Xenofobia na Europa

Os Professores Alessandro Ortuso e Maria Piñon discutem o avanço dos partidos de extrema-direita e da xenofobia na Europa. Assista o vídeo com o texto na íntegra abaixo.

Vamos discutir a xenofobia na Europa. Como sabemos todos, a xenofobia é a aversão ao diferente, como por exemplo, o antissemitismo, a islamofobia, o preconceito racial, a homofobia etc.

Nestes últimos anos, os partidos políticos e os movimentos sociais de extrema-direita têm crescido e se tornaram alternativas políticas em muitos países. Este é um fenômeno bastante preocupante. Inicialmente, vamos apresentar os principais partidos e movimentos de extrema-direita. Mostraremos suas propostas, suas formas de organização e suas ações. Para finalizar, discutiremos as causas e os fatores que impulsionam o crescimento da extrema-direita na Europa.

Vamos começar com a descrição dos principais atores da extrema-direita. O partido de maior destaque é a Frente Nacional da França de Marine Le Pen.  A Frente Nacional lidera, com cerca de 40% das intenções de votos dos franceses. Apresenta-se como defensora da França. Parou de defender às claras, parou de defender em público o antissemitismo, mas segue antissemita. Declara-se protetora da economia francesa e do seu crescimento. Postula a saída da França da União Europeia e o abandono do euro. É islamofóbica e contra a dupla cidadania para estrangeiros.

Na Inglaterra, a extrema-direita é dominada pelo UKIP, o partido da independência da Inglaterra. Como os outros partidos de extrema-direita, o UKIP defende a saída da União Europeia. Defende que no Reino Unido os empregos sejam reservados para os seus cidadãos, que o sistema de saúde gratuito atenda exclusivamente os ingleses e defende o controle severo da imigração muçulmana. É contra a invasão de cidadãos oriundos de suas antigas colônias e se opõem também aos imigrantes do leste europeu. Para este partido, os valores tradicionais devem ser retomados, como por exemplo, a volta das mulheres para as atividades domésticas.

Vejamos o partido de extrema-direita da Ucrânia. Ele é um dos partidos que compõe a base do governo ucraniano: o Svoboda – que significa liberdade  em ucraniano. A maioria dos seus membros são originários do Partido Social-Nacionalista da Ucrânia, neonazista. O Svoboda possui 45 deputados e diversos membros no governo, inclusive o vice-primeiro ministro. O partido é antissemita, ligado a grupos paramilitares, persegue imigrantes e defende separações religiosas e étnicas. Defende também restrições às mulheres nos espaços públicos. Contrário à Rússia, o Svoboda defende a aproximação com a União Europeia.

Outro país do leste europeu em que a extrema-direita cresce e tem grande peso nos dias de hoje é Hungria. O Jobbik nome que significa Movimento por uma Hungria Melhor, é o mais popular partido de seu país. Antissemita e perseguidor dos ciganos, é um grupo organizado, violento e com uma milícia, a Guarda Magiar, composta por 3.000 militantes que assumiram funções da polícia húngara em diversas regiões. O Jobbik é fortemente contrário à globalização e à austeridade imposta pelo FMI ao país desde o início da crise financeira de 2008.

 

 

 

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