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Taxa recorde de desemprego no terceiro trimestre confirma recuperação lenta no mercado de trabalho

A taxa de desemprego do terceiro trimestre confirma a situação crítica do mercado de trabalho brasileiro, atingindo 14,6% da força de trabalho em agosto – a maior da série da PNAD mensal, cujo pico, de 13,7% tinha sido atingido em março de 2017. Os números devem continuar piorando, conforme a diminuição dos índices de isolamento social.

Na margem, o comportamento da taxa de desemprego é explicado, principalmente, pela entrada de pessoas na força de trabalho (cerca de 1,1 milhões em setembro de 2020) e pelo aumento dos desocupados (298 mil pessoas). Tais resultados sugerem que os entrantes na força de trabalho não estão sendo absorvidos pelos setores de atividade, contribuindo, portanto, para a piora na taxa de desemprego. Esse cenário deve se agravar a nos próximos meses, considerando que, de acordo com a PNAD COVID de setembro, o volume de pessoas que não procuraram trabalho por conta da pandemia diminuiu entre agosto e setembro.

Em relação à ocupação, a recuperação continua se concentrando no setor informal, que criou 527 mil vagas (entre setembro e agosto de 2020) contra 227 mil no setor formal, confirmando a tendência do terceiro trimestre (Gráfico 1). Vale ressaltar a perda de qualidade das vagas criadas, evidenciada pelo comportamento da taxa composta de subutilização da força de trabalho, que alcançou 30,3% da força de trabalho ampliado, valor muito acima dos patamares pré-pandemia (Gráfico 2). As vagas criadas em setembro se concentraram principalmente na construção civil (+258 mil vagas). A boa notícia é a criação de vagas no setor de alojamento e alimentação (+138 mil), sinalizando um início de recuperação no mercado de trabalho do setor de serviços, porém ainda muito abaixo do período pré-pandemia.

A recuperação lenta no setor formal e a preponderância da informalidade e da subocupação se refletem na massa de rendimentos, ainda distante dos patamares pré-pandemia (Gráfico 3).

O cenário acima indica, portanto, um aprofundamento das fragilidades estruturais do mercado de trabalho. A lenta recuperação da ocupação reflete a concentração da dinâmica da atividade econômica (e, consequentemente, do mercado de trabalho) no setor de serviços, severamente afetado pela pandemia. Assim, a injeção de renda do auxílio emergencial não se converteu em rápida recuperação das ocupações. Por fim, o crescimento do setor informal e da subocupação reforça o novo perfil do trabalhador brasileiro, que se tornou preponderante a partir de 2015, comprometendo o crescimento de longo prazo.

Gráficos e Tabelas

Fonte: IBGE

Elaboração: NEC/ FACAMP

Gráfico 1. Criação líquida mensal de vagas formais e informais no mercado de trabalho brasileiro, entre os trimestres findos em julho de 2019 e setembro de 2020.

 

Gráfico 2. Taxa de desemprego, Taxa composta de subutilização da força de trabalho* e Percentual das pessoas desalentadas (eixo direito)

 

Gráfico 3. Massa de rendimentos dos ocupados (jan-mar/2016 = 100)

 

 

Saulo Abouchedid

Beatriz Freire Bertasso

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Expediente

FACAMP explica: PNAD-C é uma publicação mensal do Centro de Pesquisas Econômicas da FACAMP que repercute os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Mensal, do IBGE.

FACAMP é uma faculdade privada  fundada em 2000 por João Manuel Cardoso de Mello, Liana Aureliano, Luiz Gonzaga de Melo Belluzzo e Eduardo Rocha Azevedo. Com 100% de Mestres e Doutores, seu curso de Economia recebeu 5 estrelas do Guia do Estudante.

Centro de Pesquisas Econômicas da FACAMP

www.facamp.com.br

cepe@facamp.com.br

Pesquisadores

Adriana Marques da Cunha, Beatriz Freire Bertasso, Bento Maia, Fernanda Serralha, Jackeline Bertuolo, José Augusto Ruas, Juliana Filleti, Ricardo Buratini, Rodrigo Sabbatini, Saulo Abouchedid e Thiago Dallaverde, Nathan Caixeta

Assistentes de Pesquisa

Thais Trombetta

Jacques Gabriel Guedes videla

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