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Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho – 1o Trimestre/2019

Desemprego das mulheres mantém-se bem maior do que dos homens, e precarização da força de trabalho aumenta.

Daniela Salomão Gorayeb
Georgia Christ Sarris

Juliana de Paula Filleti
Maria Fernanda Cardoso de Melo

A taxa de desocupação das mulheres no 1º. trimestre de 2019 apresentou redução de 0,1 ponto percentual com relação ao mesmo trimestre de 2018, mas permaneceu consideravelmente mais alta do que a dos homens (14,9% das mulheres e 10,9% a dos homens). O número de mulheres ocupadas cresceu 1,9% e o dos homens um pouco menos, 1,1%. Seriam todas boas notícias, não fosse o fato de que a taxa de subocupação subiu nesse período tanto para homens (de 5,7% para 6,1%) como para mulheres (8,2% para 8,9%). Assim como a taxa de desocupação, a taxa de subocupação para as mulheres permaneceu substantivamente maior que a dos homens. A taxa de subutilização da força de trabalho das mulheres, 8,7 pontos percentuais maior do que a dos homens, aumentou consideravelmente, atingindo quase 30% da força de trabalho ampliada das mulheres. Isso porque, embora a taxa de desocupação tenha diminuído, a taxa de subocupação por insuficiência de horas trabalhadas e a taxa de mulheres desalentadas se elevaram. Enfim, os dados do primeiro trimestre de 2019 indicam um aumento da precariedade da inserção das mulheres no mercado de trabalho brasileiro.

Taxas de subocupação, subutilização da FT e desocupação - 1º trim. 2018 e 1º trim. 2019

Taxas de subocupação, subutilização da FT e desocupação - 1º trim. 2018 e 1º trim. 2019 Fonte: Microdados PNAD contínua trimestral – IBGE. Elaboração CPGen.

Cresce número de conta-própria, trabalhadoras informais e empregadoras no 1º trimestre de 2019.

O emprego no setor privado com carteira assinada, mesmo com o crescimento relativo de outras formas de ocupação, continua tendo a maior participação no total das ocupações no Brasil. Na comparação com o 1º. Trimestre de 2018, no primeiro trimestre de 2019, houve decréscimo dessas ocupações para os homens, enquanto para as mulheres houve uma variação positiva (0,9% para as mulheres e -0,6% para os homens). Para as mulheres, dentre as ocupações que mais cresceram destacam-se a de empregadoras (11,9%) e de empregadas no setor privado sem carteira (6,5%). Como o peso das ocupações de emprego sem carteira é maior do que a de empregadoras na estrutura de ocupação das mulheres, a contribuição ao crescimento total das ocupações das mulheres das primeiras foi até um pouco maior (29,2%) do que a das segundas (21,2%). Ainda assim, vale ressaltar que a posição na ocupação que apresentou maior contribuição ao crescimento das ocupações nesse período para as mulheres foi a de Conta-própria (41,7%), cuja taxa de crescimento foi de 4,5% nesse período. As categorias que mais contribuíram na estrutura de ocupações no caso dos homens também foram a de Conta-própria (86,3%) e a de empregado do setor privado sem carteira assinada (34,3%).

Mulheres continuam com rendimentos menores, mesmo com o mesmo nível de escolaridade.

Ao comparar os rendimentos recebidos por homens e mulheres, é possível notar a disparidade ainda existente entre as remunerações das mulheres e a dos homens. O rendimento médio para as mulheres foi de R$2.142,20 enquanto que para os homens foi de R$2.644,60, ou seja, as mulheres recebem, em média, 81% das remunerações dos homens. A persistência dessa diferença está relacionada à maior participação das mulheres em posições mais precárias de emprego e de ocupação, relativamente aos homens. Vale ressaltar que o aumento dos anos de estudo agrava ainda mais essa disparidade. Quanto maior o nível de escolaridade, maior a desigualdade salarial entre gêneros. Mulheres com maior nível de escolaridade chegam a ganhar apenas 64,3% dos rendimentos recebidos pelos homens.

Taxa (%) de contribuição ao crescimento, pessoas ocupadas, 1º trimestre 2019 Fonte: Microdados da PNAD contínua trimestral – IBGE. Elaboração CPGen.

 

Relação dos rendimentos das mulheres e dos homens (%) por nível de escolaridade, 1º trimestre 2019
Fonte: Microdados da PNAD contínua trimestral – IBGE. Elaboração CPGen.

Mulheres são a maioria da Força de Trabalho subutilizada.

A participação das mulheres e homens na População em Idade Ativa (PIA), no 1º. trimestre de 2019, foi de 52,4% mulheres e 47,6% de homens, porcentagens próximas às do total da população brasileira. No entanto, de acordo com a figura abaixo, é possível notar que as mulheres deixam de ser a maioria nas categorias que caracterizam disponibilidade e remuneração no mercado de trabalho, tais como: FT – Força de Trabalho (44,8%) e pessoas ocupadas (43,7%). No entanto, em categorias afastadas ou mais precárias do mercado de trabalho, as mulheres voltam a representar a maioria, principalmente nas categorias que demonstram a subutilização da FT: pessoas subocupadas (53,1%), desocupadas (52,6%) e na Força de Trabalho Potencial – FTP (58,9%). Além disto, as mulheres se aproximam de um terço das pessoas fora da FTP (65,5%) e das pessoas indisponíveis para o trabalho (66,2%). No total de subutilização da força de trabalho (no 1º. Trimestre de 2019 essa soma alcançou 28,3 milhões de pessoas), as mulheres compuseram a maioria (54,5%). Elas também conformam a grande maioria no número de pessoas fora da força de trabalho (64,6% ou um total de 42 milhões de mulheres no período analisado). Esses números denotam que há disparidades importantes na forma de inserção de mulheres e homens em idade ativa em suas diversas categorias no 1º trimestre de 2019.

Composição da População em Idade Ativa (PIA) - 1º trimestre 2019
Fonte: Microdados PNAD contínua trimestral – IBGE. Elaboração CPGen.
Os valores apresentados dentro dos círculos representam o número de pessoas em cada categoria

 

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Expediente
FACAMP Mulheres no Mercado de Trabalho é uma publicação trimestral do CPGen – Centro de Pesquisas de Economia e Gênero da FACAMP que repercute os resultados dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE.
FACAMP é uma faculdade privada fundada em 2000 por João Manuel Cardoso de Mello, Liana Aureliano, Luiz Gonzaga de Melo Belluzzo e Eduardo Rocha Azevedo. Com 100% de Mestres e Doutores, seu curso de Economia recebeu 5 estrelas do Guia do Estudante.

Centro de Pesquisa de Economia e Gênero da FACAMP
cpgen@facamp.com.br

Pesquisadores
Daniela Salomão Gorayeb, Georgia Sarris, Juliana de Paula Filleti e Maria Fernanda
Cardoso de Melo.

Como citar esta nota
GORAYEB, D.; FILLETI, J.; CARDOSO de MELO, M.F. “Boletim Mulheres no mercado de trabalho – 1º trim. 2019”. In FACAMP: MMT. Campinas: Editora FACAMP, volume 01, número 01, maio de 2019. ISBN xxxxxxxxx.