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Recuperação do mercado de trabalho em julho reflete reabertura e avanço da informalidade

A taxa de desocupação em julho desse ano caiu para 13,7% ante a 14,1% de junho. Embora essa taxa seja menor em comparação a julho de 2020 (quando alcançou 13,8%), o volume de pessoas desocupadas continua maior em relação ao mesmo período (14,1 milhões contra 13,1 milhões). Assim, a grande diferença entre esses dois períodos é a entrada de pessoas na força de trabalho, impactando negativamente a taxa de desocupação.

De fato, parte das pessoas que retornaram a força de trabalho foram absorvidas pelo mercado ao longo da pandemia, especialmente nos últimos meses, com a flexibilização total de vários subsetores de serviços. O estoque de ocupações cresceu 1,2 milhões entre junho e julho de 2021, com destaque para o trabalho informal (+729 mil pessoas), principalmente ocupações no setor privado sem carteira assinada e trabalho doméstico sem carteira assinada As ocupações com carteira assinada e CNPJ também têm uma movimentação positiva (+521 mil), com avanço de 442 mil pessoas empregadas com carteira assinada no setor privado. Assim, mesmo com um desempenho relativamente positivo das ocupações com carteira assinada, a tendência de avanço da precarização, observada ao longo da lenta recuperação do mercado de trabalho ao longo da pandemia, continua. Esse avanço também se verifica no crescimento da subocupação por insuficiência de horas trabalhadas (+181 mil pessoas em relação a junho), que atingiu em julho o maior nível da série histórica (7,7 milhões de pessoas).

O aumento da ocupação em julho se concentra, principalmente, nas ocupações relacionadas ao varejo ampliado (+ 337 mil pessoas em relação a junho), construção civil (+ 242 mil vagas) e indústria geral (+203 mil).  Apesar da abertura do setor de serviços – e do bom desempenho registrado na PMS de julho -, os subsetores de alojamento e alimentação apresentaram avanço inferior aos demais (+113 mil pessoas).

A recuperação das ocupações contrasta com a contínua queda do rendimento médio real dos trabalhadores, que vai de R$ 2.535 (junho) para R$ 2.508, sinalizando que crescimento do emprego se apoia em ocupações de remunerações abaixo da média nacional. A boa notícia é a recuperação da massa de rendimentos (R$ 218 bilhões ante R$ 217,1 bilhões em junho), ainda que distante dos patamares observados no período pré-pandemia.  

Saulo Abouchedid

Juliana de Paula Filleti

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