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Setor externo e consumo das famílias serão os principais termômetros para a indústria nos próximos meses

A queda de 1,3% da indústria em abril, em comparação a março de 2021, ainda reflete os efeitos do recrudescimento da pandemia (e das restrições da quarentena) sobre a atividade econômica, porém em menor intensidade em comparação ao mês anterior. Isso é explicado não apenas pelo relaxamento das restrições da quarentena na segunda quinzena de abril, mas também pelo bom desempenho dos setores de bens de capital e da indústria extrativa e, de maneira geral, pelo movimento de reposição de estoques na indústria. A maior adaptação da indústria à crise sanitária também explica o bom desempenho em comparação à abril de 2020 (+34,7%) e à variação acumulada no ano (+10,5%).

Os principais destaques negativos se concentram no setor de bens de consumo, como fabricação produtos têxteis (-5,4 em relação a fevereiro de 2021), fabricação de couro e artefatos de couro (-8,9) e fabricação de móveis (-6,5%). Tais resultados refletem principalmente o desempenho ruim do consumo das famílias, por conta da piora das condições no mercado de trabalho –  que se manifesta na queda da massa de rendimentos – e da redução das medidas emergenciais de combate à crise sanitária.

O resultado ruim, por sua vez, contrasta com o desempenho positivo do setor de bens de capital (+2,9% em relação a março) e da indústria extrativa (+1,6%). No caso deste último, o crescimento expressivo do preço das commodities (em especial as commodities minerais) e a recuperação de demanda externa explicam o resultado positivo. Em relação à indústria de bens de capitais, o bom desempenho das exportações (em especial para a América Latina e China) e o movimento de reposição de estoque da indústria brasileira são os principais determinantes do bom desempenho do setor.

O grande desafio para o crescimento nos próximos meses, portanto, é a melhora das condições do mercado interno (especialmente do consumo das famílias) para além da reposição de estoques. A perspectiva ruim em relação à renda e o emprego pode frustrar as expectativas dos empresários e, consequentemente, limitar a expansão da indústria em 2021. Neste contexto, a prorrogação das medidas emergenciais de combate à crise, a recuperação do mercado de trabalho e a diminuição da pressão de preços e da escassez de insumos em setores-chave da indústria serão os termômetros para a recuperação nos próximos meses. Por fim, não devemos esquecer que a quebra de importantes elos das cadeias produtivas internas ainda representa o maior o obstáculo estrutural para a retomada sustentável da atividade industrial no país. O esvaziamento do tecido industrial, em curso desde os anos 1990, implica na perda de competitividade estrutural de importantes segmentos industriais, o que, por sua vez, dificulta ainda mais a recuperação do setor em momentos de elevada incerteza.

 

 

Fonte: IBGE. Elaboração NEC/FACAMP

 

Núcleo de Estudos de Conjuntura

Saulo Abouchedid

Juliana de Paula Filleti

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