Av. Alan Turing, nº 805 - Barão Geraldo – Campinas

O Brasil em 2021: esperando novos acasos?

O aumento de 7,7% do PIB no terceiro trimestre de 2020 em relação ao trimestre anterior gera reações contraditórias. Por um lado, é inegável o impacto das medidas emergenciais – dentre elas, principalmente o Auxílio Emergencial (AE) – sobre a atividade econômica, especialmente sobre a indústria e o setor varejista, pelo lado da oferta, e sobre o consumo das famílias e a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), pelo lado da demanda. Além de contribuir para a retomada, o AE também foi importante para a redução da extrema pobreza em comparação a níveis pré-pandemia[1]. Assim, a forte recuperação no terceiro trimestre amenizará o impacto da crise sobre o economia: mesmo com essa forte aceleração, estimamos[2] que o PIB de 2020 fechará com uma queda 4,1% em relação à 2019, um dos piores resultados da história econômica do país.

Por outro lado, o caráter curto-prazista dessas medidas – que não foram incluídas na proposta do orçamento de 2021 – diminui o horizonte temporal do socorro às empresas e famílias. As incertezas aumentam quando se considera a composição setorial da recuperação, apoiada fundamentalmente na indústria e no varejo, em detrimento do setor de serviços, com maior peso setorial no PIB e principal empregador, afetando significativamente o mercado de trabalho.

O diagnóstico acima indica, portanto, que a recuperação tende a perder fôlego (ou inclusive se reverter) em 2021. Neste contexto, a ausência de políticas de médio e longo prazo – que contemplem não apenas a transformação do AE em política social definitiva, mas também um programa de investimentos públicos – tornaria a recuperação da economia brasileira sujeita a acasos ou eventos fortuitos, como, por exemplo, uma eventual 13ª parcela do Bolsa Família, uma possível explosão da demanda reprimida das faixas mais altas de renda, um aumento do preço das commodities ou uma entrada significativa de investidores estrangeiros.

É neste contexto que o presente relatório visa apontar os limites da incipiente recuperação econômica observada no último trimestre. Em resumo, esses limites são pautados tanto pelas incertezas geradas, principalmente, pelo fim dos estímulos à demanda em 2021, quanto pela ausência de políticas econômicas de médio e longo prazos. A percepção de incerteza, que adia decisões de gasto privado e, portanto, impede uma retomada sustentável da economia, é fruto desse compasso de espera, dessa espera por novos “acasos” que tenham impacto na atividade econômica. À espera de novos milagres.

  1. A recuperação da atividade econômica: principais desdobramentos

O terceiro trimestre de 2020 confirmou uma tendência já apontada em nosso último relatório: a injeção de renda provocada pelo AE (cerca de 2,5% do PIB de 2019) foi decisiva para a retomada da atividade econômica. Do ponto de vista setorial, conforme a Tabela 1 e o Gráfico 1, a recuperação foi explicada principalmente pelo crescimento da indústria da transformação e do varejo ampliado. Essa mudança na participação relativa dos distintos setores, ainda que momentânea, gerou alguns desdobramentos positivos e negativos para a economia brasileira, contribuindo para a construção do cenário para os próximos meses. O presente relatório irá analisar quatro desdobramentos: a mudança na composição da cesta de consumo das famílias, os impactos sobre o investimento, reação tímida do mercado de trabalho e a aceleração da inflação.

 

Tabela 1Contas Nacionais Trimestrais (%) (III trimestre de 2020)

Contas Nacionais – Ótica do Produto e da Demanda Variação na margem (%) Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (%) Acumulado no Ano (%)   Participação (%) Contribuição ao Crescimento (%)   Patamar em relação ao II. TRI de 2014 (%)
Agropecuária -0,5 0,5 1,4 5,6 0,0 17,1
Indústria 14,8 -1,0 -3,5 18,7 2,6 -14,3
Serviços 6,3 -4,8 -3,5 61,7 4,1 -5,9
Consumo das famílias 7,6 -6,0 -4,2 61,7 4,6 -6,9
Consumo do governo 3,5 -5,2 -3,7 19,6 0,8 -6,3
FBCF 11,0 -7,6 -3,8 16,2 1,7 -24,9
Exportação -2,1 -0,8 -2,4 17,8 -0,4 11,5
Importação -9,6 -25,0 -9,3 14,4 -1,5 -22,6
PIB 7,7 -3,9 -3,7 100 -7,8

Fonte: IBGE. Elaboração NEC/FACAMP.

 

Gráfico 1 – Participação setorial no PIB (em %)

Fonte: IBGE. Elaboração NEC/FACAMP.

  • Nova composição da cesta de consumo: principais características

A crise sanitária provocou, de maneira geral, uma mudança na composição da cesta de consumo das famílias. Impulsionado pelo AE (e outras medidas emergenciais), o gasto das famílias se concentrou especialmente em bens de consumo não-duráveis (alimentos e bebidas) e duráveis (com destaque para os materiais de construção e para os móveis), em detrimento dos setores ligados aos serviços, em especial os serviços de alojamento e alimentação. Esse comportamento transpareceu nos dados do varejo ampliado e da indústria (Gráficos 2 e 3). Alguns subsetores (alimentos, bebidas, produtos farmacêuticos, móveis e materiais de construção) apresentaram, inclusive, desempenho superior ao período pré-pandemia.

Quais são os possíveis limites desse novo arranjo? Os dados de endividamento das famílias em relação à renda estão em níveis elevados, comprometendo a continuidade da recuperação nos próximos meses (Gráfico 4). Ademais, os gastos com cartão de crédito se recuperam mais lentamente em relação aos níveis pré-pandemia (especialmente o cartão de crédito parcelado e rotativo) (Gráfico 5). Tal fato indica dois possíveis diagnósticos. O primeiro relaciona o desempenho dos gastos com cartão de crédito à queda da massa de rendimentos – que será analisada nas seções subsequentes. O segundo conecta esses resultados a uma possível demanda reprimida, ou seja, uma restrição no consumo justificada pelos efeitos da crise sanitária. Conforme relatório do Banco Central do Brasil (BCB) (2020), que analisou os gastos com cartão de crédito entre março e setembro, o primeiro efeito supracidado é chamado de “precaucional”, enquanto o segundo é chamado de “efeito circunstancial”.  De acordo com o relatório, o efeito circunstancial foi preponderante no começo da pandemia, por conta da quarentena, reduzindo sua importância em relação ao efeito precaucional conforme as medidas de flexibilização avançaram. Por outro lado, o efeito precaucional se manteve constante no período citado, indicando a permanência da incerteza em relação ao futuro do mercado de trabalho e da renda. É pouco provável, portanto, que o gasto com cartão de crédito se acelere em 2021 por meio da demanda reprimida (que já está em ação, dada a redução do efeito circunstancial). Assim, o consumo das famílias dependerá muito mais da redução do efeito precaucional, algo incerto, dada a reação tímida e lenta do mercado de trabalho.

Gráfico 2 – Varejo ampliado – com ajuste sazonal (2012 = 100)

 

Fonte: PMC/IBGE. Elaboração NEC/FACAMP

 

Gráfico 3 – Produção Industrial – com ajuste sazonal (2012 = 100)

Fonte: PIM-PF/IBGE. Elaboração NEC/FACAMP.

 

Gráfico 4 – Endividamento das Famílias com o SFN em relação à renda acumulada nos últimos doze meses (%)

Fonte: BCB. Elaboração NEC/FACAMP.

 

Gráfico 5: Saldo da carteira de crédito com recursos livres pessoas físicas

Fonte: BCB. Elaboração NEC/FACAMP

 

  • FBCF: recuperação em ambiente de incerteza

 

O setor de máquinas e equipamentos também apresentou resultado expressivo, que se refletiu no desempenho da FBCF no terceiro trimestre (crescimento de 11,0 % na margem). Esse comportamento do investimento é explicado em parte pela resposta dos empresários em relação ao aumento da demanda em alguns setores, principalmente aqueles com elevada utilização de capacidade instalada, e pela reação da construção civil (Tabela 2). Vale ressaltar uma mudança na composição entre máquinas e equipamentos nacionais e importadas, por conta da expressiva desvalorização cambial no período. Conforme ABIMAQ (2020), as máquinas nacionais reconquistaram maior espaço no consumo aparente (produção doméstica destinada ao mercado interno mais importações), alcançando 52% do consumo contra 48% das importações em outubro.

 

Tabela 2 Indicador IPEA de FBCF (variação % na margem)

jul/20 ago/20 set/20 III Trimestre
FBCF 5,9 2,2 3,5 16,3
   Máquinas e Equipamentos 8,7 1,4 4,3 9,7
       Nacionais 17,3 1,9 2,0 50,7
       Importados -6,5 0,8 30,1 -41,0
   Construção Civil 3,4 3,6 2,0 18,4
   Outros 7,1 -0,9 -1,5 7,5

Fonte: IPEA. Elaboração NEC/FACAMP .

NOTA: Série dessazonalizada.

 

No entanto, a continuidade dos investimentos certamente depende do ambiente de confiança empresarial, que tem se mostrado mais hesitante nos últimos meses de 2020[3]. Esta redução da confiança empresarial pode significar um simples movimento de acomodação depois de uma sequência de elevação que possibilitou o retorno do índice ao nível pré-pandemia, mas também um importante reflexo do ambiente de incerteza quanto aos desdobramentos da crise sanitária e econômica ainda fortemente presentes no final de 2020.

Cabe lembrar que a indústria se destaca com níveis de confiança ainda crescentes, embora com evidentes traços de desaceleração. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), também publicado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre), tem sustentado crescimento desde maio de 2020, tendência que se manteve no terceiro trimestre de 2020, quando se observou um acréscimo de 16,9 pontos, saindo de 89,8 em julho para 106,7 em setembro. O ICI continua a crescer no último trimestre de 2020. O resultado preliminar para o mês de dezembro encontra-se em 114,6, de acordo com a prévia da Sondagem da Indústria (dez./2020), com aumento de 7,9 pontos na comparação com setembro de 2020. A se confirmar o ICI para o mês de dezembro, ele será o maior valor desde junho de 2010. No entanto, a comparação mensal vem mostrando a desaceleração do crescimento do ICI desde julho, o que revela uma evidente perda de fôlego da confiança do empresariado industrial no segundo semestre de 2020, em contexto de forte incerteza diante do agravamento da pandemia e da crise econômica.

Por fim, o Nível de Utilização da Capacidade (NUCI – FGV), que chegou a níveis de 2015 nos últimos meses, também mostra sinais de desaceleração. No mês de dezembro, o NUCI sofreu queda de 0,6 pontos percentuais (p.p), alcançando 79,1%. Considerando a média móvel trimestral, o indicador ainda mostra avanço pelo sexto mês consecutivo, de 79,2% para 79,5%.

 

 

  • Mercado de trabalho: recuperação lenta e concentrada na informalidade

 

Conforme previsto em nosso último relatório trimestral, a recuperação do mercado de trabalho é lenta, não acompanhando, portanto, a retomada da atividade econômica. Esse comportamento já era esperado por parte dos analistas, por conta dos efeitos adversos da pandemia, que dificultam a absorção das pessoas que voltaram a procurar emprego depois da flexibilização da quarentena. Entretanto, a extensão dessa recuperação e a capacidade de absorção do contingente desocupado ainda são incertos e dependem, em última instância, dos fatores estruturais que regem o mercado laboral brasileiro.

No período que precede à crise sanitária, as condições do mercado de trabalho já haviam se deteriorado significativamente. Enquanto a população em idade para trabalhar e Força de Trabalho cresceram em média 1,2% e 1,5% ao ano (a.a), respectivamente, o número de ocupados cresceu apenas 0,4% a.a., e a população desocupada, 13,4% a.a.. Já o avanço da Força de Trabalho Potencial foi ainda mais pronunciado (14,3% ao ano), sendo composta pelo crescimento de 26,1% das pessoas em Desalento[4] e de 1,4% dos Indisponíveis[5]. Ou seja, após a depressão de 2015-2016, após a letargia econômica de 2017 e 2018 e após a ligeira melhora no ano de 2019, pode-se afirmar que no início de 2020 ainda vigorava um baixo dinamismo do mercado de trabalho. E que foi ainda mais afetado pela crise sanitária.

De fato, a pandemia tornou o cenário acima ainda mais dramático, como relatado em outros estudos do NEC-FACAMP. As restrições da crise sanitária impulsionaram o número de pessoas fora da força de trabalho (-2,3%, ou 9,8 milhões de pessoas) e na força de trabalho potencial (em especial, os indisponíveis). Assim, as pessoas que se declaravam desocupadas ou que perderam seus empregos a partir de março deixaram de procurar trabalho ou se tornaram indisponíveis por conta da pandemia. Neste contexto, a taxa de desemprego perdeu relevância como único termômetro do mercado de trabalho.

Com a flexibilização da quarentena no terceiro trimestre, essas distorções foram em parte reduzidas, mediante aumento da força de trabalho (+1,4 milhões entre julho e agosto) e redução dos indisponíveis. No entanto, apenas uma parte deste contingente foi absorvida de fato no mercado de trabalho, contribuindo para o aumento do número de desocupados e, consequentemente, da taxa de desocupação, que saltou de 13,3% no segundo para 14,6% no terceiro trimestre de 2020.

Conforme mencionado, as limitações impostas pela crise sanitária, somadas aos efeitos da crise econômica, contribuem para as dificuldades na absorção das pessoas que voltaram a procurar trabalho na retomada da atividade econômica. De acordo com a Tabela 3, o setor de serviços, responsável pela maioria das ocupações, e o comércio lideraram a queda na taxa de ocupação. Tal resultado reflete não apenas as restrições impostas pela pandemia, mas também revela que a recente (e provavelmente efêmera) recuperação verificada em alguns setores (em especial do varejo) não se traduziu em aumento nas ocupações. Há três possíveis razões para esse fato: concentração da recuperação no e-commerce, que demanda menos trabalho; maior incerteza em relação à continuidade da recuperação, impactando a decisão de gastos do empresariado; e fechamento de pequenas e médias empresas, responsáveis pelo dinamismo no mercado de trabalho brasileiro nos últimos anos.

 

Tabela 3 – Análise da ocupação por setor de atividade (em %)

 Setores Formal Informal Empregador Total dos ocupados
Agropecuária Participação III Tri 20 20,9 61,8 3,5 10,0
Variação III Tri 20/III Tri 19 0,0 -5,7 -2,3 -2,7
Indústria Participação III Tri 20 68,5 25,2 3,8 13,0
Variação III Tri 20/III Tri 19 -8,4 -20,3 -15,7 -12,0
Construção Participação III Tri 20 28,1 66,9 4,5 7,0
Variação III Tri 20/III Tri 19 -14,4 -17,1 -23,0 -17,0
Comércio Participação III Tri 20 56,5 31,5 9,5 18,0
Variação III Tri 20/III Tri 19 -9,6 -21,6 -7,7 -14,0
Serviços Participação III Tri 20 41,7 34,7 3,4 52,0
Variação III Tri 20/III Tri 19 -11,0 -21,8 -13,5 -13,0

Fonte: PNAD IBGE. Elaboração NEC/FACAMP.

 

Além das dificuldades conjunturais, as perspectivas de recuperação do mercado de trabalho esbarram nas fragilidades estruturais, que caracterizaram o baixo crescimento médio da ocupação entre 2014 e 2020. Tais fragilidades ganharam espaço não apenas com o avanço da desindustrialização, mas também com o crescimento da informalidade (especialmente os trabalhadores “conta-própria”), da “pejotização” no mercado de trabalho e da subutilização da força de trabalho, impulsionados pela reforma trabalhista. Assim, as vagas formais perdem gradualmente relevância no dinamismo do mercado de trabalho, dando espaço para informalidade e para a subocupação e, consequentemente, estabelecendo uma maior volatilidade da ocupação em relação aos ciclos econômicos.

Essa tendência se reforçou ao longo da pandemia. Conforme a Tabela 3, a informalidade liderou a queda nas ocupações, em comparação ao mercado formal, em todos os setores de atividade. Ademais, a recuperação do mercado de trabalho no terceiro trimestre, em relação ao trimestre anterior, também foi puxada pelas vagas informais, explicitando a volatilidade característica deste tipo de ocupação (Gráfico 6). Esse comportamento também foi observado na massa de rendimentos. Vale ressaltar, conforme o Gráfico 7, o maior protagonismo dos rendimentos do setor informal a partir da retomada da economia em 2017, suportando a análise estrutural acima realizada.

 

Gráfico 6 – Criação líquida mensal de vagas formais e informais no mercado de trabalho brasileiro, entre os trimestres findos em julho de 2019 e setembro de 2020

Fonte: PNAD IBGE. Elaboração NEC/FACAMP

 

Gráfico 7 –  Evolução da massa real de rendimentos* dos ocupados. Trimestres móveis de jan/2016 a set/2020,  a preços do último mês

Fonte. PNAD Contínua Mensal. Elaboração NEC/FACAMP.

*segundo o rendimento médio real habitualmente recebido por mês, pelas pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, com rendimento de trabalho

 

O cenário sugere, portanto, que a atual dinâmica do mercado de trabalho brasileiro oferece limites para a recuperação da renda, muito além dos limites conjunturais impostos pela pandemia. Neste contexto, a manutenção do AE, ou de outro programa de renda básica substituto, se torna ainda mais crucial para compensar, ainda que parcialmente, as perdas na massa de rendimentos gerados por essa nova estrutura que reforça ainda mais a tendência à informalidade. Conforme a Tabela 4, ao menos um benefício social alcançou 47,5% dos domicílios brasileiros em setembro.

A redução do auxílio emergencial desde setembro afetou decisivamente, portanto, o consumo desses domicílios. Em pesquisa recente, o Datafolha revelou que 75% dos beneficiários diminuíram a compra de alimentos, enquanto 55% reduziram a compra de remédios. Diante desses dados, o encerramento do auxílio emergencial em 31 de dezembro de 2020 não se justifica, já que a recuperação da atividade econômica não se converteu em recuperação das ocupações e, consequentemente, da massa de rendimentos. O fim do auxílio se traduzirá, portanto, em queda da atividade econômica e aumento da pobreza extrema e da miséria no país em 2021.

 

Tabela 4 – Domicílios particulares permanentes com recebimento de benefícios sociais (proporção % do total de domicílios)

Maio Junho Julho Agosto Setembro
    Auxílio Emergencial 38,7 43,2 44,4 44,3 44,0
Seguro Desemprego 2,2 2,2 2,4 2,2 2,1
Bolsa Família 9,1 5,8 4,6 3,9 3,5
    BPC 2,5 2,6 2,8 2,8 2,9
Ao menos um dos Benefícios listados* 42,7 46,7 48,0 47,8 47,5

Fonte: PNAD COVID19/IBGE. Elaboração NEC/FACAMP.

* Recebimento do auxílio emergencial ou Seguro Desemprego ou BPC ou Programa Bolsa Família.

 

  • Inflação: o papel das fragilidades estruturais e do setor externo

 

A perspectiva de aumento da pobreza se torna ainda mais preocupante com o avanço da inflação nos últimos meses. Segundo o IBGE, o IPCA (Tabela 5) de 2020 registrou uma alta de 3,1% no acumulado do ano até novembro e de 4,3% no acumulado em 12 meses. Alimentação e bebida, que compõem aproximadamente 20% do índice e afetam sobretudo as classes mais baixas, puxam essa alta com um crescimento de 12,1% no acumulado do ano. Na sequência, outros itens que apresentaram aumento foram os artigos de residência (4,1%), comunicação (3%) e habitação (2,3%). Entretanto, vestuário e transportes acumularam queda de 1,7% e 0,3%, respectivamente.

 

Tabela 5 IPCA acumulado no ano (janeiro a novembro de 2020)

Itens Variação

Acumulada no Ano (%)

Índice geral 3,1
Alimentação e bebidas 12,1
Artigos de residência 4,2
Comunicação 3,0
Habitação 2,3
Saúde e cuidados pessoais 1,1
Educação 0,6
Despesas pessoais 0,4
Transportes -0,3
Vestuário -1,7

Fonte: IPCA – IBGE. Elaboração NEC/FACAMP.

 

Algumas causas podem ser levantadas: primeiro, na economia doméstica e internacional, há um descompasso de demanda e oferta nas cadeias produtivas de alguns setores, gerando gargalos de insumos e a impossibilidade de aumento de oferta no curto-prazo; segundo, há um aumento de preços internacionais de alguns bens, especialmente commodities; terceiro, o efeito da transmissão da desvalorização cambial aos bens comercializados no país. De natureza interna, veicula-se também a ideia segundo a qual haveria uma pressão de demanda por alimentos, decorrentes do auxílio emergencial. Não raro, esses movimentos são complementares, como no caso do aumento do preço do arroz, em que houve deslocamento da produção interna para exportação, em virtude da maior competitividade dos produtos nacionais decorrente da desvalorização cambial.

O Índice de Preços de Commodities do FMI indica, no agregado, um aumento de 3,7% dos preços internacionais entre janeiro e novembro de 2020. Entretanto, o resultado é bastante variado quando se observam os índices individuais: os preços dos metais (25,6%), de insumos industriais (21,3%), de alimentos (7,6%) e de produtos agrícolas (7,5%) registraram altas consideráveis. Por outro lado, os preços relacionados à energia tiveram queda de 9,2%, apesar do aumento de 65,7% do gás natural.

 

Tabela 6 Índices de Preços de Commodities (FMI)

Índice Variação

Jan-Nov (%)

Índice Geral 3,7
Gás Natural 65,7
Propano 37,8
Metais 25,6
Materiais industriais 21,3
Metais preciosos 15,0
Não-combustíveis 12,6
Alimentos e Bebidas 6,9
Fertilizantes -1,8
Energia -9,2
Carvão -13,8
Petróleo -23,4

Fonte: PCPS – FMI. . Elaboração NEC/FACAMP.

Tendo isso em vista, este estudo busca compreender o processo de aumento de preços utilizando dados de valor e quantidade das importações e exportações, fornecidos pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Foi criado um índice de valor médio por kg importado/exportado em real (VmKg_R$), a partir da razão entre o Valor FOB em dólar de cada período e a quantidade em kg importada/exportada. Os valores em dólares foram, então, convertidos para a moeda brasileira pela taxa de câmbio nominal média de janeiro a outubro de 2020, fornecida pelo FMI.

As tabelas abaixo apresentam os valores em termos de Grandes Categorias Econômicas (CGCE) e mostram a participação (%) de cada uma delas no total.  Espera-se, assim, captar o impacto dos preços dos produtos importados sobre o produtor nacional.

A Tabela 7 apresenta os resultados obtidos depois de extraídas as taxas de variação do VmKg entre janeiro e outubro de 2020 em dólar e em real. O valor em dólar apresentou aumento em 4 das 19 categorias analisadas, sendo seu aumento mais expressivo nos equipamentos de transporte não industrial (35,8%), seguido de peças e acessórios para bens de capital (19,6%) e alimentos e bebidas básicos e elaborados, destinados à indústria (9,3% e 7,4%, respectivamente). Entretanto, o total geral registrou uma queda de aproximadamente 25% nos preços.

Tomando apenas produtos alimentícios por Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), aqueles com maior participação nas importações apresentaram altas expressivas em seus valores médios em real, na comparação entre outubro e janeiro de 2020, tais como azeite de oliva (26%), preparados para rações (67,8%), batatas (23,7), leite integral (30,8%) e arroz (62,8%).

Considerando o efeito da desvalorização cambial, 14 dos 19 setores apresentaram aumento. Mesmo a queda do preço médio em dólar não foi capaz de contrarrestar o efeito da perda de valor da moeda brasileira ao longo do período. Por suposto, os setores que apresentaram os maiores aumentos foram aqueles que sofreram maior elevação dos preços em dólar, revelando uma expansão adicional de preço ao consumidor nacional.

A Tabela 8 apresenta os mesmos resultados para as exportações. O aumento do preço médio do kg exportado em real se deu em 15 das 19 categorias. Um ponto relevante a se observar é que o valor exportado em dólar no acumulado do ano (última coluna da tabela) apresentou aumento nas 4 categorias de alimentos, em relação ao mesmo período de 2019. Concomitantemente, os alimentos apresentaram uma variação do seu preço médio exportado em real bastante expressiva, capaz de reverter a possível queda de preço em dólar. Além dessas categorias, apenas insumos industriais elaborados registraram aumento (0,9%) do seu valor exportado.

Com relação aos produtos exportados por NCM, os alimentos com maior participação, tais como soja, açúcares, carnes bovinas, milho em grão e café torrado, que juntos somam mais de ¼ das exportações, apresentaram aumento médio do seu preço de 30,4%, entre janeiro e outubro de 2020.

Assim, as causas da inflação recente refletem muito mais a composição estrutural do setor produtivo brasileiro do que pressões de demanda. A pandemia explicitou a reorientação cada vez maior do agronegócio ao mercado externo – impulsionada pela crise brasileira iniciada em 2014 – e a dependência crescente dos insumos importados para a indústria da transformação. Assim, a dinâmica dos preços da cesta de consumo das famílias é cada vez mais condicionada por fatores externos e, consequentemente, pela taxa de câmbio.

Há, portanto, uma enorme pressão estrutural para que esses maiores preços ao produtor (medidos, por exemplo pelo IPP, cujo crescimento acumulado entre janeiro e outubro de 2020 já era de 16%[6]) sejam repassados ao varejo com mais força ao longo de 2021. Estimamos, portanto, que haja um possível aumento do IPCA ao longo do próximo ano, onerando ainda mais os domicílios afetados pelo desemprego, pela informalidade e pela redução dos rendimentos médios, inclusive por causa do fim do AE.

 

Tabela 7 Valor Médio do Quilograma das Importações, por Grandes Categorias Econômicas (CGCE)

Grandes Categorias Econômicas (Nível 3)  Variação

VmKg_USD jan/20 (%)

Variação

VmKg_R$ out/20 (%)

 Participação 2019

(%)**

 

Participação 2020

(%)**

Variação

USD (%)

Alimentos e bebidas básicos, destinados principalmente à indústria 9,3 48,3 1,2 1,5 -7,1
Alimentos e bebidas elaborados, destinados principalmente à indústria 7,4 45,7 0,9 1,1 -3,1
Automóveis para passageiros -2,5 32,3 1,8 1,1 -51,5
Bens de consumo duráveis – exceto equipamentos de transportes -9,7 22,4 1,1 1,0 -31,7
Bens de consumo não duráveis -16,4 13,5 4,8 5,3 -17,1
Bens de consumo semiduráveis -12,8 18,3 2,8 2,7 -25,9
Equipamentos de transporte industrial 3,7 40,6 2,2 2,0 -31,8
Insumos industriais básicos -4,8 29,2 1,8 1,5 -37,6
Insumos industriais elaborados -17,9 11,4 38,6 39,6 -22,5
Peças e acessórios para bens de capital 19,6 62,2 12,0 13,1 -17,9
Total Geral -25,0 1,8 100,0 100,0 -15,9

Fonte: MDIC. Elaboração NEC/FACAMP.

*Valores em vermelho representam aumento no valor do quilograma médio

**Valores acumulados no ano (de janeiro a outubro).

 

Tabela 8 Valor Médio do Quilograma das Exportações, por Grandes Categorias Econômicas (CGCE)

Grandes Categorias Econômicas (Nível 3) Variação VmKg_USD jan/20 (%) Variação VmKg_R$ out/20 (%) Participação 2019 (%)** Participação 2020

(%)**

Variação

USD (%)

Alimentos e bebidas básicos, destinados principalmente à indústria -13,3 17,6 17,7 21,1 9,9
Alimentos e bebidas básicos, destinados principalmente ao consumo doméstico 10,3 49,7 0,7 0,8 1,8
Alimentos e bebidas elaborados, destinados principalmente à indústria -13,5 17,3 3,1 5,1 52,3
Alimentos e bebidas elaborados, destinados principalmente ao consumo doméstico -20,3 8,1 8,6 9,6 3,2
Automóveis para passageiros 2,4 38,9 1,6 1,1 -38,7
Bens de capital (exceto equipamentos de transporte) -10,6 21,2 4,8 2,4 -53,2
Bens de consumo não duráveis -16,6 13,1 0,9 0,9 -5,8
Equipamentos de transporte industrial 58,7 115,3 2,3 1,7 -32,5
Insumos industriais básicos 22,7 66,5 14,7 16,1 0,9
Insumos industriais elaborados 1,8 38,1 25,2 23,7 -13,4
Peças e acessórios para bens de capital 0,5 36,3 1,8 1,5 -23,3
Total Geral -2,2 32,7 100,0 100,0 -7,9

Fonte: MDIC. Elaboração NEC/FACAMP.

*Valores em vermelho representam aumento no valor do quilograma médio

**Valores acumulados no ano (de janeiro a outubro

 

  1. Perspectivas: ausência de planejamento e economia à deriva

 

Os limites da retomada da atividade econômica elencados neste texto ameaçam não apenas a reversão da “recuperação em V”, mas também uma crise social de grandes proporções. Neste contexto, além da manutenção (com redução gradual ao longo da recuperação) do AE e de medidas emergenciais ligadas ao crédito, faz-se necessário um programa de investimentos públicos, acompanhado de uma ampla oferta de financiamento de curto e longo prazo, capitaneada pelo BNDES. Por meio dessas medidas, o Estado assumiria a coordenação e a liderança da retomada, reduzindo a incerteza dos empresários e das famílias e estimulando, assim, a geração de emprego e renda de forma sustentável.

Esse maior protagonismo da política fiscal foi defendido inclusive por organismos multilaterais (por exemplo, o Fundo Monetário Internacional) e instituições privadas e públicas dos países desenvolvidos (como o Federal Reserve nos Estados Unidos). No caso brasileiro, embora defenda a preservação do Teto de Gastos, o FMI (2020) recomenda o uso de estímulos fiscais se as condições econômicas não forem restabelecidas. Ou seja, até antigos defensores radicais da austeridade fiscal, como o FMI, compreendem a necessidade de ampliação de gastos públicos ao longo dos próximos anos como forma de combate à recessão que emerge da pandemia.

Porém, o planejamento do governo brasileiro para 2021 vai na contramão das recomendações supracitadas e aposta, novamente, no ajuste fiscal como solução para o enfrentamento definitivo da crise econômica e social. A justificativa para essa opção é melhora na credibilidade do Estado brasileiro, permitindo maior confiança e dinamismo do setor privado. No entanto, mais do que credibilidade, os empresários e consumidores esperam do Estado mais ações concretas de estímulo ao crescimento econômico. Ações que, em nosso entender, viriam de programas bem estruturados de investimento em infraestrutura, de programas de ampliação subsidiada do crédito ao setor privado, e da manutenção (e ampliação) de programas de renda básica que compensassem de forma permanente a reestruturação perversa do mercado de trabalho ensejada pela crise sanitária. Viriam, portanto, do uso sensato, mas decisivo, de políticas fiscais expansionistas, sempre em linha com as ações em larga utilização na maior parte do mundo e preconizadas até pelo FMI, o bastião internacional da austeridade.

O orçamento público de 2021 não aponta, no entanto, para essa direção. Se não, vejamos.

  • Orçamento 2021: fim da crise sanitária, econômica e social?

 

O projeto de lei do orçamento (PLOA) para 2021, apresentado pelo governo federal, propõe uma série de reduções de gastos em comparação a 2018 e 2019, excluindo, portanto, o cenário de continuidade da pandemia no próximo ano. Tais cortes atingiram principalmente as finanças municipais e estaduais, a saúde e os investimentos públicos (Tabela 9).

Em relação aos municípios, há uma redução de 3% prevista nas transferências constitucionais (como, por exemplo, o Fundo de Participação dos Municípios) em comparação a 2018, que já era considerado “um ano ruim” do orçamento federal (Tabela 9). No entanto, essa queda não é compensada por medidas emergenciais, como, por exemplo, o apoio financeiro concedido aos estados e municípios em 2020 (aproximadamente R$ 81 bilhões) e os créditos extraordinários. A ausência de tais compensações em 2021 é relevante, considerando-se as perspectivas de agravamento da pandemia nos próximos meses e a necessidade de um plano de vacinação junto aos estados e municípios.

No que tange às finanças estaduais, a crise impactou de maneira heterogênea os entes subnacionais. Os estados mais dependentes das transferências constitucionais e da arrecadação provenientes da comercialização de commodities tiveram um melhor desempenho na arrecadação, enquanto os estados mais autônomos da federação (como São Paulo e Rio de Janeiro), ancorados pelo setor de serviços e com menor participação das transferências, obtiveram os piores resultados. Pelo lado das despesas, São Paulo e Rio de Janeiro também executaram as piores taxas de investimento público, até 31 de outubro de 2020, por conta da concentração de recursos para o combate à crise sanitária.

Ademais, o cenário de continuidade da crise sanitária no próximo ano – algo considerado como certo entre os especialistas da área – pode se agravar, por conta da redução prevista nos gastos com saúde. De acordo com a proposta do governo, há uma redução de R$ 1 bilhão (em termos reais) nos gastos em 2021 em comparação a 2018, que havia registrado um dos piores orçamentos da saúde na história recente.

Por fim, a previsão para os investimentos públicos também está abaixo do patamar dos anos anteriores. Conforme o Gráfico 8, a estimativa de R$ 25,9 bilhões, se confirmada, representará o menor valor para os investimentos públicos considerando a série histórica de 2006 a 2020. Esse cenário se agrava ainda mais quando se observam as transferências de recursos provenientes de convênios entre União e municípios. De acordo com a proposta do governo, não haverá novos convênios – ou seja, novos investimentos – em 2021, limitando a atuação de prefeitas e prefeitos no primeiro ano de mandato.

 

Tabela 9 Transferências Constitucionais federais enviadas aos Estados e Municípios (R$ milhões/IPCA out 2020)

TRANSFERÊNCIAS aos Governos Subnacionais Realizado 2018 Realizado 2019 Revisada para 2020 PLOA 2021 2021/2018 (%)
         
Cide combustíveis 1.503 876 696 749 -50
Exploração de Recursos Naturais 39.849 41.401 37.054 38.093 -4
Contribuição do Salário Educação 14.134 13.089 12.585 12.555 -11
FPE/FPM/IPI-EE 217.831 228.012 205.761 213.955 -2
Fundos Constitucionais 9.383 10.258 9.246 9.449 1
Demais 1.705 14.160 1.945 2.066 21
TOTAL 284.405 307.796 267.287 276.868 -3

Fonte: SOF e STN/FAZENDA/ME. Elaboração: SOF/FAZENDA/ME; PL Lei Orçamentária Anual 2021, Quadro 9A: Resultado Primário do Governo Central – Financeira.

 

Gráfico 8 Investimentos Governo Federal (R$ milhões/IPCA out 2020)

Fonte: SOF e STN/FAZENDA/ME. Elaboração: SOF/FAZENDA/ME; PL Lei Orçamentária Anual 2021

  • A retomada em 2021: até quando esperar por novos acasos?

 

Diante da ausência da política fiscal anticíclica, as perspectivas de crescimento para 2021 dependerão de possíveis acasos, advindos principalmente da demanda reprimida por conta da pandemia (cuja força dinâmica é questionável, conforme analisado) e do setor externo. Neste último caso, há dois fatores que podem gerar certo dinamismo para 2021. O primeiro relaciona-se com a elevação dos preços das commodities (mencionada acima) e a possibilidade de uma expansão neste setor para 2021[7]. Tal previsão é justificada pela expectativa de recuperação da economia global pós-vacina e de busca por proteção diante da aceleração da inflação. Esse cenário, se confirmado, pode gerar benefícios à balança comercial brasileira e conceder algum dinamismo ao setor exportador, com destaque para a agropecuária. Por outro lado, conforme analisado nas seções acima, a continuidade da elevação dos preços das commodities pode pressionar ainda mais a inflação.

O segundo fator relaciona-se com o influxo de capitais de portfólio, que se acelerou nos últimos meses por conta do otimismo do mercado em relação à possibilidade da vacina e à eleição de Joe Biden nos Estados Unidos (Gráfico 9). Alguns analistas avaliam que esta trajetória irá perdurar no próximo ano[8]. Tal movimento pode contribuir para apreciação do real, segurando possíveis pressões inflacionárias e estimulando, indiretamente, o consumo. No entanto, o caráter instável desses fluxos (que estão em busca de ganhos de curto prazo) pode prevalecer, ampliando a volatilidade dos mercados financeiros e da taxa de câmbio e afetando, consequentemente, a decisão de gasto dos agentes da economia.

Ademais, o desempenho positivo dos fluxos de portfólio convive com a queda dos fluxos de Investimento Direto Externo (IDE), que são mais estáveis e contribuem mais para a geração de emprego e rendo do que os fluxos meramente especulativos de curto prazo. Se essa mudança de composição na conta financeira se confirmar em 2021, a economia brasileira estará mais vulnerável às reversões do ciclo de liquidez internacional, ou seja, mais suscetível a fugas de capitais e a crises de balanço de pagamentos.

Gráfico 9 – Conta financeira – IDE, Portfólio e Empréstimos Externos (fluxos líquidos de entrada – US$ milhões)

Portanto, mesmos os possíveis acasos e milagres, não garantem a continuidade da recuperação em 2021 e podem inclusive contribuir para reversão do crescimento conquistado no segundo semestre de 2020. A ausência de uma âncora para as expectativas dos atores da sociedade deixará provavelmente a economia brasileira à deriva em 2021. A crença no fim da pandemia e nas ocasionais condições externas favoráveis podem não ser suficientes para conferir o dinamismo desejado à atividade econômica.

 

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Referências Bibliográficas:

 

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL (2020) Article IV consultation—press release; staff report; and statement by the executive director for brazil. IMF Country Report No. 20/311, dezembro 2020.

 

BANCO CENTRAL DO BRASIL (2020) Relatório Trimestral de Inflação, dezembro de 2020.

[1] Ver https://www.economist.com/the-americas/2020/12/19/brazil-faces-hard-spending-choices-in-2021

[2] A partir do carry over (carregamento estatístico) verificado pelo ITE/FACAMP de dezembro de 2020.

[3] Por exemplo, o Índice de Confiança Empresarial (ICE), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre ), que consolida os índices de confiança da Índustria, Serviços, Comércio e Construção, caiu 1,9 pontos entre setembro e novembro

[4] Pessoas que não procuraram trabalho por não acreditarem que encontrariam.

[5] Pessoas que buscaram trabalho, mas não se encontravam disponíveis para trabalhar na semana de referência.

[6] IBGE – Índice de Preços ao Produtor

 

[7] Ver https://www.infomoney.com.br/mercados/investidores-apostam-em-commodities-a-espera-de-novo-boom/

[8] Ver https://www.ft.com/content/e12a1eee-2571-4ae5-bc91-cc17ee7f40d0?segmentid=acee4131-99c2-09d3-a635-873e61754ec6

 

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Núcleo de Estudos de Conjuntura da FACAMP
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Pesquisadores
Adriana Marques da Cunha, Beatriz Freire Bertasso, Bento Maia, Camila Veneo, Fernanda Serralha,
José Augusto Ruas, Juliana Filleti, Nathan Caixeta, Ricardo Buratini, Rodrigo Sabbatini,
Saulo Abouchedid e Thiago Dallaverde

Assistentes de Pesquisa
Thais Trombetta
Jaques Gabriel Guedes Videla

Editoração
FACAMP

Como citar este documento
Núcleo de Estudos de Conjuntura (NEC).O Brasil em 2021: esperando novos acasos?.
Campinas: Editora FACAMP, julho de 2020.

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