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Oriente Médio e Síria

A Síria tem 22 milhões de habitantes, é um pequeno país: tem 185 mil quilômetros quadrados. A capital, Damasco, tem 2 milhões e meio de habitantes. A Síria tem uma renda per capita baixa, US$ 5.100,00, e sua economia é pouco desenvolvida. Dentre todas as revoltas que ocorreram no mundo árabe desde 2011, os acontecimentos na Síria chamam a atenção por sua extrema violência. O país está devastado.

Estima-se que a guerra civil já deixou 150 mil mortos e 6 milhões de refugiados, que se dirigiram em grande parte para a Turquia.

Vamos ver o mapa do Oriente Médio.

Síria

Como você está vendo, a Síria ocupa uma posição central no Oriente Médio, apesar de não ter petróleo. Faz fronteira com Israel, com quem mantém um conflito em torno das Colinas de Golã, desde a Guerra do Yom Kippur, em 1973.

É tradicional a hostilidade da Síria em relação aos regimes pró-ocidentais e pró-americanos da Jordânia e da Arábia Saudita, onde se concentram grandes reservas de petróleo.

A Síria tem apoiado o Hezbollah e o Hamas, grupos islâmicos radicais, que tem interferido na política do Líbano e apoiado os palestinos. Além disso, mantém-se bastante próxima ao regime dos Aiatolás do Irã.

E há mais um ponto decisivo: as relações entre a Síria e a Rússia. Já durante a Guerra Fria, a Síria estreitou os laços com Moscou. Atualmente, a Síria é a principal aliada da Rússia no Oriente Médio.

Em resumo: a posição da Síria no Oriente Médio choca-se com os interesses dos Estados Unidos e seus principais aliados, Israel, Arábia Saudita e Jordânia.

Portanto, a guerra civil se explica, antes de tudo, pelo conflito geopolítico dos interesses das potências envolvidas na região.

 

Qual a importância dos conflitos religiosos na guerra civil síria?

Do ponto de vista étnico, há, na Síria, uma certa homogeneidade, uma vez que os árabes são mais de 90% da população e os curdos, uma minoria de 6%.

Já do ponto de vista religioso, há uma nítida maioria islâmica, mais de 90% da população. No entanto, esta maioria está dividida em várias orientações: sunitas (3/4 da população síria), xiitas, alauítas, drusos. Há ainda uma minoria cristã, igualmente dividida entre ortodoxos, maronitas e católicos.

No entanto, o regime sírio é laico e está apoiado no exército, à semelhança do Egito. E mais: o presidente atual, Bashar Al Assad, é filho de Hafez Al Assad que governou a Síria por mais de 30 anos. Ambos generais do exército.

É preciso dizer ainda que os principais postos do poder político e militar, estão nas mãos da minoria alauíta, corrente dissidente do xiismo. Do mesmo modo que no Egito, o exército tem impedido a islamização política da Síria.

 

Quem deseja a queda de Assad?

Há vários grupos insurgentes:

  • Exército de Libertação da Síria: formado em grande parte por desertores do exército regular. Conta com 40 mil rebeldes sunitas armados e treinados pelo Ocidente. Há, inclusive, radicais sunitas vindos de outros países. Os sunitas estão agrupados no Exército de Libertação da Síria e representam, em última instância, os interesses ocidentais, particularmente dos Estados Unidos e de seus aliados no Oriente Médio, Israel e Arábia Saudita.
  • Estado Islâmico do Iraque e Levante: o grupo denominado “Estado Islâmico do Iraque e Levante” é uma dissidência sunita da Al Qaeda. Este grupo defende um estado teocrático. Está presente na atual guerra civil do Iraque, onde já ocupou cerca de metade do país;
  • Frente Al Nusra: brigada de jihadistas de várias partes do mundo islâmico e ligada à Al Qaeda. Estes dois grupos defendem o estado teocrático radical e, portanto, antiocidental.
  • Conselho Nacional Sírio: composto por políticos laicos opositores ao regime de Assad e exilados na França. O Conselho Nacional Sírio pretende a ocidentalização do país e seus dirigentes estão exilados na França.

Já em relação aos cristãos, relatos dão conta de padres e freiras rezando por Assad por temor de um governo sunita.

Vê-se que há uma grande heterogeneidade entre os opositores do regime.

 

Qual é a posição da ONU?

As agências e comissões da ONU, responsáveis pela atuação humanitária, fazem sua parte, mas as instâncias do poder global como a Assembleia Geral e, especialmente, o Conselho de Segurança estão inertes.

A Comissão da ONU para os Direitos Humanos na Síria, chefiada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, divulgou, no início de 2014, seu último relatório.

Com um tom bastante pessimista e crítico em relação à própria Organização, o relatório utiliza a expressão “negligência” para referir-se à posição das potências.

Simultaneamente, observamos um impasse no Conselho de Segurança da ONU. A Rússia vetou qualquer possibilidade de intervenção, pois apoia o regime de Assad.

Já os Estados Unidos, depois das desastrosas intervenções no Iraque e Afeganistão, não tem o menor interesse de se envolver diretamente no conflito.

Outra potência envolvida é a França, também contrária ao governo de Assad, mas cuja atuação até então restringiu-se à retóricas.

O único avanço ocorrido foi o entendimento entre Rússia e Estados Unidos para a destruição do arsenal de armas químicas do governo sírio, que parece ter sido usado no conflito.

Enquanto isso, instaura-se a uma imensa crise humanitária. Para piorar a situação, a recente crise da Ucrânia parece ter relegado a da Síria a um segundo plano.

 

Diante desse cenário, quais são as perspectivas?

Podemos dizer que o fato novo, em 2014, foi a recuperação, por parte do governo sírio, da estratégica cidade de Homs, que havia sido tomada pelos rebeldes.

Outra novidade foi a realização de eleições presidenciais em junho de 2014. Bashar Al Assad venceu com quase 90% dos votos. Apesar de as eleições terem sido bastante questionadas pelos Estados Unidos e pela União Europeia, Assad teve mais de 10 milhões de votos.

Mas a situação deverá continuar dramática, pois não se antevê o fim da guerra civil.

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