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ITE/FACAMP cresce em abril e sinaliza recuperação no segundo trimestre

Tabela 1: ITE/FACAMP mensal (variação em %)

Comparações Março 2021 Abril 2021
Mês anterior (com ajuste sazonal) 0,4 1,2
Média Móvel Trimestral[1] -0,5 0,4
Mesmo mês ano anterior 10,1 29,5
Acumulado 12 meses 1,0 4,4

                    Fonte: Elaboração NEC/FACAMP a partir dos dados da CCEE

 

O Índice de Tendência Econômica da FACAMP (ITE/FACAMP)[2] subiu 1,2% em abril de 2021 em relação a março de 2021, já descontados os efeitos sazonais. Com o resultado, o índice retoma o patamar de dezembro de 2020 e sinaliza manutenção da recuperação vista no segundo semestre do ano passado. No entanto, a atividade econômica ainda segue um pouco distante (-5,3%) do pico registrado pelo ITE no terceiro trimestre de 2013.

O comportamento do índice em março e abril sugere que a atividade econômica foi impactada em menor escala pelo recrudescimento da crise sanitária e da quarentena, em comparação ao mesmo período de 2020, quando a pandemia eclodiu no país. De fato, o crescimento de 29,5% do índice em abril, comparado ao mesmo período do ano anterior sugere uma adaptação dos setores ao “abre e fecha” provocado pelas ondas da pandemia. Vale ressaltar que o resultado de abril foi potencializado pela reabertura de algumas atividades, especialmente comércio e serviços, a partir da segunda quinzena de abril.

Além disso, o resultado positivo do mês reflete três fatores principais. O primeiro refere-se à recomposição de certos setores da indústria, que consumiram seus estoques no segundo semestre de 2020 diante do descompasso entre o forte ritmo de recuperação e as dificuldades enfrentadas pelas cadeias produtivas globais. O segundo fator concentra-se no desempenho do setor exportador, estimulado pela recuperação da demanda externa e pelo aumento dos preços das commodities. Esse cenário se reflete, por exemplo, no bom resultado do setor agropecuário, que registrou crescimento de 5,2% no primeiro trimestre de 2020 (em relação ao trimestre anterior). Por fim, o terceiro fator, ainda incipiente, diz respeito aos efeitos do novo auxílio emergencial, que começaram a ser pagos em abril, sobre a demanda. Segundo o professor Saulo Abouchedid do NEC/FACAMP, “esses fatores compensam, em parte, o fraco desempenho do mercado de trabalho, que vem registrando nos últimos meses recordes negativos em relação à taxa de desemprego e à renda”.

Para além dos efeitos dinâmicos e otimismo que atingirá a economia brasileira conforme a vacinação progride, é preciso atentar para os fatores que comprometem a consistência da recuperação econômica. Além do cenário ruim do mercado de trabalho, que dificulta a retomada do consumo das famílias e as expectativas dos empresários, a probabilidade de uma crise hídrica ao longo de 2021 e 2022 pode comprometer as perspectivas otimistas. “As previsões negativas para o setor elétrico vão pressionar o preço da energia e, consequentemente, a inflação. A combinação de uma possível escalada inflacionária com o mercado interno fragilizado limitam os benefícios gerados pelo avanço da vacinação” complementa o professor Rodrigo Sabbatini do NEC/FACAMP.

Portanto, o avanço da vacinação pode não ser suficiente para lidar com as crises hídrica e do mercado de trabalho, crises que comprometem não apenas a amplitude do crescimento em 2021, mas a continuidade do crescimento econômico nos próximos anos. O enfrentamento desses dois problemas pelo governo determinará o ritmo de recuperação da atividade econômica no futuro.

 

 

[1] A média móvel trimestral avalia o resultado da variação do último trimestre móvel, ou seja, compara a média dos últimos três meses, incluindo o mês atual, com a média dos três meses anteriores ao mês corrente. Por considerar a média do último trimestre móvel, seu resultado acaba sendo mais suave e capaz de captar uma tendência menos volátil da série a analisada.

[2] O ITE/FACAMP é calculado a partir do consumo de energia tomando informações públicas disponibilizadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O ITE possui um coeficiente de correlação de Pearson (r) de 0,87 ante o IBC-br do Banco Central em março de 2021. Em relação ao PIB, o coeficiente de correlação é de 0,85 em dezembro de 2020. Para mais detalhes sobre a metodologia do ITE/FACAMP, veja https://www.facamp.com.br/ite-facamp/

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