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Indústria desacelera com desempenho negativo do setor de veículos

A produção industrial de dezembro avançou 0,4% em relação ao mês anterior (já descontada a sazonalidade), com desempenho negativo em setores-chave para a recuperação da indústria. Embora o resultado perfaça a nona alta consecutiva, a trajetória de desaceleração preocupa para 2021. O resultado é justificado, principalmente, pelo fim do auxílio emergencial (e diminuição dos efeitos dos auxílios pagos nos meses anteriores), pelo recrudescimento da crise sanitária e pela escassez de matéria-prima, que dificulta a produção nas cadeias amplamente dependentes de insumos importados.

Os destaques negativos se concentram especialmente em setores-chave para a recuperação da indústria, tais como o setor de metalurgia (-13,9% na margem), equipamentos de informática e produtos eletrônicos (-10,6%) e máquinas e equipamentos (-2,3%). Tais setores, em especial metalurgia e máquinas e equipamentos, tiveram forte recuperação no segundo semestre e contribuíram para o desempenho da indústria (ver gráfico 2) e dos investimentos no período. A interrupção dessa tendência pode indicar perda de folego não apenas nesses setores, mas na indústria, diante das incertezas que a piora da crise sanitária impõe sobre a economia brasileira.

Dentre os destaques positivos, destaca-se a produção de alimentos (3,1% na margem), fabricação de celulose, papel e produtos de papel (4,4%) e fabricação de móveis (3,6%). O setor de veículos também registrou resultados positivos (1,0%), porém a queda de vendas no setor registradas nos últimos meses pela Fenabrave (queda de 16,7% em fevereiro de 2021, em relação ao mesmo mês de 2020), além da escassez de insumos, piora as perspectivas para 2021. O setor exportador continua como aposta positiva para 2021, especialmente para indústria extrativa, com o dólar mais fraco e o crescimento da demanda externa (especialmente China).

Portanto, ainda faltam fundamentos sólidos para atestar a continuidade da recuperação da indústria e do investimento em 2021, por conta da incerteza em relação aos fatores dinâmicos que estimularão a atividade econômica no curto e médio prazo. Ademais, o aumento de preço dos insumos industriais – explicado em parte pela desvalorização cambial –, a piora dramática da crise sanitária e as dificuldades logísticas em algumas cadeias comprometem a rentabilidade e as expectativas de demanda do setor. Neste contexto, a prorrogação das medidas emergenciais de combate à crise e a diminuição da pressão de preços e da escassez em setores-chave da indústria serão os termômetros para a recuperação nos próximos meses. Por fim, não devemos esquecer que a quebra de importantes elos das cadeias produtivas internas ainda representa o maior o obstáculo estrutural para a retomada sustentável da atividade industrial no país. O esvaziamento do tecido industrial, em curso desde os anos 1990, implica na perda de competitividade estrutural de importantes segmentos industriais, o que, por sua vez, dificulta ainda mais a recuperação do setor em momentos de elevada incerteza.

Gráficos e Tabelas

Fonte: IBGE

Elaboração: Centro de Pesquisas Econômicas da FACAMP

Brasil: Evolução da PIM-PF em %
Janeiro 2021 em relação a Janeiro de 2020 Janeiro 2021 em relação a Dezembro de 2020 Variação percentual acumulada no ano (Base: igual período do ano anterior)
2,0 0,4 -4,3

 

 

 

 

 

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