Av. Alan Turing, nº 805 - Barão Geraldo – Campinas

Boletim Mulheres Negras no Mercado de Trabalho no 4º trimestre de 2020

Sumário Executivo

O NPEGen apresenta o Boletim das Mulheres Negras no Mercado de Trabalho com o objetivo de analisar os dados relativos à inserção das mulheres negras no mercado de trabalho no 4º trimestre de 2020, a partir dos microdados da PNAD contínua, do IBGE.

Vale ressaltar que o ano de 2020 foi marcado por uma crise sanitária somada à crise econômica que vigorava desde 2015. Logo, esta série de boletins começa em um ano atípico e com movimentos no mercado de trabalho gerados pelo contexto socioeconômico particular. Por um lado, essa peculiaridade torna a análise da inserção das mulheres negras mais complexa e elaborada. Porém, por outro lado, o momento é crucial para a avaliação dos impactos das mudanças ocorridas para esse grupo. Neste Boletim, destacaram-se quatro pontos:

  • As mulheres negras foram a maioria nas categorias de Desocupação, de Subocupação e de Subutilização da força de trabalho que refletem a precarização do mercado de trabalho e a situação desigual da mulher negra se destacou ainda mais quando comparada aos demais grupos, sobretudo o dos homens brancos.
  • A saída das mulheres negras da Força de Trabalho foi mais expressiva do que a de outros grupos (em função da perda maior de suas ocupações), notando-se também o forte incremento desse grupo na Força de Trabalho Potencial, especialmente na categoria de Indisponíveis. Isso pode ser explicado pela insuficiência do auxílio emergencial e pela ausência de redes de apoio.
  • As mulheres negras representaram a grande maioria das pessoas ocupadas com o trabalho doméstico (formal ou informal) e, ao mesmo tempo, essa foi uma das posições que mais sofreu com a crise sanitária, especialmente no emprego doméstico sem carteira de trabalho, onde houve fechamento de muitas vagas.
  • No que diz respeito às remunerações, notou-se que o rendimento médio das mulheres negras esteve sempre muito abaixo dos rendimentos dos homens negros, das mulheres brancas e dos homens brancos, mesmo com o aumento do nível de escolaridade ou com o acesso a cargos mais elevados.

Diante desse cenário de extrema desigualdade e vulnerabilidade, é preciso apoiar a formulação de políticas públicas para mitigar a situação precária em que a maior parte das mulheres negras se encontra e, para tanto, faz-se necessário estimular mais pesquisas para compreender o fenômeno estrutural e conjuntural dessa desigualdade assombrosa. Nesse sentido, o Boletim Mulheres Negras no Mercado de Trabalho dá um passo importante nessa direção, e assim seguirá, por se tratar de uma publicação periódica do NPEGen.

 

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Introdução

O Boletim Mulheres Negras tem por objetivo a apresentação e análise dos dados trimestrais da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao mercado de trabalho e sob um recorte de raça e gênero, com a preocupação de jogar luz e realizar o acompanhamento da realidade vivenciada pelas mulheres negras no acesso às vagas de emprego e a outras formas de ocupação.

Há um processo histórico de exclusão socioeconômica da população negra no Brasil e esse debate ganhou mais destaque nos últimos anos. Porém, a discussão sobre a inserção da mulher negra no mercado de trabalho, por vezes, ainda é negligenciada. De acordo com Bento (1995):

(…) os estudos que aprofundaram a perspectiva de gênero raramente levam em consideração a variável cor.

(…) estudos clássicos sobre as relações raciais tais como o Gilberto Freyre e Roger Bastide destacaram o papel da mulher negra ora na manutenção ou preservação de nichos sociais de origem africana, ora como sujeito essencial no processo de miscigenação que resultaria segundo esses autores em uma espécie de arrefecimento dos conflitos raciais.

Considerando esse cenário, o NPEGen apresenta o Boletim das Mulheres Negras no Mercado de Trabalho com o objetivo de apresentar os dados relativos à inserção delas no mercado de trabalho, salientando as suas formas de participação em comparação com a de outros grupos sociais (mulheres brancas, homens negros e homens brancos). Por ser um boletim de caráter conjuntural, a análise será focalizada nos dados do último trimestre disponível, comparado com o mesmo trimestre do ano anterior e com o trimestre imediatamente anterior a ele. Neste Boletim, o foco está no 4º trimestre de 2020 e no seu cotejamento com o 4º trimestre de 2019 e com o 3º trimestre de 2020.

Vale ressaltar que o ano de 2020 foi marcado por uma crise sanitária, ocasionada pela disseminação do coronavírus, somada à crise econômica que vigorava desde 2015. Logo, a série de boletins das mulheres negras iniciada aqui pelo NPEGen começa em um ano atípico e com muitos movimentos no mercado de trabalho gerados também pelo contexto socioeconômico particular. Por um lado, essa peculiaridade torna a análise da inserção das mulheres negras no mercado de trabalho mais complexa e elaborada. Porém, por outro lado, o momento é crucial para a avaliação dos impactos das mudanças ocorridas no mercado de trabalho para esse grupo.

Com essa finalidade, este boletim está organizado da seguinte forma. Além dessa introdução e das considerações finais, a análise se divide em 6 seções. A primeira apresenta a classificação da população em idade ativa[1] comparando inicialmente as populações negra[2] e branca[3] sem o enfoque de gênero. A partir da segunda seção, então, a análise recai sobre as mulheres negras, objeto de estudo do Boletim.

Esse grupo passa a ser analisado e comparado com os demais, mostrando as divergências mais relevantes em cada etapa. A terceira seção exibe os motivos pelos quais as pessoas se declararem indisponíveis para o mercado de trabalho, categoria em que as mulheres negras figuram como grande maioria. A quarta seção destaca as taxas do mercado de trabalho que são formadas a partir das categorias da PIA, quais sejam, as taxas de participação, de desocupação, de subocupação, de subutilização e percentual de desalentados. Na quinta seção são apresentadas as posições na ocupação, considerando sua cor e gênero. A última seção exibe uma comparação dos rendimentos das mulheres negras, com alguns recortes específicos, tais como nível de instrução e idade.

 

1.   Categorias da População em Idade Ativa (PIA)

No 4º trimestre de 2020, a população brasileira estimada foi de 211,6 milhões de habitantes, de acordo com os dados da PNAD Contínua do IBGE, com a seguinte subdivisão de cor ou etnia: população negra[4] representou 54,6% do total, sendo 45,9% de cor parda e 8,7% de cor preta, a população branca[5] declarada foi de 45,0%, sendo 44,3% de cor branca e 0,7% de cor amarela, a população indígena representou 0,3% do total da população e pessoas sem declaração de cor, 0,1%.

Tabela 1 – Brasil:  População total, segundo cor ou raça (em mil pessoas; participação percentual) – 4º trimestre de 2020

  População (em mil pessoas) Participação (%)
Brasil 211.595 100,0
  População negra 115.540 54,6
     Preta 18.395 8,7
     Parda 97.144 45,9
  População branca 95.412 45,0
     Branca 93.834 44,3
     Amarela 1.578 0,7
Indígena 644 0,3
Ignorado 57 0,1

Fonte: microdados da PNAD Contínua – IBGE. Elaboração: NPEGen.

Neste item, busca-se comparar a inserção numérica da população de cor negra com a de cor branca nas categorias da PIA apenas com esses dois conjuntos de pessoas.

Há duas subdivisões da PIA: a população na força de trabalho (FT) – pessoas que estavam ocupadas[6] ou desocupadas[7] no período de referência da pesquisa – e a população fora da força de trabalho (FFT) – pessoas que não estavam ocupadas ou desocupadas na semana de referência da pesquisa. As pessoas que estão FFT estão subdivididas, por sua vez, em outras duas categorias: as pessoas na força de trabalho potencial (FTP) e as pessoas fora da força de trabalho potencial (fora da FTP).

Gráfico 1 – Brasil:  Composição da População em Idade Ativa (PIA) da população negra e da população branca (em mil pessoas; participação percentual) – 4º trimestre de 2020

A população negra em comparação com a branca correspondeu à maioria da PIA, 54,1%, uma participação um pouco menor do que se considerada sua participação na população total, denotando, possivelmente, uma menor expectativa de vida com relação à população branca.

Da subdivisão da população negra entre categorias da PIA, observou-se que a parcela que esteve na FT é maior do que a FFT (tabela A do anexo), mas em proporção um pouco menor do que a população branca. Afinal, a população negra, que representou 54,1% da PIA, correspondeu a 54,0% da FT e a 54,3% da população FFT no 4º trimestre de 2020, enquanto a população branca apresentou uma participação de 45,9% na PIA, 46,0% na FT e 45,7% FFT. Assim, a FT é proporcionalmente mais relevante para as pessoas brancas do que o é para as pessoas negras e o inverso com relação à população FFT, sendo mais significante para a população negra do que para a branca.

Entre as subdivisões da FT, a população negra teve uma representatividade menor na população ocupada (52,7%) e bem maior na população desocupada (62,3%) do que a sua participação na PIA, mostrando uma dificuldade relativamente maior para encontrar empregos do que a população branca, que teve uma participação de 47,3% entre as pessoas ocupadas e 37,7% entre as desocupadas.

Nas categorias das pessoas FFT, observou-se que a população negra figurou relativamente em maior número do que a branca entre aquelas pessoas que estão na força de trabalho potencial (FTP) (65,3%) do que entre aquelas que estão fora da força de trabalho potencial (FFTP) (52,4%). Isso significa que, nesse período analisado, das pessoas em idade ativa que não estavam na força de trabalho, as pessoas negras, relativamente mais do que as brancas, estavam nessa situação contra seu desejo e sua necessidade, pois estavam indisponíveis para assumir uma vaga (pessoas negras eram 60,3% dessa categoria) ou em desalento (pessoas negras foram 70% nessa condição).

Portanto, a população negra, que foi, no 4º trimestre de 2020, maioria na população total e naquela em idade ativa, também o é em todas as subdivisões da PIA. Porém, a sua representatividade foi relativamente ainda maior naquelas posições do mercado de trabalho mais frágeis, como a população desocupada (62,3%), a subocupada (65,8%), e na FTP (65,3%) e nas suas duas subdivisões. Assim, a subutilização da força de trabalho ampliada que reúne essas três categorias mostrou uma participação da população negra (64,1%) com relação à branca 10 pontos percentuais maior do que foi a sua participação na PIA (54,1%). A população branca, por sua vez, enquanto correspondeu a 45,9% da PIA, apresentou uma participação de 35,9% no total de pessoas subutilizadas (sendo 37,7% das pessoas desocupadas, 34,2% das subocupadas e 34,7% da FTP).

2. Categorias da pia por cor e sexo

2.1. participação percentual nas categorias da pia no 4º trimestre de 2020

Após a análise mais abrangente de comparação entre os grupos sociais por raça e cor, também é possível incluir as diferenças de sexo. Este item apresenta a análise das categorias da PIA com a finalidade de salientar a posição da mulher negra frente às demais composições por sexo.

Sendo assim, pela tabela 2, observa-se que as mulheres negras foram numericamente o maior grupo na PIA (28,3%) em comparação com os outros três grupos (homens negros, 25,9%; mulheres brancas, 24,9%; e homens brancos, 20,9%) no 4º trimestre de 2020. No entanto, a representatividade das mulheres negras se reduz substancialmente entre as pessoas na FT (23,4%) e entre as pessoas ocupadas (22,0%). A dos homens negros e brancos, no entanto, se eleva com relação às suas participações na PIA (para 30,6% e 30,7% para os homens negros na população na FT e ocupada, respectivamente, e 24,6% e 25,8% para os homens brancos, respectivamente). Como as mulheres negras, as mulheres brancas também tiveram uma participação menor na FT (21,4%) e nas pessoas ocupadas (21,5%) do que na PIA (24,9%).

Tabela 2 – Brasil – População em Idade Ativa e suas categorias, segundo sua composição por raça ou cor e sexo (participação percentual) no 4º trimestre de 2020  

  Negros Brancos  
Mulheres Homens Mulheres Homens TOTAL
População em Idade Ativa (A + B) 28,3 25,9 24,9 20,9 100,0
  A. Força de trabalho (A.1 + A.2) 23,4 30,6 21,4 24,6 100,0
    A.1 Pessoas ocupadas 22,0 30,7 21,5 25,8 100,0
      A.1.1 Pessoas subocupadas 34,6 31,2 19,9 14,4 100,0
    A.2 Pessoas desocupadas 32,2 30,0 20,6 17,1 100,0
  B. Fora da força de trabalho (B.1 + B.2) 34,6 19,7 29,6 16,1 100,0
    B.1 Força de trabalho potencial (B.1.1 + B.1.2) 39,3 26,0 21,1 13,6 100,0
      B.1.1 Indisponíveis 39,8 20,6 25,6 14,1 100,0
      B.1.2 Desalentados 38,9 31,2 16,8 13,1 100,0
    B.2 Fora da força de trabalho potencial 33,8 18,6 31,0 16,6 100,0
Força de trabalho ampliada 25,0 30,1 21,4 23,5 100,0
Subutilização da força de trabalho ampliada (A.1.1 + A.2 + B.1) 35,2 28,8 20,6 15,3 100,0

Fonte: Microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

Para as demais subcategorias da PIA, as mulheres negras voltaram a figurar com a maior participação com relação aos outros 3 grupos e com uma participação bem maior do que apresentam na PIA: pessoas subocupadas (34,6%), pessoas desocupadas (32,2%), FFT (34,6%), na FTP (39,3%), pessoas indisponíveis (39,8%), desalento (38,9%), FFTP (33,8%), subutilização da força de trabalho ampliada (35,2%).

Por outro lado, mesmo sendo um grupo numericamente menor (20,9% da PIA), os homens brancos apresentaram, nesse período analisado, uma representatividade maior naquelas categorias que revelam uma inserção relativamente melhor no mercado de trabalho, afinal, foram 24,6% da FT e 25,8% das pessoas ocupadas e, portanto, apresentaram uma representatividade baixa naquelas categorias que denotam inserção mais frágil (17,1% das pessoas desocupadas, 14,4% das subocupadas e 13,6% da FTP, por exemplo).

Assim, enquanto na PIA, a diferença na participação percentual entre mulheres negras e homens brancos foi de 7,3 pontos percentuais (28,3% versus 20,9%), entre as pessoas subocupadas foi de 20,2 p.p., entre as desocupadas, 15,1 p.p., entre as pessoas FFT, 18,5 p. p. e, entre as pessoas na FTP, indisponíveis[1] e em desalento, 25,7 p.p.. Enfim, na subutilização da força de trabalho ampliada, a participação das mulheres negras esteve 20 pontos percentuais acima da dos homens brancos.

2.2 Movimentos da pia em um ano (4º trimestre de 2020 versus 4º trimestre de 2019)

Para além da composição da PIA, apresenta-se também a análise das variações observadas pelas categorias, primeiro com a comparação com o mesmo trimestre do ano anterior e, no próximo subitem, na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

Conforme já foi salientado na introdução deste boletim, o ano de 2020 foi um ano atípico, com o surgimento de uma crise sanitária que assolou o mundo inteiro que afetou de forma mais singular o Brasil, por já se encontrar em um patamar de crise econômica e desestabilização política desde 2015 e pela insuficiência das políticas sociais, econômicas e sanitárias.

Tabela 3 – Brasil: População em Idade Ativa, segundo sua composição por cor ou raça e sexo (taxas de variação percentual) – 4º trimestre 2020 versus 4º trimestre de 2019

Negros Brancos
Mulheres Homens Mulheres Homens
População em Idade Ativa (A + B) -0,4 -2,8 9,4 7,4
  A. Força de trabalho (A.1 + A.2) -9,7 -8,3 -2,4 -0,9
    A.1 Pessoas ocupadas -13,6 -11,4 -6,0 -3,2
      A.1.1 Pessoas subocupadas -1,5 -3,1 5,4 3,7
    A.2 Pessoas desocupadas 11,1 18,3 30,1 28,8
  B. Fora da força de trabalho (B.1 + B.2) 9,6 10,6 23,6 29,0
    B.1 Força de trabalho potencial (B.1.1 + B.1.2) 34,9 31,7 79,1 77,1
      B.1.1 Indisponíveis 61,4 72,5 97,7 105,2
      B.1.2 Desalentados 16,3 14,5 57,6 55,3
    B.2 Fora da força de trabalho potencial 5,6 6,5 19,3 24,2
Força de trabalho ampliada -4,7 -5,8 2,3 1,8
Subutilização da força de trabalho ampliada (A.1.1 + A.2 + B.1) 16,1 16,2 37,1 33,8

Fonte: Microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen

A tabela 3 apresenta as principais variações das categorias da PIA no 4º trimestre de 2020, quando comparado com o 4º trimestre de 2019. A primeira informação que chama atenção na tabela é a variação das pessoas ocupadas na comparação dos dois períodos. Todas as categorias foram afetadas negativamente, mas é possível notar que as pessoas negras foram as mais afetadas (mulheres negras com queda de 13,6%, enquanto homens negros tiveram uma redução de 11,4%, mulheres brancas de 6,0% e homens brancos de 3,2%). Isso significou uma redução de 2,9 milhões de mulheres negras, 3,4 milhões de homens negros, 1,2 milhão de mulheres brancas e 740 mil homens brancos no mercado de trabalho (Tabela A do anexo[2]). Nota-se que a população negra foi, de fato, a mais afetada pela crise sanitária.

Ainda dentro das pessoas ocupadas na FT, nota-se uma redução da subocupação para as pessoas negras, enquanto as pessoas brancas conseguiram aumentar a sua participação nessa categoria. Essa é mais uma evidência da fragilidade da inserção das pessoas negras no mercado de trabalho. Diante de uma crise sanitária, as pessoas negras que estavam subocupadas (e, vale destacar que são maioria nessa categoria) não conseguiram se manter sequer nas ocupações com rendimentos insuficientes. A redução do número de pessoas subocupadas foi maior para os homens negros (3,1% ou 68 mil pessoas), seguidos das mulheres negras (1,5% ou 36 mil pessoas). Para mulheres e homens brancos as subocupações tiveram aumento de 5,4% e 3,7% (68 mil e 35 mil pessoas), respectivamente.

Para fechar a avaliação da FT, observam-se as variações da população desocupada. Conforme apresentado no item anterior, a população negra representou a grande maioria das pessoas nessa situação. Sendo assim, ao observar as variações na tabela 3, notou-se um crescimento maior para a população branca em termos percentuais, mas que é representado, praticamente, pelo mesmo volume de pessoas passando a procurar emprego do que a população negra. O aumento de 11,1% das mulheres negras significou o acréscimo de 446 mil mulheres negras desocupadas, para os homens negros foram 18,3% (645 mil), mulheres brancas 30,1% (663 mil) e homens brancos 28,8% (531 mil).

Assim, conjugando a forte redução no número de pessoas ocupadas com um aumento nas pessoas desocupadas, o resultado final foi a redução da FT,  maior para as mulheres negras (-9,7% ou 2,5 milhões), seguida pelos homens negros (-8,3% ou 2,7 milhões), pelas mulheres brancas (-2,4% ou 524 mil) e, por fim, os homens brancos (-0,9% ou 211 mil). O impacto da crise econômica e sanitária sobre a FT brasileira teve, portanto, um evidente viés de cor.

Com a saída da FT, houve crescimento na população FFT em todos os conjuntos, sendo possível observar taxas de crescimento maiores para a população branca e homens brancos em razão da sua participação menor nessa categoria. Por exemplo, os homens brancos com aumento de 29,0% são 2,7 milhões a mais, número muito aquém do aumento das mulheres brancas nessa categoria, +4,3 milhões, +23,6%. As mulheres negras, nesse caso, tiveram um aumento em número absoluto muito próximo do dos homens brancos (2,3 milhões ou +9,6%) e, em último lugar, os homens negros (1,4 milhão ou +10,6%). Aqui, no impacto das pessoas FFT, o recorte de gênero parece ser mais relevante do que o de cor[3].

Na categoria de pessoas que saíram do mercado de trabalho, o crescimento da indisponibilidade foi um grande marco da crise sanitária. As pessoas ficaram impedidas de trabalhar pelas restrições sanitárias e pelo risco da contaminação no início da pandemia. No 4º trimestre de 2020, já foi possível observar um retorno das pessoas para algumas atividades, visto que alguns postos de trabalho foram reestabelecidos com o relaxamento das regras sanitárias. Porém, quando se compara com o patamar do final de 2019, nota-se que o retorno foi inferior ao esperado. Muitas pessoas não conseguiram recuperar seus postos de trabalho e, possivelmente por conta das escolas e creches fechadas, ainda estavam indisponíveis para retornar à FT no final de 2020.

Nesse ponto, foi possível observar com maior clareza o impacto da crise sanitária para as mulheres negras. A dificuldade de retomar suas atividades, com crianças ou idosos em casa, ou por algum outro motivo que impossibilitasse assumir a vaga caso conseguissem, foi mais impactante para essas mulheres. Um aumento de 61,4% na indisponibilidade das mulheres negras significou um aumento de 831 mil mulheres nessa categoria. Mesmo com variações percentuais mais elevadas (72,5% para homens negros, 97,7% para mulheres brancas e 105,2% para homens brancos), em números absolutos, as variações foram menos significativas do que a das mulheres negras (476 mil, 695 mil e 397 mil, respectivamente). De forma destacada, na análise da indisponibilidade, o impacto sobre o gênero foi maior do que sobre a cor.

Para finalizar, vale apresentar mais um recorte de cor apresentado nos dados. Para mulheres e homens brancos, houve um aumento considerável das pessoas fora da força de trabalho ampliada (ou seja, pessoas que estão entre aquelas FFT e fora da FTP). Essas pessoas que estão fora da força de trabalho ampliada são as que não estavam inseridas no mercado de trabalho e não gostariam de trabalhar. Ou seja, não estavam procurando emprego e indisponíveis, como também não deixaram de procurar emprego em função do desalento.

Na comparação entre os períodos analisados, nessa categoria de pessoas fora da força de trabalho ampliada apresentou um aumento de 5,3 milhões de pessoas brancas (3,2 milhões mulheres e 2,1 milhões homens), e um número menor de pessoas negras (1,9 milhão, sendo 1,2 milhão de mulheres e 730 mil homens negros). Isso pode demonstrar as melhores condições de vida das pessoas brancas durante a pandemia, cujos rendimentos e redes de apoio foram suficientes para deixá-las totalmente fora da força de trabalho. Para a população negra, houve aumento nessa categoria, mas, relativamente menor do que para a população branca, tanto em variação percentual quanto em números absolutos, mostrando a necessidade maior dessa população de buscar trabalho ou precisar trabalhar em plena pandemia.

2.3 movimentos da pia na margem (4º trimestre de 2020 versus 3º trimestre de 2020)

A análise apresentada neste subitem – a comparação do trimestre com relação ao trimestre imediatamente anterior – tem estrutura semelhante à do anterior, por isso será feita de forma mais breve, salientando-se apenas as variações mais contundentes. O item anterior mostrou uma forte degradação do mercado de trabalho no 4º trimestre de 2020 em comparação ao fim de 2019, principalmente, para as mulheres, em alguns aspectos, e para os negros em outros, gerando sempre um cenário ruim para a intersecção dos dois recortes: as mulheres negras. Porém, na comparação com o 3º trimestre, é possível notar que o 4º trimestre se diferenciou do restante do ano. Mesmo com o ano fechando com um quadro mais dramático do que o final do ano anterior, em alguma medida, o último trimestre de 2020 deixou de aprofundar alguns dos movimentos iniciados no 2º e 3º trimestres com grande força.

A partir dos dados da tabela 4, nota-se uma certa retomada do mercado de trabalho, com elevação das pessoas na FT (+4,3% para as mulheres negras, +2,0% para os homens negros, +5,9% para as mulheres brancas e +3,1% para os homens brancos, um total de 3,5 milhões de pessoas a mais na FT nesse trimestre).

A retomada de algumas atividades no final do ano, mesmo que de forma parcial, fez com que as pessoas pudessem voltar às suas posições ou conseguir bicos para tentar retomar a renda familiar. Aqui vale salientar que a redução do auxílio emergencial no último trimestre do ano passado dificultou a permanência no isolamento social para as pessoas que eram beneficiadas, obrigando-as a buscar formas de sustentar suas famílias, mesmo ainda sob o cenário do fechamento das escolas públicas e com a dificuldade de acesso às redes de apoio nesse período.

 

Tabela 4 – Brasil: População em Idade Ativa, segundo sua composição por cor ou raça e sexo (em taxas de variação percentual) – 4º trimestre 2020 versus 3º trimestre de 2020

Negros Brancos
Mulheres Homens Mulheres Homens
População em Idade Ativa (A + B) -0,4 -0,4 1,9 2,0
  A. Força de trabalho (A.1 + A.2) 4,3 2,0 5,9 3,1
    A.1 Pessoas ocupadas 5,2 3,5 5,9 3,9
      A.1.1 Pessoas subocupadas 13,3 8,9 9,4 2,8
    A.2 Pessoas desocupadas 0,8 -6,3 5,5 -3,4
  B. Fora da força de trabalho (B.1 + B.2) -4,3 -4,9 -1,5 -0,2
    B.1 Força de trabalho potencial (B.1.1 + B.1.2) -12,0 -16,4 -6,5 -12,9
      B.1.1 Indisponíveis -21,2 -27,7 -13,3 -24,2
      B.1.2 Desalentados -0,6 -7,1 5,4 2,7
    B.2 Fora da força de trabalho potencial -2,6 -1,6 -0,9 2,0
Força de trabalho ampliada 1,4 0,1 4,5 2,0
Subutilização da força de trabalho ampliada (A.1.1 + A.2 + B.1) -2,5 -6,9 1,5 -5,5

Fonte: Microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

O número de pessoas ocupadas aumentou no período, sendo que 3,6 milhões de pessoas conseguiram uma nova posição. Dessas, 930 mil eram mulheres negras (+5,2%), 880 mil homens negros (+3,5%), 1,0 milhão mulheres brancas (+5,9%) e 820 mil homens brancos (+3,9%).

Além disso, houve uma redução dos homens desocupados (278 mil negros, -6,3%, e 83 mil brancos, -3,4%), mas o número de mulheres desocupadas aumentou no mesmo período (36 mil negras, +0,8%, e 149 mil brancas, +5,5%). Esse aumento na desocupação feminina, provavelmente pela redução do valor do auxílio emergencial e a expectativa do seu término, pode indicar o retorno das mulheres ao mercado de trabalho de forma precoce e perigosa, pois ainda persistia o cenário dos filhos em casa em período integral e com altos índices de contaminações.

Finalmente, outra variação de destaque na tabela 4 foi a das pessoas indisponíveis. Nota-se uma redução em todos os grupos de análise, sendo a mais forte, em números absolutos, o das mulheres negras. Corroborando o argumento anterior, as mulheres negras se viram com a necessidade de retornar ao mercado de trabalho no 4º trimestre, ainda que em condições muito adversas. Foram 587 mil mulheres negras (-21,2%) a menos na indisponibilidade, seguidas por 435 mil homens negros (-27,7%), 247 mil homens brancos (-24,2%) e 216 mulheres brancas (-13,3%).

3. MOTIVOS PARA indisponibilidade

No item anterior foi tratada a questão da indisponibilidade das pessoas no mercado de trabalho e, além disso, como essa caracterização foi importante no contexto da crise sanitária. Os motivos para as pessoas se declararem indisponíveis para o mercado de trabalho no 4º trimestre de 2020 estão apresentados no gráfico 2.

Gráfico 2 – Brasil: Motivos para a indisponibilidade (em participação percentual) – 4º trimestre de 2020

Nota-se, a partir do gráfico, que a maior parcela das pessoas se declarou indisponível no período sob análise por “outro motivo” em qualquer um dos grupos analisados (43,5% das mulheres negras, 61,2% dos homens negros, 49,9% das mulheres brancas e 68,0% dos homens brancos). É muito provável que esse “outro motivo” seja, na verdade, a crise sanitária e o isolamento social, porém, como a PNAD não faz essa pergunta de forma específica, essa é a apenas, aqui, uma suposição, fortemente apoiada no fato de que essa resposta não era tão relevante antes da pandemia

São as demais razões para o afastamento que acabam deixando mais evidentes os recortes de gênero e de cor. Aqui o recorte de gênero aparece primeiro, pois se nota uma porcentagem elevada de mulheres que alegou como principal motivo para afastamento do mercado de trabalho o fato de ser responsável por cuidar dos afazeres domésticos, dos filhos ou de outros parentes (34,8% das mulheres negras e 26,7% das mulheres brancas). Para os homens essa parcela foi, praticamente, inexpressiva (3,4% homens negros e 2,1% homens brancos).

Quando o motivo do afastamento se deve aos estudos, ocorre novamente um recorte de gênero antes ao de cor. Uma parcela mais significativa dos homens se afastou do mercado de trabalho para poder estudar (20,5% dos brancos e 23,3% dos negros), sendo que esse valor foi menor para as mulheres (15,1% das brancas e 13,6% das negras).

4.   Taxas (%) de participação, desocupação, subocupação e de subutilização da força de trabalho

O IBGE propõe, em suas análises, taxas indicadoras da qualidade de inserção no mercado de trabalho. Neste item, são apresentadas algumas taxas  selecionadas pela equipe do NPEGen, quais sejam: a taxa de participação no mercado de trabalho (força de trabalho/PIA), a taxa de desocupação (número de desocupados/força de trabalho), a taxa de subocupação (número de subocupados/número de ocupados) e a taxa de subutilização da força de trabalho ampliada (número de pessoas subutilizadas/FTA). Vale ressaltar que cada categoria é comparada com ela mesma, ou seja, a taxa de participação das mulheres negras no mercado de trabalho será a divisão das mulheres negras na força de trabalho pelo total de mulheres negras na PIA.

No gráfico 3, estão as taxas de participação para o Brasil e para os recortes de cor e gênero apresentados anteriormente, para os três trimestres considerados na seção 2. A partir dos resultados aqui apresentados, é possível observar que há uma diferença de participação na FT entre os gêneros: os homens sempre possuíram uma taxa de participação superior à do Brasil, enquanto as mulheres estiveram sempre abaixo do nível nacional. Os homens brancos representaram o grupo com maior taxa de participação em qualquer um dos períodos, sendo as mulheres negras o extremo oposto.

Gráfico 3 – Brasil: Taxa (%) de participação na força de trabalho, segundo cor ou raça e sexo– – 4º trimestre de 2019, 3º trimestre de 2020 e 4º trimestre de 2020

Além disso, é possível notar que todos os grupos apresentaram uma redução na participação no 3º trimestre de 2020, voltando a crescer no 4º trimestre de 2020, mas ainda muito longe de atingir os níveis do 4º trimestre de 2019. Nessa análise, o viés de gênero é preponderante ao de cor: homens brancos apresentaram uma participação de 66,7% no 4º trimestre de 2020, os homens negros, até um pouco maior, 67,1%, e as mulheres brancas e negras com uma participação muito menor (48,8% e 47,0%, respectivamente). No entanto, o componente cor se sobressaiu quando se observa que, em um ano, a taxa de participação da população branca caiu mais fortemente do que a da população negra, mostrando, como já apontado anteriormente, que a população branca apresentou melhores condições de não trabalhar ou não procurar trabalho durante a pandemia do que a população negra.

Gráfico 4 – Brasil: Taxa (%) de desocupação da força de trabalho, segundo cor ou raça e sexo  – 4º trimestre de 2019, 3º trimestre de 2020 e 4º trimestre de 2020

As taxas de desocupação, apresentadas no gráfico 4, tiveram um comportamento diferente do das taxas de participação. A dificuldade de acesso ao mercado de trabalho ficou mais evidente para as mulheres negras, visto que elas possuíram as maiores taxas de desocupação em todos os trimestres (com o último resultado sendo igual a 19,2%, ou seja, 5,3 pontos percentuais acima da taxa do Brasil para o mesmo período). Os homens negros e as mulheres brancas ficaram praticamente com os mesmos valores de taxa de desocupação, mas com uma pequena desvantagem para eles (taxa de 13,6% para os homens negros contra 13,4% para as mulheres brancas no 4º trimestre de 2020). Os homens brancos, novamente, representaram o extremo oposto ao das mulheres negras com uma taxa de 9,7% no 4º trimestre de 2020, ressaltando que esse é um número menor do que as taxas de desocupação dos demais grupo em 2019, antes da pandemia.

As taxas de desocupação exibidas no gráfico 4 mostram de forma contundente como a taxa de 13,9% para o Brasil pode ser, na realidade, muito diferente para os grupos específicos aqui considerados. Mesmo com todos os grupos apresentando uma redução no 4º trimestre de 2020 frente ao 3º trimestre de 2020 (-0,6 ponto percentual para as mulheres negras, -1,2 p.p. para os homens negros, -0,1 p.p. para as mulheres brancas e -0,6 para os homens brancos), a taxa de desocupação das mulheres negras é, praticamente, o dobro da dos homens brancos. Além disso, foi para esse grupo que a taxa de desocupação mais subiu em relação a 2019 (+3,6 p.p. para as mulheres negras, +3 p.p. para os homens negros, +3,3 p.p. para as mulheres brancas e +2,3 p.p. para os homens brancos entre o 4º trimestre de 2020 e o de 2019). Isso mostra a diferença de inserção no mercado de trabalho e como o impacto dos movimentos apresentados na seção 2 podem ser muito fortes para essas mulheres.

Gráfico 5 – Brasil: Taxa (%) de subocupação da força de trabalho, segundo cor ou raça e sexo  –  4º trimestre de 2019, 3º trimestre de 2020 e 4º trimestre de 2020

O mesmo ocorre com a taxa de subocupação (gráfico 5). As taxas das mulheres negras, para qualquer um dos trimestres, foram muito mais elevadas do que a de qualquer outro grupo ou do que a média da população. Isso significa que a inserção da mulher negra no mercado é incompleta, com uma parcela considerável delas que gostaria de trabalhar mais horas, mas que não conseguem preencher as 40 horas semanais. Quase todos os grupos apresentaram um aumento da taxa de subocupação no 4º trimestre de 2020, tanto em relação ao 4º trimestre de 2019 (+0,7 p.p. Brasil, +1,5 mulheres negras, +0,7 homens negros, +0,8 mulheres brancas e +0,3 homens brancos), assim como em relação ao 3º trimestre de 2020 (+0,4 p.p. Brasil, +0,9 mulheres negras, +0,4 homens negros, +0,3 mulheres brancas e os homens brancos ficaram na mesma taxa). Da mesma forma que a taxa de desocupação também se elevou mais para as mulheres negras, o mesmo ocorreu com a taxa de subocupação (destacando que para os homens brancos quase não houve piora nesse indicador no ano de 2020).

Na subocupação, fica mais evidente a desigualdade de cor antes da de gênero, os homens negros têm uma participação maior da subocupação do que as mulheres brancas, ainda que com taxas próximas. A grande diferença ficou, novamente, entre as mulheres negras e os homens brancos. A subocupação delas é quase o triplo da deles (2,8 vezes).

Assim, vale ressaltar, mais uma vez a relevância de considerar a análise do mercado de trabalho pelos cortes de cor e gênero, simultaneamente, e não apenas por uma das duas categorias.

Gráfico 6 – Brasil:  Taxa (%) de subutilização da força de trabalho ampliada, segundo cor ou raça e sexo – 4º trimestre de 2019, 3º trimestre de 2020 e 4º trimestre de 2020

Para finalizar as análises das taxas do mercado de trabalho, e reforçar mais uma vez a ideia de extremos opostos entre as mulheres negras e os homens brancos, foram consideradas as taxas de subutilização da força de trabalho ampliada (gráfico 6). A subutilização considera as categorias mais precárias do mercado de trabalho (subocupação, desocupação e força de trabalho potencial), buscando ampliar o conceito de desocupação ao incluir algumas formas ocultas de desemprego.  Portanto, uma taxa elevada de subutilização indica de forma mais realista o grupo de pessoas que se encontram em uma situação de maior vulnerabilidade socioeconômica.

As mulheres negras apresentaram as maiores taxas de subutilização da FTA em todos os trimestres. Suas taxas chegaram a ultrapassar os 40% no ano de 2020, ou seja, chegaram a se aproximar de metade da força de trabalho ampliada dessas mulheres. A taxa de subutilização das mulheres negras no 4º trimestre de 2020 ficou 11,8 pontos percentuais acima da média nacional e 10 pontos percentuais abaixo da dos homens brancos. Para os homens negros e as mulheres brancas, em situação similar, a taxa ficou apenas 1,2 e 1,0 p.p., respectivamente, abaixo da do Brasil.

5. Posições na ocupação

Após considerar a inserção das mulheres negras na FT, destacando a sua precariedade com relação à dos demais grupos analisados, neste item são apresentadas as formas de ocupação preponderantes para a mulher negra e os principais destaques das demais categorias.

Tabela 5 – Brasil: Pessoas ocupadas e sua composição na sua posição na ocupação (em participação percentual) – 4º trimestre de 2020

Negros Brancos
Mulher Homem Mulher Homem TOTAL
EMPREG. SETOR PRIVADO CC 18,2 31,4 22,4 28,1 100,0
EMPREG. SETOR PRIVADO SC 17,4 43,9 14,1 24,6 100,0
TRAB. DOMÉSTICO CC 56,3 7,5 31,8 4,4 100,0
TRAB. DOMÉSTICO SC 62,8 3,9 31,3 2,1 100,0
EMPREG. SETOR PÚBLICO CC 18,2 18,9 36,1 26,7 100,0
EMPREG. SETOR PÚBLICO SC 38,8 22,7 25,1 13,5 100,0
MILITAR E SERV. ESTATUTÁRIO 27,5 22,4 29,9 20,2 100,0
EMPREGADOR (A) 8,3 22,7 21,1 48,0 100,0
CONTA PRÓPRIA 18,4 36,1 16,8 28,7 100,0
TRAB. FAMILIAR AUXILIAR 32,5 22,5 28,9 16,1 100,0

Fonte: Microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen

Os dados do 4º trimestre de 2020, apresentados na tabela 5, mostram algumas diferenças importantes na inserção das mulheres negras. A primeira delas está no trabalho doméstico. Nota-se que 56,3% das trabalhadoras domésticas com carteira e 62,8% das sem carteira eram mulheres negras. Quando consideradas as mulheres brancas, que acrescentaram 31,8% e 31,3% nas categorias citadas, respectivamente, atinge-se quase a totalidade do trabalho doméstico no trimestre em questão.

A seguir, a terceira forma de ocupação em que as mulheres negras preponderaram foi entre os trabalhadores do setor público sem carteira, categoria na qual representaram 38,8%. Elas também compuseram a maior parte (32,5%) da posição de trabalhador familiar auxiliar, ou seja, de pessoas que auxiliavam outros membros da família, em geral, sem remuneração ou com recebimentos simbólicos, seguidas pelas mulheres brancas (28,9%) e pelos homens negros (22,5%).

As posições que apresentaram menor participação das mulheres negras (menores, inclusive do que a sua participação na população ocupada, de 22,0%), por outro lado, foram as de empregador (8,3%, em oposição a 48,0% de participação dos homens brancos), empregado do setor privado (17,4% sem carteira e 18,2% com carteira), empregado do setor público com carteira (18,2%) e conta própria (18,4%). Essa baixa participação da mulher negra no setor privado vai ao encontro da tese construída pela Lélia Gonzalez, nos anos 1980, sobre a baixa aceitação da mulher negra no setor privado (GONZALEZ e colab., 2020).

Concluindo a análise da participação das posições na ocupação, vale ressaltar a diferente inserção dos homens negros, quando comparado com as mulheres negras. Eles mostraram a maior participação no setor privado (31,4% com carteira e 43,9% sem carteira) e nas posições por conta própria (36,1%). Nessas três formas de ocupação, os homens negros preponderaram sobre os demais grupos. No trabalho doméstico, o recorte de gênero foi o que prevaleceu, sendo a participação dos homens negros muito pequena (7,5% com carteira e 3,9% sem carteira), mas ainda assim quase o dobro da representatividade da dos homens brancos (4,4% com carteira e 2,1% sem carteira).

Tabela 6 – Brasil: Pessoas ocupadas, segundo a posição na ocupação, raça ou cor e sexo (em taxas de variação percentual) –  4º trimestre de 2020 versus 4º trimestre de 2019 e 3º trimestre de 2020

4º trim. 2020 x 4º trim. 2019 4º trim. 2020 x 3 º trim. 2020
  Negros Brancos Negros Brancos
M H M H M H M H
EMPREG. SETOR PRIVADO CC -18,0 -13,7 -6,6 -6,9 -2,3 1,2 5,1 2,4
EMPREG. SETOR PRIVADO SC -17,4 -15,8 -21,0 -10,8 16,2 8,1 21,6 6,8
TRAB. DOMÉSTICO CC -29,7 -26,7 -25,5 -15,5 -0,5 -21,0 -0,4 -3,1
TRAB. DOMÉSTICO SC -21,8 -25,5 -18,6 -20,4 9,2 -10,4 14,5 -1,6
EMPREG. SETOR PÚBLICO CC -21,5 -8,6 13,5 11,8 -3,2 0,7 5,2 11,9
EMPREG. SETOR PÚBLICO SC -5,6 -10,0 -5,4 -12,9 4,2 -4,7 3,5 1,2
MILITAR E SERV. ESTATUTÁRIO 10,6 5,4 10,3 9,0 4,0 5,4 1,5 1,6
EMPREGADOR (A) -24,2 -21,2 -13,2 -3,2 2,2 3,2 -0,2 1,1
CONTA PRÓPRIA -8,4 -8,7 -3,6 1,2 13,0 4,9 6,0 6,0
TRAB. FAMILIAR AUXILIAR -12,2 -1,4 10,9 22,3 2,6 -1,9 4,3 3,8
TOTAL -13,6 -11,4 -6,0 -3,2 5,2 3,5 5,9 3,9

Fonte: Microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

Com relação às variações ocorridas no 4º trimestre de 2020 (tabela 6) na comparação com o 4º trimestre de 2019, nota-se que apenas os militares e servidores estatutários tiveram crescimento em todos os grupos analisados (+10,6% para as mulheres negras, +5,4% para os homens negros, +10,3% para as mulheres brancas e +9,0% para os homens brancos), provavelmente como resultado do aumento das contratações de emergência para a área da Saúde. Para as pessoas brancas, houve um crescimento nas posições de empregado do setor público com carteira (+13,5% para as mulheres e +11,8% para os homens) e de trabalhador familiar auxiliar (+10,9% para as mulheres e +22,3% para os homens), o inverso do que ocorreu para as pessoas negras, para as quais essas ocupações apresentaram saldo negativo. Os homens brancos também aumentaram suas atividades atuando como conta própria (+1,2%), enquanto para os outros grupos houve redução nessa atividade (-8,4% para mulheres negras, -8,7% para homens negros e -3,6% para mulheres brancas).

Voltando o foco para a mulher negra, nota-se que duas das maiores reduções foram nas posições em que elas tiveram a maior representatividade: trabalho doméstico com carteira (-29,7%) e sem carteira (-21,8%). Elas também ainda estavam em um patamar inferior ao fim de 2019 em outras posições nas quais já possuíam participação menos relevantes, como empregador (-24,2%) e empregado do setor público com carteira (-21,5%).

A despeito das ocupações no 4º trimestre de 2020 ainda estarem em um nível inferior ao apresentado ao final do ano anterior, na comparação com o 3º trimestre de 2020, foi possível observar uma retomada das atividades e a maioria das posições na ocupação conseguiram apresentar saldo positivo. Porém, nota-se que o retorno foi mais lento para as pessoas negras do que para as brancas, exceto para a categoria de conta-própria, na qual as mulheres negras apresentaram aumento de 13%, enquanto os demais grupos em torno de 6%.

O trabalho doméstico com carteira continuou em queda no 4º trimestre em comparação ao 3º trimestre de 2020. A queda foi menor para as mulheres (-0,5% para as negras e -0,4% para as brancas) do que para os homens (-21,0% para os negros e -3,1% para os brancos). Porém, ao considerar a representatividade dos grupos, observa-se que a redução das vagas para as mulheres negras foi muito maior que a dos homens brancos (redução de 3,7 mil vagas para as mulheres negras e de 1,8 mil para os homens brancos – Tabela B em anexo).

O aumento do trabalho doméstico sem carteira para as mulheres (+9,2% para as negras e 14,5% para as brancas), assim como o crescimento do emprego no setor privado informal para elas (+16,2% para as negras e 21,6% para as brancas) e das mulheres conta própria, principalmente para as negras (+13,0 para as negras e +6,0% para as brancas), mostram que a retomada do mercado de trabalho para as mulheres negras ocorreu de forma mais precária e em piores condições do que para os outros grupos.

6. Rendimentos

Neste item são apresentadas as questões salariais na comparação entre o rendimento médio no Brasil e os demais grupos aqui apresentados. No 4º trimestre de 2020, o valor do rendimento médio foi de R$2.508,44. Todos os gráficos apresentados aqui têm o Brasil como a base (igual a 100) para os valores dos demais salários apresentados.

A primeira comparação realizada, apresentada no gráfico 7, mostra a diferença entre os rendimentos dos grupos avaliados por este boletim e os rendimentos das pessoas que são responsáveis pelos seus domicílios, de acordo com a sua cor e gênero. Todos os rendimentos são comparados com a base do Brasil, logo a análise é feita com base na comparação com o rendimento médio para toda a população.

Gráfico 7 – Brasil: Rendimento médio das pessoas ocupadas, de chefes de família, segundo cor ou raça e sexo (em número-índice: Rendimento médio do Brasil = 100) – 4º trimestre de 2020

A comparação entre os grupos revela que as mulheres negras ganharam, em média, apenas 64,5% (equivalente a R$1.617,9) do rendimento médio do Brasil, enquanto os homens negros chegaram a 79,1% (R$1.984,2), as mulheres brancas 112,9% (R$2.832,0) e os homens brancos 143,8% (R$3.608,6). Isso indica que o rendimento médio das mulheres negras representou apenas 44,8% daquele auferido pelos homens brancos.

A situação também é crítica quando considerada a condição mais relevante do domicílio, a condição de chefe de família. A partir dos dados da PNAD, não é possível afirmar com certeza que a pessoa considerada como chefe de família é a que tem o maior rendimento, mas é possível imaginar que boa parte das pessoas consideradas como chefes de famílias são as que se encontram nessa situação. Sendo assim, verifica-se que o rendimento médio das mulheres negras chefes de família é de apenas 66,3% da média do Brasil, no extremo oposto encontra-se o homem branco chefe de família, com rendimento de 178,4%, aumentando o abismo que separa esses dois grupos. Além disso, destaca-se que as mulheres negras são o único grupo social para o qual quase não se altera o rendimento com o fato de ser ou não chefe de família. Esse dado deveria acender um alerta de vulnerabilidade para esse grupo, principalmente quando considerado que parte dessas mulheres, com rendimentos tão baixos, são mães, com crianças pequenas e sem cônjuge. Em uma pandemia, sem creches, sem escola e sem formas alternativas de auxílio econômico, a vulnerabilidade dessas mulheres e de seus dependentes é alarmante.

Gráfico 8 – Brasil: Rendimento médio das pessoas ocupadas, por graus de instrução, segundo cor ou raça e sexo (em número-índice: Rendimento médio do Brasil = 100) – 4º trimestre de 2020:

Quando considerado o nível de escolaridade, no gráfico 8, nota-se um aumento da desigualdade de rendimentos, o que deixa as mulheres negras em mais desvantagem. Aqui fica evidente também que a questão salarial tem um recorte predominante de cor para as pessoas sem instrução.  As pessoas brancas sem instrução apresentaram remuneração equivalente (59,2% do rendimento médio do Brasil para as mulheres e 59,1% para os homens), enquanto os homens negros ganhavam 35,8% e as mulheres negras 31,7% do rendimento médio das pessoas ocupadas. Porém, a partir do ensino fundamental incompleto, nota-se que a diferença de rendimentos se deveu mais ao gênero do que à cor – sendo que a média dos homens brancos foi 1,9 vezes a das mulheres negras. Os homens brancos começam a se separar dos demais grupos, mas o homem negro passa a ter salário médio superior ao das mulheres. A diferença entre os salários dos homens e mulheres cresceu em conjunto com o nível de instrução, sendo que as mulheres negras atingiram metade do valor médio da população apenas com ensino médio completo.

Foi apenas no maior nível de instrução considerado pela PNAD, ensino superior completo, que as mulheres e os homens negros conseguiram atingir o salário médio da população (os homens brancos quase atingiram esse valor com o ensino médio completo e ultrapassaram com o ensino superior incompleto). Porém, mesmo com ensino superior completo, as mulheres negras apresentaram rendimento médio muito inferior ao dos demais grupos (elas atingiram 126,4% do valor médio para o Brasil, enquanto as mulheres brancas chegam a 185,3%, os homens negros a 195,8% e os homens brancos 284,3%). Em outras palavras, mesmo com ensino superior completo, o rendimento médio dos homens brancos foi equivalente a 2,2 vezes o das mulheres negras.

Gráfico 9 – Brasil: Rendimento médio das pessoas ocupadas, por cargos, segundo cor ou raça e sexo (em número-índice: Rendimento médio do Brasil = 100 –  4º trimestre de 2020:

Por fim, a comparação de rendimentos também pode ser feita de acordo com o cargo ocupado (gráfico 9) pelos diferentes grupos, sendo esse um possível fator de redução das desigualdades apresentadas anteriormente. Para os dados considerados, três categorias foram mais relevantes: diretores e gerentes, profissionais das ciências e os membros das forças armadas.

Para as pessoas com cargos de diretores e gerentes, nota-se que três grupos ultrapassaram o dobro do rendimento médio da população (207,9% para homens negros, 226,9% para mulheres brancas e 351,1% para homens brancos), enquanto as mulheres negras apenas foi 53,1% maior do que a base considerada.

A situação é parecida para os profissionais da ciência, com a diferença de que as mulheres brancas agora ficaram próximas do dobro do Brasil, mas longe ainda (137,5% para as mulheres negras e 197,4% para as mulheres brancas, 208,9% para os homens negros e 307% para os homens brancos).

A última categoria observada aqui, os profissionais das forças armadas, apresentou um comportamento peculiar. Na análise de desigualdades salariais, os profissionais das Forças Armadas, policiais e bombeiros compõem uma das únicas categorias em que as mulheres ultrapassam o rendimento médio dos homens. Quando separamos por cor, nota-se que as mulheres negras conseguiram equiparar sua remuneração à dos homens brancos, mas são as mulheres brancas que ultrapassaram os homens (negros ou brancos) nessa categoria. O rendimento médio da mulher negra ultrapassou o do homem negro (228,5% para elas e 204,2% para eles), o do homem branco em terceiro lugar (227,7%) e, com a maior remuneração média, as mulheres brancas com 305,7%.

A maior igualdade de rendimentos entre os grupos analisados se apresentou nos “cargos elementares” nos quais predominam os baixos rendimentos, próximos do salário-mínimo, tendo a lei como igualadora, nesse caso, dos rendimentos.

Considerações finais

Este boletim teve a finalidade de apresentar a inserção das mulheres negras no mercado de trabalho no 4º trimestre de 2020. Por ser um tema complexo e que demanda muitas análises específicas, em alguns momentos foram salientadas, primeiramente, as especificidades da cor, em outros, as do gênero. As mulheres negras, por se encontrarem na intersecção entre as classificações precárias dos dois recortes, cor e gênero, mostraram-se como as mais prejudicadas no mercado de trabalho em um ano tão crítico como o de 2020 que conjugou uma dramática crise sanitária com a de uma crise econômica profunda.

Vale retomar nessas considerações finais alguns aspectos mais marcantes da análise. O primeiro deles está na composição das taxas do mercado de trabalho. Mostrou-se que a desocupação, a subocupação e a subutilização são condições mais relevantes para as mulheres negras do que para os outros grupos e que elas também são o grupo de pessoas mais representativo nessas categorias. Assim, essas formas de inserção extremamente precárias são faces relevantes dessas mulheres, assim como essas categorias são representadas por faces de mulheres negras, predominantemente.

As taxas de desocupação, subocupação e subutilização para o Brasil e para o conjunto das mulheres já se encontram em patamares elevados, mas a situação da mulher negra se realça ainda mais quando comparada com os demais grupos que, sobretudo no caso dos homens brancos, exibem um quadro muito distinto, por se mostrar muito menos desfavorável.

O segundo ponto a ser destacado aqui diz respeito aos impactos da pandemia sobre o mercado de trabalho. Observou-se que a saída das mulheres negras da FT foi mais expressiva do que a de outros grupos, notando-se também o forte incremento desse grupo na FTP, sobretudo na categoria de indisponíveis. Assim, mesmo sendo as mulheres negras que mais perderam suas ocupações, provavelmente, pela insuficiência do auxílio emergencial e pela ausência das redes de apoios, essas mulheres só não trabalharam ou procuraram trabalho em razão, em grande parte, da sua indisponibilidade para assumir uma vaga caso surgisse a oportunidade. Essa forma de saída da FT se mostrou bem distinta se comparada às pessoas (em grande parte a população branca) que puderam, nesses momentos críticos da pandemia, compor relativamente mais do que outros grupos a categoria de pessoas que não precisaram trabalhar, necessitar trabalhar ou procurar trabalho.

O terceiro ponto a ser retomado aqui é o fato de as mulheres negras representarem a grande maioria das pessoas ocupadas com o trabalho doméstico (formal ou informal). O trabalho doméstico foi uma das posições que mais sofreu com a crise sanitária, principalmente o sem carteira. Com o isolamento social, as famílias dispensaram suas empregadas e faxineiras (tanto para manter o isolamento, quanto pela queda de remuneração), como é possível também que muitas dessas mulheres trabalhadoras tenham deixado os seus empregos em função da ausência de escolas e creches, essenciais, sempre, para definir sua capacidade e disponibilidade de trabalho.

Por fim, no que diz respeito às remunerações, notou-se que o rendimento médio das mulheres negras está sempre muito abaixo dos rendimentos dos demais grupos. Mesmo com o aumento do nível de escolaridade ou com o acesso a cargos mais elevados, seus rendimentos encontraram-se abaixo dos demais grupos.

Referências

BENTO, Maria Aparecida Silva. A mulher negra no mercado de trabalho. Estudos Feministas, 2º semestre, 1995. Disponível em <https://www.geledes.org.br/wp-content/uploads/2011/10/16466-50750-1-PB.pdf>

GONZALEZ, Lélia e colab. Por um feminismo afro-latino-americano. 1a edição ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

IBGE | Biblioteca | Detalhes | Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua : notas técnicas : versão 1.5 – 2. ed. Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/biblioteca-catalogo.html?id=2101561&view=detalhes>. Acesso em: 25 fev 2021.

Anexo

Tabela A: Brasil – População em Idade Ativa, segundo sua composição por cor e sexo, no 4º trimestre de por composição da categoria (em mil pessoas)

  Negros Brancos
Mulheres Homens Mulheres Homens
População em Idade Ativa (A + B) 49.650 45.477 43.817 36.806
  A. Força de trabalho (A.1 + A.2) 23.351 30.521 21.362 24.547
    A.1 Pessoas ocupadas 18.876 26.358 18.497 22.174
      A.1.1 Pessoas subocupadas 2.341 2.108 1.343 972
    A.2 Pessoas desocupadas 4.475 4.163 2.865 2.373
  B. Fora da força de trabalho (B.1 + B.2) 26.299 14.956 22.455 12.259
    B.1 Força de trabalho potencial (B.1.1 + B.1.2) 4.423 2.926 2.374 1.531
      B.1.1 Indisponíveis 2.186 1.132 1.406 775
      B.1.2 Desalentados 2.237 1.794 968 756
    B.2 Fora da força de trabalho potencial 21.876 12.030 20.081 10.727
Força de trabalho ampliada 11.239 9.196 6.582 4.877
Subutilização da força de trabalho ampliada (A.1.1 + A.2 + B.1) 27.774 33.446 23.736 26.078

Fonte: Microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen.

Tabela B: Pessoas ocupadas de acordo com a sua posição na ocupação para o 4º trimestre de 2020 (em mil pessoas)

Negros Brancos
M H M H
EMPREG. SETOR PRIVADO CC 5.432 9.347 6.663 8.366
EMPREG. SETOR PRIVADO SC 1.735 4.365 1.406 2.444
TRAB. DOMÉSTICO CC 718 96 406 56
TRAB. DOMÉSTICO SC 2.264 139 1.128 75
EMPREG. SETOR PÚBLICO CC 217 225 429 318
EMPREG. SETOR PÚBLICO SC 891 520 577 309
MILITAR E SERV. ESTATUTÁRIO 2.375 1.938 2.585 1.742
EMPREGADOR (A) 322 884 824 1.873
CONTA PRÓPRIA 4.259 8.383 3.889 6.661
TRAB. FAMILIAR AUXILIAR 663 460 590 330
TOTAL 18.876 26.358 18.497 22.174

Fonte: Microdados da PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: NPEGen

[1] Os motivos para as pessoas se classificarem nesse subgrupo estão expostos na seção 3.

[2] Todos os valores absolutos podem ser obtidos a partir da Tabela A do Anexo deste Boletim.

[3] Para mais detalhes, vide “Boletim mulheres no mercado de trabalho – 4o trimestre de 2020”, 2021.

[1] População em idade ativa são as pessoas de 14 anos ou mais. Todas as definições das categorias da população em idade ativa podem ser encontradas em (“IBGE | Biblioteca | Detalhes | Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua : notas técnicas : versão 1.5 – 2. ed.”, [S.d.]).

[2] Neste boletim são consideradas pessoas negras a soma das pessoas que se declararam pretas ou pardas.

[3] Neste boletim são consideradas pessoas brancas a soma das pessoas que se declararam brancas ou amarelas.

[4] Soma das declarações das pessoas de cor preta e parda.

[5] Soma das declarações das pessoas de cor branca e amarela. A partir daqui, considera-se população branca a soma das pessoas brancas e amarelas.

[6] São classificadas como ocupadas na semana de referência as pessoas que, nesse período, trabalharam por pelo menos uma hora completa em trabalho remunerado em dinheiro, produtos, mercadorias, ou benefícios (moradia, alimentação, roupas, treinamento, etc.), ou em trabalho sem remuneração direta em ajuda à atividade econômica de membro do domicílio ou parente que reside em outro domicílio, ou, ainda, as que tinham trabalho remunerado do qual estavam temporariamente afastadas nessa semana.

[7] São classificadas como desocupadas na semana de referência as pessoas sem trabalho em ocupação nessa semana que tomaram alguma providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias, e que estavam disponíveis para assumi-lo na semana de referência. Consideram-se, também, como desocupadas as pessoas sem trabalho na semana de referência que não tomaram providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias porque já o haviam conseguido e iriam começá-lo em menos de quatro meses após o último dia da semana de referência.

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