Av. Alan Turing, nº 805 - Barão Geraldo – Campinas

Recuperação do mercado de trabalho em setembro contrasta com piora da renda do trabalho

 

A queda na taxa de desocupação em setembro de 2021 (12,6% ante a 13,2% de agosto) reflete não apenas a trajetória crescente da força de trabalho (+831 em setembro ante agosto de 2021), impulsionada pelo arrefecimento da crise sanitária, mas também o crescimento da população ocupada (+1,3 milhões em agosto em relação a agosto) e a queda da força de trabalho desocupada (-421 mil pessoas). Assim, o cenário é de absorção da população que retorna a força de trabalho e das pessoas que já estavam na força de trabalho, porém estavam desocupadas, refletindo a retomada econômica e/ou bom desempenho de alguns setores de atividade.  

O destaque positivo para setembro é o crescimento das ocupações formais, em comparação aos postos sem carteira de trabalho e CNPJ. O bom desempenho do trabalho formal foi puxado especialmente pelas ocupações no setor privado (+614 mil) e pelos trabalhadores conta própria com CNPJ (168 mil). A queda das subocupações em setembro (-21 mil em relação a agosto) reforça o arrefecimento da precarização no mês. Porém, é importante destacar que, apesar dos resultados positivos no mês, a tendência de crescimento da informalidade e subocupação em comparação aos postos formais (verificada por meio da comparação interanual, ou seja, em relação ao mesmo mês de 2020) ainda permanece.

Em relação aos setores de atividade, destaca-se o desempenho do setor de serviços (+405 mil ante julho), especialmente do setor de alojamento e alimentação (+204 mil), e de comércio, reparação de serviços automotores e motocicletas (+405 mil). Entretanto, chama atenção a recuperação lenta o setor de serviços em comparação ao mesmo mês de 2019 (período pré-pandemia). As ocupações desse setor em setembro de 2021 ainda estão 2,2 milhões abaixo de setembro de 2019. Quando analisamos o comércio e a indústria, por exemplo, a distância é menor (-183 e -139 mil respectivamente). Muito mais do que os efeitos da crise sanitária, a recuperação lenta do emprego no setor de serviços reflete as dificuldades da recuperação da atividade econômica no pós-pandemia.

Por fim, a recuperação das ocupações contrasta com a contínua queda do rendimento médio real dos trabalhadores, que vai de R$ 2.503 (agosto) para R$ 2.459, sinalizando não apenas o crescimento do emprego apoiado em ocupações de remunerações abaixo da média nacional, mas também a escalada inflacionária. O aumento dos preços também se reflete na queda da massa de rendimentos (224, 4 bilhões para 223, 5 bilhões), afetando, portanto, a retomada do consumo e, de maneira mais ampla, os indicadores de pobreza e miséria.  

 

GRÁFICO 1: CRIAÇÃO LÍQUIDA DE EMPREGOS EM MIL PESSOAS, SETORES FORMAL E INFORMAL, ENTRE JULHO DE 2019 E AGOSTO DE 2021

 

Gráfico 2: taxa de informalidade (%) e população fora da fora de trabalho (%), entre julho de 2019 e setembro de 2021

 

Gráfico 3: massa de rendimentos (em milhões de reais) e rendimento médio (em unidade monetária) de todos os trabalhos, habitualmente recebidos, entre julho de 2019 e setembro de 2021 – valores reais

 

 

 

Núcleo de Mercado de Trabalho

Saulo Abouchedid

Juliana de Paula Filleti

Nayara Oliveira

Related Posts

Leave a comment

You must be logged in to post a comment.