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Varejo ampliado apresenta recuperação em fevereiro

“O varejo brasileiro mostra comportamento instável no começo do ano trazendo incetrezas sobre seu desempenho no primeiro semestre de 2021”

O comércio varejista ampliado brasileiro[1] apresentou crescimento de 4,1% em fevereiro comparado a janeiro  de 2021, revertendo o comportamento negativo observado nos meses de dezembro de 2020 e janeiro de 2021, segundo a última Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE. Os dados positivos do varejo ampliado em fevereiro parecem ter sido pontuais, provavelmente beneficiados pela permissão de abertura do comércio mesmo em contexto de  agravamento da crise sanitária. Entretanto, as perspectivas de vendas do varejo ampliado para o mês de março mantêm-se negativas considerando a ausência do auxílio emergencial, a dificuldade de recuperação no mercado de trabalho, em contexto de persistência dos efeitos nefastos da pandemia e de retomada de medidas mais restritivas ao funcionamento do comércio varejista em vários estados e  em seus respectivos municípios. A tendência de mais longo prazo, no acumulado em doze meses, mostrou que o varejo ampliado manteve seu desempenho negativo (-2,3%).

A maioria dos setores do varejo ampliado conseguiu apresentar crescimento do volume de vendas no mês de fevereiro frente a janeiro de 2021. Observou-se crescimento marginal nas vendas de livros, jornais e artigos de papelaria (15,4%); de móveis e eletrodomésticos (9,3%); %); de veículos, motocicletas e partes e peças (8,8%); de tecidos, vestuário e calçados (7,8%); de materiais de construção (2,0%); e de hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo (0,8%). O único setor que havia crescido de forma marginal em janeiro foi o de materiais de construção. Os demais setores de fato mostraram recuperação de seu desempenho negativo no primeiro mês do ano.  A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) anunciou uma recuperação na venda de veículos novos em março de 2021 (aumento de 10,8% dos emplacamentos de automóveis), depois de amargar significativas perdas de vendas em janeiro e fevereiro de 2021.  No entanto, os segmentos automotivos continuam sofrendo com problemas de falta de peças e componentes e paralisação da produção em unidades fabris, ameaçando a manutenção do abastecimento de autoveículos e reafirmando as grandes dificuldades enfrentadas pelo varejo automotivo no começo do ano.

Alguns setores apresentaram recuo do volume de vendas em fevereiro comparado a janeiro de 2021,  revertendo a recuperação marginal localizada em janeiro, como os artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,2%) e os equipamentos e materiais para escritório (-0,4%); ou mesmo acentuando a queda de vendas já observada no primeiro mês do ano, como o setor de combustíveis e lubrificantes (-0,4%).

Analistas da Facamp, Adriana Marques da Cunha e Saulo Abouchedid, afirmam que “o ar fresco proveniente do aumento das vendas do varejo ampliado brasileiro em fevereiro de 2021 mostra-se localizado e insustentável, considerando o agravamento da pandemia nos meses de março e abril, e a decorrente necessidade de reforço do distanciamento social e de fechamento de atividades comerciais, que tem levado à adoção de medidas mais restritivas ao funcionamento do varejo em inúmeros municípios. Como se não bastassem os desdobramentos nefastos da crise sanitária, destaca-se a ausência seguida pela retomada menos abrangente e em patamares muito reduzidos do auxílio emergencial e as evidentes dificuldades de recuperação do mercado de trabalho, marcado por elevado nível de desemprego e de informalidade, que se somam ao repique inflacionário, anunciando, no mínimo, um primeiro semestre extremamente complicado e de muita incerteza para o comércio varejista brasileiro”.

Gráficos e Tabelas

Fonte: PMC/IBGE

Brasil: Variação mensal do volume de vendas no varejo (%)
Variação interanual (%) Variação na margem (%)
Fev 21/Fev 20 Fev 21/Jan 21*
Comércio varejista -3,8 0,6
Comércio varejista ampliado -1,9 4,1
* Dados com ajuste sazonal.

 

Brasil: Variação anual do volume de vendas no varejo ampliado (%)
2012 8,0
2013 3,6
2014 -1,7
2015 -8,6
2016 -8,7
2017 4,0
2018 5,0
2019 3,9
2020 -1,4
Acumulado últimos 12 meses (mar/20-fev/21) -2,3

 

 

 

 

Adriana Marques da Cunha e Saulo Cabello Abouchedid

[1] O comércio varejista inclui combustíveis e lubrificantes; hiper, supermercados, produtos alimentícios e fumo; tecidos, vestuários e calçados; móveis e eletrodomésticos; artigos farmacêuticos, médios, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; livros jornais, revistas e papelarias; equipamentos e materiaias para escritórios, informática e comunicação; e outros artigos de uso pessoal e doméstico. O comércio varejista ampliado adiciona veículos motos, partes e peças, assim como material de construção, aos demais segmentos citados. Neste documento, destaca-se o comportamento do varejo ampliado.

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