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Crescimento da informalidade em abril aprofunda deterioração do mercado de trabalho

A manutenção da taxa de desocupação em abril, em relação ao mês anterior (14,7%), não sinaliza um horizonte positivo para o mercado de trabalho. O aumento das ocupações (+290 mil em relação a março) foi superior à entrada de pessoas na força de trabalho, porém se concentrou nas atividades sem carteira assinada, aprofundando a precarização. Essa tendência é reforçada pelo crescimento das subocupações (+178 mil ante março) e pelo aumento dos Microempreendedores Individuais (MEI’s) nos primeiros quatro meses de 2021 (+22,5% em relação ao quadrimestre anterior), que reflete o avanço da “pejotização” do trabalho no Brasil.

O aumento da precarização é ilustrado pela análise da posição na ocupação em abril, que mostra um desempenho positivo das posições sem carteira assinada e CNPJ (+318 mil vagas), explicado sobretudo pelos trabalhadores Conta Própria sem CNPJ (+224 mil vagas). Em contraposição a esse resultado, as ocupações formais registraram queda de 28 mil vagas em relação a março, contribuindo para o crescimento da taxa de informalidade (gráfico 2).

A análise das ocupações por setor de atividade reflete, por um lado, o bom desempenho da agropecuária (+103 mil vagas) – que se destaca mesmo não sendo um setor empregador – e, por outro lado, a recuperação do setor de serviços, especialmente aqueles ligados à tecnologia da informação, atividades imobiliárias e financeiras (+141 mil vagas).

O crescimento da informalidade como eixo dinâmico do mercado de trabalho compromete a recuperação da renda. A massa de rendimentos habitualmente recebidos continua em queda em abril, atingindo o menor valor desde outubro de 2016. Esse cenário é agravado pela queda do rendimento médio, sugerindo um desempenho negativo não apenas dos trabalhos com menores remunerações, mas também das ocupações com maiores rendimentos em relação à média.

Gráfico 1: criação líquida de empregos em mil pessoas, setores formal e informal, entre julho de 2019 e abril de 2021

 

Gráfico 2: taxa de informalidade (%) e população fora da força de trabalho (%), entre julho de 2019 e abril de 2021

 

Gráfico 3: massa de rendimentos (em milhões de reais) e rendimento médio (em unidade monetária) de todos os trabalhos, habitualmente recebidos, entre julho de 2019 e abril de 2021 – valores reais

 

Núcleo de Mercado de Trabalho

Saulo Abouchedid

Larissa Maciel

Juliana de Paula Filleti

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