Av. Alan Turing, nº 805 - Barão Geraldo – Campinas

Varejo brasileiro ampliado confirma crescimento em maio

Adriana Marques da Cunha e Saulo Cabello Abouchedid[1]

 

O comércio varejista ampliado brasileiro[2] cresceu 3,8% em maio frente a abril de 2021, confirmando o comportamento positivo observado em abril de 2021, segundo a última Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE. Os dados promissores das vendas do varejo ampliado em abril e maio revelam os efeitos positivos sobre o comércio da volta parcial das atividades e da recuperação da mobilidade a partir da segunda quinzena de abril, com contribuição da retomada do pagamento do auxílio emergencial. No acumulado em doze meses, o varejo ampliado reforçou seu desempenho positivo (6,8%). O indicador de vendas no varejo (IGet) ponderado para o varejo ampliado, desenvolvido pelo Santander em parceria com a GetNet, com base nas vendas com cartão de crédito, também mostrou crescimento de 8,6% no resultado consolidado para o mês de maio frente a abril de 2021. No entanto, na prévia para junho, o IGet indica queda de 3,7%, puxada pela redução das vendas com cartão de crédito em supermercados (o indicador mais relevante do índice) e no segmento de vestuário. As expectativas  negativas para junho, principalmente nas compras em supermercados,  podem indicar a retomada de serviços de alimentação fora das residências atrelada à sensação de volta à normalidade e à maior mobilidade da população. E, certamente, não permitem abandonar a preocupação com a instabilidade das vendas do varejo ampliado observada nos primeiros meses de 2021.

Grande parte dos setores do varejo ampliado apresentou elevação do volume de vendas no mês de maio comparado a abril de 2021. O crescimento marginal das vendas foi especialmente observado em tecidos, vestuário e calçados (16,8%) e combustíveis e lubrificantes (6,9%), que também apresentaram intensificação de seu comportamento positivo no último mês analisado. Nos demais setores, apesar do crescimento marginal das vendas em maio, houve evidente desaceleração ao se comparar o comportamento marginal das vendas que havia sido observado em abril, como em materiais de construção (5,0%); equipamentos e materiais para escritório (3,3%);  livros, jornais e artigos de papelaria (1,4%).  Chama atenção o tímido crescimento marginal das vendas de veículos, motocicletas e partes e peças (1,0%) e de móveis e eletrodomésticos (0,6%) em maio, depois das expressivas elevações das vendas marginais no mês de abril. Preocupa a situação do setor de veículos, partes e peças, que continua sofrendo com problemas de falta de peças e componentes e paralisação da produção em unidades fabris, colocando em risco a manutenção do abastecimento de autoveículos e reforçando as grandes dificuldades enfrentadas pelo varejo automotivo no começo do ano. A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostrou queda nas vendas de veículos novos em junho de 2021 (redução de 6,55% dos emplacamentos de automóveis).  Por sua vez, o setor de hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo também apresentou baixo crescimento marginal em maio (1,0%), recuperando-se apenas parcialmente da queda marginal do volume de vendas em abril, mas acenando novamente para um comportamento positivo observado de forma localizada em fevereiro e março desse ano.

O único setor que apresentou queda marginal das vendas no mês de maio foi o de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-1,4%), que já havia mostrado reduzido crescimento marginal em abril, não conseguindo, portanto, sustentar suas vendas no último mês analisado.

Adriana Marques da Cunha e Saulo Abouchedid, analistas da Facamp, destacam que “de modo geral, a reabertura das atividades comerciais a partir da segunda quinzena de abril e a retomada do auxílio emergencial, embora em nível muito reduzido, contribuíram para a manutenção dos dados positivos do volume de vendas nos vários setores do varejo ampliado brasileiro em abril e maio de 2021, trazendo sensação de normalidade,  maior mobilidade e gastos da população em contexto de elevada demanda reprimida pelo período anterior de restrição de atividades e de maior respeito ao isolamento. Tudo indica um saldo positivo para o varejo ampliado no segundo trimestre do ano, certamente  beneficiado pela ausência de medidas restritivas como as adotadas no passado e pela manutenção da abertura do comércio, mesmo em cenário de persistência dos efeitos deletérios da pandemia sobre o sistema de saúde e de manutenção do risco ainda elevado de contaminação e mortalidade da população”.  Entretanto, os analistas ressaltam que “existem vários sinais de evidente desaceleração do volume de vendas para o mês de junho, mantendo o ambiente de incerteza no final do primeiro semestre do ano”. Ademais, insistem no destaque às dificuldades de recuperação do mercado de trabalho, com elevada taxa de desemprego e de informalidade, que se somam à aceleração da inflação, reforçando a preocupação com o desempenho futuro do comércio varejista brasileiro.

 

Fonte: PMC/IBGE. Elaboração NEC/FACAMP

 

 

Fonte: PMC/IBGE. Elaboração NEC/FACAMP

 

[1]Pesquisadores do Núcleo de Estudos de Conjuntura da FACAMP

[2] O comércio varejista inclui combustíveis e lubrificantes; hiper, supermercados, produtos alimentícios e fumo; tecidos, vestuários e calçados; móveis e eletrodomésticos; artigos farmacêuticos, médios, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; livros jornais, revistas e papelarias; equipamentos e materiaias para escritórios, informática e comunicação; e outros artigos de uso pessoal e doméstico. O comércio varejista ampliado adiciona veículos motos, partes e peças, assim como material de construção, aos demais segmentos citados. Neste documento, destaca-se o comportamento do varejo ampliado.

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