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Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho – 2o Trimestre/2019

Mulheres são maioria na força de trabalho subutilizada e na população fora da força de trabalho.

Georgia Christ Sarris
Daniela Salomão Gorayeb

Juliana de Paula Filleti
Maria Fernanda Cardoso de Melo

A participação das mulheres e homens na População em Idade Ativa (PIA), população com 14 anos ou mais de idade, no 2º trimestre de 2019, foi de 52,5% mulheres e 47,5% de homens, porcentagens próximas às da estrutura populacional brasileira por sexo. No entanto, nota-se que as mulheres deixam de ser a maioria nas categorias que caracterizam a disponibilidade e a remuneração no mercado de trabalho, tais como: FT – Força de Trabalho (45,1%) e pessoas ocupadas (44,1%). As mulheres voltaram a representar a maioria nas categorias que incluem o desemprego e a situação precária no mercado de trabalho: pessoas subocupadas (54,4%), desocupadas (52,8%) e na Força de Trabalho Potencial – FTP (59,9%). Além disso, cerca de dois terços das pessoas fora da FTP (65,2%) e das pessoas indisponíveis para o trabalho (66,8%) são mulheres. No 2º Trimestre de 2019, no Brasil, existiam 28,4 milhões de pessoas cuja força de trabalho estava subutilizada, sendo a maioria mulheres (55,3%). Elas também conformaram a grande maioria no número de pessoas fora da força de trabalho (64,6%) ou um total de 41,8 milhões de mulheres, no período analisado. Esses números denotam que persistem, no 2º trimestre de 2019, as marcantes disparidades na forma de inserção de mulheres e homens em idade ativa em suas diversas categorias.

Brasil: composição da População em Idade Ativa (PIA) – 2º trimestre 2019
Fonte: Microdados PNAD contínua trimestral – IBGE. Elaboração NPeGen.

Aumenta a subocupação e a informalidade no emprego feminino.

Em comparação ao 1º semestre de 2019, observou-se uma pequena redução nas taxas de desocupação, tanto na dos homens quanto na das mulheres. Já no que diz respeito à taxa de subocupação (percentual de pessoas que trabalham menos de 40 horas semanais e que gostariam de trabalhar mais), é possível notar um crescimento mais expressivo para as mulheres (de 0,8 ponto percentual quando comparado com o trimestre anterior) do que para os homens (0,3 ponto percentual). Fica nítido que o crescimento do número de mulheres ocupadas, que se refletiu na moderada queda da taxa de desocupação, ocorreu em ocupações com cargas de trabalho inferiores às desejadas e consideradas suficientes pelas mulheres. Além disso, é possível notar que as taxas de desocupação, de subocupação e de subutilização da força de trabalho feminina são substantivamente superiores às dos homens. A taxa de subutilização da força de trabalho das mulheres, por exemplo, é quase 10 pontos percentuais maior do que a dos homens (29,7% versus 20,6%). Isso mostra como as mulheres continuam sendo mais afetadas pelas condições adversas de um mercado de trabalho com altos níveis de desocupação e de subutilização da mão-de-obra.

Fonte: Microdados da PNAD contínua trimestral – IBGE. Elaboração NPeGen.
Fonte: Microdados da PNAD contínua trimestral – IBGE. Elaboração NPeGen.
Fonte: Microdados da PNAD contínua trimestral – IBGE. Elaboração NPeGen.
Fonte: Microdados da PNAD contínua trimestral – IBGE. Elaboração NPeGen.

Aumenta a informalidade no mercado de trabalho no 2º trimestre de 2019, com o crescimento do emprego sem carteira.

O número de pessoas ocupadas aumentou no Brasil no último trimestre analisado (2,4% para as mulheres e 1,0% para os homens). Dentre as formas de ocupação que mais cresceram nesse período, para as mulheres, destacamse aquelas oferecidas pelo setor público, sobretudo a de emprego sem carteira assinada (19,1%). O emprego sem o registro também se elevou no setor privado (4,9%). Se somados esses empregos gerados sem carteira assinada ao crescimento do número de mulheres ocupadas por conta-própria (3,5%) – uma forma de ocupação que também é caracterizada pela intensa informalidade – e considerando o peso dessas categorias na estrutura de ocupações das mulheres, observa-se que mais de 70% do crescimento da ocupação nesse período foram oriundos dessas três categorias. Além disso, também houve um aumento do trabalho doméstico sem carteira assinada, com uma contribuição de 13% do crescimento das mulheres ocupadas. Ao mesmo tempo, vale registrar queda da participação da categoria de empregadores (-1,5%), sendo essa mais acentuada para as mulheres (-4,1%).

Constata-se, portanto, que embora tenha havido um crescimento do número de ocupações para as mulheres, com efeito positivo sobre a diminuição da taxa de desocupação, observou-se que um número importante dessas novas formas de trabalho encontrouse à margem da legislação trabalhista, provocando um aumento da informalidade do mercado de trabalho brasileiro. A elevação do número de mulheres nesses tipos de ocupação guarda coerência com o crescimento da taxa de subocupação das mulheres no 2º trimestre de 2019 e da persistência de alta taxa de subutilização da força de trabalho feminina.

 

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Expediente

FACAMP Mulheres no Mercado de Trabalho é uma publicação trimestral do NPEGen – Núcleo de Pesquisas de Economia e Gênero da FACAMP que repercute os resultados dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE.
A FACAMP é uma faculdade privada fundada em 2000 por João Manuel Cardoso de Mello, Liana Aureliano, Luiz Gonzaga de Melo Belluzzo e Eduardo Rocha Azevedo. Com 100% de Mestres e Doutores, seu curso de Economia recebeu 5 estrelas do Guia do Estudante.

Núcleo de Pesquisa de Economia e Gênero da FACAMP
npegen@facamp.com.br

Pesquisadores
Daniela Salomão Gorayeb, Georgia Christ Sarris, Juliana de Paula Filleti e Maria Fernanda Cardoso de Melo.

Como citar esta nota
GORAYEB, D.; SARRIS, G. C; FILLETI, J.; CARDOSO de MELO, M.F. “Boletim Mulheres no
mercado de trabalho – 2º trim. 2019”. In FACAMP: MMT. Campinas: Editora FACAMP,
volume 01, número 02, agosto de 2019.

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