Av. Alan Turing, nº 805 - Barão Geraldo – Campinas

Boletim De Comércio Exterior Da Região Metropolitana De Campinas Nº 1

O Boletim De Comércio Exterior Da Região Metropolitana De Campinas tem como objetivo acompanhar, em edições trimestrais, a evolução do comércio internacional da Região Metropolitana de Campinas (RMC), como parte da ativida- de econômica local, com base nos dados de exportações e importações de bens, detalhando os produtos que se destacam na corrente de comércio. Neste primeiro número, buscou-se observar não apenas o desempenho recente, mas também traços do padrão de trocas internacionais da região e suas transformações, desde o ano de 2010. Os próximos boletins terão um enfoque mais conjuntural.

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) é compreendida por 20 Municípios1, cujos habitantes representam 1,6% da população estimada do país2 e cujo PIB representou 2,9% da riqueza nova gerada no Brasil em 20183. Neste ano, os 5 municípios com maior atividade econômica da região foram responsáveis por 68% do PIB da RMC: Campinas (com 30,4% do total), Paulínia (16,2%), Indaiatuba (7,7%), Sumaré (7,2%) e Hortolândia (6,5%).

Em termos de setor de atividade econômica, a RMC se destaca pela prevalência da produção industrial, que respondeu por 27,1% do PIB local em 2018, quando o percentual no país foi de 18,7%. Essa importância varia substancialmente entre seus muni- cípios. Aqueles que apresentam uma grande participação são liderados por Monte Mor, com 50,5% do PIB gerado na indústria, Paulínia, com 43,8%, e Morungaba, com 39,3%. Aqueles com reduzida participação da atividade industrial incluem Holambra (15,8% do PIB), com forte produção agropecuária, e Campinas, que se destaca pelos serviços, com apenas 15,2% do PIB oriundo da indústria.

No comércio internacional de bens, prevalecem de forma absoluta os bens industrializados, e a região é estruturalmente deficitária. Enquanto as exportações representam uma parcela menor do PIB local que o observado no Brasil, as importações são parcela substancialmente mais elevada. No tempo, as exportações tornaram-se mais importantes para o país, e não para a RMC. A participação das importações elevou-se para ambos (Tabela 1).

Tabela 1 — Brasil e RMC4: participação do comércio externo no PIB(%)

Fonte: Elaboração NIEMP/Facamp, com base em dados do SCN/IBGE, SCM/IBGE, ComexStat e BCB.

 

Cumpre observar que o desempenho do comércio exterior é determinado por diversos condicionantes, incluindo o contexto macroeconômico. Deste ponto de vista, o Brasil cresceu mais que o mundo em 2010 e 2011, desacelerou nos três anos seguintes e mergulhou em uma profunda crise desde então. Como resultado, o país acumulou um crescimento de 2,7% e o mundo, de 23,8%5, de 2010 a 2020, o que potencializaria a atividade exportadora. Do ponto de vista cambial, a evolução da taxa de câmbio efetiva real no período, estimada pelo Banco Central do Brasil, ainda que com bastante oscilação, mostrou uma trajetória de desvalorização da moeda local, o que reforçaria o potencial exportador e contenção de importações. De fato, a atividade exportadora se tornou mais importante no Brasil, mas não na RMC. Como importante região industrial do país, acredita-se que observar seu desempenho comercial externo pode trazer luz não apenas às vicissitudes e às peculiaridades da economia local, mas também do país.

I.   COMÉRCIO EXTERNO DA RMC

Observa-se maior importância das importações que das exportações no comércio externo da RMC – característica que tem se acentuado no tempo, de forma que o valor importado saltou de cerca de 2,2 vezes o valor exportado, na virada de 2010, para mais de 3 vezes nos últimos trimestres observados. Também é possível notar maior oscilação do valor importado comparado ao valor exportado (Gráfico 1).

Nos dois primeiros trimestres de 2021, houve um notável crescimento do comércio internacional da RMC em relação ao reali- zado em 2020 – o que decorreu especialmente da base deprimida observada no ano de crise pandêmica (2020). As exportações acumuladas em 2020 (US$ 3,47 bilhões) foram as menores desde 2010 e as importações (US$ 12,30 bilhões) as menores registra- das desde o primeiro trimestre de 2018. Assim, tanto o crescimento de 16,6% das exportações, acumuladas em quatro trimestres, no segundo trimestre de 2021 (que atingiram um total de US$ 4,05 bilhões), como o de 8,9% das importações (que atingiram um total de US$ 13,40 bilhões), frente ao ano de 2020, ainda não podem ser entendidos como uma mudança de trajetória.

 

Gráfico 1 — RMC: comércio internacional de bens (valor exportado e importado, acumulado em quatro trimestres — IV 2010 a II 2021 )(US$ milhões)

Elaboração NIEMP/Facamp, com base em dados do ComexStat.

Detalhando os dados expostos, observa-se que a pauta de comércio da RMC é bastante concentrada em alguns poucos grupos de produtos6 industrializados — havendo até mesmo a coincidência de alguns deles na ponta compradora e vendedora. Há relativa concentração nos destinos das exportações e origem das importações.

I.I.  Principais produtos exportados

Ordenando os valores exportados em 2019 por produto (seções do Sistema Harmonizado), chegou-se a um grupo de 5 pro- dutos, cujas vendas externas no acumulado em 4 trimestres têm se mantido, em conjunto, entre 78% e 84% do total exportado pelos municípios da região no período avaliado (2010-2020).

Embora existam especificidades em cada mercado, a trajetória das exportações desses produtos segue, em grandes linhas, a do total: queda importante das exportações entre 2010 e 2016, uma recuperação modesta até 2019, interrompida pela crise pan- dêmica (2020). A recuperação de 2021 ainda não foi suficiente para os valores das vendas externas voltarem ao patamar de 2019.

Como explorado anteriormente, deveria ter ocorrido um avanço das exportações desde 2014-2015, uma vez que o mundo cresceu e o Brasil entrou em crise, assim como houve desvalorização efetiva do Real — o que não ocorreu no caso da RMC. Como exposto no Gráfico 1, as exportações da região vêm caindo, com recuo de 35% em valor de 2010 a 2020. A recuperação de 16,6% observada nos dois primeiros trimestres de 2021, em relação a 2020, não apenas foi insuficiente para atingir o nível de exporta- ções de 2019 (quiçá de 2010), como também não foi suficiente para indicar mudança de tendência.

Tomando como referência os produtos individuais, desde o início do período observado, as Máquinas, Aparelhos e Material Elétrico e os Materiais de Transporte se posicionaram como os principais grupos de produtos de exportação da RMC. Ambos apresentaram uma queda acentuada das vendas externas entre 2010 e 2020 — enquanto o total das exportações da região recuou 35% no período, as vendas externas de Máquinas, Aparelhos e Material Elétrico tiveram queda de 39% e os Materiais de Transporte, 78%. A recuperação do total exportado em 4 trimestres entre 2020 e o primeiro semestre de 2021 foi relevante em termos percentuais para os dois conjuntos de produtos (crescimento de cerca de 24%, quando o total se elevou em 16,6%), mas está descartada uma crise estrutural, sobretudo entre os Materiais de Transporte, algo a se observar.

As vendas externas de Produtos das Indústrias Químicas e de Produtos Plásticos e de Borracha apresentaram uma trajetória mais estável que os demais. Entre 2010 e 2021, o valor exportado pelo primeiro grupo teve uma expansão de 13% e pelo segundo, um recuo de 2% — mas ainda representando desempenho superior à média dos demais produtos. A venda externa de produtos químicos pouco sofreu com a crise pandêmica e, no segundo trimestre de 2021, o valor exportado já ultrapassava o registrado em 2019. Para as vendas externas de Produtos Plásticos e de Borracha, a crise de 2020 foi importante, e a recuperação em 2021 foi pouco expressiva.

No caso dos Produtos das Indústrias de Alimentos, Bebidas e Fumo, houve um recuo relevante das vendas externas de 2010 a 2020 (27%), mas inferior ao verificado para o total de produtos (35%). Observa-se que as exportações não foram afetadas pela crise pandêmica. Em 2020, diferentemente do observado para os demais produtos, o valor exportado cresceu em relação a 2019 (5%). Nos primeiros trimestres de 2021, observa-se estabilidade no valor exportado. A forte demanda internacional de alimentos e bebidas, seguida de boas cotações, permite intuir que há boas oportunidades de avanço do valor exportado.

 

Gráfico 2 — RMC: principais grupos de produtos por valor exportado (acumulado em 4 trimestres — IV 2010 a II 2021) (R$ milhões)

Fonte: Elaboração NIEMP/Facamp, com base em dados do ComexStat.

 

 

I.I.    Principais produtos importados

Ao contrário das exportações, as importações apresentaram ligeira elevação entre 2010 e 2020 – o que não se deu de forma homogênea no tempo. O valor importado pela RMC seguiu o sinal da atividade econômica doméstica: cresceu entre 2010 e 2014, quando o país crescia, ainda que a taxas decrescentes; recuou em 2015 e 2016, acompanhando a forte recessão que assolou a eco- nomia brasileira; e retomou trajetória ascendente a partir de 2017, quando a economia brasileira cresceu, ainda que a taxas muito modestas. A crise pandêmica interrompeu temporariamente o processo de recuperação das importações. Houve recuperação do valor importado no primeiro semestre de 2021, mas não a ponto de atingir os valores de 2019.

Os 5 grupos de produtos que se destacaram na pauta importadora da RMC em 2019 representaram de 90% a 92% do total importado pela região desde 2010 — mostrando concentração ainda maior que nas exportações (Gráfico 3). Entre eles, dois produtos se destacaram dos demais — em conjunto, as Máquinas, Aparelhos e Material Elétrico e os Produtos das Indústrias Químicas somaram de 66% a 80% das compras externas da região.

Os valores importados dos Produtos das Indústrias Químicas, que estavam em segundo lugar nas importações no início da década passada, tiveram crescimento acelerado desde 2017 e assumiram a primeira posição em 2020. A crise pandêmica mal atingiu seu valor importado pela região.

A importação de Máquinas, Aparelhos e Material Elétrico apresentou grande recuo entre 2015 e 2016, período agudo da crise econômica doméstica (o PIB brasileiro caiu quase 7% no biênio), e a recuperação posterior garantiu o retorno aos níveis de 2010, mas não aos dos melhores anos do período (2013 e 2014). Em 2019, mesmo com uma pequena expansão do PIB, os valores importados voltaram a decrescer, e a crise pandêmica acentuou o descenso. A recuperação em 2021 (crescimento de 12,2% entre o final de 2020 e o segundo trimestre de 2021) sequer levou o valor importado ao registrado em 2019 (5% menor).

Os três grupos de produtos que seguem com importantes níveis de importação são: Plásticos, Borracha e suas obras; Ma- terial de Transporte; Metais Comuns e suas obras. Afora o último, todos também se destacam nas exportações, como visto, ensejando a existência de relevante comércio intraindústria na região. Como o valor importado de cada um destes produtos é substancialmente menor que o dos dois anteriores (Produtos das Indústrias Químicas e Máquinas, Aparelhos e Material Elétrico), o Gráfico 3 dá pouca clareza aos movimentos observados no tempo. Entre os valores importados nos anos de 2010 e 2020 houve

uma queda muito relevante nas importações de Material de Transporte (-66%) e menos importante de Metais Comuns e suas obras (-31%) e de Plásticos, Borracha e suas obras (-25%). Todos os grupos foram afetados pela crise pandêmica, apresentando recuperação relevante nos dois primeiros trimestres de 2021 – com apenas os produtos de Plásticos, Borracha e suas obras vol- tando ao nível de importações observado em 2019 (o valor importado de Material de Transporte nos quatro trimestres findos no segundo trimestre de 2021 ainda está 20% abaixo do observado no ano de 2019 e o de Metais Comuns e suas obras, 7% menor).

 

Gráfico 3 — RMC: principais grupos de produtos por valor importado (acumulado em 4 trimestres — IV 2010 a II 2021) (R$ milhões)

Fonte: Elaboração NIEMP/Facamp, com base em dados do ComexStat.

 

 

I.I.      Saldo comercial e corrente de comércio dos principais produtos

A coincidência entre os grupos de produtos mais exportados e importados na RMC instiga a observação da tendência do saldo e da corrente de comércio para cada um, a fim de identificar seu padrão de trocas e a movimentação econômica gerada na região (Gráficos 4 e 5). É claro que, pelo valor movimentado, prevalecem as importações nos totais.

Em termos de saldos comerciais por produto, há uma clara inversão de trajetória em 2014. De 2010 a 2014 , os déficits se ampliaram, como resultado da queda das exportações e da expansão das importações, numa conjuntura de atividade doméstica relativamente elevada e de taxa de câmbio “comportada” (valorização cambial até meados de 2011, seguida de lenta desvalori- zação até 2014). A partir dali, em ambiente de crise e de tendência de desvalorização do Real (ainda que com importante volati- lidade), há alguma recuperação das exportações e queda das importações, diminuindo os déficits comerciais. Passados os dois anos de intensa crise, 2015 e 2016, as importações ganharam algum impulso, mas não voltaram ao patamar, em valor, do início da década. A grande exceção são os Produtos das Indústrias Químicas e conexas. Suas exportações se elevaram desde 2015 e suas importações ganharam impulso pouco depois, de forma que os déficits se acentuaram (Gráfico 4).

 

Gráfico 4 — RMC: saldo comercial com Máquinas, aparelhos e material elétrico; Produtos das indústrias químicas e conexas; Plásticos, borracha e suas obras; e Material de Transporte (acumulado em 4 trimestres — IV 2010 a II 2021) (R$ milhões)

Fonte: Elaboração NIEMP/Facamp, com base em dados do ComexStat.

 

 

Em relação à corrente de comércio, com exceção exatamente dos Produtos das Indústrias Químicas e conexas, observa-se a triste coincidência de diminuição do volume de negócios para todos os grupos de produtos (Gráfico 5), seguindo o ambiente de crise econômica do país como um todo. Ou seja, as melhores condições para exportar — taxas de câmbio mais elevadas e existência de excedentes exportáveis, uma vez que a crise local levava à certa ociosidade nas plantas produtivas — não foram suficientes para uma reação significativa das vendas externas que compensassem o recuo das importações.

As Máquinas, Aparelhos e Material Elétrico, que apresentaram recuo importante dos déficits entre 2014 e 2015, apresenta- ram uma corrente de comércio significativamente descendente. Os Materiais de Transporte, que convergiram a um certo equi- líbrio entre exportações e importações, também sofreram queda acentuada de atividade, considerando a corrente de comércio. Os produtos de Plásticos, Borracha e suas obras também convergiram a um certo equilíbrio entre compras e vendas externas, e mostraram uma relativa estabilidade da atividade. O setor em que há evidência de elevação de atividade, ainda que com amplia- ção dos déficits, é o produtor de Produtos das Indústrias Químicas.

 

Gráfico 5 — RMC: corrente de comércio com Máquinas, aparelhos e material elétrico; Produtos das indústrias quí- micas e conexas; Plásticos, borracha e suas obras; e Material de Transporte (acumulado em 4 trimestres — IV 2010 a II 2021) (R$ milhões)

Fonte: Elaboração NIEMP/Facamp, com base em dados do ComexStat.

I.I.      Principais parceiros comerciais

As vendas externas da RMC são pouco concentradas: 10 países (os maiores em 2019) foram o destino de 62% a 72% das exportações da região no período observado. Entre eles, há clara prevalência das vendas para a Argentina e os EUA (o destino de 36% a 42% das vendas externas da RMC, no período observado) (Gráfico 6).

Sem dúvida, a informação mais importante do gráfico é a posição e a evolução da Argentina como mercado para os produtos da RMC — a trajetória das vendas àquele país é certamente parte da explicação do avanço pífio do valor exportado pela RMC. A Argentina tem uma situação econômica ainda mais frágil que a brasileira, com a atividade econômica apresentando pequenos avanços e recuos desde 2012, acumulando uma queda de 2,5% no PIB entre 2012 e 2019. Dificilmente haverá retomada importan- te dos negócios com a Argentina, sem que o país equacione sua própria crise — e é importante verificar, em investigação futura, se o recuo das trocas comerciais com aquele país não se deve ao avanço de posição de outros fornecedores internacionais. O lento crescimento das vendas para os EUA também é uma informação relevante, e o reposicionamento estratégico deste país nas negociações internacionais no governo Biden será relevante para a RMC.

Entre 2010 e 2020, as vendas para a Argentina diminuíram 63% e para os EUA cresceram 24%. Em termos conjunturais, o recuo recente das vendas para a Argentina veio antes da crise sanitária, mas, para os EUA, coincidiu com ela. A recuperação no primeiro semestre de 2021 em relação a 2020 foi vigorosa (incremento de 20% das vendas para a Argentina e de 10% para os EUA), mas insuficiente para alcançar o nível de 2019 (25% abaixo, no caso dos EUA, e 9%, no caso da Argentina).

Ou seja, a crise pandêmica de fato prejudicou os negócios, mas não tem sido o principal problema.

Gráfico 6 — RMC: países de destino das exportações (valor exportado acumulado em 4 trimestres — IV 2010 a II 2021) (R$ milhões)

 

Elaboração NIEMP/Facamp, com base em dados do ComexStat.

 

Como observado para o destino das exportações, a origem das importações da RMC também é pouco concentrada: os 10 países listados foram a origem de 67% a 73% das importações no período assinalado (Gráfico 7).

China e EUA destacaram-se como origem de 30% a 40% das mercadorias importadas pela RMC no período. Visivelmente, a China vem ocupando um espaço cada vez mais importante como fornecedor da região — do quarto trimestre de 2010 ao segundo de 2021, saltou de 15% para 25% da origem das importações da região, enquanto fornecedores tradicionais, como Estados Unidos e Alemanha, perdem importância. Desde 2013, a China se tornou o maior mercado de origem das importações da RMC, mesmo num quadro de retração das importações. Na margem, após o recuo marcado pela crise sanitária, a China teve uma notável recu- peração no fornecimento de bens à região — o que não ocorreu com os Estados Unidos.

Gráfico 7 — RMC: países de origem das importações (valor importado acumulado em 4 trimestres — IV 2010 a II 2021) (R$ milhões)

 

Fonte: Elaboração NIEMP/Facamp, com base em dados do ComexStat.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A RMC apresenta uma relevante atividade de comércio exterior, especialmente de bens industrializados, sendo estrutural- mente deficitária. Os dados observados revelam que a crise pela qual a economia brasileira vem passando, desde 2014, marcou uma mudança de nível dos negócios externos da região, e que a crise sanitária teve seus efeitos, em termos agregados, pratica- mente anulado pela importante recuperação observada entre o final de 2020 e o primeiro semestre de 2021.

Alguns produtos destacam-se no comércio da RMC.

Na exportação, cinco produtos concentram por volta de 80% das vendas externas da região. As Máquinas, Aparelhos e Material Elétrico e os Materiais de Transporte apresentaram uma queda significativa das vendas externas desde 2010 (especial- mente os Materiais de Transporte). As exportações dos Produtos das Indústrias de Alimentos, Bebidas e Fumo também refluíram, mas com menor intensidade. O único grupo de produtos a ter uma trajetória ascendente de vendas externas nesse período foram os Produtos das Indústrias Químicas, enquanto as exportações de Produtos Plásticos e de Borracha mantiveram uma trajetória indefinida.

Pode-se dizer que todos os produtos tiveram menor valor exportado durante a crise pandêmica — com exceção dos Pro- dutos das Indústrias de Alimentos. A recuperação em 2021 foi forte para Máquinas, Aparelhos e Material Elétrico; Material de Transporte e Produtos das Indústrias Químicas.

Na importação, há grande concentração em apenas dois produtos: Máquinas, Aparelhos e Material Elétrico e Produtos das Indústrias Químicas, que somaram entre 66% e 80% das compras externas da região, desde 2010. Plásticos, Borracha e suas obras; Material de Transporte; Metais Comuns e suas obras também se destacam nas compras externas, mas com valor bastante inferior. Os 5 grupos de produtos somaram cerca de 90% da pauta importadora da região no período tratado. Praticamente todos, com exceção dos Produtos das Indústrias Químicas, apresentaram queda nas importações nos anos de crise doméstica mais intensa (2015 e 2016), com alguma recuperação a partir de 2017.

Tal como observado nas exportações, as importações sofreram impacto do distanciamento social, mas sua recuperação no primeiro semestre de 2021 quase recolocou os valores alcançados no início de 2020.

Em relação aos parceiros comerciais, a queda das vendas para a Argentina e o lento crescimento das vendas aos Estados Unidos explicam parte relevante da tímida reação das exportações da região, mesmo que as condições locais suportassem melhor desempenho. Do lado das importações, o impressionante avanço dos chineses e o recuo dos norte-americanos, como fornecedores, marcaram o período.

Clique aqui para baixar o relatório em PDF

 

  1. Americana, Artur Nogueira, Campinas, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba, Itatiba, Jaguariúna, Monte Mor, Morungaba, Nova Odessa, Paulínia, Pedreira, Santa Bárbara d’Oeste, Santo Antônio de Posse, Sumaré, Valinhos, Vinhedo.
  2. Estimativas da População em 2020 – https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9103-estimativas-de-populacao.html?=&- t=resultados.
  3. https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/contas-nacionais/9088-produto-interno-bruto-dos-municipios.html?=&t=o-que-e.
  4. As Contas Nacionais brasileiras apresentam a evolução do comércio de bens e serviços de forma agregada, e as Contas Municipais não apuram o PIB na ótica da demanda. Então, para avaliar a importância do comércio internacional de bens nas duas regiões (Brasil e RMC), optou-se por converter o PIB pelo dólar médio do ano apurado pelo Banco Central, e então calcular a proporção das exportações e impor- tações, disponibilizadas em dólares pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX).
  5. https://databank.worldbank.org/source/world-development-indicators#.

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