalho Potencial (FTP) e as pessoas Fora da Força de Trabalho Potencial (Fora da FFTP).

Embora as mulheres sejam a maioria na PIA (53,1%), nota-se uma menor representatividade delas na Força de Trabalho (45,2%) e na População Ocupada (43,7%) do que a dos homens (54,8% na FT e 56,3% na População Ocupada). Apesar dessa menor representatividade na FT, as mulheres foram a maioria da População Desocupada, 55,4% no 3º trimestre de 2021; assim como da População Subocupada[5], 55,0% no mesmo período.

Elas também aparecem como maioria em todas as categorias que evidenciam a maior vulnerabilidade no mercado de trabalho. As mulheres estavam em maior proporção entre as pessoas Fora da Força de Trabalho (64,5%), assim como eram a maioria da Força de Trabalho Potencial (FTP) – formada por uma parte da população fora da força de trabalho que não estava ocupada nem desocupada na semana de referência, mas com potencial para se tornar força de trabalho (Pessoas Indisponíveis e Pessoas em Desalento)[6] –, representando 62,0% da FTP, 67,4% das Pessoas Indisponíveis e 57,4% das Pessoas em Desalento. Entre as pessoas que estavam Fora da Força de Trabalho Potencial (FFTP), as mulheres representaram 64,9% do total.

Outra categoria que sintetiza o conjunto de posições vinculadas à inserção mais precária no mercado de trabalho é a Subutilização da Força de Trabalho – resultado consolidado das pessoas Subocupadas, Desocupadas e na Força de Trabalho Potencial – que também foi mais elevada para as mulheres (57,4%).

Gráfico 1: Brasil – Composição da População em Idade Ativa (PIA) – 3º trimestre de 2021 (em mil pessoas)

1.2.        Taxa de variação (%) da composição da População em Idade Ativa (PIA)

Neste item são apresentadas as variações observadas pelas categorias, primeiro com a comparação com o mesmo trimestre do ano anterior e, no próximo subitem, na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

1.2.1.    3º trimestre de 2021 versus 3º trimestre de 2020

Considerando o período observado, foi possível notar uma forte recuperação da força de trabalho, com o retorno de 8,1 milhões de brasileiros para o mercado de trabalho. Desse total, 4,6 milhões eram mulheres (10,8%) e 3,4 milhões eram homens (6,4%). Houve um aumento significativo das pessoas ocupadas, 8,9 milhões de pessoas no total, sendo 4,5 milhão de mulheres (12,6%) e 4,5 milhões de homens (9,5%). O número de desocupados caiu, uma redução de 0,9 milhão de pessoas, um aumento de 0,1 milhão de mulheres (+2,0%), contra uma redução de 1,0 milhões homens (-14,6%).

Além disso, foi possível notar um aumento das pessoas em posição de subocupação, ou seja, pessoas que conseguiram voltar a compor a força de trabalho, mas não conseguiram encontrar uma vaga para preencher todo o tempo que gostariam de trabalhar. No total, foram 1,5 milhão de pessoas subocupadas a mais, sendo 0,9 milhão de mulheres (28,0%) e 566,8 mil homens (19,5%).

Diferentemente do que aconteceu ao longo de toda a pandemia, no 3º trimestre de 2021, um dos principais movimentos observados no mercado de trabalho foi a grande redução do número de pessoas indisponíveis, ou seja, pessoas que gostariam de trabalhar, mas, por algum motivo, se encontravam indisponíveis para assumir uma vaga. Houve uma redução de -2,6 milhões de pessoas na indisponibilidade, porém 4,4 milhões de pessoas ainda se consideravam indisponíveis para o trabalho. Dessas pessoas, 3,0 milhões eram mulheres (-32,8% frente ao resultado do 3º trimestre de 2020) e 1,4 milhão eram homens (uma variação de -44,8%).

Tabela 1: População em Idade Ativa, segundo sua composição e sexo, no 3º trimestre de 2021 (em mil pessoas), taxas de variação (%) do 3º trimestre 2021 versus 3º trimestre 2020 versus 2º trimestre de 2021
3º trim. 2021

(em mil pessoas)

3º trim. 2021 vs

2º trim. de 2021

3º trim. 2021 vs

3º trim. de 2020

M H M H M H
População em Idade Ativa (A + B) 94.108 83.047 -0,1 0,1 1,0 1,3
  A. Força de Trabalho (A.1 + A2) 47.287 57.327 2,8 1,9 10,8 6,4
    A.1 Pessoas Ocupadas 39.965 51.423 4,9 3,5 12,6 9,5
      A.1.1 Pessoas Subocupadas 4.234 3.469 2,3 1,9 28,0 19,5
    A.2 Pessoas Desocupadas 7.322 5.905 -7,0 -10,1 2,0 -14,6
  B. Fora da Força de Trabalho (B.1 + B.2) 46.821 25.719 -2,9 -3,6 -7,2 -8,5
    B.1 Força de Trabalho Potencial (B.1.1 + B.1.2) 5.991 3.676 -3,1 -9,0 -21,2 -30,3
      B.1.1 Indisponíveis 2.965 1.434 -3,9 -7,9 -32,8 -44,8
      B.1.2 Desalentados 3.026 2.242 -2,3 -9,7 -5,0 -16,3
  B.2 Fora da Força de Trabalho Potencial 40.830 22.043 -2,9 -2,6 -4,8 -3,4
Força de Trabalho ampliada (A + B.1) 53.278 61.003 2,1 1,2 6,0 3,1
FT Subutilizada 17.548 13.050 -3,6 -6,9 -3,0 -13,6

Fonte: Microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

1.2.2.    3º trimestre de 2021 versus 2º trimestre de 2021

A comparação do 3º trimestre de 2021 com 2º trimestre de 2021 (tabela 1) mostra os primeiros sinais de uma tentativa de recuperação do mercado de trabalho. Porém, como será possível observar, o número absoluto de pessoas desocupadas teve uma variação muito pequena (redução de -553,2 mil mulheres e -664,2 mil homens), indicando que o contingente de pessoas procurando emprego ainda era muito grande.

De qualquer forma, houve, no 3º trimestre de 2021, um retorno das pessoas para a força de trabalho, com um aumento de 2,8% para as mulheres e 1,9% para os homens – o que representou 2,4 milhões de pessoas a mais no mercado de trabalho, sendo 1,3 milhão de mulheres e 1,1 milhão de homens. Essas pessoas foram alocadas entre as pessoas ocupadas e subocupadas, pois, mesmo que pouco significativa em termos absolutos, houve uma redução do número de pessoas desocupadas (-7,0% para as mulheres e -10,1% para os homens).

Sendo assim, o número de pessoas ocupadas no 3º trimestre aumentou em 3,6 milhões de pessoas (1,9 milhão de mulheres, 4,9%, e 1,7 milhão de homens, 3,5%), sendo capaz de captar não só o aumento da força de trabalho, mas também a redução ocorrida no número de desocupados. Porém, é importante observar que 160,3 mil pessoas desse contingente acabaram assumindo vagas que não conseguiam preencher toda a carga horária desejada, ou seja, o aumento da subocupação também apareceu de forma contundente no 3º trimestre de 2021 (2,3% de aumento para as mulheres e 1,9% de aumento para os homens).

O aumento observado no número de pessoas na força de trabalho foi resultado da queda da participação das pessoas fora da força de trabalho, visto que a população em idade ativa apresentou leve redução no caso das mulheres e ficou estável no caso dos homens. Houve uma redução de -2,4 milhões de pessoas fora da força de trabalho (quase 1,4 milhões mulheres e 958,6 mil homens a menos). Das categorias que compõem as pessoas fora da força de trabalho, a principal redução ocorreu na força de trabalho potencial (-3,1% para as mulheres e -9,0% para os homens), uma contração de 0,6 milhão de pessoas. Vale lembrar que a FTP cresceu muito ao longo da pandemia uma vez que muitas pessoas se viram impossibilitadas de acessar seus trabalhos – seja por estarem muito expostas, por não conseguirem meios de transporte ou por terem que cuidar dos seus.

Conforme salientado nos boletins anteriores, a situação das mulheres foi particularmente agravada pelo fechamento das escolas e pelo desmantelamento das redes de apoio. No início de 2021, algumas escolas começaram o processo de retomada, mesmo que parcial ou em dias alternados, movimento intensificado no 3º trimestre de 2021, com a grande maioria das escolas, inclusive as públicas, retomando as suas atividades presenciais.

Dentro da força de trabalho potencial, a principal redução se deu nas pessoas desalentadas. Foram 313,2 mil pessoas a menos nessa categoria, com uma redução de 2,3% para as mulheres e de 9,7% para os homens. A indisponibilidade também apresentou uma queda quase da mesma magnitude, 242,0 mil pessoas a menos indisponíveis para o trabalho, sendo 119,0 mil mulheres (-3,9%) e 123,0 mil homens (-7,9%).

1.3.        Força de Trabalho Potencial: Desalento e Indisponibilidade

Desde o início da crise sanitária observou-se um aumento das categorias de indisponibilidade e desalento, ou seja, da força de trabalho potencial. Conforme observado no item anterior, porém, no 3º trimestre de 2021 o movimento do mercado de trabalho começou a dar indícios de mudança de tendência. Os próximos três gráficos evidenciam esse movimento, ainda lento e insuficiente para recuperar todas as pessoas que foram alijadas do mercado de trabalho , mas que dá sinais de recuperação.

Gráfico 2: Percentual de Pessoas da Força de Trabalho Potencial na População Fora da Força de Trabalho para o Brasil, Mulheres e Homens – 3º trimestre de 2020, 2º trimestre de 2021 e 3º trimestre de 2021

O gráfico 2 apresenta, para o Brasil, mulheres e homens, o percentual de pessoas da força de trabalho potencial na população fora da força de trabalho. É possível notar que houve uma redução ou manutenção da participação da FTP no 3º trimestre de 2021 quando comparado com o 2º trimestre de 2021 nas três categorias analisadas (Brasil 13,3% versus 13,6%, mulheres 12,8% versus 12,8% e homens 14,3% versus 15,1%, respectivamente), sendo a redução ainda maior quando comparada com 3º trimestre de 2020 (Brasil -3,1 pontos percentuais de redução, mulheres -2,3 p.p. e homens -4,5 p.p.).

Os próximos gráficos, 3 e 4, têm a função de apresentar a participação do desalento e da indisponibilidade na composição da força de trabalho potencial, para o Brasil, mulheres e homens. Os gráficos, em conjunto, mostram que a indisponibilidade, categoria que chegou a figurar como a maioria das pessoas na força de trabalho potencial no 3º trimestre de 2020, voltou a ter participação menos significativa. No Brasil, no 3º trimestre de 2020, 54,4% da FTP era composta por pessoas indisponíveis e 45,6% por desalentados. No 2º trimestre de 2021 a situação se inverteu e os desalentados voltaram a ser a maioria (54,6%) das pessoas na FTP, enquanto os indisponíveis representavam 45,4%. Finalmente, no 3º trimestre de 2021 a diferença fica ainda maior (45,5% de indisponíveis e 54,5% desalentados).

Gráfico 3: Percentual de Pessoas da Desalentadas na Força de Trabalho Potencial para o Brasil, Mulheres e Homens – 3º trimestre de 2020, 2º trimestre de 2021 e 3º trimestre de 2021

A indisponibilidade, que representava a grande maioria das mulheres na FTP no 3º trimestre de 2020 (58,1%), reduziu-se no 2º trimestre de 2021 (49,9%) e deixou de ser a maior parcela da FTP no 3º trimestre de 2021 (49,5%). Como as duas categorias são complementares, a situação das mulheres desalentadas foi exatamente oposta (de 41,9% no 3º trimestre de 2020, para 50,1% no 2º trimestre de 2021, chegando a 50,5% no 3º trimestre de 2021).

No caso dos homens, a indisponibilidade não representou a maior parte da FTP em nenhum dos períodos analisados. A participação foi de 49,2%, contra 50,8% dos desalentados, já no 2º de 2021, 61,5% dos homens na FTP estavam em desalento e 38,5% indisponíveis e no 3º trimestre de 2021 eram 61,0% de desalentados e 39,0% indisponíveis.

Gráfico 4: Percentual de Pessoas da Indisponíveis na Força de Trabalho Potencial para o Brasil, Mulheres e Homens – 3º trimestre de 2020, 2º trimestre de 2021 e 3º trimestre de 2021

2.             MOTIVOS PARA NÃO ESTAR NA FORÇA DE TRABALHO

O gráfico 5 apresenta os motivos declarados pelos entrevistados para estarem fora da força de trabalho no 3º trimestre de 2021. As respostas dos homens e das mulheres diferem de forma significativa.

Gráfico 5: Motivos para não estar na Força de Trabalho – 3º trimestre de 2021

Para as mulheres, o principal motivo para estar fora do mercado de trabalho foi o cuidado com os afazeres domésticos (27,0%), seguido por ser muito idosa ou muito jovem (24,4%), problemas de saúde e gravidez (14,8%), outro motivo (13,2%), estudar (11,7%) e, finalmente, por não querer trabalhar (8,9%). Apesar de cuidar dos afazeres domésticos sempre figurar como principal motivo para as mulheres não estarem no mercado de trabalho, certamente, a crise sanitária agravou essa situação. Isso porque, as medidas sanitárias para conter a contaminação pelo vírus implicaram o fechamento das escolas e a desestruturação da rede de apoio das mulheres – por exemplo, os cuidados com a saúde impediram avós de auxiliar nos cuidados com as crianças –, dificultando o acesso das mulheres ao mercado de trabalho.

No caso dos homens, o principal motivo alegado para não estar no mercado de trabalho foi o de ser considerado muito idoso ou muito jovem para trabalhar (28,7%), seguido por problemas de saúde (19,9%), estudar (18,9%), outro motivo (18,7%), não querer trabalhar (11,3%) e, apenas em último lugar, cuidar dos afazeres domésticos (2,4%). Ou seja, mesmo diante do cenário de crise sanitária, que impôs uma maior restrição a circulação, o fechamento de escolas, além de implicar a desestruturação da rede de apoio para o cuidado com as crianças, os homens não declararam o afastamento do mercado de trabalho devido aos afazeres domésticos.

3.             TAXAS (%) DE DESOCUPAÇÃO, SUBOCUPAÇÃO E SUBUTILIZAÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO AMPLIADA

Após analisar as categorias que compõem a PIA, assim com os motivos para não estar na força de trabalho, são apresentados os dados relativos aos movimentos das taxas de desocupação, subocupação e subutilização, apresentadas nos gráficos 6, 7 e 8. A importância da análise das taxas está na relativização com o total de cada um dos grupos analisados, Brasil, mulheres e homens.

Pode-se observar uma redução das taxas de desocupação (número de pessoas desocupadas em relação às pessoas na força de trabalho) para o Brasil, as mulheres e os homens, apresentadas no gráfico 6, no 3º trimestre de 2021 com relação ao 2º trimestre de 2021: Brasil passou de 14,1% para 12,6%; as mulheres, de 17,1% para 15,5%; e, os homens, de 11,7% para 10,3%. Conforme apresentado anteriormente, essa redução da taxa de desocupação se deveu, em grande medida, ao aumento da força de trabalho para todos esses grupos. O mesmo acontece com a comparação com o 3º trimestre de 2020 com uma ligeira redução da desocupação para o Brasil (-2,0 ponto percentual), para as mulheres (-1,3 p. p.) e para os homens (-2,5 p. p.). Esse indicador mostra, mais uma vez, como o mercado de trabalho ainda está longe de uma recuperação que preveja a absorção das pessoas que perderam seus empregos ao longo do último ano.

Gráfico 6: Taxa (%) de Desocupação para o Brasil, Mulheres e Homens – 3º trimestre de 2020, 2º trimestre de 2021 e 3º trimestre de 2021

As Taxas de Subocupação[7] do Brasil, das Mulheres e dos Homens são apresentadas no gráfico 7. A taxa de subocupação é um importante indicador da precariedade do mercado de trabalho, pois revela o contingente de pessoas que conseguiram trabalhar por um período na semana de referência, mas não conseguiram ocupar as 40 horas semanais e, assim, trabalharam menos do que gostariam. No 3º trimestre de 2021 houve um aumento da subocupação para as 3 categorias analisadas, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Para o Brasil, o aumento foi de 0,9 ponto percentual comparado o 3º trimestre de 2020, para as mulheres o aumento foi de 1,3 p. p. e para os homens houve um aumento de 0,6 p. p.. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve uma leve redução da taxa de subocupação, ocasionada pelo aumento do denominador da taxa, ou seja, a FT, essa contração foi de -0,2 p. p. com relação para o Brasil, -0,3 p. p.  para as mulheres e de -0,1 p. p. para os homens.

Gráfico 7: Taxa (%) de Subocupação para o Brasil, Mulheres e Homens – 3º trimestre de 2020, 2º trimestre de 2021 e 3º trimestre de 2021

Por fim, as Taxas de Subutilização da Força de Trabalho Ampliada[8] (gráfico 8), outro indicador relevante da precariedade do trabalho, visto que agrupa as principais formas de vulnerabilidade (subocupação, desocupação e força de trabalho potencial), apresentaram redução no 3º trimestre de 2021. Para o Brasil, a taxa que era de 30,3% no 3º trimestre de 2020, chegou a 28,6% no 2º trimestre de 2021 e recuou para 26,8% no 3º trimestre de 2021. Para as mulheres, a taxa saiu de 36,0% no 3º trimestre de 2020, chegou em 34,9% no 2º trimestre de 2021 e caiu para 32,9% no 3º trimestre de 2021. No caso dos homens, a taxa era 25,5% no 3º trimestre de 2020, caiu para 23,2% já no 2º trimestre de 2021 e estava em 21,4% no 3º trimestre de 2021.

Gráfico 8: Taxa (%) de Subutilização para o Brasil, Mulheres e Homens – 3º trimestre de 2020, 2º trimestre de 2021 e 3º trimestre de 2021
4.             POSIÇÃO NA OCUPAÇÃO DAS PESSOAS OCUPADAS

Neste item, é apresentada a análise das posições na ocupação das pessoas ocupadas. A finalidade é entender melhor os impactos sobre as posições que as pessoas ocupam no mercado de trabalho, sejam elas empregadas, empregadoras, trabalhadoras por conta própria ou trabalhadoras familiares auxiliares.

 

 

Tabela 2: Pessoas Ocupadas, segundo posição na ocupação e sexo – Totais (em mil pessoas) e Taxa de participação (%) no 3º trimestre de 2021
3º trimestre de 2021 Participação (%)
Brasil Mulheres Homens BR M H
EMPREG. SETOR PRIVADO CC 31.637 13.018 18.619 34,6 32,6 36,2
EMPREG. SETOR PRIVADO SC 11.146 3.440 7.707 12,2 8,6 15,0
TRAB. DOMÉSTICO CC 1.363 1.217 18.619 1,5 3,0 0,3
TRAB. DOMÉSTICO SC 4.217 3.950 7.707 4,6 9,9 0,5
EMPREG. SETOR PÚBLICO CC 1.222 679 146 1,3 1,7 1,1
EMPREG. SETOR PÚBLICO SC 2.252 1.386 267 2,5 3,5 1,7
MILITAR E SERVIDOR ESTATUTÁRIO 8.032 4.642 543 8,8 11,6 6,6
EMPREGADOR (A) 3.846 1.136 866 4,2 2,8 5,3
CONTA PRÓPRIA 25.603 9.173 3.390 28,0 23,0 32,0
TRABALHADOR FAMILIAR AUXILIAR 2.069 1.325 2.711 2,3 3,3 1,4
TOTAL 91.387 39.965 51.423 100,0 100,0 100,0

Fonte: microdados da PNAD Contínua – IBGE. Elaboração: NPEGen.

A tabela 2 apresenta a posição na ocupação das pessoas ocupadas no 3º trimestre de 2021. Observa-se que as categorias “empregado do setor privado com carteira” e “conta própria” concentraram a maioria das pessoas ocupadas (Brasil com 34,6% e 28,0%; mulheres com 32,6% e 23,0%; homens com 36,2% e 32,0%, respectivamente). Outras duas categorias relevantes foram “empregado do setor privado sem carteira” e “militar e servidor estatutário” (Brasil com 12,2% e 8,8%; mulheres com 8,6% e 11,6%; homens com 15,0% e 6,6%, respectivamente). Para as mulheres, o trabalho doméstico também se destaca. Ao todo, 9,9% das mulheres eram trabalhadoras domésticas sem carteira e, quando consideradas as trabalhadoras com carteira, esse percentual sobe para 12,9%.

Tabela 3: Pessoas Ocupadas, segundo posição na ocupação e sexo – taxa de variação (%) 3º trimestre de 2021 versus 2º trimestre de 2021 e versus 3º trimestre de 2020
Variação (%)

(versus 2º trimestre de 2021)

Variação (%)

(versus 3º trimestre de 2020)

BR M H BR M H
EMPREG. SETOR PRIVADO CC 4,8 4,5 5,0 7,7 9,2 6,8
EMPREG. SETOR PRIVADO SC 11,2 14,6 9,7 23,7 29,4 21,3
TRAB. DOMÉSTICO CC 3,8 5,1 -5,8 4,0 7,7 -18,7
TRAB. DOMÉSTICO SC 11,1 10,8 15,0 27,7 28,7 14,4
EMPREG. SETOR PÚBLICO CC -4,0 -1,7 -6,7 6,4 6,1 6,8
EMPREG. SETOR PÚBLICO SC 7,4 8,7 5,4 -1,0 -2,2 1,1
MILITAR E SERVIDOR ESTATUTÁRIO -5,0 -4,2 -6,0 -4,5 -4,1 -4,9
EMPREGADOR (A) 1,5 2,4 1,2 -0,3 -0,5 -0,2
CONTA PRÓPRIA 3,1 5,0 2,0 17,5 22,9 14,7
TRABALHADOR FAMILIAR AUXILIAR 2,3 3,6 0,1 3,4 9,1 -5,5
TOTAL 4,1 4,9 3,5 10,8 12,6 9,5

Fonte: microdados da PNAD Contínua – IBGE. Elaboração: NPEGen.

Com relação às variações de cada uma das categorias (tabela 3), o Brasil apresentou um aumento de 4,1% do total de pessoas ocupadas, um acréscimo de 4,9% de mulheres e 3,5% de homens, quando comparados com 2º trimestre de 2021. Ainda na comparação com o trimestre anterior, no 3º trimestre de 2021 a categoria “empregado do setor público com carteira”, diferente do trimestre anterior, apresentou queda para as três categorias analisadas (-4,0% para o Brasil, -1,7% para as mulheres e -6,7% para os homens), o mesmo se observa para a categoria “militar e servidor estatutário”, que permaneceu em queda em relação ao semestre anterior (-5,0% para o Brasil, -4,2% para as mulheres, -6,0% para os homens). Nas demais categorias, praticamente todas apresentaram crescimento frente ao 2º trimestre de 2021, exceto “trabalhador doméstico com carteira” para os homens (-5,8%). Para as mulheres, as maiores variações foram, em ordem de grandeza, “empregado do setor privado sem carteira” (14,6%), “trabalhador doméstico sem carteira” (10,8%) e “empregado do setor público sem carteira” (8,7%). Aqui, novamente, é possível notar, de forma ainda mais evidente que no semestre anterior, a precariedade da inserção das mulheres no mercado de trabalho, dado que as categorias com maior crescimento foram as informais.

Na comparação com o 3º trimestre de 2020, no total, todas as categorias apresentaram expressiva recuperação da ocupação (10,8% para o Brasil, 12,6% para as mulheres e de 9,5% para os homens). Porém, mesmo diante de um cenário de melhora, é possível notar ainda a tendência de forte redução do trabalho doméstico com carteira para os homens (-18,7%) e nas categorias “militar e servidor estatutário” (-4,5% para o Brasil, -4,1% para as mulheres e -4,9% para os homens) e, em menor escala, “empregador (a)” (-0,3% para o Brasil, -0,5% para as mulheres e -0,2% para os homens) para as três categorias analisadas. Nas demais categorias, praticamente todas apresentaram crescimento, exceto “empregado do setor público sem carteira” para o Brasil e as mulheres (-1,0% e -2,2%). Entras as categorias que apresentaram crescimento, novamente, se destacam a categoria “conta própria” e as informais: “empregado do setor privado sem carteira” e “trabalhado doméstico sem carteira” para as três categorias analisadas.

5.             RENDIMENTO MÉDIO DAS PESSOAS OCUPADAS

Nesta seção são apresentados os dados do rendimento médio das mulheres e homens ocupados no 3º trimestre de 2021, de acordo com a cor ou raça, nível de instrução e cargo. No Brasil, no 3º trimestre de 2021, o rendimento médio foi de R$ 2.466,5, mantendo-se grandes as diferenças por sexo, cor ou raça, conforme apresentado na tabela 4. Nota-se que o maior rendimento médio observado foi para os homens brancos ou amarelos (R$ 3.523,8) e o menor para as mulheres indígenas (R$ 1.528,1).

Tabela 4: Rendimento médio das pessoas ocupadas, segundo cor ou raça e o sexo – Valores do 3º trimestre de 2021 (em R$)
Brasil Mulheres Homens
Total 2.466,5 2.179,3 2.685,5
Brancos/Amarelos 3.169,1 2.741,8 3.523,8
Pretos/Pardos 1.860,8 1.644,7 2.012,8
Indígenas 1.820,4 1.528,1 2.023,1

Fonte: microdados da PNAD Contínua – IBGE. Elaboração: NPEGen.

Cor ou Raça

Para facilitar a comparação, as pessoas foram separadas de tal forma a apresentar, primeiramente, os rendimentos médios do Brasil (base 100), das mulheres e dos homens. Depois, as pessoas foram separadas de acordo com o sexo e também com a cor ou raça – brancos/amarelos, pretos/pardos e indígenas.

É possível observar, a partir do gráfico 9, que as mulheres indígenas apresentaram o menor rendimento médio da população, equivalente a 62,0% do rendimento médio do Brasil. As mulheres pretas e pardas se somam às indígenas como as categorias cujo rendimento ficou abaixo dos 70,0% do salário médio da população. No outro extremo, situaram-se os homens brancos/amarelos, com rendimento 42,9% acima do rendimento médio da população, seguidos pelas mulheres brancas/amarelas (11,2% acima do rendimento médio da população). Esses dados mostram que, além de um recorte de sexo, considerar cor, raça ou etnia também é muito importante para analisar a desigualdade de rendimentos no Brasil.

Gráfico 09: Rendimento médio relativo por sexo e cor ou raça, 3º trimestre de 2021
Nível de Instrução

Outra forma de comparação relevante para os rendimentos é a observação do rendimento médio por nível de instrução. Novamente, os rendimentos médios do Brasil representam a base 100. Como era de se esperar, o aumento no nível de instrução acarreta um aumento dos salários, porém, junto com esse aumento, a diferença dos rendimentos entre homens e mulheres fica cada vez maior.

A partir do gráfico 10, observa-se que apenas as mulheres com ensino superior completo conseguiram ultrapassar o rendimento médio da população (67,2% acima do rendimento médio da população), contudo, os homens na mesma posição ganharam mais do que o dobro do rendimento médio (2,6 vezes o rendimento médio da população). Sem contar que, até o nível superior incompleto, as mulheres não chegaram a alcançar 75,0% do rendimento médio da população. Quando consideradas as pessoas sem instrução, o rendimento médio das mulheres representou 81,1% do rendimento dos homens. No outro extremo do gráfico, as pessoas com nível superior completo, o rendimento das mulheres equivaleu a 63,4% do rendimento dos homens.

Gráfico 10: Rendimento médio relativo por sexo e instrução, 3º trimestre de 2021

Cargo

Por fim, os rendimentos são comparados entre os cargos das pessoas ocupadas. O rendimento médio do Brasil, novamente, é a base e igual a 100. Cargos mais altos, com rendimentos médios superiores ao da população, apresentaram maior desigualdade entre homens e mulheres.

Gráfico 11: Rendimento médio relativo por sexo e cargo, 3º trimestre de 2021

A partir da análise do gráfico 11, para o Brasil, foi possível observar que os cargos “elementares,” “agropecuária, caça e pesca” e “serviços e comércio,” possuíam rendimento médio inferior à média da população – 44,1%, 68,3% e 71,3%, respectivamente. A desigualdade entre homens e mulheres foi pequena nas profissões elementares (o rendimento das mulheres representou 88,9% do dos homens), mas aumentou na agropecuária (73,9% do rendimento dos homens) e também em serviços e comércio (66,7% do rendimento deles).

Nos cargos com rendimento acima da média da população, o rendimento das mulheres superou o dos homens apenas nas “forças armadas, policiais e bombeiros” (com o rendimento dos homens sendo 81,3% do das mulheres). Nos cargos de “diretores e gerentes” e “profissionais das ciências” a desigualdade entre homens e mulheres ficou ainda mais evidente, elas tiveram um rendimento médio de 68,8% e 63,4% do rendimento deles, respectivamente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste número foram apresentados os dados do mercado de trabalho no Brasil referentes ao 3º trimestre de 2021. Em linhas gerais, pode-se dizer que, mesmo com alguns sinais de recuperação, os graves efeitos da crise sanitária ainda se fizeram sentir e há um longo caminho a ser percorrido para a recuperação do patamar apresentado ao final de 2019.

Os dados do trimestre revelam o início de uma recuperação da força de trabalho em relação ao 3º trimestre de 2020 e ao semestre imediatamente anterior. Porém, o número absoluto de pessoas desocupadas teve uma variação muito pequena, indicando que o contingente de pessoas procurando emprego ainda era muito grande.

No entanto, apesar de a taxa de desocupação ter apresentado redução, o número de pessoas em trabalho precário (informal ou em condição de subocupação) se manteve em nível bastante elevado. A subocupação aumentou 24% entre o 3º trimestre de 2020 e o 3º trimestre de 2021. No total, foram 1,5 milhão de pessoas subocupadas a mais, sendo 0,9 milhão de mulheres (28,0%) e 566,8 mil homens (19,5%).

Diferentemente do que aconteceu ao longo de toda a pandemia, no 3º trimestre de 2021, um dos principais movimentos observados no mercado de trabalho foi a redução do número de pessoas indisponíveis, indicando que a motivação para as pessoas que gostariam de trabalhar, mas, por algum motivo, se encontravam indisponíveis para assumir uma vaga era a própria pandemia – seja por estarem muito expostas, por não conseguirem meios de transporte ou por terem que cuidar dos seus. Houve uma redução de -2,6 milhões de pessoas na indisponibilidade entre o 3º trimestre de 2021 e o 3º trimestre de 2020

Embora as mulheres sejam a minoria na Força de Trabalho (45,2%) e na População Ocupada (43,7%), foram a maioria da População Desocupada (55,4%) e da População Subocupada (55,0%). Da mesma forma, a Subutilização da Força de Trabalho também foi mais elevada para elas (57,4%). Nesse caso, o principal motivo para estar fora do mercado de trabalho seguiu sendo o cuidado com os afazeres domésticos (27,0%). Outra categoria que sintetiza o conjunto de posições vinculadas à inserção mais precária no mercado de trabalho é a Subutilização da Força de Trabalho, que também foi mais elevada para as mulheres (57,4%).

Cuidar dos afazeres domésticos sempre figura como principal motivo para as mulheres não estarem na força de trabalho, no entanto, a crise sanitária certamente agravou essa situação. Isso porque, as medidas sanitárias para conter a contaminação pelo vírus implicaram o fechamento das escolas e a desestruturação da rede de apoio, dificultando o acesso das mulheres ao mercado de trabalho. No caso dos homens, mesmo diante do cenário de crise sanitária, o afastamento do mercado de trabalho devido aos afazeres domésticos foi o último motivo declarado.

No que tange à posição na ocupação, é possível notar, de forma ainda mais evidente que no semestre anterior, a precariedade da inserção das mulheres no mercado de trabalho, dado que as categorias com maior crescimento foram as informais. Da mesma forma, a desigualdade salarial de gênero segue expressiva e se intensifica com o aumento do nível de instrução e a depender do cargo ocupado. Para mulheres negras e indígenas o salário não chegou a 70% do salário médio da população. Considerando o nível de instrução, até o nível superior incompleto, as mulheres também não chegaram a alcançar 70% do rendimento médio total. Se comparados os cargos das pessoas ocupadas, o único cargo em que possuem rendimentos superiores aos dos homens é o das forças armadas.

Levando em consideração os dados expostos neste boletim, pode-se dizer que há sinais mais expressivos de recuperação do mercado de trabalho no 3º trimestre de 2021. Apesar disso, os efeitos da crise sanitária se fazem presentes, de modo a desocupação, e principalmente a subocupação, seguem em patamares bastante elevados. Por isso, o mercado de trabalho não só ainda não retomou o nível necessário para absorver a força de trabalho disponível no Brasil, como dá indícios de aumento da precariedade.

 

REFERÊNCIAS

GORAYEB, Daniela S., Camila V. C. FONSECA, Juliana P. FILLETI, and Juliana P. M. CAJUEIRO. 2021. “Uma Análise Do Mercado de Trabalho No Contexto Da Crise Econômico-Sanitária de 2020.” Efeitos Sobre as Mulheres, Sua Saída Da Força de Trabalho e Sua Indisponibilidade. Anais do XXVI Encontro Nacional de Economia Política, evento virtual, de 08 a 11 de junho de 2021. SEP. https://enep.sep.org.br/uploads/1649_1615673090_SEP_trabalho_identificado_pdf_ide.pdf.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2018. Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Contínua. Notas Técnicas – Versão 1.5. 2ª ed. Rio de Janeiro. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101561_notas_tecnicas.pdf.

[1] Para entender melhor a crise sanitária e os efeitos da crise prolongada que a precedeu, verifique GORAYEB et al. (2021).

[2] População em idade ativa são as pessoas de 14 anos ou mais. Todas as definições das categorias da população em idade ativa podem ser encontradas em IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2018).

[3] São classificadas como ocupadas na semana de referência as pessoas que, nesse período, trabalharam por pelo menos uma hora completa em trabalho remunerado em dinheiro, produtos, mercadorias ou benefícios (moradia, alimentação, roupas, treinamento, etc.), ou em trabalho sem remuneração direta em ajuda à atividade econômica de membro do domicílio ou parente que reside em outro domicílio, ou, ainda, as que tinham trabalho remunerado do qual estavam temporariamente afastadas nessa semana.

[4] São classificadas como desocupadas na semana de referência as pessoas sem trabalho em ocupação nessa semana que tomaram alguma providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias e que estavam disponíveis para assumi-lo na semana de referência. Consideram-se, também, como desocupadas as pessoas sem trabalho na semana de referência que não tomaram providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias porque já o haviam conseguido e iriam começá-lo em menos de quatro meses após o último dia da semana de referência.

[5] São classificadas como subocupadas na semana de referência as pessoas de 14 anos ou mais que trabalhavam habitualmente menos de 40 horas semanais, estavam disponíveis e gostariam de trabalhar mais horas

[6] Os motivos para as pessoas se classificarem nesse subgrupo estão expostos na Seção 4.

[7] Número de pessoas subocupadas em relação às pessoas ocupadas.

[8] A taxa de subutilização é representada pela razão entre a subutilização do trabalho (composta pela subocupação, desocupação e força de trabalho potencial) e a força de trabalho ampliada.

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