Av. Alan Turing, nº 805 - Barão Geraldo – Campinas

ITE/FACAMP cai em janeiro em linha com perspectiva de piora da atividade

Piora da crise sanitária, ritmo lento de vacinação e redução abrupta das medidas emergenciais sinalizam semestre ruim para atividade econômica, mesmo com cenário externo positivo

 

Tabela 1: ITE/FACAMP mensal (variação em %)

Comparações Dezembro/2020 Janeiro 2021
Mês anterior (com ajuste sazonal) 4,3 -1,3
Média Móvel Trimestral[1] 1,5 0,7
Mesmo mês ano anterior 11,7 8,3
Acumulado 12 meses -0,8 0,2

                    Fonte: Elaboração NEC/FACAMP a partir dos dados da CCEE

 

O Índice de Tendência Econômica da FACAMP (ITE/FACAMP)[2] caiu 1,3% em janeiro de 2021 em relação a dezembro de 2020, já descontados os efeitos sazonais. O resultado ruim na margem contrasta com o patamar elevado em comparação ao mesmo mês de 2020 (+8,3%). Com o resultado de janeiro, a média móvel trimestral – que é um bom indicador da tendência de curto prazo – desacelerou para uma alta de 0,7% na passagem de dezembro para janeiro.

A volatilidade apresentada pelo Índice nos últimos meses reflete as dificuldades que rondam as decisões de produção ao longo da pandemia. Por um lado, a aceleração da demanda no segundo semestre de 2020 – por conta especialmente das medidas emergenciais, que injetaram mais de R$ 600 bilhões ao longo de 2020 – impulsionou as vendas e a produção industrial em diversos setores, gerando queda do nível de estoques num primeiro momento e rápida recomposição dos mesmos nos últimos meses do ano. Por outro, a queda do auxílio emergencial nos últimos quatros meses de 2020 e sua interrupção ao longo do primeiro trimestre de 2021 afetaram negativamente as expectativas dos empresários, provocando desacelerações na indústria e no comércio. Somam-se a esses fatos as dificuldades logísticas por conta da pandemia e a desvalorização expressiva do real frente ao dólar, que dificultaram o acesso aos insumos industriais, levando, inclusive, a paralisação da produção em várias unidades industriais.

O balanço entre os determinantes positivos e negativos da atividade econômica assume, porém, um viés adverso quando consideramos a piora da crise sanitária. Segundo o professor Saulo Abouchedid do NEC/FACAMP, “diante do recrudescimento da pandemia, que enrijeceu a quarentena em diversos estados, e a interrupção das medidas emergenciais, o resultado do ITE em janeiro pode ser o prenúncio de um primeiro semestre difícil para a atividade econômica, com possibilidades reais de reversão do crescimento conquistado no segundo semestre de 2020”.

Assim, os eventos positivos relacionados ao ciclo de preços das commodities, ao crescimento da demanda chinesa e à injeção de quase US$ 2 trilhões do governo norte-americano em sua economia podem esbarrar nos impactos negativos ainda maiores da crise sanitária sobre a atividade econômica e o mercado de trabalho.

Neste contexto, a continuidade do crescimento do ITE será posta à prova em 2021. “A piora da crise sanitária exigirá uma resposta rápida da equipe econômica, por meio não apenas da renovação do auxílio emergencial, mas de medidas que evitem uma nova rodada de falências de pequenas e médias empresas e, consequentemente, sejam capazes de sustentar os níveis de emprego e renda”, complementa o professor Ricardo Buratini do NEC/FACAMP.

Em suma, a abrangência das novas medidas emergenciais, a rapidez em torno da sua efetivação, a intensidade do recrudescimento da pandemia e o ritmo de vacinação são as principais incertezas críticas internas que ditarão o tom da atividade nos próximos meses. Já no front externo, a evolução da demanda chinesa, a velocidade da recuperação norte-americana, o comportamento dos preços das commodities, e da taxa de câmbio serão os termômetros mais importantes.  

[1] A média móvel trimestral avalia o resultado da variação do último trimestre móvel, ou seja, compara a média dos últimos três meses, incluindo o mês atual, com a média dos três meses anteriores ao mês corrente. Por considerar a média do último trimestre móvel, seu resultado acaba sendo mais suave e capaz de captar uma tendência menos volátil da série a analisada.

[2] O ITE/FACAMP é calculado a partir do consumo de energia tomando informações públicas disponibilizadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O ITE possui um coeficiente de correlação de Pearson (r) de 0,87 ante o IBC-br do Banco Central em janeiro de 2021. Em relação ao PIB, o coeficiente de correlação é de 0,85 em dezembro de 2020. Para mais detalhes sobre a metodologia do ITE/FACAMP, veja https://www.facamp.com.br/ite-facamp/

 

Expediente

Núcleo de Estudos de Conjuntura da FACAMP

www.facamp.com.br

nec@facamp.com.br

Pesquisadores

Adriana Marques da Cunha, Beatriz Freire Bertasso, Bento Maia, Fernanda Serralha, José Augusto Ruas, Juliana Filleti, Lício da Costa Raimundo, Maria Paula Vieira, Cicogna, Nathan Caixeta, Ricardo Buratini, Rodrigo Sabbatini, Saulo Abouchedid e Thiago Dallaverde

Assistentes de Pesquisa

Thais Trombetta

Jacques Gabriel Guedes Videla

João Duran

Alexandre Sarkis

Nayara Oliveira

Editoração e Capa

Thiago Tossini

Como citar este texto

Núcleo de Estudos de Conjuntura (NEC). ITE/FACAMP cai em janeiro e sinaliza semestre difícil. Nota ITE/FACAMP, jan/21. Campinas: Editora FACAMP, janeiro de 2021.

Related Posts

Leave a comment

You must be logged in to post a comment.