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Produção industrial desacelera novamente em outubro e sinaliza perda de dinamismo no quarto trimestre

A produção industrial de outubro avançou 1,1% em relação ao mês anterior (já descontada a sazonalidade) o que indica o quarto mês seguido de desaceleração da taxa. Com isso, segundo o IBGE, a produção industrial supera patamar da média de 2019. Porém, os efeitos da pandemia ainda se fazem sentir, uma vez que o resultado no acumulado do ano revela um desempenho negativo de 6,3% no índice geral. Grande parte da retração da indústria em 2020 é explicada pela queda significativa da produção de bens de consumo duráveis (-24,6% no ano), com grande contribuição da indústria automobilística, que acumula retração de 34,4% no ano.  

De maneira geral, o desempenho positivo da atividade industrial reflete a recomposição dos estoques em alguns setores (por exemplo, o setor de veículos) e os efeitos do auxílio emergencial. Em relação a setembro de 2020, destaca-se, novamente, a recuperação do setor de bens de capital (+7% na margem) – por conta de possíveis pressões no nível de utilização da capacidade instalada em alguns setores e do encarecimento das importações de máquinas e equipamentos – e a recuperação da produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (+4,7% na margem). No entanto, os fatores dinâmicos supracitados estão perdendo força, aumentando a incerteza em relação ao quarto trimestre e a 2021. Assim, por exemplo, a queda do benefício do auxílio emergencial contribui para a desaceleração do setor de produtos alimentícios (-2,8% na margem).

Ou seja, ainda faltam fundamentos sólidos para atestar a recuperação da demanda e do investimento nos próximos meses, por conta da incerteza em relação aos fatores dinâmicos que estimularão a atividade econômica no curto e médio prazo. Ademais, o aumento de preço dos insumos industriais – explicado em parte pela desvalorização cambial – compromete a rentabilidade e as expectativas de demanda do setor. Neste contexto, a prorrogação das medidas emergenciais de combate a crise e a diminuição da pressão de preços em setores-chave da indústria serão os termômetros para a recuperação nos próximos meses. Por fim, não devemos esquecer que a quebra de importantes elos das cadeias produtivas internas ainda representa o maior o obstáculo estrutural para a retomada sustentável da atividade industrial no país. O esvaziamento do tecido industrial, em curso desde os anos 1990, implica na perda de competitividade estrutural de importantes segmentos industriais, o que, por sua vez, dificulta ainda mais a recuperação do setor em momentos de elevada incerteza como ainda vivemos em 2020.

Gráficos e Tabelas

Fonte: IBGE

Elaboração: Centro de Pesquisas Econômicas da FACAMP

 

Saulo Abouchedid

Rodrigo Sabbatini

 

Expediente

FACAMP é uma faculdade privada fundada em 2000 por João Manuel Cardoso de Mello, Liana Aureliano, Luiz Gonzaga de Melo Belluzzo e Eduardo Rocha Azevedo. Com 100% de Mestres e Doutores, seu curso de Economia recebeu 5 estrelas do Guia do Estudante.

Núcleo de Estudos de Conjuntura da FACAMP

www.facamp.com.br

nec@facamp.com.br

Pesquisadores

Adriana Marques da Cunha, Beatriz Freire Bertasso, Bento Maia, Camila Veneo, Fernanda Serralha, José Augusto Ruas, Juliana Filleti, Nathan Caixeta, Ricardo Buratini, Rodrigo Sabbatini, Saulo Abouchedid e Thiago Dallaverde

Assistentes de Pesquisa

Thais Trombetta

Jaques Gabriel Guedes Videla

Editoração e Capa

Renata Job Zani

 

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