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ITE/FACAMP cai em novembro e compromete recuperação no quarto trimestre

Tabela 1: ITE/FACAMP mensal (variação em %)

Comparações Outubro/2020 Novembro/2020
Mês anterior (com ajuste sazonal) 0,7 -0,8
Mesmo mês 2019 4,5 4,2
Acumulado 12 meses -2,3 -1,9

                    Fonte: Elaboração NEC/FACAMP a partir dos dados da CCEE

 

O Índice de Tendência Econômica da FACAMP (ITE/FACAMP)[1] caiu 0,8% em novembro em relação a outubro, já descontados os efeitos sazonais (Tabela 1). Embora esta seja a primeira queda após seis altas consecutivas, o resultado é preocupante porque praticamente anula a alta de outubro e coloca dúvidas sobre a trajetória do quarto trimestre. Vale frisar também que essa reversão da trajetória de recuperação  ocorre após três meses consecutivos de desaceleração da atividade econômica, especialmente entre setembro e outubro. No entanto, o resultado continua positivo em relação ao mesmo mês de 2019, contribuindo para um melhor desempenho do acumulado 12 meses em relação a outubro (Tabela 1).

A reversão marginal do índice em novembro reflete não apenas os efeitos da redução do auxílio emergencial sobre os setores de bens essenciais (especialmente alimentos e bebidas) do varejo e da indústria, mas também os efeitos da segunda onda da pandemia, a partir da segunda metade de novembro, que impactaram as vendas de final de ano e deterioraram ainda mais as expectativas para os meses subsequentes.

Segundo o professor Saulo Abouchedid do NEC/FACAMP, “o recrudescimento da pandemia combinado com a redução do auxílio emergencial ameaça reverter a rápida retomada da atividade econômica conquistada no terceiro trimestre, já que a resposta do mercado de trabalho e, consequentemente, da massa de rendimentos ainda é lenta.”A recuperação expressiva do varejo e da indústria (que alcançaram níveis pré-pandemia) não se refletiu nas ocupações de tais setores, que ainda estão distantes do período anterior à crise sanitária. Esse comportamento, somado a deterioração das ocupações no setor de serviços e à inflação dos alimentos, contribui para o baixo nível da massa de rendimentos, que ainda está em patamares próximos de 2016. Ademais, os gastos com cartão de crédito ainda não alcançaram os patamares pré-pandemia, sugerindo uma reação tímida das faixas maiores de renda, mesmo após a flexibilização das restrições sanitárias. Tais fatores comprometem também a retomada dos investimentos, com o encurtamento das expectativas dos empresários. Dessa forma, a dependência das medidas anticíclicas para a sustentação da demanda é ampla e tende a aumentar com a segunda onda da pandemia.

Portanto, a provável interrupção de grande parte das medidas emergenciais em 2021 e a demora no anúncio de um plano de vacinação devem comprometer a continuidade da retomada econômica verificada no segundo semestre de 2020. A manutenção do crescimento nos próximos meses dependerá não apenas de programas de sustentação da demanda no curto prazo, mas também de um amplo programa de investimentos públicos, que amplie o horizonte dos empresários. As medidas emergenciais garantiram uma rápida recuperação da atividade econômica. No entanto, o caráter duradouro da pandemia e a lenta recuperação do mercado de trabalho demonstraram a necessidade de transformação de tais medidas de curto prazo em políticas de médio e longo prazo, que incentivem o gasto empresarial”, complementa o professor Rodrigo Sabbatini do NEC/FACAMP.

Qualquer ensaio de volta ao Teto de Gastos neste momento tornará nossa atividade econômica ainda mais dependente de acasos ou eventos fortuitos, que podem contribuir positivamente ou negativamente com a recuperação, deixando a economia brasileira à deriva em 2021.

 

Gráfico 1: ITE/FACAMP (jan/13 a nov/20) e IBC-Br (jan/13 a out/20) ­– média de 2014 = 100

Fonte: Elaboração NEC/FACAMP a partir dos dados da CCEE e do Banco Central do Brasil

 

 

[1] O ITE/FACAMP é calculado a partir do consumo de energia tomando informações públicas disponibilizadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O ITE possui um coeficiente de correlação de Pearson (r) de 0,89 ante o IBC-br do Banco Central em agosto de 2020. Em relação ao PIB, o coeficiente de correlação é de 0,87 em agosto de 2020. Para mais detalhes sobre a metodologia do ITE/FACAMP, veja https://www.facamp.com.br/ite-facamp/

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