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ITE/FACAMP recua em junho e sinaliza incertezas para os próximos meses

Tabela 1: ITE/FACAMP mensal (variação em %)

Comparações Maio 2021 Junho 2021
Mês anterior (com ajuste sazonal) 2,4 -0,4
Média Móvel Trimestral[1] 1,3 1,1
Mesmo mês ano anterior 20,9 19,2
Acumulado 12 meses 6,9 9,2

                    Fonte: Elaboração NEC/FACAMP a partir dos dados da CCEE

 

O Índice de Tendência Econômica da FACAMP (ITE/FACAMP)[2] caiu 0,4% em junho de 2021 em relação ao mês anterior, já descontados os efeitos sazonais. A despeito do resultado negativo em junho, a média móvel trimestral registrou avanço de 1,1% em função dos bons resultados dos dois meses anteriores. Em que pese a tendência favorável do indicador de tendência de curto prazo, a atividade econômica medida pelo ITE ainda segue abaixo do pico registrado no terceiro trimestre de 2013 (-3,4%).

De maneira geral, a quebra no mês de junho da trajetória de crescimento verificada em abril e maio reflete uma série de fatores que ampliaram a incerteza em relação à continuidade da recuperação, principalmente em 2022. Dentre esses fatores, destaca-se a recuperação lenta do emprego e da renda, a escalada inflacionária, a crise hídrica (que pode desencadear um racionamento de energia em 2021 ou 2022) e os possíveis impactos da variante delta na crise sanitária. “As instabilidades dos desempenhos setoriais refletem a dificuldade dos empresários construírem cenários para médio e longo prazo, freando a decisão de gasto”, reforça o Professor Saulo Abouchedid do NEC/FACAMP.

Neste contexto, ainda que as projeções apontem para um crescimento do PIB na ordem de 5% em 2021 e, consequentemente, uma volta ao patamar de 2019, a “qualidade” dessa recuperação preocupa e coloca em xeque as perspectivas para 2022. O perfil concentrador da recuperação da atividade e o aumento da precarização (informalidade e subocupação) do mercado de trabalho são mudanças estruturais relevantes, que impactam a tendência de crescimento da renda.

Assim, o avanço da vacinação pode não ser suficiente para garantir a continuidade dos resultados positivos no segundo semestre e em 2022. Por um lado, a antecipação da vacinação da população adulta (em relação às projeções passadas) e a consequente flexibilização total das atividades destravam, em teoria, a recuperação do setor de serviços e do mercado de trabalho. Por outro, as incertezas supracitadas comprometem os resultados positivos causados pelo possível controle da crise sanitária. “A gestão da crise no setor elétrico será fundamental para evitar uma quebra das expectativas de melhora do investimento e da atividade no restante de 2021 e em 2022. As políticas monetária e fiscal restritivas tentam neutralizar os efeitos inflacionários da crise hídrica e da alta dos preços das commodities, mas, além de pouco eficaz no controle inflacionário, essa estratégia compromete a trajetória da demanda e a própria melhora do quadro fiscal”, alerta o Professor Ricardo Buratini do NEC/FACAMP.

 

 

[1] A média móvel trimestral avalia o resultado da variação do último trimestre móvel, ou seja, compara a média dos últimos três meses, incluindo o mês atual, com a média dos três meses anteriores ao mês corrente. Por considerar a média do último trimestre móvel, seu resultado acaba sendo mais suave e capaz de captar uma tendência menos volátil da série analisada.

[2] O ITE/FACAMP é calculado a partir do consumo de energia tomando informações públicas disponibilizadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O ITE possui um coeficiente de correlação de Pearson (r) de 0,86 ante o IBC-br do Banco Central em maio de 2021. Em relação ao PIB, o coeficiente de correlação é de 0,79 no primeiro trimestre de 2021. Para mais detalhes sobre a metodologia do ITE/FACAMP, veja https://www.facamp.com.br/pesquisa/economia/nec-facamp/

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