Av. Alan Turing, nº 805 - Barão Geraldo – Campinas

ITE/FACAMP sobe em março e amplia incerteza para os próximos meses

Tabela 1: ITE/FACAMP mensal (variação em %)

Comparações Fevereiro 2021 Março 2021
Mês anterior (com ajuste sazonal) -0,5 0,4
Média Móvel Trimestral[1] 0,7 -0,5
Mesmo mês ano anterior 2,3 10,1
Acumulado 12 meses 0,1 1,0

                    Fonte: Elaboração NEC/FACAMP a partir dos dados da CCEE

 

O Índice de Tendência Econômica da FACAMP (ITE/FACAMP)[2] subiu 0,4% em março de 2021 em relação a fevereiro de 2021, já descontados os efeitos sazonais. Embora a média móvel trimestral confirme a trajetória de desaceleração do índice no início de 2021 (-0,5%), a variação positiva em relação a fevereiro de 2021 e março de 2020 (10,1) revela certa resiliência da atividade econômica a novos choques provocados pela crise sanitária.

O recrudescimento da pandemia a partir de março, combinado com a ausência do auxílio emergencial no primeiro trimestre do ano e com a não renovação do Programa de Manutenção do Emprego e da Renda (BEM), foi decisivo para a desaceleração da indústria e do comércio e para a interrupção da recuperação do setor de serviços.

Apesar do cenário ruim, dois fatores chamam atenção quando observamos o comportamento do índice. O primeiro sugere certo descompasso de alguns setores da indústria em relação ao desempenho do mercado interno. O setor metalúrgico ainda responde, por exemplo, ao crescimento acelerado da demanda no segundo semestre de 2020, sugerindo um movimento de reposição de estoques. Há também o crescimento do setor exportador (do qual se destaca a indústria extrativa), diante da recuperação da demanda global e do crescimento do preço das commodities.

Já o segundo fator refere-se a um menor impacto da segunda onda da pandemia sobre a atividade econômica , apesar da maior gravidade da fase atual da crise sanitária, sugerindo menores dificuldades logísticas das cadeias produtivas que dependem do mercado internacional e uma “adaptação” das empresas que sobreviveram à primeira onda às condições adversas da pandemia. No entanto, segundo o professor Ricardo Buratini do NEC/FACAMP, “esses dois fatores, além de não compensarem até o momento os efeitos negativos do recrudescimento da crise sanitária, não garantem uma recuperação sustentada nos próximos meses. Entendemos que o resultado de março deve ser interpretado com cautela, como um sinal de alguma resiliência, mas também como uma típica oscilação de curto prazo. Não podemos esquecer ainda que, embora positiva, a recuperação das exportações envolve um reduzido número de setores e agentes. O peso das exportações no PIB é baixo (cerca de 15%) e seus efeitos multiplicadores reduzidos, o que impede que os exportadores dinamizem o conjunto da economia”.

Assim, a incerteza em relação ao plano de vacinação e a timidez das medidas emergenciais em relação aos valores injetados em 2020, devem tornar a economia brasileira cada vez mais dependente da recuperação da demanda externa e ao “abre e fecha” provocado pelas possíveis novas ondas da crise sanitária. “A economia brasileira não pode ficar à deriva neste cenário, esperando o cumprimento do cronograma de vacinação. O aumento recente da pobreza e da extrema pobreza e as taxas recordes de desocupação nos últimos meses exigem uma revisão dos valores do auxílio emergencial e uma ampliação de programas de manutenção do emprego e da renda e de amparo às pequenas e médias empresas”, complementa o professor José Augusto Gaspar Ruas do NEC/FACAMP.

Portanto, a ampliação das medidas emergenciais, os impactos do recrudescimento da pandemia sobre os setores de atividade e o mercado de trabalho, o ritmo de vacinação, a evolução da demanda externa e o comportamento dos preços das commodities continuam sendo termômetros importantes nos próximos meses.

 

 

 

[1] A média móvel trimestral avalia o resultado da variação do último trimestre móvel, ou seja, compara a média dos últimos três meses, incluindo o mês atual, com a média dos três meses anteriores ao mês corrente. Por considerar a média do último trimestre móvel, seu resultado acaba sendo mais suave e capaz de captar uma tendência menos volátil da série a analisada.

[2] O ITE/FACAMP é calculado a partir do consumo de energia tomando informações públicas disponibilizadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O ITE possui um coeficiente de correlação de Pearson (r) de 0,87 ante o IBC-br do Banco Central em março de 2021. Em relação ao PIB, o coeficiente de correlação é de 0,85 em dezembro de 2020. Para mais detalhes sobre a metodologia do ITE/FACAMP, veja https://www.facamp.com.br/ite-facamp/

Related Posts

Leave a comment

You must be logged in to post a comment.