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Queda da taxa de desemprego em agosto contrasta com avanço da precarização e estagnação da renda

A taxa de desocupação em agosto desse ano caiu para 13,2% ante a 13,7% de junho. Esse número reflete não apenas a trajetória crescente da força de trabalho, impulsionada pelo arrefecimento da crise sanitária, mas também o crescimento da população ocupada (+1,1 milhões em agosto em relação a julho) e a queda das desocupações (13,7 milhões em agosto de 2021, frente a 13,8 milhões em agosto de 2020). Assim, o cenário é de absorção da população que retorna a força de trabalho e das pessoas que já estavam na força de trabalho, porém estavam desocupadas, refletindo a retomada de alguns setores de atividade.  

Apesar disso, as características desta recuperação preocupam. O crescimento expressivo das ocupações em agosto (+1,1 milhões) se concentrou especialmente nas ocupações informais (+854 mil), com destaque para o crescimento dos trabalhadores conta própria sem CNPJ (+197 mil) e ocupações do setor privado sem carteira assinada (+452 mil). A reocupação do mercado de trabalho em 2021 calcada na informalidade pode ser vista no gráfico 1. A redução da subocupação por insuficiência de horas trabalhadas em agosto (-27 mil ante julho), impediu, ainda que de forma tímida, um avanço ainda maior da precarização no mês.

Em relação aos setores de atividade, chama atenção o desempenho tímido do setor de serviços (+150 mil ante julho), com destaque negativo para os serviços ligados à administração pública e informação, comunicação, atividades financeiras e imobiliárias. Os destaques positivos se concentram no comércio, construção civil (refletindo o bom desempenho do setor no ano) e indústria, que, juntos, promoveram um crescimento líquido das ocupações de 975 mil pessoas.

No entanto, a recuperação das ocupações contrasta com a contínua queda do rendimento médio real dos trabalhadores, que vai de R$ 2.508 (junho) para R$ 2.489, sinalizando não apenas o crescimento do emprego apoiado em ocupações de remunerações abaixo da média nacional, mas também a escalada inflacionária. O aumento dos preços também se reflete na queda da massa de rendimentos (219, 7 bilhões para 219, 2 bilhões), afetando, portanto, a retomada do consumo e, consequentemente da demanda agregada.

 

Gráfico 1: criação líquida de empregos em mil pessoas, setores formal e informal, entre julho de 2019 e agosto de 2021

 

Gráfico 2: taxa de informalidade (%) e população fora da força de trabalho (%), entre julho de 2019 e agosto de 2021

 

Gráfico 3: massa de rendimentos (em milhões de reais) e rendimento médio (em unidade monetária) de todos os trabalhos, habitualmente recebidos, entre julho de 2019 e agosto de 2021 – valores reais

 

 

Núcleo de Mercado de Trabalho

Saulo Abouchedid

Juliana de Paula Filleti

Nayara Oliveira

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