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No caminho da precarização: “O ano pandêmico se encerra com fraca recuperação puxada pelo setor informal”

Os resultados da PNADC de dezembro de 2020 confirmam a recuperação do mercado de trabalho no quarto trimestre. A redução na taxa de desocupação (13,9% contra 14,1% em novembro) e o aumento das ocupações (+601 mil pessoas) são justificados principalmente pela redução do isolamento e flexibilização das restrições sanitárias e pelo movimento sazonal da atividade econômica no final do ano. Embora tais dados, quando analisados mensal e trimestralmente tenham apresentado recuperação em relação aos patamares anteriores, isto em nada indica um retorno a “normalidade” do mercado de trabalho, visto que permanecem deteriorados em relação ao mesmo período de 2019, revelando a persistência dos impactos pandêmicos sobre o mercado de trabalho. Ademais, o aumento das ocupações em dezembro se desacelerou em relação aos meses anteriores, sinalizando um cenário preocupante para o primeiro semestre de 2021.

Em relação à demografia do mercado de trabalho, a Força de Trabalho se recuperou no segundo semestre, com a redução das restrições sanitárias, porém ainda se encontra abaixo dos níveis pré-pandemia. De março a julho de 2020, 10,9 milhões de pessoas deixaram a Força de Trabalho e, de agosto a dezembro, 4,6 milhões voltaram a ela. Há, portanto, um contingente elevado de pessoas que não voltaram a procurar emprego, sinalizando uma pressão potencial sobre a taxa de desocupação em 2021.

Dentre as ocupações criadas em dezembro, 81% (484 mil) são informais (sem carteira assinada e CNPJ), revelando uma aceleração da informalidade em comparação aos meses anteriores (gráfico 1). No ano, a recuperação dos empregos no setor informal absorveu quase o dobro (88%) em relação aos empregos absorvidos pelo setor formal. Enquanto o setor formal foi capaz de criar cerca de 1,2 milhões de vagas, o setor informal criou 2,4 milhões. Ainda assim, o saldo no ano de 2020 é pior no setor informal (-4,9 milhões de vagas) em relação ao setor formal (-3,5 milhões), explicitando maior volatilidade da informalidade diante das incertezas da pandemia. A taxa de subutilização da força de trabalho segue em patamar elevado (28,7% da força de trabalho ampliada), apesar da tímida melhora em relação a julho, quando chegou a 30,1% (gráfico 2).

Em relação aos setores de atividade, destaca-se a recuperação dos serviços domésticos (+116 mil vagas), dos setores de “informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas” (+179 mil vagas) e da construção civil (+96 mil vagas). Os setores de alimentação e alojamento e de transporte, armazenagem e correio voltaram a registrar taxas negativas no mês (-18 mil e -12 mil respectivamente) após 3 meses de recuperação, sugerindo os primeiros impactos do recrudescimento da pandemia sobre a circulação de pessoas. Assim, o setor de serviços termina 2020 num cenário de elevada incerteza por conta da piora da crise sanitária, que pode dificultar ainda mais a recuperação do setor e, consequentemente, do mercado de trabalho.

Portanto, a desaceleração da recuperação das ocupações em dezembro acende um alerta em relação à continuidade da recuperação do mercado de trabalho no primeiro semestre de 2021. Esse alerta é impulsionado principalmente pela piora da crise sanitária e pelas indefinições do auxílio emergencial. Ademais, a recuperação parcial das ocupações no segundo semestre de 2020 reforçou a precarização do mercado de trabalho brasileiro, com o avanço da informalidade e da subocupação da força de trabalho

Gráficos e Tabelas

Fonte: IBGE

Elaboração: NEC/ FACAMP

Gráfico 1. Criação líquida entre ( em mil vagas), setores formal e informal, taxa de informalidade (%) e População Fora da Força de Trabalho (%), entre julho de 2019 e dezembro de 2020

Gráfico 2. Taxa de desemprego, Taxa composta de subutilização da força de trabalho* e Percentual das pessoas desalentadas

 

Saulo Abouchedid

Nathan Caixeta

 

Expediente

Núcleo de Estudos de Conjuntura da FACAMP

www.facamp.com.br

nec@facamp.com.br

Pesquisadores

Adriana Marques da Cunha, Beatriz Freire Bertasso, Bento Maia, Fernanda Serralha, José Augusto Ruas, Juliana Filleti, Lício da Costa Raimundo, Maria Paula Vieira, Cicogna, Nathan Caixeta, Ricardo Buratini, Rodrigo Sabbatini, Saulo Abouchedid e Thiago Dallaverde

Assistentes de Pesquisa

Thais Trombetta

Jacques Gabriel Guedes Videla

João Duran

Alexandre Sarkis

Nayara Oliveira

Editoração e Capa

Thiago Tossini

 

 

 

 

 

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