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Varejo ampliado retoma crescimento em abril e segue instável em 2021

O comércio varejista ampliado brasileiro[1] apresentou crescimento de 3,6% em abril comparado a março  de 2021, revertendo o comportamento negativo observado em março de 2021, segundo a última Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE. Os dados positivos do varejo ampliado em abril indicam uma recuperação em relação ao desempenho negativo em março, quando o recrudescimento da pandemia impactou o comportamento do comércio. A volta parcial das atividades na segunda quinzena contribuiu para impulsionar as vendas do varejo em abril, bem como a retomada do auxílio emergencial. A tendência de longo prazo, no acumulado em doze meses, mostrou que o varejo ampliado voltou a apresentar um desempenho positivo (3,5%). O indicador de vendas no varejo (iGet) ponderado para o varejo ampliado, desenvolvido pelo Santander em parceria com a GetNet, indicou aumento de 18,6% na prévia para o mês de maio com relação a abril de 2021. O dado baseado nas vendas com cartão de crédito reforça a expectativa de aumento de vendas do varejo ampliado para o mês de maio e, consequentemente, para o segundo trimestre de 2021.

Praticamente todos os setores do varejo ampliado apresentaram crescimento do volume de vendas no mês de abril frente a março de 2021. Houve crescimento marginal nas vendas de móveis e eletrodomésticos (24,8%); de veículos, motocicletas e partes e peças (20,3%); de tecidos, vestuário e calçados (13,8%); de materiais de construção (10,4%); equipamentos e materiais para escritório (10,2%); de livros, jornais e artigos de papelaria (3,8%);  de combustíveis e lubrificantes (3,4%); e de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,9%). Muitos dos setores citados recuperaram-se no mês de abril das expressivas quedas das vendas que haviam sido observadas em março, como o de móveis e eletrodomésticos; o de veículos, partes e peças; o de tecidos, vestuário e calçados; e o de material de construção, mostrando que a reabertura das atividades comerciais na segunda quinzena de abril trouxe efeitos positivos sobre o volume de vendas de produtos que apresentavam uma demanda reprimida pelo período anterior de restrição de atividades. Um dos destaques positivos do varejo ampliado foi certamente o setor de veículos, partes e peças. A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) anunciou um aumento nas vendas de veículos novos em maio de 2021 (aumento de 11,95% dos emplacamentos de automóveis).  No entanto, os segmentos automotivos continuam sofrendo com problemas de falta de peças e componentes e paralisação da produção em unidades fabris, ameaçando a manutenção do abastecimento de autoveículos e reafirmando as grandes dificuldades enfrentadas pelo varejo automotivo no começo do ano.

Somente o setor de hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo apresentou queda do volume de vendas em abril comparado a março de 2021 (-1,7%),  revertendo o comportamento positivo marginal localizado em fevereiro e março desse ano.

Adriana Marques da Cunha e Saulo Abouchedid, analistas da Facamp, destacam que “o comportamento positivo do varejo ampliado em abril de 2021 relaciona-se à reabertura das atividades comerciais a partir da segunda quinzena do mês, com contribuição de uma nova rodada do auxílio emergencial, mesmo que em patamar muito reduzido, permitindo maior mobilidade e gastos da população, que voltou a frequentar os estabelecimentos comerciais e a retomar suas compras de produtos cuja demanda havia se mantido reprimida no período de maior respeito ao isolamento”. E acrescentam que “o anunciado agravamento da pandemia nos próximos dias não deve levar a medidas restritivas como aquelas adotadas anteriormente, beneficiando a abertura do comércio e a sustentação das vendas e indicando um segundo trimestre com saldo positivo para o varejo ampliado”. Entretanto, os analistas ressaltam as dificuldades de recuperação do mercado de trabalho, marcado por elevado nível de desemprego e de informalidade, e a aceleração da inflação como pontos de  incerteza para o setor em 2021.

Fonte: IBGE. Elaboração NEC/FACAMP

 

Núcleo de Estudos de Conjuntura

Adriana Marques da Cunha

Saulo Cabello Abouchedid

 

[1] O comércio varejista inclui combustíveis e lubrificantes; hiper, supermercados, produtos alimentícios e fumo; tecidos, vestuários e calçados; móveis e eletrodomésticos; artigos farmacêuticos, médios, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; livros jornais, revistas e papelarias; equipamentos e materiaias para escritórios, informática e comunicação; e outros artigos de uso pessoal e doméstico. O comércio varejista ampliado adiciona veículos motos, partes e peças, assim como material de construção, aos demais segmentos citados. Neste documento, destaca-se o comportamento do varejo ampliado.

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