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ITE/FACAMP cai em fevereiro e reflete a ausência do auxílio emergencial

Tabela 1: ITE/FACAMP mensal (variação em %)

Comparações Janeiro 2021 Fevereiro 2021
Mês anterior (com ajuste sazonal) -1,4 -0,5
Média Móvel Trimestral[1] 0,6 0,7
Mesmo mês ano anterior 8,3 2,3
Acumulado 12 meses 0,2 0,1

                    Fonte: Elaboração NEC/FACAMP a partir dos dados da CCEE

 

O Índice de Tendência Econômica da FACAMP (ITE/FACAMP)[2] caiu 0,5% em fevereiro de 2021 em relação a janeiro de 2021, já descontados os efeitos sazonais. Ainda que essa segunda queda consecutiva tenha sido menos intensa que a verificada em janeiro e que a média móvel trimestral ainda aponte ligeira melhora (em função da forte alta de dezembro), as perspectivas negativas para os próximos meses reforçam a expectativa de reversão da recuperação conquistada ao longo do segundo semestre de 2020. De fato, com o resultado de fevereiro, o acumulado em 12 meses do índice já caminha para zero (0,1%).

A retração da atividade econômica em fevereiro ainda não reflete os efeitos do agravamento da pandemia, mas já capta os impactos do fim do auxílio emergencial (e das demais medidas emergenciais). A flexibilidade da quarentena nos dois primeiros meses do ano compensou em parte os danos causados pelo fim precoce das políticas anticíclicas, mesmo diante da recuperação lenta do mercado de trabalho e dos sinais claros do avanço da segunda onda da pandemia.

A esse cenário se somam outros fatores que comprometem as expectativas no horizonte temporal das famílias e empresários. Há uma crescente dificuldade, em parte dos setores, de recomposição dos estoques de insumos e matérias primas importados, levando, inclusive, à paralisação de algumas cadeias de produção (como a cadeia automotiva). Tais problemas são amplificados pela elevação dos preços das commodities e da desvalorização cambial, que afetam de maneira generalizada os custos de produção e, consequentemente, os preços dos bens finais.

A persistência dessa pressão inflacionária compromete não apenas o poder de compra do trabalhador, mas também o combate à extrema pobreza. Para lidar com essa pressão inflacionária, o Banco Central subiu a taxa básica de juros em março a despeito da inflação não ter origem num excesso de demanda. Segundo o professor Rodrigo Sabbatini do NEC/FACAMP, “a reação pró-cíclica do Banco Central pode ampliar o desempenho negativo da atividade econômica, já que tende a encarecer o crédito e provocar, consequentemente, o aumento do endividamento e a interrupção da decisão de gastos das empresas e das famílias”.

O enfrentamento da crise sanitária e econômica deve ser feito em duas frentes, que se complementam e auto reforçam: aceleração do programa de vacinação e maior rapidez na renovação das medidas emergenciais implementadas em 2020. A velocidade na adoção de tais políticas dará a dimensão da queda da atividade econômica no segundo semestre e sinalizará a possibilidade de transbordamento dos resultados negativos em direção ao terceiro trimestre.

Neste contexto, a continuidade do crescimento do ITE será posta à prova em 2021. “O valor insuficiente do auxílio emergencial, diante do avanço da extrema pobreza, e a demora na aprovação e renovação das demais medidas anticíclicas potencializam os efeitos do recrudescimento da pandemia sobre a atividade econômica no segundo trimestre”, complementa a professora Juliana Filleti do NEC/FACAMP.

Portanto, a renovação e o montante de medidas emergenciais adicionais, os impactos do agravamento da pandemia sobre os setores de atividade e o mercado de trabalho, bem como o ritmo de vacinação e a evolução do cenário externo continuarão sendo termômetros importantes nos próximos meses.

 

 

[1] A média móvel trimestral avalia o resultado da variação do último trimestre móvel, ou seja, compara a média dos últimos três meses, incluindo o mês atual, com a média dos três meses anteriores ao mês corrente. Por considerar a média do último trimestre móvel, seu resultado acaba sendo mais suave e capaz de captar uma tendência menos volátil da série a analisada.

[2] O ITE/FACAMP é calculado a partir do consumo de energia tomando informações públicas disponibilizadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O ITE possui um coeficiente de correlação de Pearson (r) de 0,87 ante o IBC-br do Banco Central em janeiro de 2021. Em relação ao PIB, o coeficiente de correlação é de 0,85 em dezembro de 2020. Para mais detalhes sobre a metodologia do ITE/FACAMP, veja https://www.facamp.com.br/ite-facamp/

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