O Professor Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, fundador da FACAMP e da UNICAMP, reconhecidamente um dos maiores economistas brasileiros, analisa a situação do mercado de trabalho.

O Professor Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, fundador da FACAMP e da UNICAMP, reconhecidamente um dos maiores economistas brasileiros, analisa a situação do mercado de trabalho.

Há hoje no Brasil cerca de cinco milhões de estudantes universitários. A economia tem crescido lentamente nos últimos vinte e cinco anos, criando poucos empregos de qualidade. Numa época de inflação de diplomas, só os muito bem formados alcançam o sucesso profissional. O Professor Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, fundador da FACAMP e da UNICAMP, reconhecidamente um dos maiores economistas brasileiros , analisa a situação do mercado de trabalho

Como está a situação do mercado de trabalho?
LGB – Todos hoje têm consciência de que o mercado de trabalho está muito competitivo. Milhares de jovens profissionais saem todo ano em busca do primeiro emprego. E há poucos empregos de qualidade sendo oferecidos.

Pode-se dizer que o vestibular para o mercado de trabalho é muito mais difícil do que o vestibular para a entrada no ensino superior?
LGB – Sem nenhuma dúvida. Só os melhores entram com o pé direito no mercado de trabalho e têm perspectivas de êxito profissional. E não só em termos
financeiros. Mas também em termos do exercício de um trabalho interessante, criativo e pessoalmente gratificante.

Quais são as principais portas de entrada no mercado de trabalho?
LGB – Para entrar na grande empresa nacional ou multinacional, os concursos para trainee. Para alcançar um bom emprego no governo, os concursos públicos. O jovem profissional pode ainda abrir seu próprio negócio ou trabalhar na empresa familiar.

Como são os concursos para trainee de grandes empresas?
LGB – Em primeiro lugar, são muito concorridos. Há dez, vinte, trinta mil candidatos para muito poucas vagas, digamos, dez ou quinze. Em geral, esses concursos começam com provas de língua portuguesa e inglesa, de lógica e de conhecimentos do Brasil e do mundo atuais. Passam, em seguida, a uma avaliação da formação profissional e culminam em dinâmicas de grupo. As dinâmicas de grupo avaliam certas qualidades do candidato: iniciativa, liderança e capacidade para trabalhar em grupo, competência para pensar e resolver problemas concretos.

Os empregos públicos são atrativos?
LGB – O emprego público na área jurídica já é atrativo há muitos anos. Concursos para juiz, promotor, procurador, por exemplo, são disputadíssimos. Há milhares de candidatos e poucas vagas que freqüentemente nem chegam a ser preenchidas. A novidade é que os empregos públicos ficaram muito atrativos em outras áreas. Por exemplo, para o Banco Central, para o BNDES, para a Secretaria do Tesouro Nacional, para Secretarias Estaduais de Fazenda.

É fácil começar seu próprio negócio?
LGB – Não, 93% das novas empresas morrem antes de completarem três anos. Ser empresário ou ter seu próprio escritório exige um bom projeto e uma grande competência!

Alguns imaginam que o trabalho na empresa familiar é um caminho tranqüilo...
LGB – Estão muito enganados. Os filhos hoje em dia têm que estar muito bem preparados para no futuro sucederem a seus pais. Nas condições econômicas do Brasil é difícil manter a empresa ativa por
várias gerações.

Para encerrar, qual o conselho que o senhor daria aos vestibulandos?
LGB – Tornem-se profissionais de elite. Façam um curso de excelência que possa prepará-los para enfrentar o desafio da concorrência. Aos mal preparados só restará o subemprego.