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Inteligência Artificial

Quando a gente vai falar de inteligência artificial, a primeira pergunta é: “O que é inteligência, cara pálida? ” Bom, a inteligência ou, muitas vezes a falta dela, é fácil de reconhecer. Mas é muito difícil a gente definir, medir. A gente entende sistema inteligente como alguma forma raciocina, que tem algum senso comum, que tenha planejamento, percepção, criatividade, memória.

Os sistemas inteligentes se dividem em 4 famílias. Sistemas que pensam como humanos, sistemas que agem como humanos, sistemas que pensam racionalmente, sistemas que agem racionalmente. Vamos começar com os “sistemas que pensam como humanos”. O sistema mais inteligente dos mais inteligentes que existe hoje é tão inteligente quanto uma criança de quatro anos de idade. O principal problema é o senso comum. Uma criança de quatro anos de idade aprende um monte de coisas. Por exemplo, relações entre conceitos. Uma pessoa pode ser um cozinheiro. Ela é capaz de cozinhar. Um cozinheiro trabalha num restaurante. O restaurante satisfaz a fome dos clientes. Criar uma base de conhecimento de uma pessoa adulta é uma tarefa hercúlea. 4 Quando o computador foi criado, muitos pensaram que estavam criando um cérebro eletrônico. E que, quando o computador tivesse o mesmo número de transistores que o cérebro tem de neurônios, o computador ia pensar como um homem. Mas não foi bem assim.

No fundo, ocorreu muito investimento, muita frustração e pouco resultado nesse sentido. Até hoje. Mas estas tentativas resultaram em sistemas:

1) que agem como humanos

2) que pensam racionalmente

3) que agem racionalmente

Vamos começar pelos sistemas que agem como humanos. Agir como humano não necessariamente significa que pensar como humano. Um exemplo é o Asimo. É um robô da Honda desenvolvido para atividades muito perigosas para o ser humano. Mineração, viagens espaciais. Hoje, ele é o guia turístico no museu Honda no Japão. O robô recebe as pessoas, apresenta o museu e ainda responde perguntas. Ele também conduz o grupo. Se alguém tem dúvida e levanta a mão, ele detecta, conversa com a pessoa e responde às perguntas.

É claro que tem limitações, mas funciona muito bem. Outro sistema que tem um impacto muito grande é o Siri. Uso no meu iPhone o Siri, para achar um banco ou traçar rotas. 5 Você quer saber onde tem um xerox e pergunta para o Siri: “Olha, dois quarteirões daqui, você vira ali, tem uma xerox”. Você pergunta: “Qual o melhor vinho para combinar com carne vermelha?”. O Siri indica. Não é como um humano, mas é capaz de dar respostas inteligentes. Outro tipo de sistema é o que age racionalmente, usando técnicas de inteligência artificial. Pense no monitoramento de máquinas. Um trem supermoderno, por exemplo.

Numa ferrovia, o trem passa por áreas muito distantes. Quando ocorre um problema, o maquinista pode dificuldade para entender o que está acontecendo, sem ninguém para ajudá-lo. Eu fiz um sistema resolve este problema. Por exemplo, a cor da fumaça mudou. Quando o sistema detecta que tem algum problema, ele questiona o maquinista: “Olhe a cor da fumaça”. O sistema apresenta 3 opções na tela. O maquinista escolhe a cor. O sistema fala: “Veja se o fusível ou se o dissipador de calor do freio dinâmico está incandescente”. E mostra a foto do lugar. O maquinista vai lá, olha a portinha e responde se está ou não. O sistema faz um diagnóstico e avisa: “Pare o trem e chame a manutenção imediatamente”. Ou: “Siga com aceleração reduzida até o próximo pátio”. Pronto. Tudo resolvido.

Há também sistemas de monitoramento. Outro produto que eu criei é a Control Way, para monitorar caminhões. Um caminhão de uma transportadora sai, chega no mercado, carrega, para ao longo do caminho, abastece, chega no destino, descarrega, sai vazio, volta e faz esse ciclo. Mas muitas coisas podem acontecer. Ele pode demorar mais para carregar ou descarregar do que o previsto. Ele pode se perder no caminho. Ele pode ser roubado. Na hora de descarregar, ele pode ficar parado numa fila. A Control Way, um sistema de computador, controla 1.500 ou 2.000 caminhões. Resolve tudo sozinha. Quando detecta problemas, escala para uma pessoa para resolvê-lo. Outra aplicação é a análise de crédito. Você vai a cidade diferente da sua e passa seu cartão para comprar um carro. Imediatamente, seu banco liga: “Olha, estou vendo aqui que você está comprando um carro com seu cartão de crédito. É você mesmo?”

Isso é um computador, um software monitorando seu perfil de consumo. Há também sistemas que agem racionalmente. Estes sistemas usam também a robótica. Pense bem: para agir racionalmente, não necessariamente para pensar racionalmente. Precisa ter: 1) Autonomia 2) Percepção do Ambiente 3) Persistência 4) Adaptação a Mudanças 5) Comunicação 7 Esse é o carro do Google. O carro do Google já rodou mais de 500 mil quilômetros. Ele é semiautônomo porque a legislação dos Estados Unidos exige uma pessoa no volante. Ele sofreu apenas um acidente, causado por uma pessoa! Ela engatou uma ré e bateu em alguém atrás. Outro exemplo é o avião. Hoje em dia, o piloto não faz praticamente nada no avião.

Grandes cargueiros e grandes aviões de passageiros já pousam sozinhos e decolam sozinhos. É como o motorista do Google: pronto para pegar o volante ou o manche quando precisar. Outras aplicações para esse tipo de sistema são cirurgias complexas, em lugares de difícil acesso ou que precisem de movimentos muito finos. Também são bastante comuns robôs em chão de fábrica e centros de distribuição fazendo o armazenamento dos produtos, recolhendo e tirando os produtos, ampliando a mobilidade e a agilidade da empresa. E nas casas? Você sabia que já foram vendidos no mundo mais de 10 milhões de robôs para aspirar pó e para limpar a piscina? Isso já é uma realidade. Esses robôs são totalmente autônomos.

Você programa o robô para limpar a casa regularmente e ele fica alerta para qualquer nova sujeira. Quando o robô detecta que a bateria está acabando, ele volta para a base, aguarda o carregamento e continua a limpar. Se entram várias pessoas na sala, ele detecta que não é um bom momento para ele trabalhar,se recolhe e espera a sala ficar vazia de novo para limpar. Há os drones também. Totalmente autônomos. Você cria um sistema robótico que não precisa da comunicação com a base, evitando 8 interferências, falhas, interceptações. Você determina um objetivo, ele completa a missão e volta. Outra grande novidade dos dias de hoje é o Big Data. Está na mídia, graças ao Edward Snowden, que vazou as informações do FBI. O FBI usa a tecnologia do Big Data. O que é o Big Data? É um conjunto de técnicas para tratar uma quantidade absurdamente grande de dados e informações. Imagine toda a informação que existe na Internet, a quantidade de dados que entra na Internet diariamente, através de e-mails, páginas, blogs, tweets, posts no Facebook etc.

É uma quantidade de informação absolutamente gigantesca. Além do problema de armazenar tantos dados, preciso descobrir como tirar alguma coisa deles que seja útil. O Big Data permite detectar padrões e tendências em cima desses dados não estruturados. Por exemplo, você começa a mandar e-mails falando que você adora o Bin Laden e depois procura no Google alguém que vende nitrato de potássio. Depois você começa a procurar panelas de pressão. Muito provavelmente o computador do FBI, que fiscaliza toda a internet, vai cruzar essas informações: “Esse rapaz é um terrorista que sabe fazer uma bomba com nitrato de potássio” O sistema do FBI cruza essas informações e detecta um padrão e um comportamento. É muito mais do que simplesmente detectar palavras chaves. Ele detecta, por exemplo, apelidos. Se você tentar dar apelidos para nitrato de potássio, o sistema do FBI acaba descobrindo que você está falando de nitrato de potássio.

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