Gerson Borini, Gerente de Engenharia de Produto da General Motors South America, explica o dia a dia de um engenheiro mecânico e quais são as competências de um profissional de elite

Como deve ser um curso de Engenharia Mecânica de excelência?

Exigente. Num contexto de acirrada competitividade global, um curso de engenharia mecânica deve preparar os novos profissionais para um mercado flexível, com postos de trabalho em diferentes cidades e países e mudanças constantes. Os novos profissionais devem considerar que também estarão disputando as melhores oportunidades com candidatos de outros países e culturas.

Além da formação técnica básica, será cada vez mais exigido pelos gestores um conhecimento aprofundado da economia mundial.

Outro quesito fundamental em um curso de engenharia mecânica é a utilização dos mais avançados softwares, sistemas e processos da área tais como de desenho 3D (Catia, UG), metodologia de tolerância geométrica (GD&T), design robusto (DFSS-Design for Six Sigmas) e qualidade (DFMA/DFA/DFM). Quanto maior for o conhecimento do engenheiro recém-formado nesses tópicos, melhor será sua inserção no mercado de trabalho.

Quais são as áreas de atuação do engenheiro mecânico no setor automotivo?

Muito diversificadas. Na General Motors do Brasil temos o maior centro de engenharia automotiva do Hemisfério Sul, com mais de 2 mil engenheiros. Atuam em áreas que vão desde a conceituação inicial de um novo carro, com a definição de sua arquitetura, até a completa validação no Campo de Provas. Dentre as diversas atividades, destacaria a área de Testes e Simulação Virtual. A profissão, além de desafiadora, teve um crescimento muito acentuado nos últimos anos: o lançamento de um novo produto exige que muitas atividades, antes feitas com protótipos físicos, sejam agora baseadas em simulações computacionais, ganhando-se tempo e reduzindo custos.

E nas outras áreas da empresa?

Fora das áreas especificas de engenharia de produto, como planejamento, projeto, desenvolvimento e validação, o engenheiro mecânico pode atuar também na engenharia de processos, de manufatura e de qualidade, nos serviços de atenção ao cliente, no marketing, nas vendas e no comércio exterior. Evidentemente, estas oportunidades estão abertas apenas ao engenheiros que adquirirem um conhecimento abrangente durante sua formação acadêmica.

Outra área em que o engenheiro tem participação fundamental é a de compras e qualidade de fornecedores, na qual o seu conhecimento amplo dos processos produtivos é imprescindível para obter a melhor qualidade, mantendo os custos de produção em patamares competitivos.

Quais são as perspectivas de longo prazo para o setor automotivo no Brasil?

Este é o setor industrial mais importante do Brasil. O país recebeu investimentos de diversas companhias nos últimos anos e a tendência é de consolidação. E temos desafios importantes a enfrentar. O INOVAR-AUTO, o plano de incentivo à produção e à melhoria do consumo de combustível e emissões de poluentes, está fazendo com que as montadoras melhorem a performance de seus veículos e está demandando engenheiros altamente qualificados.

O que se espera de um jovem engenheiro mecânico?

Muita energia, criatividade e capacidade de inovação. O setor automotivo está passando por uma profunda transformação e as empresas, tanto as fornecedoras como as montadoras, precisam buscar novos métodos de produção, novos tipos de materiais compostos que reduzam a massa dos veículos, reduzindo seu consumo. É preciso questionar o modelo de negócio atual e encontrar novos métodos. Estamos buscando um novo Henry Ford!

Quais são as competências e habilidades que as empresas buscam num jovem formado em engenharia mecânica?

Hoje, conhecimento técnico atualizado é mínimo que se espera de um recém-formado. Capacidade de se comunicar bem e poder de síntese são habilidades muito apreciadas no meio empresarial. Profissionais que saibam falar e escrever bem tem uma vantagem competitiva muito grande.

Um jovem profissional tem que buscar aperfeiçoamento técnico e administrativo permanente, procurando sempre questionar os processos existentes e o status quo. Somente desta forma novos caminhos são encontrados. No passado, o jovem acomodava-se e esperava que a empresa investisse em sua capacitação. O mercado atual exige que o engenheiro tenha iniciativa e busque ampliar seus conhecimentos.

O setor automotivo é um bom lugar para se trabalhar?

Este é  um trabalho muito estimulante: a evolução tecnológica está em plena ascensão e o engenheiro mecânico do setor será sempre um dos mais atualizados e avançados do mercado.