Av. Alan Turing, nº 805 - Barão Geraldo – Campinas

ITE/FACAMP desacelera em outubro e reflete incertezas sobre continuidade da recuperação

Variação mensal desacelera novamente, revelando as deficiências da nova composição setorial do crescimento e o fôlego curto dos efeitos das medidas emergenciais sobre a atividade econômica.

Tabela 1: ITE/FACAMP mensal (variação em %)

Comparações Setembro/2020 Outubro/2020
Mês anterior (com ajuste sazonal) 2,2 0,7
Mesmo mês 2019 5,1 4,5
Acumulado 12 meses -2,7- 2,3

 

 

O Índice de Tendência Econômica da FACAMP (ITE/FACAMP)[1] cresceu 0,7% em outubro em relação a setembro, já descontados os efeitos sazonais (Tabela 1). Embora o desempenho perfaça a sexta expansão marginal consecutiva, a desaceleração pronunciada aponta para um desempenho mais modesto no quarto trimestre. A despeito da forte recuperação marginal, o desempenho no ano ainda mostra resultados negativos, conforme aponta o resultado acumulado de 12 meses (-2,3%).

A desaceleração do índice reflete, sobretudo, os efeitos da redução do auxílio emergencial sobre os setores de bens essenciais (especialmente alimentos e bebidas) do varejo e da indústria. Ademais, a reação tímida do setor de serviços contribui para a fraca recuperação no mercado de trabalho – e, consequentemente, da massa de rendimentos. Por outro lado, os efeitos da demanda reprimida em alguns setores duramente afetados no começo da pandemia – tais como veículos e construção civil – contribuem positivamente para o crescimento do índice.  

Segundo o professor José Augusto Gaspar Ruas do NEC/FACAMP, “as medidas emergenciais, combinadas com os efeitos da crise sanitária, provocaram nova composição setorial de crescimento na economia brasileira, com a preponderância do varejo e da indústria em detrimento dos serviços. No entanto, os rearranjos não resultaram em recuperação significativa dos investimentos e das ocupações no mercado de trabalho”.

Neste contexto, o ITE/FACAMP revela que, embora expressivo e efetivo, o choque provocado pelas medidas emergenciais sobre a atividade econômica possui fôlego curto, especialmente na ausência de políticas que ampliem o horizonte temporal de demanda dos empresários e das famílias. Esse horizonte se encurta ainda mais com a perspectiva de avanço da segunda onda da pandemia e a indefinição em relação ao plano nacional de vacinação. Como também não parece realista supor que as famílias tenham aumentado agora suas poupanças para gastos futuros − e isto em função dos valores mensais relativamente baixos do auxílio emergencial, das enormes carências sociais e da precariedade do mercado de trabalho −, a tendência é que a recuperação rápida vista no terceiro trimestre não se estenda no trimestre seguinte.

Assim, a consolidação da retomada nos próximos trimestres dependerá não apenas de um redesenho dos programas de transferência de renda que não penalize aqueles assistidos pelo auxílio emergencial, mas também da continuidade de outras medidas anticíclicas (como por exemplo, o crédito emergencial destinado às empresas), que promovam a recuperação do investimento produtivo. Tais recomendações, no entanto, contrastam com a opção do governo pela volta imediata e abrupta do ajuste fiscal no próximo ano. “A continuidade da recuperação nos próximos meses dependerá das sinalizações do governo em relação, não apenas ao auxílio emergencial, mas a outros programas que incentivem o gasto empresarial. Cortar intempestivamente gastos públicos que até aqui representaram a principal fonte de demanda agregada em meio à permanência de fortes incertezas associadas à crise sanitária e econômica pode provocar rápida reversão da recuperação conquistada até aqui”, complementa o professor Ricardo Buratini do NEC/FACAMP.

Portanto, o desempenho do investimento produtivo, a recuperação do mercado de trabalho formal, a continuidade e abrangência das medidas emergenciais e a apresentação de um plano nacional de vacinação para o enfrentamento da crise sanitária serão os principais termômetros dessa desejável recuperação.

[1] O ITE/FACAMP é calculado a partir do consumo de energia tomando informações públicas disponibilizadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O ITE possui um coeficiente de correlação de Pearson (r) de 0,89 ante o IBC-br do Banco Central em agosto de 2020. Em relação ao PIB, o coeficiente de correlação é de 0,87 em agosto de 2020. Para mais detalhes sobre a metodologia do ITE/FACAMP, veja https://www.facamp.com.br/ite-facamp/

Gráfico 1: ITE/FACAMP (jan/13 a out/20) e IBC-Br (jan/13 a set/20) ­– média de 2014 = 100

Fonte: Elaboração NEC/FACAMP a partir dos dados da CCEE e do Banco Central do Brasil

 

Clique aqui para baixar o artigo em PDF

 

Expediente

FACAMP é uma faculdade privada fundada em 2000 por João Manuel Cardoso de Mello, Liana Aureliano, Luiz Gonzaga de Melo Belluzzo e Eduardo Rocha Azevedo. Com 100% de Mestres e Doutores, seu curso de Economia recebeu 5 estrelas do Guia do Estudante.

Núcleo de Estudos de Conjuntura da FACAMP

www.facamp.com.br

nec@facamp.com.br

Pesquisadores

Adriana Marques da Cunha, Beatriz Freire Bertasso, Bento Maia, Camila Veneo, Fernanda Serralha, José Augusto Ruas, Juliana Filleti, Nathan Caixeta, Ricardo Buratini, Rodrigo Sabbatini, Saulo Abouchedid e Thiago Dallaverde

Assistentes de Pesquisa

Thais Trombetta

Jaques Gabriel Guedes Videla

Editoração e Capa

Renata Job Zani

Como citar este texto

Núcleo de Estudos de Conjuntura (NEC). ITE/FACAMP desacelera em outubro e reflete incertezas sobre continuidade da recuperação. Nota ITE/FACAMP, out/2020. Campinas: Editora FACAMP, novembro de 2020.

 

Related Posts

Leave a comment

You must be logged in to post a comment.
× Olá! Como podemos ajudar?