Av. Alan Turing, nº 805 - Barão Geraldo – Campinas

Produção industrial reforça trajetória de desaceleração em relação ao terceiro trimestre

A produção industrial de novembro avançou 1,2% em relação ao mês anterior (já descontada a sazonalidade), reforçando a trajetória de desaceleração da recuperação em relação ao terceiro trimestre. Os efeitos da pandemia ainda se fazem sentir, uma vez que o resultado no acumulado do ano revela um desempenho negativo de 5,5% no índice geral. Grande parte da retração da indústria em 2020 é explicada pela queda significativa da produção de bens de consumo duráveis (-22% no ano), com grande contribuição da indústria automobilística, que acumula retração de 37,4% no ano.  

De maneira geral, o desempenho positivo da atividade industrial reflete a recomposição dos estoques em alguns setores (por exemplo, o setor de veículos), a recuperação de setores duramente afetados pela pandemia e o impacto da desvalorização cambial. Em relação a outubro de 2020, destaca-se, novamente, a recuperação do setor de bens de capital (+7,4% na margem) – por conta de possíveis pressões no nível de utilização da capacidade instalada em alguns setores e do encarecimento das importações de máquinas e equipamentos por conta da desvalorização cambial –, a aceleração da produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (+11,1% na margem) e a retomada do setor de vestuário (+11,3 na margem), duramente afetado pela crise sanitária. No entanto, alguns fatores dinâmicos estão perdendo força, aumentando a incerteza em relação ao quarto trimestre e a 2021. Assim, por exemplo, a queda do benefício do auxílio emergencial contribuiu para a desaceleração do setor de produtos alimentícios (-3,1% na margem). Destaca-se também a queda de 2,4 da indústria extrativa, afetada pelo desempenho ruim da produção de petróleo no mês, e a queda de 9,8 na fabricação de produtos farmacêuticos, um dos poucos setores com alta acumulada no ano (+1,1).

Ou seja, ainda faltam fundamentos sólidos para atestar a recuperação da demanda e do investimento nos próximos meses, por conta da incerteza em relação aos fatores dinâmicos que estimularão a atividade econômica no curto e médio prazo. Ademais, o aumento de preço dos insumos industriais – explicado em parte pela desvalorização cambial – compromete a rentabilidade e as expectativas de demanda do setor. Neste contexto, a prorrogação das medidas emergenciais de combate a crise e a diminuição da pressão de preços em setores-chave da indústria serão os termômetros para a recuperação nos próximos meses. Por fim, não devemos esquecer que a quebra de importantes elos das cadeias produtivas internas ainda representa o maior o obstáculo estrutural para a retomada sustentável da atividade industrial no país. O esvaziamento do tecido industrial, em curso desde os anos 1990, implica na perda de competitividade estrutural de importantes segmentos industriais, o que, por sua vez, dificulta ainda mais a recuperação do setor em momentos de elevada incerteza como ainda vivemos em 2020.

 

Gráficos e Tabelas

Fonte: IBGE

Elaboração: Centro de Pesquisas Econômicas da FACAMP

Brasil: Evolução da PIM-PF em %
Outubro 2020 em relação a Setembro de 2020 Variação percentual acumulada no ano (Base: igual período do ano anterior)
1,2 -5,5

 

 

Saulo Abouchedid

 

Expediente

FACAMP é uma faculdade privada fundada em 2000 por João Manuel Cardoso de Mello, Liana Aureliano, Luiz Gonzaga de Melo Belluzzo e Eduardo Rocha Azevedo. Com 100% de Mestres e Doutores, seu curso de Economia recebeu 5 estrelas do Guia do Estudante.

Núcleo de Estudos de Conjuntura da FACAMP

www.facamp.com.br

nec@facamp.com.br

Pesquisadores

Adriana Marques da Cunha, Beatriz Freire Bertasso, Bento Maia, Camila Veneo, Fernanda Serralha, José Augusto Ruas, Juliana Filleti, Nathan Caixeta, Ricardo Buratini, Rodrigo Sabbatini, Saulo Abouchedid e Thiago Dallaverde

Assistentes de Pesquisa

Thais Trombetta

Jaques Gabriel Guedes Videla

Editoração e Capa

Renata Job Zani

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