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O Problema da Energia

Trataremos de um dos assuntos mais importantes do mundo em que vivemos: a produção e o consumo de energia. Vamos começar falando da revolução energética do final do século XIX. A revolução do petróleo e da energia elétrica.

Vamos lembrar, primeiro, que o petróleo, dentre seus inúmeros usos, pode ser utilizado como óleo combustível, óleo diesel, gasolina, querosene ou gás.
Segundo: a energia elétrica pode ser gerada em hidroelétricas ou em termoelétricas. As termoelétricas podem ser movidas a petróleo ou carvão mineral.

Essas novas fontes e formas de energia – petróleo e energia elétrica – foram gradativamente substituindo o carvão mineral e o carvão vegetal, que, no século XIX, eram as principais fontes de energia. Elas tornaram possível uma extraordinária transformação econômica e social no século XX.

Veja como evoluíram as formas de energia ao longo do século XX nos Estados Unidos. O carvão de 92% para 49%. O petróleo sobe 5% para 27%. A energia nuclear aparece com 17%.

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ENERGIA - EUA

1900

2000

Carvão

92%

49%

Petróleo

5%

27%

Hidroeletricidade

3%

6%

Nuclear

0%

17%

Sem as novas fontes de energia não seria possível a grande empresa industrial, o avanço extraordinário da indústria automobilística e dos eletrodomésticos – geladeira, lavadoras de roupas, rádio, televisão etc. Não seria possível também o uso crescente de máquinas agrícolas – tratores, colheitadeiras etc.

Tampouco seria possível o surgimento das metrópoles modernas, iluminadas, com trens, ônibus, sistemas de metrô, repletas de grandes prédios com elevadores.
Nos anos 1970, o debate sobre as energias renováveis surgiu graças a um problema econômico e não ambiental. Em 1973, o preço do barril de petróleo subiu de pouco mais de 3 dólares para 12! E com o segundo choque do petróleo, de 1979, os preços subiram para mais de 30 dólares, 10 vezes em menos de dez anos.

Como 70% da energia consumida no mundo vinha da indústria de petróleo, os países tiveram que procurar alternativas econômicas para diminuir a sua dependência. Novo impulso à adoção destas tecnologias alternativas se deu com a elevação dos preços de petróleo nos anos 2000 Mas outra questão impulsionou a discussão e a busca de formas alternativas de energia: os danos ao meio-ambiente, que ganharam importância crescente a partir do Relatório do Clube de Roma sobre os

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limites do crescimento econômico e da Conferência de Estocolmo de 1972. Pense também nas conferências internacionais do meio-ambiente, como a Rio-92, e no Protocolo de Kyoto.
Cada país está buscando fontes alternativas de energia de acordo com as possibilidades que dispõe. O Japão e parte da Europa optaram, por exemplo, pelo desenvolvimento da energia nuclear. No processo produtivo, a energia nuclear gera pouquíssimos poluentes. Poderíamos dizer que é um processo limpo, mas o problema são os resíduos, altamente tóxicos e radioativos, que perduram por séculos.

Há ainda que se considerar os acidentes: Chernobyl em 1986, na então União Soviética, e o de Fukushima, no Japão, em 2011.
Esses desastres ampliaram a pressão social e política para o fechamento de usinas nucleares no mundo todo. A Alemanha, uma das maiores usuárias desta tecnologia, vai acabar com a energia nuclear até 2022. Mas o Japão não parece encontrar outro caminho.

Formas de energia alternativa, como a eólica e a solar, ganharam importância nos últimos anos. A energia solar tem impacto ambiental pequeno.
Transformar a energia do sol em eletricidade, usando células fotovoltaicas cada vez mais eficientes, é um processo limpo e praticamente inesgotável. Mas a energia solar tem 2 problemas: os equipamentos ainda são caros, apesar da forte redução dos preços nos últimos anos; outra limitação – mais grave – é a interrupção nos dias nublados ou à noite, quando não se produz energia.

A energia eólica também está sujeita a interrupções.

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Afinal, se não há vento, não há geração. E os ventos são sazonais. Ecologistas dizem que as torres eólicas atrapalham a paisagem e podem ameaçar várias espécies de aves.
Mas é um processo de produção de energia bastante limpo e pode complementar outras fontes renováveis, como a hidrelétrica e a solar. Por exemplo, o regime de ventos é complementar ao regime de chuvas, que abastece as barragens. Óbvio, quando menos venta, mais chove. E vice- versa. O vento é maior à noite, quando não há sol.

Para países com rios caudalosos e de planalto, outra forma importante de energia é a energia hidrelétrica. Ela é renovável e limpa, sua geração não produz poluentes como a termoelétrica movida a combustíveis fósseis – carvão mineral e petróleo. Mas a construção de grandes barragens provoca problemas ambientais, pois muda os fluxos e cursos de rios e pode ameaçar várias espécies.

Evidentemente, todas as fontes de energia têm vantagens e desvantagens. Tanto em termos de eficiência, quanto em termos de impactos no meio- ambiente. Mas ainda estamos dando os primeiros passos para que as fontes renováveis substituam gradativamente as fósseis, esgotáveis e poluidoras. O desafio é o uso de energias limpas e com preços competitivos. As novas energias avançaram e, ao mesmo tempo, tivemos crescimento do consumo de carvão, especialmente na China. Mais recentemente, o uso de gás de xisto se expandiu nos EUA, uma fonte de energia altamente poluidora.

O Brasil planejou sua matriz energética aproveitando seus recursos hídricos. Eles ajudaram o país a construir um sistema elétrico que gera pouco gás carbônico. No entanto, nos últimos anos, a matriz energética brasileira se alterou significativamente.

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MATRIZ ENERGÉTICA DO BRASIL

Hidroeletricidade

69%

Termoeletricidade

27%

27% da energia elétrica pode ser gerada por termoelétricas. Mesmo assim, na comparação com o resto do mundo, nossa matriz energética tem uma grande participação das fontes renováveis: nossas mais de 1.000 hidrelétricas geram quase 70% da energia elétrica do país. E mais: temos excelentes possibilidades de geração de energia de fontes alternativas. Temos um excelente regime de ventos, tanto no Nordeste, quanto no extremo Sul do país. E a energia solar tem um potencial enorme. O Brasil é um dos países que tem maior insolação do mundo. Aqui em Campinas, por exemplo, temos 300 dias de sol por ano. Países com índices menores incidência solar, como Alemanha e Itália, estão realizando programas bem-sucedidos de ampliação do uso da energia solar, o que mostra as possibilidades do Brasil. Mas o país está muito atrasado nesta área. Temos também a biomassa. Fomos pioneiros na busca por fontes alternativas de energia, com o Pro-Álcool em meados da década de 1970. Hoje em dia, praticamente toda a produção de açúcar e álcool feita no Brasil, que é um dos maiores produtores mundiais, tem como contrapartida a co-geração de energia. Toda usina moderna de açúcar e álcool já tem incorporada uma unidade que produz energia elétrica a partir do bagaço da cana. O mesmo pode acontecer em breve com grande parte dos novos aterros sanitários.

Não vamos nos esquecer que, com a descoberta do Pré-Sal, o Brasil, em alguns anos, estará entre os principais países produtores de petróleo do

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mundo. Mas, apesar disso, devemos intensificar os esforços na busca de formas de energia alternativas. Cabe a nós aproveitarmos este potencial, realizando boas políticas de planejamento e investimento.