Av. Alan Turing, nº 805 - Barão Geraldo – Campinas

Boletim Mulheres Negras no Mercado de Trabalho – 1º trimestre de 2021

Sumário executivo

O Boletim das Mulheres Negras no Mercado de Trabalho é uma publicação trimestral do NPEGen com o objetivo de analisar os dados relativos à inserção das mulheres negras no mercado de trabalho, a partir dos microdados da PNAD contínua do IBGE.

Neste número são apresentados os dados referentes ao 1º trimestre de 2021. Ressalta-se que o ano de 2020 foi marcado por uma crise sanitária somada à crise econômica que vigorava desde 2015[1], de tal forma que o 1º trimestre de 2021 ainda reflete os efeitos gerados pelo contexto socioeconômico particular. Os destaques deste número foram:

  • O número de desempregados atingiu seu ápice desde o início da série história da PNAD contínua, sendo puxado pelo crescimento do número de mulheres negras a procura de emprego. O fim do auxílio emergencial no início de 2021, após já ter sido reduzido pela metade a partir de setembro de 2020, somado a um cenário de grave crise, fez com que muitas pessoas, que antes puderam manter o isolamento e preservar suas vidas, tivessem que retornar ao mercado de trabalho, buscando uma vaga, mesmo sem conseguir encontrá-la, o que foi corroborado pela redução na indisponibilidade no trimestre, após uma trajetória de considerável aumento no último ano.
  • As mulheres negras foram a maioria na desocupação, na subocupação e na subutilização da força de trabalho ampliada, mostrando que a sua inserção no mercado de trabalho foi mais precária do que a dos demais grupos considerados (homens negros e mulheres e homens brancos).
  • O trabalho doméstico mostra-se tipicamente feminino e negro. As mulheres representaram 93,2% do trabalho doméstico sem carteira, sendo 61,6% mulheres negras.
  • A remuneração das mulheres negras foi sempre inferior à dos demais grupos, mesmo com o aumento da escolaridade ou do cargo ocupado. A única situação na qual as mulheres negras auferiram rendas superiores às dos homens negros foi nas forças armadas.

O cenário é de extrema desigualdade e vulnerabilidade, sendo imperioso que políticas públicas sejam ativadas para minimizar e superar a situação precária em que a maior parte das mulheres negras vive no mercado de trabalho.

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Introdução

O Boletim Mulheres Negras tem por objetivo a apresentação e análise dos dados trimestrais da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao mercado de trabalho e sob um recorte de raça e gênero, com a preocupação de jogar luz e realizar o acompanhamento da realidade vivenciada pelas mulheres negras no acesso às vagas de emprego e a outras formas de ocupação, salientando as suas formas de participação em comparação com a de outros grupos sociais (mulheres brancas, homens negros e homens brancos). Por ser um boletim de caráter conjuntural, a análise é focalizada nos dados do último trimestre disponível, comparado com o mesmo trimestre do ano anterior e com o trimestre imediatamente anterior a ele.

Neste Boletim, o foco está no 1º trimestre de 2021 e no seu cotejamento com o 1º trimestre de 2020 e com o 4º trimestre de 2020. Vale ressaltar que o ano de 2020 foi marcado por uma crise sanitária, ocasionada pela intensa disseminação do coronavírus, somada a uma crise econômica que vigorava desde 2015.  Essa conjunção de crise econômica e sanitária ainda é observada para o 1º trimestre de 2021, com fortes reflexos sobre a população negra, em especial, sobre as mulheres negras. Nesse período, registrou-se o maior número de pessoas desocupadas desde o início da série histórica da PNAD Contínua no Brasil, com forte peso do desemprego das mulheres negras. Nesse sentido, vale lembrar as palavras de Gonzalez (2020):

Em um país onde, em termos de mercado de trabalho, a procura é maior do que a oferta e onde existe uma divisão racial do trabalho, a situação da juventude negra é, obviamente, a do setor mais atingido pelo desemprego aberto ou disfarçado.

Com essa finalidade, este Boletim está organizado da seguinte forma. Além dessa introdução e das considerações finais, a análise se divide em 6 seções. A primeira apresenta a classificação da população em idade ativa[2] comparando inicialmente as populações negra[3] e branca[4] sem o enfoque de gênero. A partir da segunda seção, então, a análise recai sobre as mulheres negras, objeto de estudo do Boletim. Esse grupo passa a ser analisado e comparado com os demais, mostrando as divergências mais relevantes em cada etapa. A terceira seção exibe os motivos pelos quais as pessoas se declararam indisponíveis para o mercado de trabalho, categoria em que as mulheres negras figuram como grande maioria. A quarta seção destaca as taxas do mercado de trabalho que são formadas a partir das categorias da PIA, quais sejam, as taxas de participação, de desocupação, de subocupação, de subutilização e percentual de desalentados. Na quinta seção são apresentadas as posições na ocupação, considerando sua cor e gênero. A última seção exibe uma comparação dos rendimentos das mulheres negras, com alguns recortes específicos, tais como nível de instrução e idade.

1. CATEGORIAS DA POPULAÇÃO EM IDADE ATIVA (PIA)

No 1º trimestre de 2021, a população brasileira estimada foi de 212 milhões de habitantes, de acordo com os dados da PNAD Contínua do IBGE, com a seguinte subdivisão de cor ou etnia: população negra representou 54,5% do total, sendo 45,9% de cor parda e 8,7% de cor preta; a população branca declarada foi de 45,2%, sendo 44,4% de cor branca e 0,7% de cor amarela; a população indígena representou 0,3% do total da população e pessoas sem declaração de cor, 0,03%.

Tabela 1 – Brasil: População total, segundo cor ou raça (em mil pessoas; participação percentual) – 1º trimestre 2021

População (em mil pessoas) Participação (%)
Brasil 212.040 100,0
   População negra 115.629 54,5
     Preta 18.346 8,7
     Parda 97.283 45,9
   População branca 95.749 45,2
Branca 94.187 44,4
Amarelos 1.562 0,7
Indígenas 607 0,3
Outros 54 0,03

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

A seguir, busca-se comparar a inserção numérica da população de cor negra com a de cor branca nas categorias da PIA.

Há duas subdivisões da PIA: a população na força de trabalho (FT) – pessoas que estavam ocupadas[5] ou desocupadas[6] no período de referência da pesquisa – e a população fora da força de trabalho (FFT) – pessoas que não estavam ocupadas ou desocupadas na semana de referência da pesquisa. As pessoas que estão FFT estão subdivididas, por sua vez, em outras duas categorias: as pessoas na força de trabalho potencial (FTP) e as pessoas fora da força de trabalho potencial (fora da FTP).

Gráfico 1 – Brasil: Composição da População em Idade Ativa (PIA) da população negra e da população branca (em mil pessoas; participação percentual) – 1º trimestre de 2021

A população negra correspondeu à maioria da PIA, 54,0%, um pouco menor do que a sua participação no total da população brasileira, denotando, possivelmente, uma menor longevidade em comparação com a população branca. Da subdivisão das categorias da PIA, observou-se que a parcela da população negra que esteve na FT é maior do que à que esteve na FFT (tabela A do anexo).

Além disso, a população negra, que representou 54,0% da PIA, correspondeu a 54,2% da FT e a 53,8% da população FFT no 1º trimestre de 2021, enquanto a população branca apresentou uma participação de 46,0% na PIA, 45,8% na FT e 46,2% FFT. Assim, a FT foi, proporcionalmente, mais relevante para as pessoas negras do que o foi para as pessoas brancas e o inverso com relação à população FFT, sendo mais significante para a população branca do que para a negra.

A alta participação da população negra na FT, deveu-se à sua enorme representatividade entre as pessoas desocupadas (63,2%). Na população ocupada, sua participação é bem menor (52,7%) e menor, inclusive, do que a sua participação na PIA, mostrando uma dificuldade relativamente maior para encontrar empregos do que a população branca, cuja participação foi de 47,3% entre as pessoas ocupadas e 36,8% entre as desocupadas.

Nas categorias das pessoas FFT, observou-se que a população negra figurou em maior número do que a branca relativamente mais na força de trabalho potencial (FTP) (65,7%) do que entre aquelas que estão fora da força de trabalho potencial (FFTP) (51,7%). Na FTP a participação da população negra é bem maior do que a sua participação na PIA e, fora da FTP, um pouco menor. Isso significa que, nesse período analisado, das pessoas em idade ativa que não estavam na força de trabalho, as pessoas negras, relativamente bem mais do que as brancas, estavam nessa situação contra seu desejo e sua necessidade, pois estavam indisponíveis para assumir uma vaga (pessoas negras foram 61,1% dessa categoria) ou em desalento (69,8%). Portanto, a população negra, que foi, no 1º trimestre de 2021, maioria na população total e naquela em idade ativa, também o foi em todas as subdivisões da PIA. Porém, a sua representatividade foi relativamente ainda maior naquelas posições do mercado de trabalho mais frágeis, como a população desocupada (63,2%), a subocupada (64,2%), e na FTP (65,7%) e nas suas duas subdivisões. Assim, a subutilização da força de trabalho ampliada que reúne essas três categorias mostrou uma participação da população negra (64,3%) 10,3 pontos percentuais maior do que foi a sua participação na PIA (54,0%). A população branca, por sua vez, enquanto correspondeu a 45,8% da PIA, apresentou uma participação de 35,7% no total de pessoas subutilizadas (sendo 36,8% das pessoas desocupadas, 35,8% das subocupadas e 34,3% da FTP, sendo 38,9% de indisponíveis e 30,2% de desalentadas), números bem abaixo da sua participação na PIA.

2. CATEGORIAS DA POPULAÇÃO EM IDADE ATIVA POR COR E SEXO

2.1. Participação percentual nas categorias da PIA no 1º trimestre de 2021

Após a análise mais abrangente de comparação entre os grupos sociais por raça e cor, também é possível incluir as diferenças de sexo. Este item apresenta a análise das categorias da PIA com a finalidade de salientar a posição da mulher negra frente às demais composições por sexo.

Sendo assim, pela tabela 2, observou-se que as mulheres negras foram numericamente o maior grupo na PIA (28,1%) em comparação com os outros três grupos (homens negros, 25,8%; mulheres brancas, 25,0%; e homens brancos, 20,8%) no 1º trimestre de 2021. No entanto, deixam de ser maioria entre as pessoas na FT (23,7%) e entre as pessoas ocupadas (21,8%).

A participação dos homens negros e brancos foi maior na FT e na população ocupada do que com relação às suas participações na PIA (para 30,5% e 30,8% para os homens negros, respectivamente, e 24,5% e 25,9% para os homens brancos). Como as mulheres negras, as mulheres brancas também tiveram uma participação relativamente menor na FT (21,3%) e nas pessoas ocupadas (21,5%) do que na PIA (25,0%).

Tabela 2 – Brasil – População em Idade Ativa e suas categorias, segundo sua composição por raça ou cor e sexo (em participação percentual) ­– 1º trimestre de 2021

População Negra População Branca
Mulheres Homens Mulheres Homens Total
População em Idade Ativa (A+B) 28,1 25,8 25,0 20,8 100,0
  A. Força de trabalho (A.1 + A.2) 23,7 30,5 21,3 24,5 100,0
    A.1 Pessoas ocupadas 21,8 30,8 21,5 25,9 100,0
      A.1.1 Pessoas subocupadas 33,4 30,8 21,1 14,7 100,0
    A.2 Pessoas desocupadas 34,3 28,9 20,2 16,5 100,0
  B. Fora da força de trabalho (B.1 + B.2) 33,9 19,5 29,8 16,1 100,0
    B.1 Força de trabalho potencial (B.1.1 + B.1.2) 39,1 26,6 20,8 13,5 100,0
       B.1.1 Pessoas Indisponíveis 40,2 20,9 25,3 13,6 100,0
       B.1.2 Pessoas Desalentadas 38,1 31,7 16,8 13,4 100,0
    B.2 Fora da força de trabalho potencial 25,2 18,5 31,6 16,7 100,0
Força de trabalho ampliada (A + B.1) 33,3 30,1 21,2 23,4 100,0
Subutilização da força de trabalho ampliada (A.1.1 + A.2 + B.1) 35,8 28,5 35,8 15,1 100,0

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

Em contrapartida, as mulheres negras voltam a representar a maioria nas demais subcategorias, superando a sua participação na PIA: pessoas subocupadas (33,4%), pessoas desocupadas (34,3%), FFT (33,9%), na FTP (39,1%), pessoas indisponíveis (40,2%), desalentadas (38,1%), na FTA (33,3%) e na subutilização da força de trabalho ampliada (35,8%). Apenas nas pessoas FFTP a maior parcela esteve com as mulheres brancas (31,6%), sendo o segundo lugar das mulheres negras (25,2%).

A análise do grupo que se coloca como extremo oposto às mulheres negras, os homens brancos, deixa ainda mais evidente a desigualdade entre os dois grupos em análise. Eles representaram a menor parcela em todas as categorias que mostram uma inserção mais precária no mercado de trabalho: pessoas subocupadas (14,7%), pessoas desocupadas (16,5%), FFT (16,1%), na FTP (13,5%), pessoas indisponíveis (13,6%), desalentadas (13,4%), FFTP (16,7%), e na subutilização da força de trabalho ampliada (15,1%).

Assim, mesmo com uma diferença pequena entre os percentuais desses dois grupos na PIA (7,3 pontos percentuais), a diferença foi muito maior nas categorias que indicam uma pior inserção no mercado de trabalho, como, por exemplo, a subutilização da força de trabalho ampliada cuja diferença foi de 20,7 p. p., chegando ao auge de 26,6 p. p. de diferença na categoria das pessoas que se encontram indisponíveis para o mercado de trabalho entre homens brancos e mulheres negras.

Esses dados também evidenciam que a taxa de participação (FT/PIA)[7] e o nível de ocupação (PO/PIA)[8] dos homens negros e brancos foram bem maiores do que a das mulheres negras e brancas. Enquanto a taxa de participação deles foi de 67,1% e 66,5%, a delas foi de 47,7% e 48,2%, respectivamente. O nível de ocupação deles foi de 57,7% e 59,9% e o delas de 37,5% e 41,5%. Destaque-se aqui, então, que a maior parte das mulheres negras e brancas em idade ativa não se encontravam ocupadas (sobretudo as negras), diferentemente dos homens. Assim, o nível de ocupação médio do Brasil extremamente baixo no 1º trimestre de 2021 (48,4%) é determinado pela baixa ocupação das mulheres, em especial, das negras.

 

2.2 Movimentos nas categorias da PIA em um ano (1º trimestre de 2021 versus 1º trimestre de 2020)

Para além da composição da PIA, apresenta-se também a análise das variações observadas pelos grupos sociais nas categorias da PIA, primeiro com a comparação com o mesmo trimestre do ano anterior e, no próximo subitem, na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

Vale reforçar, conforme já apresentado na introdução deste boletim, que o ano de 2020 foi marcado pelo surgimento de uma crise sanitária que assolou o mundo inteiro e que afetou o Brasil de forma mais singular, pois o país já se encontrava em uma crise econômica desde 2015. Soma-se a isso a insuficiência das políticas sociais, econômicas e sanitárias para o controle da pandemia, com fortes consequências sociais e econômicas.

A tabela 3 apresenta as variações em um ano das pessoas nas categorias da PIA no 1º trimestre de 2021. Feita a observação no parágrafo anterior sobre a crise sanitária ocorrida em 2020, é digno de nota o fato de que seus impactos terem sido sentidos no Brasil sobretudo a partir do 2º trimestre do mesmo ano. Assim, é possível notar que, ao se comparar o 1º trimestre de 2021 com o 1º de 2020, o mercado de trabalho ainda não tinha recuperado a quantidade de pessoas na FT observada no trimestre imediatamente anterior ao início dos impactos mais fortes da pandemia.

Tabela 3 – Brasil – População em Idade Ativa, segundo sua composição por raça ou cor e sexo (taxas de variação percentual) – 1º trimestre de 2021 versus 1º trimestre de 2020

População Negra População Branca
Mulheres Homens Mulheres Homens
População em Idade Ativa (A+B) 0,3 -2,1 8,5 5,7
  A. Força de trabalho (A.1 + A.2) -6,4 -6,6 -2,0 -1,4
    A.1 Pessoas ocupadas -10,9 -8,9 -5,0 -3,1
      A.1.1 Pessoas subocupadas 6,7 4,2 17,0 13,2
    A.2 Pessoas desocupadas 15,5 10,5 21,8 16,2
  B. Fora da força de trabalho (B.1 + B.2) 7,2 8,7 20,6 23,4
    B.1 Força de trabalho potencial (B.1.1 + B.1.2) 31,2 25,5 56,2 56,1
       B.1.1 Pessoas Indisponíveis 50,3 44,1 58,0 66,7
       B.1.2 Pessoas Desalentadas 17,1 16,5 53,9 47,5
    B.2 Fora da força de trabalho potencial 3,3 5,2 17,5 19,8
Força de trabalho ampliada (A + B.1) -1,9 -4,4 1,8 0,7
Subutilização da força de trabalho ampliada (A.1.1 + A.2 + B.1) 18,9 13,2 30,6 25,3

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

A condição da população negra se mostrou mais sensível às alterações ocorridas no mercado de trabalho no período. No 1º trimestre de 2021, a FT brasileira apresentou uma quantidade menor de mulheres negras (-6,4%) e de homens negros (-6,6%) na FT do que no ano anterior. A população branca também foi menor (-2,0% para as mulheres e -1,4% para os homens), mas com reduções inferiores à da população negra.

No que se refere aos movimentos internos à FT, foi possível notar um movimento de precarização do trabalho, além de dificuldade de recolocação no 1º trimestre de 2021. Isso pode ser observado pela redução das pessoas ocupadas (-10,9% para as mulheres negras, -8,9% para homens negros, -5,0% e -3,1% para as mulheres e homens brancos, respectivamente) acompanhado do aumento do subconjunto dessa categoria, qual seja, as pessoas subocupadas (+6,7% para as mulheres negras, +4,2% para os homens negros, +17,0% e +13,2% para as mulheres e homens brancos, respectivamente). Isso indica que, mesmo com mais pessoas aceitando ocupar cargos e realizando atividades que não preenchiam toda a sua carga horária semanal, ainda houve uma queda no total do número de pessoas ocupadas no período.

Além da subocupação, a desocupação também cresceu no período. Na verdade, o número de pessoas desocupadas atingiu seu ápice no 1º trimestre de 2021 (14,8 milhões de pessoas, sendo 9,3 milhões a população negra, da qual 5,1 milhões ­­­de mulheres negras – vide tabela A no anexo). Isso significou um aumento de 15,5% das mulheres negras desocupadas, de 10,5% dos homens negros desocupados, de 21,8% e 16,2% das mulheres e homens brancos.

Das pessoas que estavam fora da força de trabalho, houve um grande aumento das pessoas na força de trabalho potencial (+31,2% para as mulheres negras, +25,5% para os homens negros, +56,2% das mulheres brancas e +56,1% dos homens brancos). Dessas pessoas na força de trabalho potencial, o crescimento foi mais significativo para as pessoas indisponíveis (+50,3% de aumento para mulheres negras, +44,1% para homens negros, +58,0% para mulheres brancas e +66,7% para homens brancos). Isso significou[9] um total de 5,4 milhões de pessoas indisponíveis, sendo 2,2 milhões de mulheres negras, a maior participação da categoria.

2.3 Movimentos da PIA na margem (1º trimestre de 2021 versus 4º trimestre de 2020)

A análise apresentada neste subitem – a comparação do trimestre com relação ao trimestre imediatamente anterior – tem estrutura semelhante à do anterior e, novamente, serão salientadas no texto apenas as variações com maior destaque. A comparação do início de 2021 com o final de 2020 apresenta alguns aspectos importantes da mudança de políticas públicas adotadas ao longo da pandemia. Uma das medidas tomadas, mesmo que de forma tardia e com valor baixo, foi o auxílio emergencial. A partir de setembro de 2020, o valor do auxílio foi reduzido pela metade e, no início de 2021, ele foi suspenso de tal forma que a população desocupada ou com baixos rendimentos, nos três primeiros meses de 2021, não puderam contar com esses recursos.

Tabela 4 – Brasil – População em Idade Ativa, segundo sua composição por raça ou cor e sexo (taxas de variação percentual) – 1º trimestre de 2021 versus 4º trimestre de 2020

População Negra População Branca
Mulheres Homens Mulheres Homens
População em Idade Ativa (A+B) 0,2 0,2 0,8 0,2
  A. Força de trabalho (A.1 + A.2) 1,6 0,2 -0,3 0,0
    A.1 Pessoas ocupadas -1,2 -0,2 -1,0 -0,3
      A.1.1 Pessoas subocupadas 0,0 2,3 10,3 6,1
    A.2 Pessoas desocupadas 13,2 2,6 4,2 2,9
  B. Fora da força de trabalho (B.1 + B.2) -1,0 0,2 1,8 0,7
    B.1 Força de trabalho potencial (B.1.1 + B.1.2) 0,1 2,8 -0,7 -0,1
       B.1.1 Pessoas Indisponíveis -1,1 -0,9 -3,2 -5,7
       B.1.2 Pessoas Desalentadas 1,2 5,1 2,9 5,8
    B.2 Fora da força de trabalho potencial -1,2 -0,4 2,1 0,8
Força de trabalho ampliada (A + B.1) 1,3 0,4 -0,3 0,0
Subutilização da força de trabalho ampliada (A.1.1 + A.2 + B.1) 5,3 2,6 3,7 2,6

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

A partir do que foi observado no parágrafo anterior e das informações contidas na tabela 4, nota-se um aumento significativo das pessoas desocupadas, principalmente das mulheres negras (+13,2%), seguidas pelas mulheres brancas (+4,2%), depois os homens (+2,9% e +2,6% para brancos e negros, respectivamente). O fim do auxílio, somado a um cenário de grave crise, fez com que muitas pessoas, que antes puderam manter o isolamento e preservar suas vidas, tivessem que retornar ao mercado de trabalho, buscando uma vaga, mesmo sem conseguir encontrá-la.

Essa hipótese pode ser corroborada pela redução das pessoas indisponíveis (-1,1% para as mulheres negras, -0,9% para os homens negros, -3,2% para as mulheres brancas e -5,7% para os homens brancos). O aumento ocorrido da população negra em desalento (+1,2% para as mulheres negras, +5,1% para os homens negros) contribuiu para o aumento da FTP desses grupos (0,1% e 2,8%, respectivamente). Para a população branca, o aumento do desalento (+2,9 para as mulheres brancas e +5,8% dos homens brancos) não foi suficiente para compensar a redução na FTP (-0,7% e +0,1%, respectivamente), possivelmente pela baixa representatividade relativa da população branca (em especial, os homens) entre as pessoas desalentadas.

3. MOTIVOS PARA A INDISPONIBILIDADE

Nos itens anteriores foi destacado o movimento observado na categoria de pessoas indisponíveis no Brasil entre 2020 e 2021 e a alta representatividade das mulheres negras nessa condição, principalmente no contexto da crise sanitária. Os motivos para as pessoas terem se declarado indisponíveis para o mercado de trabalho no 1º trimestre de 2021 estão apresentados no gráfico 2.

Gráfico 2 – Brasil: motivos para a indisponibilidade (em participação percentual) – 1º trimestre de 2021

De acordo com os dados do gráfico 2, a maior parcela das pessoas que se declararam indisponíveis no período sob análise o fizeram por ‘outro motivo’ em qualquer um dos grupos analisados (42,7% das mulheres negras, 49,2% das mulheres brancas, 58,4% dos homens negros e 65,5% dos homens brancos). Provavelmente, o “outro motivo” alegado para estar indisponível para o trabalho está relacionado à crise sanitária, pois passou a ter alta representatividade a partir de 2020.

A segunda posição para os motivos de indisponibilidade diferiu de forma significativa entre mulheres e homens. Enquanto as mulheres alegaram indisponibilidade por terem que ‘cuidar dos afazeres domésticos, dos filhos ou de outros parentes’ (35,9% das mulheres negras e 26,1% das mulheres brancas), os homens estavam indisponíveis para ‘estudar’ (24,8% dos homens negros e 22,5% dos homens brancos). Destaque-se também que, mesmo com escolas e creches fechadas nesse período, apenas 3,1% dos homens negros e 3,0% dos brancos declararam indisponibilidade para assumir uma vaga caso encontrassem por conta dos afazeres domésticos.

4. TAXAS (%) DE PARTICIPAÇÃO, DESOCUPAÇÃO, SUBOCUPAÇÃO E DE SUBUTILIZAÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO

O IBGE propõe, em suas análises, taxas indicadoras da qualidade de inserção no mercado de trabalho. Neste item, são apresentadas algumas taxas selecionadas pela equipe do NPEGen, quais sejam: a taxa de participação no mercado de trabalho (força de trabalho/PIA), a taxa de desocupação (desocupados/força de trabalho), a taxa de subocupação (subocupados/ ocupados) e a taxa de subutilização da força de trabalho ampliada (pessoas subutilizadas/FTA). Vale ressaltar que cada categoria é comparada com ela mesma, ou seja, a taxa de participação das mulheres negras no mercado de trabalho será a divisão das mulheres negras na FT pelo total de mulheres negras na PIA.

No gráfico 3, estão as taxas de participação para o Brasil e para os recortes de cor e gênero apresentados anteriormente, para os três trimestres selecionados. É possível observar que, com a crise sanitária, a taxa de participação no mercado de trabalho caiu para todos os grupos analisados e, mesmo depois de um ano de pandemia, a participação não voltou aos níveis anteriores. A taxa de participação das mulheres negras que já era baixa no 1º. trimestre de 2020 (51,0%, a menor de todos os grupos), ficou ainda menor (47,7% um ano depois, um pouco maior do que no trimestre anterior, 47,0% e quase igual à das mulheres brancas, 48,2%). De qualquer forma, notou-se uma redução menor na participação das pessoas negras no mercado de trabalho (-3,3 p.p. para mulheres e homens) do que a redução das pessoas brancas (-5,2 p.p. e -4,9 p.p., para mulheres e homens, respectivamente). Isso pode significar que, mesmo diante de um cenário adverso, as pessoas negras não conseguiram se afastar do mercado de trabalho e tiveram que continuar figurando na força de trabalho, mesmo correndo o risco de contaminação na busca por um emprego ou na realização de uma atividade precária.

Gráfico 3 – Brasil: Taxa (%) de participação, segundo cor ou raça e sexo – 1º trimestre de 2020, 4º trimestre de 2020 e 1º trimestre de 2021

As taxas de desocupação, apresentadas no gráfico 4, mostram uma acentuação da crise no mercado de trabalho no 1º trimestre de 2021. Como já destacado anteriormente, o número de pessoas desocupadas chegou ao seu maior valor na série histórica. Para o Brasil, a taxa de desocupação, que era de 12,2% no 1º trimestre de 2020, chegou a 13,9% no 4º trimestre de 2020 e a 14,7% no 1º trimestre de 2021. Ademais, é possível notar que essas taxas podem diferir grandemente quando analisados os grupos aqui considerados. As mulheres negras foram, como sempre, as que apresentaram as maiores taxas de desocupação (17,3% no 1º trimestre de 2020, 19,2% no 4º trimestre de 2020 e 21,4% no 1º trimestre de 2021), sendo que todos os demais grupos apresentaram taxas inferiores à do Brasil (14,0% para homens negros e mulheres brancas, 9,9% para homens brancos, no 1º trimestre de 2021).

Gráfico 4 – Brasil: Taxa (%) de desocupação, segundo cor ou raça e sexo – 1º trimestre de 2020, 4º trimestre de 2020 e 1º trimestre de 2021

Além de ser o grupo que sempre apresenta as maiores taxas de desocupação, as mulheres negras também foram as que apresentaram maior variação da taxa no período analisado. Enquanto o aumento para o Brasil foi, no período de um ano, equivalente a 2,5 pontos percentuais, para as mulheres negras o acréscimo foi de 4,1 p. p. (+2,2 p. p., +2,7 p. p. e +1,5 p. p., para homens negros, mulheres brancas e homens brancos, respectivamente). Assim, ressalte-se a ampliação da diferença entre a taxa de desocupação dos dois grupos sociais no extremo, mulheres negras e homens brancos (no primeiro trimestre de 2020, a diferença era de 8,9 pontos percentuais e, um ano depois, aumentou para 11,5 pontos percentuais) e entre a taxa delas e a dos homens negros (de 5,5 p. p. para 7,4 p. p.) e das mulheres brancas (de 6 p. p. para 7,4 p. p.).

As taxas de subocupação (gráfico 5) também caracterizam um cenário de maior vulnerabilidade para as mulheres negras. Novamente, elas representam o único grupo com taxas significativamente superiores às do Brasil. Enquanto o país apresentou uma taxa de 8,2% de subocupação no 1º trimestre de 2021, a das mulheres negras foi de 12,6%, enquanto a dos homens negros foi igual à do Brasil (8,2%), a das mulheres brancas foi de 8,1% e dos homens brancos 4,7%. Como se nota, a diferença entre os homens brancos e as mulheres negras é dramática. O número de mulheres negras subocupadas foi mais do que o dobro dos homens brancos subocupados (eram 2,3 milhões de mulheres negras e 1,0 milhão de homens brancos ­– tabela A no anexo). Além disso, a taxa de subocupação das mulheres foi a que apresentou maior aumento no período de um ano (+2,1 p. p. versus +1,0 p. p. dos homens negros, +1,5 p. p. das mulheres brancas e +0,7 p. p. dos homens brancos).

Gráfico 5 – Brasil: Taxa (%) de subocupação, segundo cor ou raça e sexo – 1º trimestre de 2020, 4º trimestre de 2020 e 1º trimestre de 2021

Gráfico 6 – Brasil: Taxa (%) de subutilização da força de trabalho ampliada, segundo cor ou raça e sexo – 1º trimestre de 2020, 4º trimestre de 2020 e 1º trimestre de 2021

Para finalizar a análise das taxas do mercado de trabalho, foram consideradas as taxas de subutilização da força de trabalho ampliada (gráfico 6). A subutilização considera as formas de inserção mais precárias do mercado de trabalho (por ser o resultado da soma das categorias de subocupação, desocupação e força de trabalho potencial), ampliando, assim, o conceito de desocupação ao incluir algumas formas ocultas de desemprego. Assim, a taxa de subutilização mostra de maneira mais realista o grupo de pessoas que se encontra em uma situação maior de vulnerabilidade socioeconômica.

As mulheres negras foram o grupo com as maiores taxas de subutilização da FTA em todos os trimestres considerados. No 1º trimestre de 2021, a taxa das mulheres negras chegou em 42,1%, aproximando-se, de forma dramática, da metade da FT dessas mulheres. Vale salientar que, ainda no 1º trimestre de 2021, a taxa de subutilização das mulheres negras foi 12,4 pontos percentuais superior à taxa média do Brasil, enquanto a dos homens brancos foi 10,5 p. p. inferior à média. Para os homens negros e as mulheres brancas, em situação similar, a taxa ficou 1,6 p. p. e 0,9 p. p., respectivamente, abaixo da do Brasil. Como na taxa de desocupação e subocupação, a taxa de subutilização das mulheres negras foi a que mais se ampliou no período de um ano, ampliando, portanto, a diferença delas com a de outros grupos sociais.

5. POSIÇÃO NA OCUPAÇÃO

Neste item são apresentadas as formas de ocupação preponderantes para a mulher negra e os principais destaques da demais categorias.

Os dados do 1º trimestre de 2021, apresentados na tabela 5, mostram algumas diferenças importantes na inserção das mulheres negras. A primeira delas está no trabalho doméstico. Nota-se que 55,3% das trabalhadoras domésticas com carteira assinada e 61,6% das sem carteira eram mulheres negras. Quando consideradas as mulheres brancas, que acrescentam 30,9% e 31,6% às categorias citadas, respectivamente, atinge-se quase a totalidade do trabalho doméstico no trimestre em questão. Logo, o trabalho doméstico é feminino e negro.

Tabela 5 – Brasil – Pessoas ocupadas e sua composição na sua posição na ocupação (em participação percentual) no 1º trimestre de 2021

População Negra População Branca
Mulheres Homens Mulheres Homens Total
EMPREG. SETOR PRIVADO CC 19,0 31,4 21,8 27,8 100,0
EMPREG. SETOR PRIVADO SC 16,6 44,5 13,9 25,1 100,0
TRAB. DOMÉSTICO CC 55,2 9,3 30,9 4,5 100,0
TRAB. DOMÉSTICO SC 61,6 4,0 31,6 2,8 100,0
EMPREG. SETOR PÚBLICO CC 19,4 18,9 34,1 27,6 100,0
EMPREG. SETOR PÚBLICO SC 35,8 24,4 25,1 14,7 100,0
MILITAR E SERV. ESTATUTÁRIO 28,3 21,7 29,8 20,1 100,0
EMPREGADOR (A) 8,7 23,6 20,5 47,2 100,0
CONTA PRÓPRIA 17,4 36,2 17,6 28,9 100,0
TRAB. FAMILIAR AUXILIAR 33,4 21,4 28,7 16,5 100,0
TOTAL 21,8 30,8 21,5 25,9 100,0

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

A segunda diferença relevante foi nas outras duas formas preponderantes das ocupações das mulheres negras: o setor público sem carteira (35,8%) e o trabalhador familiar auxiliar (33,4%). Isso indica a precariedade da inserção das mulheres negras no setor público. O trabalho familiar auxiliar é realizado em auxílio a algum membro da família sendo, em geral, sem remuneração ou com recebimentos simbólicos.

Finalmente, vale salientar as posições com menor participação das mulheres negras. Elas foram a minoria como empregadoras (8,7%, em oposição aos 47,2% dos homens brancos), empregadas do setor privado (16,6% sem carteira e 19,0% com carteira), conta própria (17,4%) e empregadas do setor público com carteira (19,4%). Todas essas participações são inferiores à participação das mulheres negras no total de pessoas ocupadas (21,8%).

Vale salientar que a inserção das mulheres negras no mercado de trabalho se aproxima mais da inserção das mulheres brancas do que dos homens negros. Eles tiveram uma maior participação no setor privado (31,4% com carteira e 44,5% sem carteira) e nas posições por conta própria (36,2%). Além disso, a participação do homem negro no trabalho doméstico foi muito pequena (9,3% com carteira e 4,0% sem carteira), mas ainda superior à representatividade do homem branco (4,5% com carteira e 2,8% sem carteira).

Tabela 6 – Brasil – Pessoas ocupadas, segundo a posição na ocupação, raça ou cor e sexo (em taxas de variação percentual) – 1º trimestre de 2021 versus 1º trimestre de 2020 e 4º trimestre de 2020

1º trim. 2021 x 1º trim. 2020 1º trim. 2021 x 4º trim. 2020
Pop. Negra Pop. Branca Pop. Negra Pop. Branca
M H M H M H M H
EMPREG. SETOR PRIVADO CC -13,8 -11,6 -8,4 -9,0 3,1 -1,0 -3,5 -1,9
EMPREG. SETOR PRIVADO SC -18,2 -11,1 -18,2 -5,0 -7,8 -1,5 -4,8 -0,7
TRAB. DOMÉSTICO CC -17,8 -3,1 -22,9 -7,6 3,3 30,2 2,1 9,2
TRAB. DOMÉSTICO SC -17,9 -20,9 -16,1 1,8 -2,6 1,9 0,3 33,4
EMPREG. SETOR PÚBLICO CC -14,8 -9,1 -1,8 13,2 4,6 -2,0 -7,1 1,6
EMPREG. SETOR PÚBLICO SC -23,0 -14,9 -18,3 -10,4 -23,7 -10,7 -17,1 -9,6
MILITAR E SERV. ESTATUTÁRIO 12,9 1,9 11,1 2,1 3,8 -2,5 0,3 0,5
EMPREGADOR (A) -11,7 -19,9 -17,4 -9,7 1,8 0,2 -6,7 -5,4
CONTA PRÓPRIA -8,0 -5,1 4,8 5,1 -3,1 2,5 7,5 3,0
TRAB. FAMILIAR AUXILIAR -5,1 -2,8 16,7 22,0 1,9 -5,7 -1,4 1,0
TOTAL -10,9 -8,9 -5,0 -3,1 -1,2 -0,2 -1,0 -0,3

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

Com relação às variações ocorridas entre o 1º trimestre de 2021 (tabela 6) na comparação com o 1º trimestre de 2020, nota-se que apenas os militares e servidores estatutários tiveram crescimento em todos os grupos analisados (+12,9% para as mulheres negras, +1,9% para os homens negros, +11,1% e +9,0% para os homens brancos. Em todas as demais categorias houve uma redução das pessoas negras, destacando-se a queda do setor público sem carteira (-23,0% para as mulheres e -14,9% para os homens) e o trabalho doméstico sem carteira (-17,9% para as mulheres e -20,9% para os homens). Conforme apresentado anteriormente, o trabalho doméstico é, tipicamente, negro e feminino. Então, a redução do trabalho doméstico sem carteira das mulheres negras resultou em 479 mil vagas a menos para elas, enquanto para os homens negros foi uma redução de 37 mil vagas.

Quando consideradas as pessoas brancas, observou-se um aumento de algumas atividades que sofreram redução para a população negra. Notou-se um aumento das pessoas brancas trabalhando por conta própria (+4,8% para as mulheres e +5,1% para os homens) assim como uma elevação para os trabalhadores familiares auxiliares (+16,7% para as mulheres e +22,0% para os homens). Os homens brancos ainda tiveram uma variação positiva nas contratações do setor público com carteira (+13,2%) e no trabalho doméstico sem carteira (+1,8%). Vale lembrar que a participação dos homens brancos foi ínfima nessa categoria, logo, essa variação indica apenas a contratação de 1.800 pessoas.

Em comparação ao trimestre imediatamente anterior, notou-se um movimento de recuperação de algumas atividades, mas, como apresentado anteriormente, houve uma redução geral do número de pessoas ocupadas, indicando que essas variações das posições na ocupação indicam mais um movimento interno do mercado de trabalho do que a absorção líquida de pessoas.

As posições sem carteira assinada, no setor privado e no setor público, apresentaram redução para todos os grupos em análise. Sendo que a redução foi mais significativa para as mulheres negras no setor público (-23,7% para as mulheres negras, -10,7% para os homens negros, -17,7% para as mulheres negras e -9,6% para os homens brancos) e um pouco mais moderada no setor privado, mas ainda relevante (-7,8% para as mulheres negras, -1,5% para os homens negros, -4,8% para as mulheres brancas e -0,7% para os homens brancos).

6. Rendimentos

Neste item é apresentado o rendimento médio no Brasil e dos demais grupos aqui selecionados. No 1º trimestre de 2021, o valor do rendimento médio foi de R$2.544,79. Todos os gráficos apresentados a seguir têm o Brasil como base (igual a 100) para os valores dos demais rendimentos.

A partir dos resultados do gráfico 7, comparam-se os rendimentos dos grupos sociais e os rendimentos das pessoas que são responsáveis por seus domicílios, de acordo com a sua cor e gênero.

Gráfico 7 – Brasil: Rendimento médio das pessoas ocupadas, de chefes de família, segundo a cor ou raça e sexo (em número índice: Rendimento médio do Brasil = 100) – 1º trimestre de 2021

A comparação entre os grupos revela que as mulheres negras ganharam, em média, apenas 65,2% (R$1.659,52) do rendimento médio do Brasil, enquanto os homens negros chegaram a 79,2% (R$2.016,59), as mulheres brancas 111,1% (R$2.826,55) e os homens brancos 144,4% (R$3.673,91). Isso indica que o rendimento médio das mulheres negras representou apenas 45,2% daquele auferido pelos homens brancos.

O cenário fica ainda mais desigual quando considerada a condição mais relevante do domicílio, a condição de chefe de família. A partir dos dados da PNAD, não é possível afirmar com certeza que a pessoa considerada como chefe de família é a que tem o maior rendimento, mas é possível imaginar que boa parte das pessoas consideradas como chefes de família são as que se encontram nessa situação. Sendo assim, verifica-se que o rendimento médio das mulheres negras chefes de família foi de apenas 67,7% da média do Brasil ou 38,5% dos rendimentos dos homens brancos. Além disso, destaca-se que as mulheres negras são o único grupo social para o qual quase não se altera o rendimento com o fato de ser ou não chefe de família. Isso indica uma situação de vulnerabilidade desse grupo, principalmente quando considerado que parte dessas mulheres, com rendimentos tão baixos, são mães, com crianças pequenas e sem cônjuge. Lembrando que, no contexto de pandemia, sem creches, escolas e sem formas alternativas de auxílio econômico, a vulnerabilidade dessas mulheres tornou-se ainda mais acentuada.

Gráfico 8 – Brasil: Rendimento médio das pessoas ocupadas, por grau de instrução, segundo a cor ou raça e sexo (em número índice: Rendimento médio do Brasil = 100) – 1º trimestre de 2021

Quando considerado o nível de escolaridade (gráfico 8), nota-se um aumento da desigualdade de rendimentos conforme aumenta o nível de escolaridade, o que deixa as mulheres negras em mais desvantagem. Das pessoas sem instrução, as pessoas negras foram as com menor remuneração. As mulheres negras auferiram o equivalente a 34,5% do rendimento médio da população, enquanto os homens negros ficaram com 35,8% (as mulheres brancas tiveram 49,3% e os homens brancos 47,5%). No ensino fundamental incompleto, nota-se que a situação das mulheres pouco muda (34,3% para as negras e 45,4% para as brancas), já para os homens houve uma melhora da condição (50,8% para os negros e 68,6% para os brancos).

Aumentando o nível de escolaridade para o extremo oposto, as pessoas com ensino superior completo, é possível notar um aumento dramático da desigualdade, principalmente entre os grupos mais distantes – mulheres negras e homens brancos. Elas, com o maior nível de escolaridade possível, tiveram rendimento médio equivalente a 125,8% ao do Brasil, enquanto o deles representou 289,3% do rendimento médio. Aqui fica clara a presença de um teto de vidro para as mulheres negras. Mesmo com o maior nível de escolaridade possível, a limitação de contratação de mulheres negras para cargos de liderança faz com que elas fiquem com uma renda média equivalente a 43,5% da renda média dos homens brancos.

Gráfico 9 – Brasil: Rendimento médio das pessoas ocupadas, por cargos, segundo a cor ou raça e sexo (em número índice: Rendimento médio do Brasil = 100) – 1º trimestre de 2021

Por fim, a comparação de rendimentos também pode ser feita de acordo com o cargo ocupado (gráfico 9) pelos diferentes grupos, sendo esse um possível fator de redução das desigualdades apresentadas anteriormente. Para os dados considerados, a desigualdade entre as mulheres negras e os homens brancos está sempre visível. Porém, em três categorias a desigualdade parece ser maior: diretores e gerentes, profissionais das ciências e forças armadas, policiais e bombeiros.

Para as pessoas com cargos de diretores e gerentes, nota-se que apenas as mulheres negras não ultrapassaram o dobro do rendimento médio da população (140,9%). Dois grupos superaram o dobro do rendimento médio da população (219,8% para os homens negros e 215,3% para as mulheres brancas) e os homens brancos nessa categoria mais do que triplicaram o rendimento médio da população (335,6%).

A situação é bem parecida quando considerados os profissionais das ciências. As mulheres negras atingiram 139,6% do rendimento médio, ao passo que homens negros ficaram com 212,7%, as mulheres brancas 199,5% e os homens brancos 326,3%.

Finalmente, quando considerados os profissionais das forças armadas, policiais e bombeiros, o padrão se altera e as mulheres negras não representaram o grupo com menores salários, sendo os homens negros o grupo com menor rendimento médio (204,4%). Essa é a única categoria na qual as mulheres negras conseguiram atingir o dobro do salário médio da população (220,7%).

Considerações Finais

Este boletim teve a finalidade de apresentar a inserção das mulheres negras no mercado de trabalho no 1º trimestre de 2021. Vale retomar nessas considerações finais alguns aspectos mais marcantes da análise.

O primeiro deles foi o número elevado de pessoas desocupadas no 1º trimestre de 2021 (14,8 milhões), que atingiu seu ápice nesse período, considerando toda a série histórica das medições da PNAD contínua (iniciada em 1º trimestre de 2012). As mulheres negras representaram 34,5% (5,1 milhões) das pessoas nessa condição, sendo que, acrescidas dos homens negros, essa porcentagem atingiu 62,8% (9,3 milhões) das pessoas desocupadas, superando a representatividade desses grupos na população e mostrando como a desocupação tem cor. A análise mostrou ainda que entre o 1º trimestre de 2020 e o 1º trimestre de 2021, houve um aumento de 15,5% de mulheres negras desocupadas, sendo que a maior parte desse aumento (13,2%) ocorreu apenas entre o 4º trimestre de 2020 e o 1º trimestre de 2021, ou seja, em apenas 3 meses. Certamente, o fim do auxílio emergencial no início de 2021, após já ter sido reduzido pela metade a partir de setembro de 2020, somado a um cenário de grave crise, fez com que muitas pessoas, que antes puderam manter o isolamento e preservar suas vidas, tivessem que retornar ao mercado de trabalho, buscando uma vaga, mesmo sem conseguir encontrá-la. Essa situação pôde ser observada com a redução na indisponibilidade entre o 4º trimestre de 2020 e o 1º trimestre de 2021, após uma trajetória de considerável aumento no último ano.

O segundo aspecto relevante foi a composição das taxas de mercado de trabalho. Mostrou-se que a desocupação, a subocupação e a subutilização foram condições mais relevantes para as mulheres negras do que para os demais grupos. Isso mostra como a precariedade de inserção dessas mulheres se acentuou ao longo de 2020 e início de 2021.

A taxa de participação das mulheres negras no mercado de trabalho é a menor de todos os grupos e foi de 47,7% no 1º trimestre de 2021, tendo apresentado piora em relação ao ano anterior (51,0%) e suave aumento em relação ao trimestre anterior (47,0%), indicando que mesmo diante de um cenário adverso, precisaram correr o risco de contaminação na busca por um emprego ou na realização de uma atividade precária.

Esse leve aumento da taxa de participação das mulheres negras teve reflexos não no aumento da ocupação dessas pessoas e sim da desocupação.  As mulheres negras foram, como sempre, as que apresentaram as maiores taxas de desocupação (17,3% no 1º trimestre de 2020, 19,2% no 4º trimestre de 2020 e 21,4% no 1º trimestre de 2021). Além disso, foi a taxa de desocupação que mais cresceu no período, havendo ampliação da diferença os dois grupos sociais no extremo, mulheres negras e homens brancos (no primeiro trimestre de 2020, a diferença era de 8,9 pontos percentuais e, um ano depois, aumentou para 11,5 pontos percentuais).

A taxa de subocupação das mulheres negras foi de 12,6%, sendo a taxa para o Brasil de 8,2% e dos homens brancos 4,7% e o número de mulheres negras subocupadas foi mais do que o dobro dos homens brancos subocupados (2,3 milhões e 1 milhão, respectivamente).

As mulheres negras são o grupo de pessoas em situação de maior vulnerabilidade socioeconômica e tiveram uma taxa de subutilização de quase metade da sua força de trabalho ampliada (42,1% no 1º trimestre de 2021, superior 12,4 p.p. em relação a taxa média do Brasil enquanto a dos homens brancos, ao contrário, ficou 10,5 p.p. inferior à média).

O terceiro aspecto refere-se à situação precária das mulheres negras na ocupação. O trabalho doméstico foi a ocupação de 4,5 milhões de mulheres e de 428 mil homens, sendo que do total dos quase 5 milhões de ocupados no trabalho doméstico, as mulheres negras representaram 55,3% das trabalhadoras domésticas com carteira assinada e 61,6% das sem carteira, no 1º trimestre de 2021, confirmando que o emprego doméstico é feminino e negro.

Outras duas formas preponderantes das ocupações das mulheres negras foram no setor público sem carteira (35,8%) e no trabalho familiar auxiliar (33,4%). Já naquelas em que as mulheres negras eram minoria encontram-se as empregadoras (8,7%, em oposição aos 47,2% dos homens brancos), empregadas do setor privado (16,6% sem carteira e 19,0% com carteira), conta própria (17,4%) e empregadas do setor público com carteira (19,4%).

Entre o 1º trimestre de 2021 e o 1º trimestre de 2020, apenas os militares e servidores estatutários tiveram crescimento em todos os grupos analisados, provavelmente como resultado do aumento das contratações de emergência para a área da Saúde. Em todas as demais categorias houve uma redução das pessoas negras. A redução do trabalho doméstico sem carteira das mulheres negras resultou em 479 mil vagas a menos para elas, enquanto para os homens negros foi uma redução de 37 mil vagas.

Em comparação ao trimestre imediatamente anterior, notou-se um movimento de recuperação de algumas atividades, mas houve uma redução geral do número de pessoas ocupadas, indicando que essas variações das posições na ocupação parecem ser mais um movimento interno do mercado de trabalho do que a absorção líquida de pessoas.

Finalmente, as desigualdades entre os grupos considerados como extremos opostos neste boletim (mulheres brancas e homens negros) ficaram ainda mais evidentes quando considerados os rendimentos de acordo com a posição no domicílio, a escolaridade e com os cargos. O rendimento médio das mulheres negras (R$ 1.659,52) representou apenas 45,2% daquele auferido pelos homens brancos (R$3.673,91). E o rendimento médio das mulheres negras chefes de família foi de apenas 67,7% da média do Brasil. Entre as pessoas sem instrução, o rendimento médio das mulheres negras foi 34,5% do rendimento da população e entre aquelas com nível superior completo, as mulheres negras tiveram rendimento médio equivalente a 125,8% ao do Brasil enquanto o rendimento médio do homem branco representou 289,3% do rendimento médio. Em relação aos cargos, os de diretores e gerentes, profissionais das ciências e forças armadas, policiais e bombeiros foram os únicos cargos em que o rendimento médio das mulheres negras superou a média da população. Mesmo assim, a diferença entre o rendimento médio das mulheres negras e homens brancos é considerável: as diretoras e gerentes negras receberam rendimento médio 140,9% superior ao rendimento médio do Brasil e os diretores e gerentes brancos 335,6% a mais; as profissionais das ciências negras receberam rendimento médio 139,6% do rendimento médio ao passo que os profissionais brancos da ciência auferiram 326,3% a mais do rendimento médio. E o cargo de profissionais das forças armadas, policiais e bombeiros foi o único no qual a diferença entre os rendimentos médios das mulheres negras em relação aos homens brancos foi mais similar e onde elas conseguiram atingir o dobro do salário médio da população (220,7%). Observou-se, assim, a presença de um teto de vidro, impedindo às mulheres negras o acesso a cargos mais elevados, levando a uma remuneração média mais baixa para elas, mesmo com altos níveis de escolaridade. Assim como quando assumem cargos de direção ou gerência, sua remuneração não chegou aos níveis dos homens brancos.

 

 

Anexos

Tabela A – Brasil – População em Idade Ativa, segundo sua composição por raça ou cor e sexo (em mil pessoas) – 1º trimestre de 2021

Negros Brancos
Mulheres Homens Mulheres Homens
População em Idada Ativa (A+B) 49.750 45.565 44.164 36.891
A. Força de trabalho (A.1 + A.2) 23.714 30.583 21.302 24.550
  A.1 Pessoas ocupadas 18.648 26.311 18.317 22.109
    A.1.1 Pessoas subocupadas 2.342 2.156 1.482 1.031
  A.2 Pessoas desocupadas 5.066 4.272 2.985 2.441
B. Fora da força de trabalho (B.1 + B.2) 26.036 14.983 22.862 12.341
  B.1 Força de trabalho potencial (B.1.1 + B.1.2) 4.426 3.007 2.358 1.530
     B.1.1 Indisponíveis 2.163 1.122 1.361 731
     B.1.2 Desalentados 2.264 1.885 997 799
  B.2 Fora da força de trabalho potencial 21.610 11.976 20.504 10.811
Força de trabalho ampliada (A + B.1) 28.140 33.590 23.660 26.080
Subutilização da força de trabalho ampliada (A.1.1 + A.2 + B.1) 11.834 9.434 6.825 5.003

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

 

 

Tabela B – Brasil: Pessoas ocupadas e sua composição na sua posição na ocupação, por cor ou raça e sexo (em mil pessoas) no 1º trimestre de 2021

Negros Brancos
Mulheres Homens Mulheres Homens
EMPREG. SETOR PRIVADO CC 5.598 9.257 6.430 8.203
EMPREG. SETOR PRIVADO SC 1.600 4.298 1.339 2.426
TRAB. DOMÉSTICO CC 742 125 415 61
TRAB. DOMÉSTICO SC 2.205 142 1.132 100
EMPREG. SETOR PÚBLICO CC 227 221 399 323
EMPREG. SETOR PÚBLICO SC 680 465 478 279
MILITAR E SERV. ESTATUTÁRIO 2.465 1.890 2.592 1.750
EMPREGADOR (A) 328 886 769 1.772
CONTA PRÓPRIA 4.127 8.595 4.182 6.861
TRAB. FAMILIAR AUXILIAR 676 434 582 333

Fonte: microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

 

 

Referências

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos / orgs.: Flávia Rios, Márcia Lima – 1ª edição ­– Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

GORAYEB, Daniela S.; FONSECA, Camila V. C; FILLETI, Juliana de P.; CAJUEIRO, Juliana P. M. Uma análise do mercado de trabalho no contexto da crise econômico-sanitária de 2020: efeitos sobre as mulheres, sua saída da força de trabalho e sua indisponibilidade. In: Anais do XXVI Encontro Nacional de Economia Política, evento virtual, de 08 a 11 de junho de 2021. SEP. Disponível em: https://enep.sep.org.br/uploads/1649_1615673090_SEP_trabalho_identificado_pdf_ide.pdf.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Contínua. Notas Técnicas – Versão 1.5. 2ª ed. Rio de Janeiro, 2018. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101561_notas_tecnicas.pdf.

 

 

[1] Para entender melhor a crise sanitária e os efeitos da crise prolongada que a precedeu, verifique GORAYEB, et. al. (2021).

[2] População em idade ativa são as pessoas de 14 anos ou mais. Todas as definições das categorias da população em idade ativa podem ser encontradas em IBGE (2018).

[3] Neste boletim, são consideradas pessoas negras a soma das pessoas que se declararam pretas ou pardas.

[4] Neste boletim, são consideradas pessoas brancas a soma das pessoas que se declararam brancas ou amarelas.

[5] São classificadas como ocupadas na semana de referência as pessoas que, nesse período, trabalharam por pelo menos uma hora completa em trabalho remunerado em dinheiro, produtos, mercadorias, ou benefícios (moradia, alimentação, roupas, treinamento, etc.), ou em trabalho sem remuneração direta em ajuda à atividade econômica de membro do domicílio ou parente que reside em outro domicílio, ou, ainda, as que tinham trabalho remunerado do qual estavam temporariamente afastadas nessa semana.

[6] São classificadas como desocupadas na semana de referência as pessoas sem trabalho em ocupação nessa semana que tomaram alguma providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias, e que estavam disponíveis para assumi-lo na semana de referência. Consideram-se, também, como desocupadas as pessoas sem trabalho na semana de referência que não tomaram providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias porque já o haviam conseguido e iriam começá-lo em menos de quatro meses após o último dia da semana de referência.

[7] Vide item 4 mais adiante neste Boletim.

[8] A partir dos dados da tabela A do anexo é possível obter o nível de ocupação.

[9] Vide tabela A do anexo.

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