Ensino superior e desenvolvimento

Eduardo da Rocha Azevedo, fundador da FACAMP, ex-presidente da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) fala sobre o pape l da educação superior no desenvolvimento econômico do Brasil

Quais as perspectivas econômicas do Brasil?
ERA – São muito boas. Eu acredito que o Brasil, pela primeira vez nas últimas décadas, tem um excelente horizonte de crescimento sustentado. E digo mais: essa é também a percepção da comunidade econômica internacional.

O senhor tem dito que a educação de qualidade é fundamental para atingir nossos objetivos...
ERA – Para atingirmos objetivos teremos, é claro, que superar muitos obstáculos. Por exemplo: remover os pontos de estrangulamento da infra-estrutura de transporte, redefinir nosso sistema tributário, executar uma política industrial competente. Tudo isto está correto. Mas eu tenho insistido na tese de que sem capital humano de qualidade não haverá desenvolvimento sustentado.

Qual é o papel do ensino superior?
ERA – Quando falamos em capital humano de qualidade estamos pensando numa excelente qualificação profissional para o conjunto da força de trabalho. Precisamos melhorar rapidamente nosso ensino fundamental e médio e expandir o ensino técnico. No que diz respeito ao ensino superior, seu papel é muito claro: formar profissionais de elite para comandar nosso desenvolvimento.

O ensino superior brasileiro está à altura das necessidades do desenvolvimento brasileiro?
ERA – É preciso melhorar muito. Na verdade, há pouquíssimos cursos de graduação que formam profissionais de elite. Esses cursos estão nas principais universidades públicas brasileiras. E, reconhecidamente há ensino de excelência em três instituições privadas: FACAMP, INSPER (ex IBMEC) e FGV.

Onde estão as deficiências?
ERA – Resumidamente: direção incapaz, professores mal preparados, currículos e programas desatualizados, ausência de um sistema de treinamento profissional dentro da escola.

O que a empresa espera de um jovem profissional?
ERA – Em primeiro lugar, que tenha uma formação profissional completa. Em segundo lugar o jovem profissional deve ter certas qualidades pessoais: iniciativa, liderança, capacidade de pensar e resolver problemas concretos. E o que é muito importante: o profissional deve ter valores: o valor do trabalho, da busca da excelência profissional, honestidade, respeito pelo outro, solidariedade e responsabilidade social.